Se havia uma palavra para descrever o sentimento de Pedro era: êxtase. O guitarrista estava em êxtase profundo, maravilhado, no céu. Depois de quase oito anos de um inferno sem fim, agora ele finalmente vivia sua felicidade plena.

Tinha o amor da sua vida ao seu lado, tinha sua filha ao seu lado e, apesar de todo o temor com essa nova gestação, logo teria um novo fruto de seu amor com Karina. E dessa vez, ele estava ali para acompanhar e viver tudo isso.

Ele estava lá para ver a barriga da noiva começar a crescer, para sentir a suave movimentação que ia acontecendo aos poucos, conforme seu filho ia crescendo e tomando forma. Ele estava ali segurando a mão dela quando, no quarto mês, o exame de ultrassom mostrou que Pedro e Karina teriam um garoto. E dessa vez, quem escolheu o nome foi o pai, que resolveu batizar o filho de Matheus.

Só uma coisa impedia que tudo fosse perfeito.

Acostumada a ter a atenção da mãe só para si a vida inteira, e a ser o centro da vida do pai no último ano, Ana Clara não estava gostando nada de ter que dividir seu espaço com a barriga da mãe, ou melhor, da pessoinha que todos falavam que estava ali.

A geleca, como ela chamava.

Somado à loucura de todos com o casamento que seria dali três dias, a menina estava expondo seus genes esquentadinhos e fazendo birra, como nunca havia feito na vida. Queria que a mãe saísse da cama e fosse lutar com ela, queria que o pai a levasse para São Paulo para ver os amigos, queria ser o centro de tudo.

“Ela está impossível de lidar. Ela sempre foi uma criança tão tranquila, é até estranho.” Reclamou Karina, largada na cama. Além de Pedro, João e seu pai, todos os amigos e conhecidos mandaram, de forma nada sútil, que Karina não ousasse sair da cama para nada que não fosse essencial.

E para ajudar nisso, todo mundo se revezava na companhia a ela, tentando evitar que ela se deprimisse ou chateasse com a solidão. A escalado do dia era Bianca, e esses eram alguns dos piores dias. Apesar do choque de todos com a gravidez de Karina, de todas as broncas e repreensões, foi inevitável que a alegria voltasse a reinar com a chegada de uma nova criança. Mesmo diante da notícia do fim da Believe, a alegria estava difícil de controlar, exceto para a atriz.

“A Clarinha sempre foi filha única e queria continuar assim, Karina, é claro que ela está reagindo dessa forma. Ela não queria um irmão.” O comentário da morena foi ácido, como de costume, e a loira o ignorou como aos demais.

“Meu vestido de noiva já chegou?”

“Ontem à tarde, está lá na sala. O Pedro não viu, a Jade proibiu estritamente. A costureira vem amanhã, fazer os ajustes finais. Sua barriga não deve aumentar até sábado, correto?”

“Espero que não, porque ela já está pesada. O Matheus é bem maior do que a Clarinha, está acabando com a minha coluna.” A lutadora se ajeitou na cama, ligando a TV e suspirando. “Bom, eu vou dormir. Se quiser ir para a sua casa, pode ficar à vontade.”

“Como você consegue ficar tão de boa, Karina? Tão tranquila, tão sossegada? Como você consegue mandar e desmandar na vida do Pedro ao seu bel-prazer e não sentir nenhum remorso?” Bianca explodiu, levantando de onde estava e saindo marchando. “Você escondeu a Clarinha por anos, sabendo que ele estava sofrendo. Você engravidou de propósito, sabendo que isso ia destruir a carreira dele e podia acabar a sua vida.”

“Eu sou impulsiva, Bianca, você sabe disso. O que me resta é aceitar as consequências dos meus atos.”

“Mas seus atos não dizem respeito apenas a você, Karina. A vida de todos será afetada pelas consequenciais dos seus atos.”

“Que droga, Bianca, tá parecendo novela isso aqui, que todo mundo repete a mesma coisa para a personagem quando quer dar bronca. Que droga, troca a fita. E olha que é só você e o João! Tenho medo se fosse mais gente, ia ficar parecendo aqueles capítulos maçantes.” Karina reclamou, apertando o botão de tirar o som da TV e se virando para a irmã.

“Você merecia ouvir isso de todo mundo, sua grande irresponsável. Que droga, Karina, você não entende que eu e o João estamos morrendo de medo de te perder?” Os olhos castanhos se encheram de água, enquanto Bianca ia para a porta, sendo observada pela irmã. “Eu preferia ver você e o Pedro terminando e voltando mil vezes, desde que isso significasse que você ficaria viva. Você me desculpa, mas eu não consigo sentir amor por essa criança sabendo que ela é um plano seu e que pode te matar.”

Dizendo isso, ela deixou a irmã sozinha, indo para a sala buscar sua bolsa. Encontrou Pedro entrando, as mãos cheias de coisas.

“Bianca, você pode me ajudar?” Ele pediu, passando algumas coisas para ela. “São os sapatos da Clarinha e da Karina, as coisas do cabelo... Acabaram de vir entregar.”

