I'm here for you

1 Capítulo único


Notas iniciais
Hi, guys! Apesar de amar demais esse casal lindo que é SasuHina, essa é a primeira vez que escrevo sobre eles, rs.

A história está participando do 2º desafio do grupo Concursos - Fanfics de Naruto, no facebook.

Espero que gostem.

Quando Sasuke se comprometeu a ir no enterro de seu irmão, Itachi, ele havia prometido a si mesmo que não se irritaria, nem por um momento. A promessa, é claro, havia sido quebrada quase que no mesmo instante em que pusera os pés ali.

Sinto muito pela sua perda, era uma das frases prontas que ele mais havia escutado. Sasuke conseguia ver a mentira encravada em cada olhar, em cada frase.

Não, vocês não sentem, era o que mais queria dizer a eles, mas lutava para se conter, unicamente por respeito a Itachi. Sabia que nenhum deles sentia pela morte do irmão, mas que ansiavam para tomar seu antigo posto como Capitão na unidade de investigação em que trabalhavam.

Sasuke fechou os olhos e logo sentiu as finas gotículas de chuva molharem sua pele e as vestimentas escuras. Apesar de estar descansado, sentia o coração acelerado e um nó na garganta.

Ouviu alguns passos a esmagarem a grama atrás de si e crispou os lábios, desgostoso.

— Sasuke-kun...

O rapaz não pôde evitar arquear as sobrancelhas, em um gesto de surpresa. Logo que se virou, as mãos ainda dentro do bolso do sobretudo, pôde ver que se tratava de Hinata Hyuuga, lhe encarando com uma expressão melancólica.

— Você está bem? — ela indagou, as bochechas ficando cada vez mais rosadas. Sasuke não soube dizer se pela vergonha ou pelo frio. Mas como se somente naquele momento tivesse percebido o que havia saído de sua boca, ela arregalou os olhos. — Oh, me... Me desculpe! Que insensível a minha pergunta... Me desculpe, Sasuke-kun.

Sasuke não soube exatamente o que responder. Encarou os olhos perolados de Hinata e viu o que não enxergou nas demais pessoas ali. Ele enxergou sinceridade.

. . .

Cerca de cinco meses haviam se passado desde o primeiro contato oficial entre Sasuke e Hinata. A partir daquele momento, eles não só conversavam no escritório em que trabalhavam juntos, mas também fora. Ela passara a demonstrar uma maior preocupação com ele, além de um maior interesse em conversar.

Sasuke havia descoberto que, embora Hinata não fosse do tipo conversadora com os demais, ela gostava de lhe contar sobre seu dia. E ele, é claro, havia aprendido a apreciar a presença da moça. Não gostava de falar sobre si, preferia ouvir a voz dela, as risadas, até os suspiros cansados.

— Amanhã meu pai volta da viagem — disse Hinata, sem tirar os olhos do cardápio da pequena lanchonete onde estavam.

Sasuke fitou o semblante da Hyuuga, ainda concentrada no folheto. Ambos já haviam ido vezes o suficiente ali para que ela ficasse tão focada no cardápio, e Sasuke concluiu que ela deveria estar se sentindo desconfortável com a notícia.

— Quantos dias ele irá ficar aqui? — perguntou o rapaz, a voz impassível. — Dois expressos — disse à garçonete sorridente que havia se aproximado.

— Cinco dias — Hinata respondeu, sem contestar o pedido feito; era a única coisa que ela conseguia digerir pela manhã.

— Hm.

O pedido não demorou a chegar, e assim que a garçonete colocou os dois copos na mesa redonda e se retirou, Sasuke soltou, após bebericar da bebida fumegante:

— Fique no meu apartamento esses dias. — E olhou para o rosto de Hinata, com as bochechas mais vermelhas do que nunca. Sasuke sabia que essa seria a reação dela, mas havia algum tempo desde que aprendera a gostar de causar esse tipo de comportamento na Hyuuga.

— Mas... Não, n-não mesmo, não precisa... disso — Hinata contestou, se xingando mentalmente no instante seguinte por ter gaguejado naquele momento. Havia tempos que não titubeava daquela maneira. Assim sendo, fechou os olhos por um par se segundos e soltou um suspiro. — Não precisa de incomodar com isso, Sasuke-kun.

— Tsc, não seja irritante, Hyuuga — soltou ele, sério, após mais um gole. — Acredito que saiba onde eu moro.

