I'm With You
1 And no one likes to be alone...
Era noite na cidade de Sýx, as ruas eram tomadas por várias camadas de neve o que mostrava como o inverno fora rigoroso. Na imensa praça e centro da cidade, as árvores não possuíam folhas e as plantas se encontravam parcialmente cobertas pela fina camada de gelo que permanecia ali, intocada, dando ao local uma beleza peculiar. No meio da praça, o famoso lago Pallas se estendia congelado por conta do rigor com que a temperatura baixa chegara, porém não perdia sua inégavel beleza pelo reflexo das duas luas. E na ponte acima do lago, um garoto suspirava.
Seu olhar se perdia no horizonte com uma tristeza distinta que podia ser sentida pelos que passavam junto com a vontade de permanecer sozinho. Seus cabelos desciam em uma cascata branca até o ombro sendo cobertos pelo capuz preto de seu casaco que, junto com o cachecol e a camisa branca e a caça e o coturno preto, era o que o mantia quente.
- O que uma criança faz sozinha no meio da praça a essa hora da noite?
Uma voz surgiu, o tirando se seus pensamentos e o fazendo encarar o dono da mesma com indiferença. Não era, nem aparentava ser uma criança. Era jovem, poderia afirmar. Contudo vendo pela idade geral de sua espécie, era um adolescente. Porém, o outro não se intimidou com o olhar do albino, assim, se limitou a sorrir e se aproximar.
Seus cabelos lisos e azulados se encontravam presos em um rabos de cavalo pequeno deixando apenas uma franja meio partida e comprida de ambos lados do rosto e uma mecha menor entre os olhos cobrindo o nariz. Seus olhos eram de um azul intenso, porém se olhados com mais atenção, podia-se ver uma tempestade... uma forte tempestade em mar aberto. Trajava um casaco azul escuro com um cachecol branco, calça preta e coturnos pretos com luvas igualmente pretas. Era alguns centimetros mais alto que o albino e possuía um olhar superior, mas ao mesmo tempo amigável.
- Primeiro: Não sou uma criança.- O albino disse em um tom meio sério, meio irritado.- Segundo: Eu duvido que alguém com amor a vida se aproxime.- Ao falar isso, uma espécie de camada de energia brilhou em volta de seu corpo e desapareceu.- Terceiro: Eu quero ficar sozinho, então, adeus.- Ele balançou a mão como se mandasse o outro embora e de fato estava mandando.
- Bem, primeiro:- O maior começou sorrindo e se aproximando mais a medida que falava.- Para mim, você ainda é uma criança. Segundo: Eu não tenho amor a vida. E terceiro:- Na altura do campeonato, a distância entre ele era miníma, porém, o albino, que estava de costas para o maior, não parecia perceber isso.- Está frio demais para você ficar sozinho aqui, deixe-me ajuda-lo.
Assim, em um movimento, o mais velho abraçava o albino por trás e sussurava a última frase em seu ouvido fazendo um arrepio pescorrer a coluna do menor.
- O-O que está fazendo?- O albino perguntou, meio assustado com a ação, corando.
- Te abraçando.- O maior sorriu apertando-o ainda mais e pousando os lábios em seu pescoço.
- Me-Me solte!- O albino exclamou tentando, em vão, escapar dos braços do mais velho, porém o máximo que fez foi virar a tempo de ver o maior sorrir e aperta-lo novamente.
E por mais que não quisesse admitir, gostara de ser abraçado pelo outro. Era reconfortante, era quente, fazia-o se sentir bem. O albino não sabia muito bem como reagir a isso, quase nunca fora braçado daquela forma, sem motivo.
- Q-Quem é você?- Perguntou corando e escondendo o rosto na dobra do pescoço do maior.
- Me chamo Connan Ray e você?
- C-Connor Ray.- Franziu o cenho levemente ao perceber que possuiam o mesmo sobrenome.
- Não se preocupe, temos o mesmo sobrenome, mas não somos parentes, somos apenas da mesma espécie, então podemos continuar abraçados.- Connan disse sorrindo ainda abraçado com o menor que instintivamente corou.
Porém, com o tempo, o albino cedera e o abraço era lentamente correspondido pelo braços trêmulos e temidos de Connor que, pela primeira vez no dia — ou em dias — sorriu realmente, apenas pelo prazer de estar abraçado com Connan. O que foi o início de vários outros encontros.
- Connan?- O menor chamou afundando o rosto no pescoço do outro.
- Sim?
- Obrigado.
- Não há de quê. Sei que sou demais.
- Convencido...
- Se eu não fosse convencido, você não estaria sorrindo.
"... and then I got lost, but he helped me to find myself. I don’t want to lose me again."
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