I'm Sorry
10 Scar.H
Notas iniciais
Cap.10 Scar.H
Nico DiAngelo
– Ele não está morto. – Thalia disse com desdém enquanto dava tapinhas no rosto de Jason, o loiro não respondia e eu mal podia ver sua respiração. – Pelo menos eu acho que não.
– Pensei que duraria mais. – Luke deu de ombros.
– Também pensei. – Inclinei a cabeça e observei o físico marcado de Jason.
– Eu disse que ele não está morto. – Thalia afirmou.
Sentei na cama e suspirei, hora de acabar com a diversão.
– Que pena. – Luke sorriu cafajestemente e me olhou dando de ombros.
– Que pena. – Concordei e sorri de volta.
Thalia se virou em nossa direção e Luke, que não estava olhando pra ela, mal percebeu quando a mão da morena estatelou na sua cara. Um ‘flap’ ecoou pelo quarto em meio a um silêncio repentino.
Comecei a rir, não conseguia me segurar. Aqueles dois mal tinham começado e ficar e já pareciam casados, mas me espantou um pouco que Thalia reagisse dessa forma, afinal, ela mesma já tivera seu refém e apenas um dos dois estava vivo para contar os detalhes.
Ela avançou a mão para o meu rosto também, bufando, e eu consegui desviar, mas não a tempo na sua outra mão bater na minha cabeça.
– Ai!
– Filho da puta. – Ela falou em tom de irmã mais velha. – Hum. Me ajuda a levar ele para cama.
Eu me levantei e olhei brevemente para Luke, ele estava com a mão no rosto como se não acreditasse, mas não reagia, seus olhos estavam presos no azul dos dela apesar de não estar sendo correspondido no momento. Ah meu amigo, você não sabe o quão fodido está. Ri sozinho e agarrei Jason pelos braços enquanto Thalia pegava as pernas e olhava de cara feia para Luke. Ele não era tão pesado assim e não reagiu enquanto o carregávamos até os cobertores macios.
– Costas para cima. – Thalia me instruiu.
– Sim senhora.
Eu me afastei para perto de Luke, que tinha se acomodado no chão, mas me mantive de pé, depois segui o olhar dela. Thalia tinha se afastado da cama e analisava a situação. Eu não sabia nada sobre a mudança de humores dela, mas tinha certeza que ela não via ele como eu podia ver.
Os cabelos loiros estavam sujos de sangue na nuca onde um pequeno arranhão se destacava vermelho, o sangue das suas costas estava se secando e tomando um aspecto mais escuro. A calça jeans estava caindo mostrando um pedaço da box preta. Mordi o lábio inferior e desviei o olhar.
– Jason Grace não é? – Ela cruzou os braços em frente ao corpo e o fitou, uma pequena veia pulsando na testa.
– Aparentemente sim. – Dei de ombros.
– Ele vai ficar bem.
Não perguntei como ela tinha tanta certeza disso, só deixei que a frase parasse no ar. Depois de alguns minutos ela falou, sem mal olhar para mim:
– Vá tomar um banho, tem sangue no seu peito.
Não precisei olhar para mim mesmo para saber que era verdade, Jason fez o que fez e eu sabia disso. Eu tinha abaixado a guarda. Peguei uma toalha no armário e fui em direção ao chuveiro.
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Quando voltei para o quarto com jeans e a toalha em volta do pescoço, Jason estava acordado. Ele continuava sem camisa e Thalia estava sentada ao lado dele, com um braço por baixo do seu pescoço e outro segurando uma xícara transparente com um líquido que julguei ser chá.
Jason abriu os olhos, muito brevemente. Thalia instruiu-o a continuar de olhos fechados e ele obedeceu. O chá fluía até sua boca e ele aceitava tudo, confiando exageradamente nela. Eu nunca consegui entendi como Thalia sempre inspirava confiança nas pessoas assim, como uma líder de verdade e não um ditador mascarado como meu pai costumava ser.
Suspirei e me voltei para Luke perto da porta, ele cruzara os braços em frente ao corpo e olhava para ela fixamente. Não consegui sorri com aquilo, algo dentro de mim não deixou.
Eu o puxei pelo braço discretamente para o corredor.
– O que está acontecendo? – Me olhou sério.
– Preciso que investigue algo pra mim. – Disse sem rodeios.
Ele mudou o peso de uma perna para a outra e só então olhou disfarçadamente para além no corredor. Eu fiz o mesmo.
– Classificação?
– Por enquanto oito.
– Oito é alto.
– Pode chegar a dez. – Afirmei.
Desde sempre eu e Luke fazemos assim, ou desde que começamos a perceber que as paredes tinham ouvidos naquele lugar, classificamos as situações de 0 a 10, como quando você chega ao médico e ele pergunta seu nível de dor. Quando perguntei quão sério era o lance entre ele e Thalia, ele apenas me respondeu “nove”.
– O que é?
– Uma nova arma...
– Ah DiAngelo, mais uma de suas paranoias?
– Não. – Continuei sério e o sorriso que tinha se formado no seu rosto sumiu. – Não era choque, não era nada disso e não me afetou.
– Como pode saber? – Ele me olhou com desdém.
– Eu conheço armas Castellan.
– Sim conhece.
– Vou ver o que posso fazer.
– Singelamente.
Eu me aproximei e fiquei na ponta dos pés quando ele envolveu minha nuca com a mão e me puxou, nossos lábios se encontraram e nossas línguas se envolveram brevemente, como um caso de uma noite.
– Escorpião. – Sussurrei em meio ao beijo e soube que ele entendeu.
Finalmente nos soltamos e nem um olhar se passou entre nós antes que estrássemos no quarto novamente.
Thalia tinha se levantava e olhou para mim apenas uma vez.
– Ele tem febre então o deixe descansar, sem mais facas nem beijos por hoje. – Olhou para Jason mais uma vez e seu lábio se curvou apenas por um segundo, mas eu não perdi isso. – Vamos Luke.
– Vamos. – Ele sussurrou com o rosto abafado no cabelo dela quando esta chegou mais perto.
Luke envolveu sua cintura carinhosamente e ela apertou a dele apena uma vez, ele beijou o pescoço dela, mas ela não pareceu notar.
– Vamos voltar para a cama. – Sussurrou.
Eu ignorei os dois, apenas acenei com a cabeça levemente para Thalia antes que saíssem, nem um olhar se passara e eu e Luke.
A porta se fechou e eu fui até a cama, me esgueirei por dentro dos lençóis e senti quando Jason estremeceu.
Ele estava inclinado sobre dois travesseiros e emanava calor.
– Você vai me beijar? – Ele sussurrou.
– Não. – Respondi.
Uma pausa.
– Então vai me matar?
– Não hoje. – Comentei.
Ele se calou e afundou nos cobertores, eu encontrei sua mão quente e a segurei firme, ele não retribuiu. Inclinei-me sobre ele e beijei seus lábios de leve.
– Não hoje. – Repeti.
E eu acho que houve um entendimento mútuo de que, enquanto houvessem beijos, eu não precisaria matá-lo.
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