Notas iniciais
Não tenho muito que falar.
Espero que gostem.
Casal: Renato e Diego.
Negrito: Mensagens.
##: Inicio do flash Back
**: Passagem de tempo ou lugar.
(): Tradução das palavras.

Mordeu os lábios de forma aflita. Estava cansado, insuportavelmente cansado. Já não aguentava tudo ao seu redor, tudo tão difícil e complicado. Sua vida simplesmente virara de cabeça para baixo e tudo por culpa sua.

Perdeu tanto em tão pouco tempo. Perdera o irmão para a morte, perdera a mãe para o vício e o pai estava lhe virando as costas no momento em que mais precisava. Sua única luz estava machucada demais para lhe perdoar, mas também o que havia feito não tinha perdão. Tinha tanta culpa guardada no peito, mal percebeu quando as lágrimas que tanto tentava segurar estavam sendo teimosas e lhe manchando a face. Olhou pela janela de forma melancólica, olhava o céu nublado como que querendo se unir as nuvéns.

Soluçou alto e sentiu o vibrar do celular, olhou a tela e suspirou de forma cansada. Não queria conversar com ninguém, mas já havia errado tanto, e ele não tinha culpa de nada que acontecera.

Hey”( Ei) – Tentou sorrir ao ler a mensagem. Passou a mão pelo rosto limpando os traços das lágrimas, não queria que ninguém percebesse como se sentia.

Hello”(Ola) – Respondeu da mesma forma que sempre fazia. Quase sorriu da sua própria idiotice, estava sozinho –“I was thinking of you” (estava pensando em você)- Imaginou que o outro sorriria com essas palavras.

I'm sorry”(Sinto muito) - Parou um pouco confuso. Por que ele lhe pedia desculpas? – “I should not have left there. Leaving you alone (Eu não deveria ter saido de lá. Ter te deixado sozinho).

Olhou a mensagem e suspirou. Diego não tinha culpa – “It was not your fault” (Não foi culpa sua.) – Tudo que tinha acontecido até ali, foi tudo por um erro próprio.

“If you say. How are you?” (Se você diz. Como você está?) – Torceu os lábios. O que responderia? Que estava mau? Que estava quebrado ao ponto de querer se atirar pela janela?

Não. Diego não tinha culpa. Seu ruivo não precisava saber o que estava acontecendo em sua mente – “I'm fine” (Estou bem) – Repetiu seu mantra interno.

“you are lying” ( Você está mentindo) – Desligou o celular sem responder. Não queria conversar e muito menos responder. Diego nunca entenderia que seus problemas não interferem na vida dele, que seus sentimentos conturbados não prejudicaria os dois.

Saiu da janela e se jogou na cama. O quarto agora tão vazio, sentia tanta falta do irmão. Engoliu em seco, não choraria de novo, se recusava a deixar qualquer expressão em seu rosto, que evidenciasse o que estava passando em seu coração. Colocou os fones e se entregou as lembranças que a música lhe trazia.

##

Come on skinny love just last the year.

(Vamos, amor frágil, que durou apenas um ano)

Pour a little salt we were never here

(Derrame um pouco de lágrimas, nós nunca estivemos aqui)

My, my, my, my, my, my, my, my.

(Meu, meu, meu, meu, meu, meu Deus).

Staring at the sink of blood and crushed veneer

(Olhando para a pia de sangue e verniz esmagado)

A noite tinha começado mal, seu pai não aceitava o que estava acontecendo, sua mãe estava indisposta. Mas se obrigava a sorrir por causa do irmão e pelo que a noite representava para seu relacionamento que estava fazendo um ano.

_ estou com medo Rê – sorriu pequeno, seu ruivo estava ali do seu lado e era tudo o que importava no momento – e se seu pai, não me aceitar? E se... – parou o falatório de Diego com um beijo.

_Eu gosto de você – sussurrou em meio ao beijo – você me conquistou. Vai conquistar eles também – mentiu descaradamente, sabia que seu pai jamais aceitaria um filho impuro como ele, mas não preocuparia Diego com seus problemas.

Tell my love to wreck it all

(Digo ao meu amor para destruir tudo)

Cut out all the ropes and let me fall

(Corte todas as cordas e me deixe cair)

My, my, my, my, my, my, my, my

(Meu, meu, meu, meu, meu, meu Deus).

