I'm a Spoiler of your past
1 Pilot
A garota encarou hesitante a porta do número 221 B da Rua Baker Street. Imaginara milhões de reações de quem quer que fosse que abrisse a porta, ficaria zangado ou talvez confuso...com toda a certeza do mundo a garota sabia que essa pessoa ficaria confusa. Tocou a campainha e ficou aguardando alguém atender, quando uma simpática senhora com seus setenta e poucos anos abriu a porta com um sorriso e disse:
–Olá querida, você é cliente do Sherlock ?
– Hmm.. bem, não — a garota ainda estava hesitante- ainda não pelo menos.
– O que deseja então ? — havia certa confusão na expressão da senhora.
– Procuro Mycroft Holmes, mas também pode ser Sherlock.
– Oh, é só subir esta escada — disse a senhora abrindo passagem para a garota e indicando com acabeça uma escadaria meio destruída pelo tempo -se a porta não estiver aberta, me avise. Aliás, como se chama?
– Me chamo Elizabeth.
Elizabeth subiu as escadas, e como a porta estava aberta, entrou. Um homem alto e familiar estava parado no meio da sala e a encarava.
– Hmm...bem — começou a garota- olá ?
– Isso foi uma pergunta ? — o homem soara um pouco ríspido, mas não intimidara a garota.
–Talvez. Você é o famoso Sherlock Holmes, certo? Quais são suas deduções sobre mim?
– Bem, — Sherlock revirou os olhos e bufou- seria mais emocionante se você não fosse tão óbvia, mas vamos lá. Sente-se — disse indicando uma cadeira posicionada entre duas poltronas e sentando-se em uma delas.
A garota se sentou, mas não tirava os olhos do detetive, como que com medo de que ele fosse sumir ou apenas ir embora.
– Bem,- começou o detetive — você não é uma cliente, e isso é óbvio pelo fato de me encarar de um jeito peculiar, ternura talvez...Fora que, se fosse uma cliente, estaria me relatando seu caso e muito menos procuraria meu irmão em vez da minha pessoa, sim eu ouvi...péssimo hábito devo admitir, mas estava entediado. Enfim, você também não é britânica e não digo isso apenas pelo seu sotaque ser típico de uma nova-iorquina, mas pelo seu jeito de se vestir ser um tanto quanto... diferente. Mas falemos mais sobre você, você tem dezesseis anos e possui pais separados, apesar de não admitir, você sente falta do seu pai mesmo sem o conhecer direito. As mechas azuis em seu cabelo mostrariam rebeldia em uma adolescente normal, mas sabemos que você não é normal e essa é uma das razões de suas mechas, você tem medo de ser igual aos outros. Sua mãe é rica, mas ausente e isso é algo para se acrescentar a lista de problemas os quais geram sua depressão e você desconta essa depressão em seus cortes, que mostram que você começou isso aos 13 anos e que sua mãe nunca percebeu, mas você teme que ela o tenha feito e não se importado. Basicamente, isso é tudo.
– Nossa, estou um tanto quanto ...
– Impressionada ? Surpresa ?
– Decepcionada. — disse a garota encarando o detetive com um olhar misto entre desafiador e entediado.
–Decepcionada ? — o detetive parecia incrédulo.
– Como você disse, isso são coisas óbvias. Pense. Vá além.
O detetive riu. A encarava com fascínio e curiosidade, pois sabia que aquela garota que estava em sua sala não era comum. Não, ao contrário, elaparecia ser extraordinária. Ele sabia que ela não era comum, pois algo nela era familiar, algo nela lhe lembra alguém excepcional que ele odiava admitir, mas que era mais inteligente que ele...Esse alguém era Mycroft.
– Já que sabe tanto sobre dedução -Sherlock lhe devolveu o olhar desafiador-então o quê você deduz sobre mim ?
– Sobre você sr.Holmes ? — Elizabeth respondeu simplesmente com um sorriso- Ora, você também é óbvio.
– Como ? — o detetive parecia atordoado com a resposta da garota.
– Seu medo de tudo. Sua infância solitária com seu cachorro,cresceu nas sombras de seu irmão.A palavra "sexo" lhe deixa desconfortável, mas já o praticou.- a garota bufou- Poderia ficar falando sobre seu egocentrismo, sua tendência autista e tudo o mais, mas sabemos o que tudo isso é, não sabemos ? Sim, sabemos o que tudo isso é... entediante.
As palavras atingiram o detetive bem no peito como uma bala ele ficou alguns segundos sem falar nada, apenas a encarando com um olhar estupefato, até que finalmente disse:
– Afinal, quem é você ?
A garota sorriu satisfeita e disse:
–Finalmente a pergunta correta! Bem, meu nome é Elizabeth Catherine — a garota fez uma pequena pausa e completou-Holmes.
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