I'm not Cat. I am Lady Stoneheart
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Fui ensinada desde criança a ser uma perfeita dama. Com meus cabelos ruivos, olhos azuis e boa reputação não demorou para que fosse prometida ao futuro grande senhor. Claro, tive meus medos, mas Brandon Stark era o sonho de qualquer donzela. Mas os tempos eram de Guerra e ele estava nela… bem não tardou para chegar a notícia de sua morte, aquilo me devastou por voltas e voltas de lua.
Porém a vida continuava e me casei com seu irmão. Eddard Stark, um homem fechado e honrado, típico nortenho aquele, achei que jamais poderia me acostumar com ele. Foi outro que partiu para Guerra contra o insano do Rei, me deixando com um filho no ventre. Sim, eu teria um herdeiro de Winterfell e o que poderia ser melhor do que aquilo?
Meu marido voltou vivo, salvando o Reino da loucura de Aerys. Toda mulher ficaria honrada de ser a mulher de um homem que lutou pela liberdade de Westeros, mas que mulher ficaria honrada em ser traída? Sim, ele tinha me traído. Voltou da Guerra com um bastardo nos braços enquanto eu carregava seu herdeiro nos meus. Deuses, como o odiei. Tanto ele como a maldita criança, no meu interior sabia que Jon Snow não tinha culpa, mas sentia que ele era uma ameaça para meu pequeno Robb.
Os anos se passaram. Tive outros lindos filhos: Sansa, Arya, Bran e Rickon. Diferente do que achava, me acostumei com Ned e me apaixonei por ele, sabendo que o sentimento era retribuído. Mas lá no fundo sabia que nunca ia perdoá-lo por envergonhar-me com aquele bastardo e ter que olhar para aquela criança tão parecida com meu marido era o que doía mas demonstrava por meio da raiva.
Minhas crianças tinham a típica aparência dos Tully. Ruivos e de olhos azuis, com traços delicados e nada nortenhos. Menos Arya, aquela era nortenha ao todo, tanto em seu físico quanto na personalidade, mas eu a amava do mesmo jeito. Era e sempre seria minha menininha assim como Sansa.
Porém a vida não era um mar de rosas. Quando um corvo chegou da Capital, avisando sobre a morte de Jon Arryn e que o rei estava vindo para o Norte com a rainha e todos os outros. Meu mundo perfeito que tinha construído ao lado de Ned começou a se desmoronar…
Primeiro, meu doce Bran perde o movimento das pernas ficando dias e dias em uma cama, sem certeza que veria seus olhos novamente. Depois, meu marido com Sansa e Arya vão para Porto Real, ele para servir como Mão daquele Rei balofo e minha querida Sansa como prometida daquele babaca que era o herdeiro dos Sete Reinos. Até ai, estava tudo dentro dos conformes, meu garotinho estava vivo e tinha acordado, por meu instinto de mãe de sempre ficar ao seu lado, caso contrário ele estaria morto e não seria pela queda de uma torre e sim pela adaga de um assassino contratado.
Descobri que os Lannister estavam envolvidos naquilo tudo e fui atrás de justiça. Parei na Capital onde reencontrei um velho amigo, beijei meu marido pela última mesmo não sabendo que aquela seria a última e parti de volta para Casa, mas no meio do caminho encontrei o que poderia ser minha vingança. Tyrion Lannister. Aquele fora minha única chave e quase consegui o que queria, mas o anão havia escapado da culpa.
Meu marido foi preso e morto. Minha Sansa era prisioneira dos Lannister minha Arya… Bem, ela nunca mais fora vista. Descobri que meu Robb partia do Norte para a Guerra, fui ao seu encontro e de repente me descobri mãe de um Rei. O Rei do Norte. Aquele que venceria todas as batalhas que lutasse contra os leões dourados.
Nunca confiei naquele que meu menino mandava para sua Casa, tentando trazer aqueles que não semeavam para nosso lado. Eu avisei, deuses, como avisei, mas ele não me escutou… Theon Greyjoy tinha virado a casaca e invadiu minha Casa com os homens de Ferro, massacrando meu povo e pior… Minhas duas crianças: Bran e Rickon.
