I'm not afraid anymore
16 Capitulo 16
Notas iniciais
Eu parei em frente a janela e cruzei os braços com o celular na mão. Fechei os olhos e respirei fundo, numa tentativa frustrada de me acalmar.
De repente alguém me abraça por trás e abro os olhos no mesmo segundo. Meu coração disparou de uma hora pra outra. Quem seria?
Viro para trás e vejo Federico. O empurro com pouca força pra trás.
– Você quer me matar! Quer que eu enfarte! – Eu disse com a mão no peito.
Ele começou a rir sem parar e se sentou na cama.
– Calma Lu! – Ele disse enquanto tentava parar de rir.
– Onde você tava? Te liguei umas mil vezes, te mandei umas trinta mensagens, mas você nem sequer visualizou! O que aconteceu? – Eu disse realmente brava.
Ele sorriu e franziu o cenho.
– Onde você acha que eu estava?
– Não enrola Federico! Fala logo.
Ele sorriu e fez sinal para que eu me sentasse do lado dele. Fiz que não com a cabeça.
– Vamos logo Ludmila! Juro que eu não fiz nada de errado!
Resolvi sentar, querendo desencanar um pouco.
– E então... – Eu disse para que ele começasse a falar.
Ele segurou minhas mãos e disse:
– Eu fui em um centro de reabilitação hoje. Vou começar um tratamento, tenho que ir todas as sextas lá. Fui falar com eles pra poder participar das reuniões e sexta-feira que vem começo.
Minha braveza desapareceu em alguns milésimos e eu abri o maior sorriso da minha vida. O abracei com força dizendo:
– Que legal Fê! Isso é ótimo! Obrigado, obrigado, obrigado!
– Eu que devo te gradecer! Se não fosse você eu não teria feito isso nunca!
– Tenho certeza que em pouquíssimo tempo você já estará zerado!
– Não é tão fácil assim, mas eu vou me comprometer e me dedicar pra acabar com isso de uma vez por todas.
– Sua vida vai melhorar sem por cento pra melhor você vai ver. – Eu disse saindo do abraço.
– Já está melhorando.
O beijei com força. Mas deve ter sido por uns três segundos de beijo, por que a Angie entrou no quarto sem bater na porta.
– Federico você quer... comer... alguma coisa? – Ela disse devagar, um pouco envergonhada ao perceber que havia nos interrompido. Nos separamos muito rápido e fingimos que nada tinha acontecido.
– É... Não obrigado Angie. Eu já tô de saída. – O Federico respondeu muito sem-graça com a situação.
– Você pode ficar mais se quiser. – Eu ofereci.
– Eu preciso ir daqui a pouco mesmo Lu. – Ele disse.
– Bom, fique o tempo que precisar, não se preocupe. – Dito isso é a Angie saiu do quarto e fechou a porta.
– Já Fe?
– É. Já te contei tudo que eu tinha pra contar, já é meio tarde.
– Mas é sexta-feira! Posso falar pra Naty e o Maxi saírem com a gente! Ela e ele estão ficando muito próximos sabe.
– Você tá ficando muito mal acostumada! Quando os seus pais voltarem... – Ele começou a dizer em tom de brincadeira.
– Não quero saber deles nesses dois meses, ou menos, que eles vão ficar fora! – Eu disse o cortando.
– Tá, desculpa.
– E então, vamos sair com a Naty e o Maxi ou não?
– Não sei não...
– Por quê?
– Porque eu vou ter que descer.
– E daí?
– E daí que...
– Você tá com vergonha da Angie né. – Eu disse o cortando.
– Como você quer que eu olhe pra cara dela agora?
Eu ri. Ele parecia mesmo bem envergonhado.
– Federico com vergonha? Isso não é uma coisa que se vê todo dia.
– Ela já sabia de tudo?
Fiz que não com a cabeça.
– Tá piorando cada vez mais. – Ele disse colocando a mão na testa e me fazendo rir ainda mais.
– Vamos Federico! Vou ligar pra Naty.
– Tá bom, liga aí!
Liguei pra ela e combinamos tudo, em meia hora ela vinha me buscar na minha casa e a gente iria para uma festa.
– Certo, enquanto eu me arrumo você vai lá falar com a Angie. – Eu disse o empurrando para fora do meu quarto.
– Ludmila não faz isso! – Ele disse não deixando eu fechar a porta.
– Relaxa Federico, ela é um doce. Daqui a pouco eu vou lá com vocês eu disse fechando a porta e a trancando. Depois eu ri sozinha por um tempo, enquanto eu me arrumava.
Depois de mais ou menos vinte e cinco minutos eu desci, só troquei de roupa e me maquiei.
Ao entrar na sala me deparei com o Federico em um sofá e Angie em outro. Ela parecia tentar puxar assunto, mas Federico estava bem fechado.
– Oi. – Eu disse enquanto me sentava do lado do Federico.
– Você tá muito bonita. – O Federico disse.
– Ai que lindo! – Angie disse um pouco empolgada.
Federico corou na hora.
– O que vocês conversaram? – Perguntei.
– Ele me contou que vocês estão namorando agora né. Por que você não me disse nada antes? – Angie perguntou meio inconformada.
– É que... Eu não quero que todo mundo saiba entende?
– Ah sim! Não se preocupe!
Escutamos uma buzina e tivemos certeza que era a Naty e o Maxi.
– Angie, a gente vai sair hoje junto com a Naty e com o Maxi tá.
– Tudo bem. Não quero que passe da uma da manhã tudo bem?
– Tudo bem!
Abri a porta e entramos no carro do Maxi.
– Um novo casal? – Ele perguntou nos olhando pelo espelho e dando partida.
Eu e Federico nos entreolhamos e eu já sabia que não queria mais contar sobre nós para mais ninguém.
– Não Maxi. Ele é só meu amigo. – Eu disse e Naty me jogou um olhar de cumplicidade.
– O que ele fazia na sua casa então? – Ele perguntou malicioso.
Revirei os olhos e fui responder, mas Naty o fez antes.
– Deixa de ser idiota Maximiliano! Amigos frequentam a casa um dos outros!
– Bravinha hein, Naty! Gosto disso. – Ele disse piscando pra ela que corou na hora.
O resto do caminho até a festa eu passei quieta, já a Naty e o Maxi não paravam de conversar um minuto. A Naty olhava pra ele de um jeito diferente, eu nunca a vi assim. Ela era meio “disputada” na classe pelos garotos, mas não se importava muito com eles, só com o Maxi.
Já o Maxi estava dando mole pra ela, o que a deixava ainda mais feliz, empolgada e, por mais incrível que pareça, meio tímida.
Chegamos da festa que estava totalmente lotada. Era a segunda vez que eu ia a um lugar assim, então eu não estava acostumada ainda. Federico segurou minha mão de modo que o Maxi não percebesse e fomos para o outro lado da festa. Deixando a Naty e o Maxi sozinhos.
A festa estava ótima. Eu não vi muito a Naty, fiquei com o Fê a festa inteira. Até que vejo a Naty saindo da festa correndo, chorando muito e sem o Maxi. A Naty não era de chorar então fiquei preocupada.
– Federico eu...
– Eu também a vi saindo. Pode ir. – Ele disse me cortando.
Dei um beijo nele e saí atrás dela.
Fale com o autor