Right in the moment this order's tall

(Bem no momento, este desejo é grande)

Não imaginava que tudo sairia tão errado. Somente percebeu que o controle não estava em suas mãos quando seu pai começo a perguntar.

_ Achei que iria trazer sua namorada Rênato – o homem alto e de expressões fechadas falou, olhava com certa repugnância para o ruivo – Bernardo já trouxe a dele – engasgou quando o pai voltou a lhe encarar. Sabia que tinha que responder e de preferência que fosse a verdade.

Sentiu as bochechas queimarem, Diego lhe olhava, sua mente implorou para que não respondesse.

_ Se conhecem de onde? – Bernardo interviu no momento tenso – Rênato me fala de você as vezes – Suspirou e olhou agradecido para o irmão.

_ Estudamos na mesma sala. Sentamos em dupla – a voz do ruivo saiu em meio a um sorriso forçado. Ele estava confuso, dava para perceber o quanto.

Sentia-se pronto para pular de uma janela.

And I told you to be patient

(E eu lhe disse para ser paciente)

And I told you to be fine

(E eu lhe disse para você ficar bem)

And I told you to be balanced

(Eu te disse para ser equilibrado

And I told you to be kind

(Eu te disse para ser gentil)

E o desastre chegou. Entre a refeição principal e a sobremesa que havia feito.

_ Então. Diego não é? – Olhou o pai quando voltou a falar com o ruivo – Faz o que da vida?

_ Não trabalho ainda – mordeu os lábios preocupado – mas pretendo começar no inicio do ano que vem. Junto com a faculdade.

_ Não é muito fácil, hoje em dia arrumar emprego – abriu a boca para interromper o pai, mas foi calado com um olhar do mesmo – você não me parece um rapaz muito forte. Imagino que seja bem esperto.

_Pai – interviu. Seu ruivo já estava ficando nervoso e muito corado – deixe Diego comer em paz.

Foi o ponto alto, viu a expressão do homem mudar completamente – Vamos Renato, seja verdadeiro – riu com deboche da cara do filho — Cadê a namorada que você ia nos apresentar?

Olhou o ruivo, não teria como fugir. Diria que ela nunca havia existido, diria que na verdade Diego era o namorado que iria apresentar.

_Ela... Ela – os azuis cristalinos de Diego brilharam em esperança – não conseguiu vir – sentiu o peito se comprimir quando a o brilho se apagou.

_ Então,vocês dois são amigos a muito tempo? – sorriu abertamnte.

_ Hoje faz um ano – respondeu, tentando passar para o ruivo que pelo menos se lembrava da data de hoje – um ano de muitos, não é ruivo? – tentou brincar. Virou novamente o olhar para Diego, percebeu o quão profundo havia magoado seu ruivo. Ele não o forçara a nada,não pedira para ser assumido na frente de ninguém.

_ Eu...eu preciso ir – viu meio boquiaberto o ruivo se levantar e andar até a porta. Levantou-se confuso.

_ O que aconteceu? – se fez de idiota, conseguiu com que o ruivo o olhasse ainda mais machucado.

_ Eu nunca implorei para que você me assumisse – foi as únicas palavras, sentiu os olhos arderem quando uma lágrima desceu pelo rosto de seu ruivo.

_ Excuse me (me desculpe) – pediu.

_I need to think ( eu preciso pensar) — a voz saiu fraca. Saiu da casa e correu pelo caminho, não morava tão longe. As lágrimas caiam sem parar.

##

Abriu os olhos e retirou o fone,a música ainda no início. Limpou as lágrimas com raiva, malditas memórias, não queria lembrar.

_Rê – olhou para a porta – como você está? – respirou fundo e segurou bem as lágriamas.

_ I’m fine,Mother ( estou bem,mãe) – Mesmo que fosse mentira. Se obrigaria a mentir.

_ Então tá – ela respondeu casualmente – amanhã você tem aula, não se esqueça. Tente não dormir muito tarde – o vício estava acabando com ela.

Acentiu se sentindo impossibilitado de falar. Esperou que ela saisse do quarto, pegou novamente o celular e a mensagem brilhava.

“we need to talk” ( precisamos conversar) – suspirou. Diego terminaria tudo, apagara sua luz de vez – “please do not lie” (Por favor, não minta).

“I’m fine” ( estou bem) – Respondeu, não esperou o toque novamente, virou-se para o canto e adormeceu.