Dos meus cinco filhos, tinha apenas um: Robb Stark e a incerteza de Sansa estar bem, por mais que fosse prometida de um Rei. Virei uma mulher vazia. Tudo o que tinha dentro de mim era a tristeza e a sede de vingança. Mas pelo Sete, eu me vi só diante um mundo onde todos nossos inimigos riam de nossa cara. Nunca mais ouviria a doce voz de Sansa, jamais tentaria fazer de Arya uma Lady, as brigas com Brandon para ele nunca mais escalar estavam perdidas no passado e Rickon… Nunca mais pegaria meu lindo bebê no colo para niná-lo. Tinha perdido toda minha felicidade e vi que na verdade não estava tão sozinha quando achava.
Só continuava a batalhar por causa daquele que somente queria o bem do seu povo, como o pai queria anos atrás. Como Rei agora, eu não podia ficar muito com ele, mal o via na verdade, mas era tudo o que tinha por que lutar e não iria desistir de meu menino... Mas ele não foi esperto o suficiente, se deixou levar pelo amor e foi o amor sua perdição. Com aquilo, perdemos o apoio dos Frey e atraímos a ira da Travessia. Novamente o alertei, mas quem disse que me ouviu? Casou com a Westerling, e eu, num ato desesperado de mãe libertei Jaime Lannister em troca de minhas filhas, sim, eles haviam dito que Arya estava com eles também e em segurança.
Com aquilo apenas atraí a fúria daqueles que buscavam vingança pelo Regicida. Eu também queria, tinha descobrido que ele fodia sua própria irmã, a Rainha, e que foram eles que empurraram meu Bran daquela Torre, causando toda a confusão desde então.
“O Rei Que Perdeu o Norte” era assim que chamavam meu querido Robb. De fato eu não podia discordar, mas ainda assim tinha que acreditar nele, ou nada mais me restava e ai sim estaria sozinha no mundo, para o resto de meus dias. Aliás em meio àquilo tudo também perdi meu pai, e minha irmã jamais voltará a dar notícias se mantendo isolada em seu inexpurgável Ninho da Águia.
Um novo acordo foi fechado com os Frey… Como fomos tolos de cair nas mãos daquele velho idiota e atrasado. O casamento de meu irmão com uma Frey era pra ser o motivo de alegria e comemoração e foi… Por um pequeno período. “The Rains of Castamere” não tocava sem motivos e daquela vez foi o povo nortenho que ouviu a música dos leões…
Viu meu primogênito ser assassinado diante de meus olhos, mesmo depois de tantas súplicas. Gritei, rasguei meu rosto em tiras e me afoguei no próprio sangue…
Dias e dias em um rio fizeram de minha pele algo pálido e viscoso, com as marcas de minhas unhas bem marcadas abaixo dos olhos. Os cabelos um dia ruivos eram agora brancos e quebradiços assim como os olhos azuis tão amorosos e brilhantes se perdiam no brilho da morte. Ganhei uma nova vida. “Ela não fala mas ela se lembra… Todo Norte lembra.”
Perdi tudo que um dia amava. Liderava agora um bando de homens sem estardantes ou lealdade à alguém. Vingança. Era para aquilo que vivia. Vingança por minha família e por minhas Casas: Tully e Stark. De pouquinho em pouquinho eu me vingaria de todos aqueles que me fizeram sofrer: Lannister’s, Frey’s e Bolton’s.
Daquele momento em diante era A Senhora Coração de Pedra, Mãe Impiedosa, A Carrasca e A Irmã Silenciosa, não mais a doce Cat… Pelo menos não para eles. Pois tinha aprendido a respeitar as palavras de minha Casa “ ‘Família, Dever, Honra.’ Sendo o primeiro deles o mais importante.” E era aquilo que eu era, mataria por minha família perdida, pois eles eram tudo o que um dia amei.
Eu faria todos eles escutarem “The Rains of Castamere” e clamarem pela vida, assim como tinha feito por Robb. Talvez Lady Catelyn Tully/Stark fosse piedosa e daria uma segunda chance para eles. Mas A Senhora Coração de Pedra não. Ela se lembrava demais da dor para deixar que escapassem de suas cordas e árvores.
Fale com o autor