I'm Sorry
2 Capítulo 2
O dia começou quente. Pérola saiu de seu quarto e novamente não encontrou a gem roxa. Caminhou até a cozinha para preparar o café da manhã para Steven, que ainda dormia. Fez um chocolate quente e montou um sanduíche do jeito que o garoto gostava.
O silêncio e a distração de Pérola foram quebrados com o barulho da porta do templo. Rapidamente a gem pálida olhou em direção, encontrando quem queria encontrar.
–Bom dia P.
O rosto de Pérola corou e a mesma virou de costas.
–B-bom dia, Ametista.
“Mas o que é isso agora? Desde quando ela se arruma logo que sai da cama? Desde quando ela se arruma para alguma coisa????”
Ametista tinha o cabelo preso em um enorme rabo de cavalo, suas roupas não estavam mais rasgadas e seu corpo exalava um cheiro incrivelmente bom.
“Eu devo estar enlouquecendo. Não tem outra explicação. Calma, respira fundo e vamos agir naturalmente. Isso.”
–Estou fazendo café para o Steven, quer também?
Ametista arqueou uma sobrancelha estranhando a pergunta da outra, mas aceitou com um sorriso no rosto.
–Quero sim. Ah! Obrigada pelas rosquinhas. O Steven me deu elas ontem quando cheguei. Te procurei para agradecer mas você já estava em seu quarto.
O rosto de Pérola esquentou.
–Tudo bem. Quando for assim...pode entrar no meu quarto...se quiser.
A gem pálida sorriu, fazendo o rosto da amiga ficar mais roxo que o normal.
–Está certo.
Ametista tinha uma expressão completamente confusa estampada no rosto, mas não arriscava perguntar nada.
Pérola serviu a gem roxa com o chocolate quente e um grande sanduíche. A menor não conseguia tirar os olhos da mais velha. Estava intrigada com a repentina mudança de comportamento. Quando seus olhares se encontraram, Ametista pode ver o rosto de Pérola corar mais ainda e sentiu suas próprias bochechas esquentarem. Olhou para seu café da manhã e comeu todo o lanche de uma vez só, bebendo todo o chocolate quente em seguida.
Ao contrário do que normalmente faria, Pérola sorriu e limpou o canto da boca da outra. Percebendo o que tinha feito, virou rapidamente em direção a pia.
A menor não conseguia acreditar no que estava acontecendo. A Pérola realmente estava sendo atenciosa com ela?
“Isso...deve ser um sonho...só pode. Que coisa estranha. Mas eu acho que...gostei...”
Ametista sorriu, lembrando da época em que elas se davam bem.
–M-muito obrigada pelo café, P.! Bom...vou indo nessa.
–Vai se encontrar com a Vidália?
–É, vou sim.
O sorriso nos lábios da maior desapareceu.
–Hmm.
–Tem algum problema?
Ametista tinha um olhar sério.
–Nenhum, pode ir.
–Tem certeza? Você parece meio...irritada.
–Eu já disse que pode ir!
Pérola sentia o corpo esquentar e seu tom de voz aumentava. Ametista se levantou com raiva e andou até a porta.
–Qual é seu problema hein? E eu que pensei que você tinha mudado.
–EU QUE PENSEI QUE VOCÊ TINHA MUDADO!
A gem roxa bateu a porta e deixou a maior surtando de raiva.
–Ametista sua idiota!!!
Pérola gritou e jogou a louça na pia com raiva.
Steven acordou assustado com o barulho e Garnet apareceu na porta do templo.
–Steven, se importa de tomar o café da manhã sozinho? Preciso conversar com a Pérola.
–N-Não...sem problemas.
O pequeno olhava assustado a gem pálida que chorava compulsivamente.
Garnet andou até a menor e a conduziu até subirem no portal. Com um forte clarão, as duas gems desapareceram e reapareceram na lavanderia do templo.
O vento balançava as pequenas roupas do garoto estendidas no varal.
–Pérola, quer conversar sobre isso?