“Ah sim. Bom, a Ka dormiu, eu to indo para casa.” Ela se despediu depressa, sem encará-lo para disfarçar as lágrimas. Saiu antes que ele respondesse, batendo a porta atrás de si.

~P&K~

A noite já ia alta e silenciosa, e Karina e Clarinha dormiam abraçadas na cama, a TV ainda exibindo o filme que assistiam pouco antes. Em seu lado, Pedro as encarava em silêncio, perdido em pensamentos. Levantou com cuidado para não despertá-las, indo até o banheiro e fechando a porta.

Havia aprendido a arrombar fechaduras quando era criança e queria pegar doces escondidos na casa da avó. Ele e João haviam aperfeiçoado a técnica ao longo dos anos e, se não fosse a quantidade imensa de guloseimas faltando, ninguém os pegaria de outra forma.

Sempre havia se perguntado o que Karina guardaria naquele armário embaixo da pia, sempre fechado à chave. Ela dizia que eram seus remédios, itens femininos e coisas assim, e que os deixava trancados porque Clarinha adorava mexer. Porém, ela sempre havia deixado a chave à mostra, até pouco antes de engravidar.

Quando questionou esse fato, a noiva apenas disse que Clarinha havia achado e ela havia trocado de lugar, mas não deu mais detalhes. E isso não incomodou Pedro, até aquele dia.

Ele conseguiu abrir a tranca com facilidade e delicadeza, sem deixar nenhuma marca. Abriu a portinhola, encontrando as caixinhas. Haviam vários testes de gravidez feitos, mas com resultado negativo. No fundo, encontrou o que procurava.

A discussão da turnê havia acontecido em uma sexta feira, e Karina havia menstruado uma semana antes. E desde que voltaram a se relacionar, ela tomava o remédio de forma religiosa, com extremo cuidado para não engravidar.

“Ela começou a tomar o remédio em uma segunda-feira, tomou certinho até sexta-feira e... Depois não tomou mais.” Ele sussurrou para si mesmo, encarando a cartela. “Ela não tomou mais um único comprimido, nem um único dia.”

Ele soltou a cartela em sua mão, caindo sentado no chão. Seus olhos arderam em lágrimas salgadas que desceram quentes por suas bochechas, enquanto seu coração se apertava e o que ouvira mais cedo voltava a sua mente.

“Como você consegue ficar tão de boa, Karina? Tão tranquila, tão sossegada? Como você consegue mandar e desmandar na vida do Pedro ao seu bel-prazer e não sentir nenhum remorso? Você escondeu a Clarinha por anos, sabendo que ele estava sofrendo. Você engravidou de propósito, sabendo que isso ia destruir a carreira dele e podia acabar a sua vida.”

Ele havia chegado com as encomendas, em silêncio porque sabia que era o horário que ela dormia. Foi até o quarto deixar as coisas, mas ouviu a discussão em voz alta e parou. Ficou em silêncio sendo ferido pelas palavras, até que percebeu que Bianca iria embora.

Saiu o mais depressa possível, mas ela apareceu no corredor quando ele estava na porta. Então fingiu que estava entrando, tentando se manter tranquilo. O bom é que ela estava tão perturbada quanto ele, então não percebeu nada.

Ele guardou tudo de volta e se levantou, fechando a porta e dando um tranco para travá-la. Voltou para o quarto e pegou a filha nos braços, a levando para sua própria cama e a colocando entre as cobertas.

Quando deitou ao lado de Karina, ficou a encarando por um longo tempo. Desceu sua mão para a barriga sobressaltada, tocando-a com carinho. Não podia suportar pensar que algo tão bom, puro e razão de tanta alegria havia vindo do egoísmo.

Não sabia o que fazer, não sabia como agir. Estava repleto de dúvidas, e uma vez mais, precisaria da ajuda de João.

Notas finais
Bom, como podem ver na imagem, RAFAEL VITTI POSSUI UM EXEMPLAR DE I'M FOREVER YOURS FEITO SOB MEDIDA PARA ELE (e para a Bella, mas o dela eu ainda não consegui entregar. Aliás, alguém sabe para onde posso enviar?" Ele ficou surpreso, os olhinhos brilharam, ele sorriu, e prometeu que iria ler. Vamos aguardar, né? E a todas vocês que movimentaram o twitter, que falaram bem, que divulgaram a história ou falaram comigo no Insta: vocês são demais, eu amo vocês, muito obrigada!!! E para quem perguntou como conseguir um exemplar, dá uma olhada aqui: https://www.facebook.com/fanficswaalpomps/posts/681445361986068 Pedro descobriu... Ai caraaaaamba. O que será que vai acontecer agora? Faltam mais três capítulos para a fic acabar, e eu quero postar o último dia 6 de setembro, quando ela completa um ano. Vamos que vamos. Ah, e quem quiser pode enviar perguntas para a Clarinha. O que? Como? A Clarinha? Não só a Clarinha, mas a Clarinha com 18 aninhos. Só vão valer as perguntas que chegarem nos reviews, ok? E podem ser enviadas até o capítulo final (exceto epílogo). See you ;* http://www.facebook.com/fanficswaalpomps