Hinata apenas soltou um pequeno sorriso. Ambos trabalhavam em na unidade de investigação. Era natural que ela soubesse onde ele morava.

. . .

Sasuke bufou, irritado, pela enésima vez. Olhou para o relógio pendurado na parede. Vinte minutos. Hinata estava trancada no banheiro há vinte minutos.

— Ei, Hyuuga, não me faça arrombar essa porta — ele gritou da sala, ranzinza, os dedos apertando incessantemente o botão do controle remoto.

Quase que no instante seguinte, Hinata destrancou a porta e saiu a passos lentos, com o olhar cabisbaixo, como se estivesse fitando os próprios pés.

— Achei que você já tivesse ido dormir — ela disse, tentando não tropeçar nas palavras, tamanha era sua vergonha.

Era a primeira vez que iria passar a noite na casa de Sasuke após seu convite. Era aquilo ou passar a noite com seu pai, e a segunda opção era simplesmente inviável para Hinata, considerando o trágico histórico que possuía com ele.

Hinata se sentiu idiota por ter passado tanto tempo no banheiro, simplesmente se corroendo de dúvida sobre qual pijama vestir. Não era como se Sasuke se importasse com aquilo. Ou talvez se importasse, ela não saberia dizer. De qualquer maneira, ela sempre soube que uma hora ou outra teria que sair do banheiro e que, inevitavelmente, ele a veria daquele jeito. Hinata se perguntou por que, raios, era tão tímida daquele jeito.

A coloração avermelhada nas maçãs do rosto só piorou ao notar o olhar fixo de Sasuke sobre seu corpo. Quando ele próprio pareceu notar o que estava fazendo, virou o rosto rapidamente para a televisão, desconcertado.

— Você disse que demora para pegar no sono — ele disse, simplesmente, mas ao ter o silêncio como resposta, continuou: — Pensei em te fazer companhia.

Hinata não contestou. Sabia o quão teimoso ele era. Sentou-se no sofá ao lado dele e esperou até que ele encontrasse algum canal interessante. Lá fora, apenas o ruído dos grilos, numa cantoria que parecia infindável.

— Itachi também costumava ter episódios de insônia — comentou Sasuke, repentinamente, sem tirar os olhos do aparelho.

Hinata não tinha certeza se deveria entrar naquele assunto. Ou se deveria dizer algo, considerando o fato de que Sasuke nunca havia conversado sobre Itachi com ninguém, além de ser completamente evasivo nas respostas sobre o irmão.

— Sente falta dele, não sente? — ela disse, antes que sequer pudesse pensar em mais algo.

Ele demorou para responder, como se ainda estivesse incerto sobre o que falaria.

— Ele fez algumas coisas ruins... Muitas coisas ruins. — E pela primeira vez em meses, Sasuke soltou um sorriso. Era algo sutil e minúsculo, mas ainda assim, era um sorriso. — Eu o odiava, até. Mas... Itachi era meu irmão.

Ao perceber que ele nada mais falaria, tudo que Hinata pôde fazer foi segurar a mão de Sasuke entre as suas. Era a primeira vez que o tocava de maneira tão íntima daquele jeito, mas ela pouco se importou com aquilo naquele momento. Sasuke nada fez para afastá-la, o que a encorajou ainda mais a permanecer do mesmo jeito.

— Eu estou aqui para você.

. . .

Quando Sasuke saiu de casa em uma sexta-feira pela manhã, com o sol já forte sobre sua cabeça, ele soube que seria um dia difícil. Já havia notado que o pessoal do seu setor ficava mais animado em dias como aquele. Seria algo nada menos do que... irritante.

Ao chegar ao local, porém, tudo o que encontrou foi um recinto quase que completamente quieto, apesar do barulho insistente do telefone, mas não iria contestar. Não era de sua conta e ele pouco se importava. Entretanto, assim que passou pelo corredor onde Hinata costumava ficar, ele não notou sua presença. Em todo o tempo que trabalhava ali, nunca havia visto ela faltar, muito menos chegar atrasada.

Uma inquietação importuna tomou conta de si, e ele não pôde evitar de elevar a voz.

— Onde está a Hyuuga?