**

Acordou mais cedo do que havia planejado, levantou-se e se arrumou para a escola. Seria uma longa manhã. Depois do jantar em casa não vira Diego novamente, seu ruivo havia faltado o resto da semana e o inicio da outra. Estava preocupado mas não tinha tempo, seu irmão morrera duas noites depois. Uma briga com a namorada e algumas latas de cerveja, não teria como escapar da batida de forma alguma.

Suspirou. Entrou na cozinha o estômago dolorido e enjoado, mas sem fome – Você está mais magro – assustou-se com a voz do pai – o que está acontecendo com você?

_ “ I’m fine” ( estou bem) – disse. Acostumara com essas palavras. Deu as costas para o pai e se pôs a caminho do colégio, não encontrou ninguém da turma no caminho e a sala ainda estava vazia quando chegou.

Deitou a cabeça na mesa e fechou os olhos. Resquícios de lágrimas voltaram, ergueu a cabeça e as limpou com pressa – posso me sentar? – mais uma vez se assustara. Olhou para o lado vendo Guilherme – acho que o Diego não vem. De novo.

“Yup. you know” ( Sim. Você que sabe)deu de ombros e voltou a deitar na mesa.

_ Você está bem Renato? Parece meio abatido.

“I’m fine” (estou bem) – respondeu como sempre. Encerrou a conversa e a professora entrou na sala.

Tentou prestar atenção devida, mas sua mente divagava demais. Diego faltara de novo. Perdeu completamente a aula, percebeu apenas que já era hora de sair quando a professora do primeiro horário retornara.

_ Renato. Podemos conversar? – Assentiu. E se aproximou da professora, os alunos já tinham saido – O que está acontecendo com você? Suas notas cairam e você está tão abatido.

_ I’m fine ( estou bem) – disse cansado. Queria ir para a casa, queria colcar tudo em pratos limpos.

_ Eu não vou insistir – ela disse, ele entendeu que a professora também desistiu – mas tente parar de mentir. Por favor, isso vai fazer muito mal para você.

_I’m fine (estou bem) – repetiu e saiu da sala. Respirou fundo, Diego o esperava no portão.

**

Seguiram em silêncio até a casa do ruivo. Estavam sozinhos.

_“how are you?” ( como você está?) – a primeira pergunta que ele lhe fez.

_ I’m fine ( estou bem) – mentiu novamente –“It is still upset?” ( ainda está chateado?)

_ “I am. But it's not about me come talk” ( Estou. Mas não é sobre mim que viemos falar) – olhou confuso.

_Diego eu... – parou sem saber o que dizer, os dois estavam muito machucados – “you want to finish?” ( você quer terminar?) – perguntou de uma vez.

_ “No. Why do you think that?” ( Não. Porque pensa isso?) – o ruivo estava exaltado – “What a hell. What's happening with you?” ( Que inferno. O que está acontecendo com você?) – Diego gritou. Percebeu as mãos trêmulas do ruivo.

_ “I’m Sorry” (Sinto muito)

_PARA DE PEDIR DESCULPAS. CARALHO, NÃO ESTOU FALANDO SOBRE O JANTAR E NEM SOBRE SEU IRMÃO. ESTOU FALANDO SOBRE VOCÊ RÊNATO – mais gritos. Sentiu o coração apertar, os olhos se encheram de lágrimas quase automáticamente — Fala. Por favor, o que está acontecendo?

_ I’m fine – disse num fio. Não estava bem, não estava nada bem. Tudo estava tão errado.

_Para de mentir – o ruivo se aproximou – olha nos meus olhos – pediu e puxou o queixo de Renato – I love you (eu amo você) — olhou no fundo dos olhos do ruivo — I will not abandon you. So please, stop pretending ( Eu não vou te abandonar. Então por favor, pare de fingir).

Soluçou. Não conseguiria segurar mais, sentiu o corpo ser abraçado enquanto se entragava as lágrimas. Se permitiu chorar como a muito nessecitava.

“I’M NOT WEL” (EU NÃO ESTOU BEM ) – gritou no abraço – “I NEVER'M WELL” ( EU NUNCA ESTOU BEM) – soluçava no ombro de Diego e este lhe apertava ainda mais.

“I will not abandon you. To pretend, please” (Eu não vou te abandonar. Para de fingir, por favor) – Pediu pela última vez.

“I'm tired of pretending” ( eu cansei de fingir).

Notas finais
Espero que gostem e que não tenha ficado estranho.
Gostaria de saber a opinião de vocês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!