A gem vermelha abraçava a mais nova.
–Garnet...eu...não sei o que fazer...
–Primeiramente me conte o que está acontecendo.
A gem pálida precisou respirar fundo mais de uma vez para o choro finalmente cessar.
–Outro dia, fiquei relembrando algumas coisas do passado. Memórias importantes para mim entende? Algumas recordações antigas, fotos...e percebi que...eu...fiz uma coisa horrível.
–O passado pode ser doloroso, Pérola. Principalmente pelo fato de não poder ser alterado. Porém, você tentar começar uma nova história. Nunca é tarde demais para tentar.
A menor abraçava a outra o mais forte que conseguia.
–Garnet, você acha que posso me redimir com a Ametista?
–Você só saberá se tentar.
A gem vermelha sorriu carinhosamente e secou o rosto de Pérola.
–Como eu disse antes, tenha paciência.
Pérola sorriu e mais uma vez se apertou contra o corpo da outra.
–Obrigada, Garnet.
–Amigos são para isso.
A gem pálida sorriu e finalmente sentiu a raiva sumir.
–Bom preciso me desculpar com o Steven.
–Vamos lá então.
As duas subiram no portal mais uma vez e logo estavam de volta no interior do templo.
–Pérola!
O pequeno vinha correndo de pijamas em direção a amiga. Abraçou suas pernas com força olhando para cima.
–Pérola, não fique triste.
A maior ajoelhou no chão, quase igualando a altura dos dois. Segurou a mão do garoto e sorriu, observando aquela expressão preocupada.
–Não se preocupe comigo. Já estou muito melhor, viu? Aliás, tive uma ótima ideia para hoje.
O garoto tinha estralas nos olhos e um enorme sorriso.
–E o que é?
–O que você acha de chamar a Connie para vocês dois treinarem comigo?
–Nãããããooo Acredito! É sério isso? Vou ligar agora para ela!
O pequeno saiu correndo em direção ao próprio quarto para pegar seu celular.
–Muito bem.
Garnet tinha uma das mãos nos cabelos da menor que sorria.
–Pérola! A Connie já está vindo!!
–Então está certo. Vou preparar as coisas e encontro vocês na sala de treinamento.
–Combinado!
Steven correu se arrumar quando as outras duas gems subiram no portal e desapareceram com um clarão.
O dia passou rápido. Steven e Connie estavam muito mais avançados do que Pérola imaginava. Batalharam por horas seguidas. Steven com seu escudo e Connie com a espada de Rose. Algumas vezes, se fundiram para tentar combater em forma de Stevonnie. Precisavam treinar a coordenação da sua fusão também.
Garnet assistia sentada na arquibancada admirando o crescimento das duas crianças.
Já no começo da noite, Steven caiu no chão exausto, e Connie ao seu lado.
–Pérola, acho que deveríamos parar por aqui. Connie e eu não temos mais forças.
Os dois pequenos respiravam ofegantes.
–Tudo bem. O treinamento de vocês está encerrado e parabéns pelo enorme avanço dos dois. Acredito que Connie já está preparada para ir a missões com a gente, caso queira.
A pequena se pôs em pé ao lado do amigo.
–Mas é claro que eu quero!
Steven tinha se levantado e abraçava a amiga.
–Agora sim que vai ser legal!
Garnet sorria para Pérola enquanto observava a alegria dos outros dois.
–Bom...agora vou ter que ir para casa. Minha mãe já deve estrar preocupada comigo.
–Então vamos indo.
Pérola ajudou os dois menores a recolher suas coisas e voltaram para o templo.
A casa de Steven estava escura e silenciosa. O sol já havia sumido no horizonte e as estrelas piscavam no céu.
A gem pálida sentiu em pequeno desconforto no estômago. Ametista ainda não tinha voltado.
–Até amanhã então! Muito obrigada pelo treinamento, Pérola!
–Até mais Connie!
–Tchau Connie!
A garota saiu com Steven acompanhando até o final da escadaria da casa.