Ao contrário do que esperava, sua pergunta foi seguida de um silêncio esmagador. Sasuke observou a cara de cada um ali, vendo apenas a surpresa em suas faces. Alguns desviaram o olhar, outros se entreolharam, as bocas abrindo e fechando, numa incerteza sobre o que dizer. Com o passar do tempo, era natural que seus outros colegas notassem a intimidade que ele e Hinata possuíam um com o outro.

— Ela não virá hoje, Sasuke. — Foi Kakashi o primeiro a quebrar o silêncio. — Achei que alguém tivesse te avisado.

O semblante franzido de Sasuke claramente dizia que ele não havia sido informado de nada.

— Não — negou, seco e irritado, tamanha enrolação.

Antes que o Uchiha sequer abrisse a boca novamente, Kakashi foi mais rápido.

— Ela sofreu um acidente de carro ontem, Sasuke. — E olhou para a mesa em que Hinata deveria estar. — Ela não virá hoje — repetiu as mesmas palavras ditas outrora.

. . .

Sasuke não havia se importado em sair do trabalho no momento em que ouvira a notícia. Também não se importou em correr e esbarrar em várias pessoas ali, contanto que atingisse seu destino.

Por que ninguém me contou?, era o que estava se perguntando durante todo o tempo. Queria ter espaço para ficar com raiva de Hinata. Com raiva suficiente para não se importar com ela. Mas não conseguia, aquele sentimento era, definitivamente, mais forte do que ele.

Não foi difícil achar o hospital em que Kakashi dissera que ela estava. Durante o trajeto dentro do taxi, o Uchiha finalmente achou uma finalidade para o notebook que o obrigavam a carregar para todo canto: hackear o local. Para seu contentamento, o hospital não possuía um sistema de segurança eficaz, e ele logo conseguiu o número do quarto que tanto ansiava entrar.

Ao chegar lá – ignorando todos os protestos dos enfermeiros –, encontrou uma Hinata debilitada pelo acidente; vários cortes pelo rosto e as madeixas escuras bagunçadas. Apesar de tudo, ela não parecia estar em um estado grave. Assim que o viu, ela arregalou os olhos, num claro gesto de surpresa.

— Sasuke-kun? — indagou, antes de voltar a tossir. — D... Desculpe, eu não queria preocupar ninguém. E... não foi nada sério.

Sasuke suspirou, aliviado. Sentiu-se idiota por ter uma reação tão exagerada como aquela. Mas nada daquilo importava mais.

— Por que está sentada no chão?

Hinata tossiu, fazendo o rapaz revirar os olhos. Antes que respondesse, observou-o caminhar até ela e sentar-se ao seu lado, não parecendo realmente se importar com a resposta. A verdade era que Hinata detestava camas de hospitais, uma vez que havia passado parte de sua infância presa em uma devido à frágil saúde que possuía quando criança.

— Você não precisava ter vindo.

Ele não respondeu. Tudo o que fez foi passar um dos braços por cima dos ombros dela, puxando-a para mais perto.

Ambos assim ficaram, até que Sasuke se deu conta do espelho que havia na frente dos dois e na situação de cada um. Hinata com o aspecto de adoentada, enquanto ele também com as vestes e os cabelos bagunçados, frutos da recente correria pelo hospital.

Sasuke soltou um sorriso, mas não um debochado, como sempre estivera acostumado a fazer. De algum modo, queria guardar aquela imagem em sua mente. E foi com esse pensamento que ele rapidamente tirou o próprio celular do bolso com a outra mão e, com o auxílio do espelho, tirou uma foto dos dois, a cabeça de ambos colada uma na outra.

Hinata, mais surpresa do que nunca, não conseguiu esconder a curiosidade.

— O... O que está fazendo, Sasuke-kun? — indagou, aterrorizada com a foto e com a atitude do rapaz. — Por que fez isso?

— Queria ter alguma lembrança nossa — ele respondeu, sem rodeios. Não tinha motivo para mentir.

Como Hinata pareceu ter se contentado com a resposta, ele também se calou. Os olhos de ambos indo da foto recém tirada para o reflexo no espelho.

— Você não precisava ter vindo — ela repetiu, baixinho.

— Eu estou aqui — Sasuke sussurrou perto ao ouvido dela. — Eu estou aqui por você.

Notas finais
Sim, me doeu matar o Itachi, mas matei, sorry, a vontade foi mais forte do que eu!

Sintam-se livres para comentar o que acharam. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!