I'm not afraid anymore
14 Capitulo 14
Notas iniciais
Chegamos na porta da casa dele e pude perceber que ela era até grande e bonita por fora.
Ele abriu a porta e deu espaço para que eu entrasse primeiro. Olhei para a sala que era espaçosa e moderna. Andei por ela devagar percebendo alguns detalhes. Federico me olhava apreensivo parado perto da porta.
– O que foi? – Perguntei.
– Nada, não estou acostumado com visitas. – Ele disse rindo.
– Você mora sozinho?
– Na verdade não, as vezes a Anna volta do trabalho dela e fica aqui comigo por alguns dias, mas na maioria das vezes fico sozinho.
Ele não disse aquilo em um tom triste, mas senti dó, por mais que ele não gostasse que as pessoas sentissem isso por ele. A Naty também morava sozinha, mas era cheia de amigos que vinham toda hora na casa dela, já o Federico não, ele só tinha a mim, o que fazia com que eu quisesse ficar com ele ainda mais.
– Posso conhecer seu quarto? – Perguntei já na ponta da escada. Eu sabia que lá ele escondia alguma coisa e queria muito descobrir o que era.
– Deve estar muito bagunçado lá. – Disse ele colocando a mão na nuca.
– Relaxa Federico! Todo quarto é bagunçado! – Eu digo já subindo as escadas.
Ao final da escada me deparo com um grande corredor, no qual tinha três portas. Alguma coisa me dizia que eu deveria abrir a primeira e foi o que eu fiz.
Abri a porta rapidamente e me deparei com um quarto grande, com uma cama no centro e com as paredes cheias de pôsteres de grandes bandas de rock do passado. Era incrível! Era o tipo de música que minha mãe me proibia de escutar, mas mesmo assim eu fazia aquilo. E ali no canto do quarto, perto do guarda roupa havia uma guitarra.
Eu ainda estava parada na porta, admirando tudo aquilo quando Federico parou atrás de mim.
– Ludmila. – Ele chamou e eu me virei saindo do transe.
– Por que não me falou que o seu quarto é tão legal?! – Eu disse me virando pra ele.
– Você acha mesmo? – Perguntou ele franzindo o cenho.
– Claro! – Eu disse entrando no quarto dele e o puxando para dentro.
– Achei que você não curtisse esse tipo de coisa. – Ele disse sorrindo.
– Você toca? – Perguntei apontando pra guitarra.
– Mais ou menos.
– Toca aí!
– Melhor não.
– Por favor!
Ele revirou os olhos e disse:
– Tá certo.
Me sentei na cama, ele pegou a guitarra e se sentou do meu lado. Ficou um tempo parado olhando para o chão, provavelmente pensando o que tocar, sorriu e começou a tocar Perfect do Simple Plan.
Aquela era uma das músicas que eu mais gostava, sentia que ela foi feita para mim. Ele me olhava de vez em quando e eu sempre sorria. Naquele momento eu estava sentindo uma paz que eu nunca havia sentido antes na vida.
Quando ele terminou, sorriu pra mim e disse:
– E...
– Você é muito talentoso Federico, mesmo! Cada dia que passa, você mostra que é diferente do que os outros pensam.
– Digo o mesmo de você.
– De mim?
– Você é muito diferente do que todos esperam Ludmila. Por ser filha de dois advogados famosos e milionários, você tem tudo pra ser mimada e egoísta e não é assim.
– Nossa! Obrigada pela sinceridade. – Eu disse, fazendo com que ele risse e eu também.
– Você apenas é obrigada a se disfarçar de uma garota desse tipo. Agora que seus pais estão fora por dois meses você está muito mudada. Você se veste diferente, age diferente e até se veste diferente. Agora você é simplesmente você.
– Não existe nada melhor no mundo que isso.
– Eu sei. Agora eu também estou descobrindo coisas novas, eu nunca nem sequer gostei de alguém! Mas justo a filha de dois advogados dá uma reviravolta na minha vida. – Ele disse rindo.
– Eu só queria que esses dois meses durassem pra sempre. — Eu disse suspirando no final.
Ele se aproximou mais, colocou a mão no meu rosto e disse:
– Então olha a responsabilidade que eu levo comigo: Fazer que esses dois meses sejam tão felizes para que sejam equivalentes a felicidade de uma vida toda.
Fomos nos aproximando devagar, até que (infelizmente) meu celular toca. Era a Angie.
– Oi Angie. Tudo bem?
– Tudo. Mas eu tô meio preocupada, você está demorando mais que o normal?
– Eu tô bem Angie. Não se preocupe.
– Eu tenho uma coisa pra te contar.
– O que foi?
– Acabei de descobrir que seus pais estão participando de um reality show!
– Reality show? Tipo Big Brother, essas coisas?
– Isso mesmo.
– Sério?
– Seríssimo!
– E isso vai começar quando?
– Hoje a noite.
Por um momento fiquei pensando se ria ou não. Que história é essa de dois advogados entraram em um reality show que segundo eles é meio politicamente incorreto?
Aquilo seria ridículo! Então comecei a rir, como dizem: rir para não chorar.
– Ludmila, você tá rindo? – A Angie perguntou do outro lado da linha.
Então me dei conta de uma coisa. Se eles fossem eliminados antes da final (o que era muito provável que aconteceria se eles agirem como agem sempre) eu não iria ficar os dois meses sem eles no meu pé. E foi esse pensamento que fez com que eu parasse de rir no mesmo instante. E também percebi que o Federico me olhava como se eu fosse maluca.
– Ludmila você tá aí?
– Tô sim Angie. Obrigado por me contar daqui a pouco eu tô de volta.
– Tá bom então. Beijo.
– Beijo.
Desliguei o celular e fiquei olhando para a tela preta.
– Ludmila o que foi isso? – Federico perguntou franzindo o cenho.
– Acabei de saber que o seu prazo pra realizar a missão foi encurtado para no mínimo uma semana.
– Como assim?
Expliquei tudo pra ele que me olhava meio confuso.
– Mas eu pensei que advogados não curtissem esse tipo de coisa. – Ele disse tento o mesmo pensamento que eu.
– Eu também não. Mas o que o pessoal famoso não faz para aparecer não é mesmo?
– Sim, é verdade.
– Tenho certeza que eles não vão durar nem o primeiro mês naquilo, do jeito que eles são insuportáveis.
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