Pérola sentiu a mão de Garnet sobre seu ombro.
–Não se preocupe com ela.
Pérola sorriu com o rosto corado.
–Vou para o meu quarto. Qualquer coisa me chame.
–Até amanhã Garnet.
A maior sumiu, deixando Pérola sozinha na sala escura.
A gem caminhou até os interruptores e acendeu as luzes. Olhou para o quadro de Rose e se sentiu incrivelmente sozinha.
“Queria que você estivesse aqui.”
Sentiu que começaria a chorar novamente. Respirou fundo e manteve a calma.
“Tenha calma. Seja paciente. Ela já vai chegar.”
Sorriu e resolveu fazer um bolo do jeito que Ametista gostava. Precisava se desculpar com a amiga antes do final do dia.
Mais algumas horas se passaram e nada da menor. O bolo já estava pronto, já tinha esfriado e nem sinal da gem roxa.
Pérola se sentia mais ansiosa a cada segundo. Tentou ler o jornal, mas não conseguiu. Abriu um livro mas não pode se concentrar. Tentou até dormir, mas seus olhos não fechavam.
“Ametista! Onde você está?”
A preocupação virou tristeza, a tristeza passou a frustração e a frustração se transformou em raiva. Lá se foram sua calma e paciência.
Era perto de quatro horas da manhã quando a porta da casa se abriu e uma pequena figura cambaleante entrou.
Pérola arregalou os olhos, fitando a gem roxa descabelada, com os passos tortos e a voz mole.
–Qual é o seu problema?
A gem pálida se esforçava ao máximo para manter o tom de voz baixo.
–Nem cheguei e já vem me encher o saco?
–Ametista onde você estava até agora?
–Na casa da Vidália, por quê?
A menor respondia num tom de desafio.
–Você estava bebendo até agora com aquela garota? Olha a sua situação! E que marca é essa no seu pescoço?
Ametista riu com desdém.
–Que marca?
Pérola avançou para cima da gem roxa, segurando a menor pelas alças da blusa. As lágrimas começavam a lutar para sair.
–Você tem ideia da preocupação que me deixou?
–E desde quando você se importa com isso? E tira as mãos de mim!!
Ametista empurrou a maior para longe e sentiu as próprias lágrimas escorrerem por sua face.
–Desde quando você faz outra coisa se não implicar comigo?? Eu sempre sou a imatura, a sem educação, a irritante...PORQUÊ VOCE NÂO ME ALOGIA PELO MENOS UMA VEZ????
Pérola tinha os olhos arregalados com a reação da outra.
Nessa altura, Steven já tinha acordado e observava a briga de cima da escada.
–VOCÊ SÓ SABE BRIGAR COMIGO! AGORA QUE VOLTEI A SAIR COM A VIDÁLIA VOCÊ NÃO ME DEIXA EM PAZ!
–AQUELA GAROTA NÃO É UMA BOA AMIZADE!
–AH NÃO É???? E O QUE É BOA AMIZADE PARA VOCÊ? ALGUÉM QUE TE FAZ SENTIR AMADA E TE ABANDONA QUANDO VOCÊ MAIS PRECISA?? É ISSO PÉROLA???
A gem menor estava a poucos metros da outra, chorando compulsivamente.
Pérola tinha os olhos cheios de lágrimas e as mãos na boca. Virou as costas e correu para seu quarto.
–ISSO MESMO!!! VAI CHORAR COMO VOCÊ SEMPRE FAZ!!!
Ametista tinha o rosto molhado pelas lágrimas que relutavam em parar.
Saiu da casa e subiu até a parte mais alta do templo. Precisava ficar sozinha. Precisava chorar o gritar o mais alto que podia. As antigas lembranças doíam mais do que qualquer coisa, mais do que recordar da época em que vivera no Jardim de Infância, mais do que quando Rose se foi.
Pensar em como ela e Pérola eram antes e como estavam agora, era sua lembrança mais dolorosa.
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