I'm Not a Hero

4 Every revolution begins with a spark


Notas iniciais
Yo, pessoas! Desculpem a demora, mas eu fiquei travando no final do capítulo e não ficava satisfeita nunca com o resultado. De qualquer forma, ele ficou do jeito que eu queria. Aqui, mais algumas coisas serão reveladas a vocês. O título do capítulo é uma frase do filme Em Chamas (Jogos Vorazes): "Toda revolução começa com uma faísca". :}

“Meu pai ensinou-me que não há vergonha no medo, o que importa é o modo como o enfrentamos.” Jon Snow, A Fúria dos Reis.



Quando Ino abriu os olhos naquela manhã
, já tinha tudo planejado em sua mente. Não dormira, mesmo sob as ordens expressas de Sakura para que ela descansasse. Como poderia dormir, sabendo que os amigos estavam em algum lugar, precisando de sua ajuda? Passara a noite pensando e repensando em planos; Masao obviamente teria botado uma guarda para proteger a Sala de Tortura, enquanto outra parte tinha ido atrás de Hinata, e outra ficaria na floresta, impedindo que qualquer um passasse, como sempre.

A cidade em si, então, estava desprotegida.

Ela poderia se esgueirar, de manhã, por entre as ruas e ninguém iria pará-la, ou mesmo percebê-la. E, sabendo isso, Ino levantou-se do sofá e saiu da cabana, tendo a precaução de olhar ao redor, certificando-se de que ninguém estava por perto, de que ninguém a vira e de que ninguém a seguiria.

Sentia-se muito melhor que há três dias, e não podia ficar parada (mesmo tendo sido isso que os amigos disseram-lhe para fazer), apesar de saber que não poderia combater todos os guardas, sozinha.

Sozinha, não.

Quando Konohamaru abriu os olhos naquela manhã, ele mal sabia o que o esperava. Abriu-os com dificuldade ao ouvir batidas apressadas em sua porta. Franziu o cenho, pegando uma kunai que guardava sempre embaixo do travesseiro. Sabia que se fosse algum inimigo teria simplesmente arrombado a porta, mas... Tempos difíceis; precauções nunca eram demais.

Aproximou-se cautelosamente da porta, perguntando-se quem poderia ser. O dia mal amanhecera — se bem que era difícil saber, já que o céu sempre parecia estar escuro naqueles tempos.

— Quem é? — murmurou.

— Sou eu, Konohamaru. Abre logo essa droga de porta. — Ino respondeu baixo, porém impaciente.

Tudo nele pareceu despertar subitamente. O Sarutobi franziu ainda mais o cenho e abaixou a arma, destravando todas as trancas da porta e a abrindo em seguida.

— Ino-chan? O que faz aqui?

A kunoichi adentrou apressada em seu pequeno apartamento, o mesmo que um dia pertencera a Naruto, e pediu silenciosamente que ele fechasse a porta. Konohamaru deu uma olhada para fora do apartamento e quando teve a certeza de que não havia ninguém, suspirou e trancou a porta.

— Você já deve saber da fuga de Hinata. — ela começou apressada.

Konohamaru suspirou novamente. Tinha dezesseis anos e 1,70 de altura e havia amadurecido muito em todos aqueles anos... E, no entanto, sentia-se a mesma criança fraca de oito anos, que tentava e tentava, sem sucesso, derrotar seu avô e demonstrar para todos que era forte o suficiente para se tornar o próximo Hokage.

Lembrou-se de como a notícia da fuga da Hyuuga havia se disseminado rapidamente, mesmo que Masao odiasse que qualquer notícia que pudesse dar qualquer esperança para os moradores fosse espalhada.

— Todos sabem. — ele disse muito distante. Pensar em Hinata o fazia subitamente lembrar-se de Hanabi, e era algo que ele geralmente evitava fazer quando estava acordado. Já bastava que todas as noites seus pesadelos fossem povoados pela Hyuuga mais nova.

— Todos? — ela repetiu, por um momento esquecendo-se o que tinha ido fazer ali. — Pensei que nosso querido Hokage gostaria de fazer segredo.

— Ele preferiu dar outra demonstração de poder, capturando Sakura-san e os outros, e os levando para a tortura... Sabe, “é isso o que acontece”...

— “Quando desrespeitam minhas regras”. — ela suspirou, repetindo a já tão conhecida frase do Shimura. — Como eu suspeitava, eles foram mesmo pra tortura... — então olhou determinada para o adolescente. — Foi para isso que eu vim, Konohamaru! Eu tenho um plano para tirá-los de lá, mas preciso da sua ajuda.

— E pra que você iria me querer Ino-chan? — o rapaz sentou-se no sofá velho, apertando os dedos das mãos e olhando para o chão. — Eu sou fraco e covarde. Vivo sob o medo de que a qualquer momento um deles invada minha casa e eu não consiga me proteger, assim como não protegi Udon e Moegi, assim como não pude proteger Hanabi...

Naqueles anos, todos os que sobraram, todos os que sobreviveram haviam se juntado e virado amigos, porque tudo o que havia lhes restado era uns aos outros. Konohamaru fazia parte daquele seleto grupo de ninjas, mas ele havia se tornado fraco, medroso. O que ele poderia fazer? Shikamaru, Neji, Sakura, Tenten... Eles eram mais velhos, mais poderosos, eles tinham mais experiência... e agora, onde eles estavam? Sendo torturados. Com alguma sorte, já estariam mortos. E o que ele, o maldito covarde, poderia fazer?

Seus pensamentos foram interrompidos pelo doloroso tapa que a Yamanaka lhe deu. Olhou com surpresa para ela. Ino agachou-se na frente do rapaz, até ficar da altura dele, ainda sentado no sofá.

— Qual é o seu nome? — ela perguntou gentilmente, com a face serena. Ele franziu o cenho e não respondeu. — Diga. Qual é o seu nome?

Não entendendo onde ela queria chegar, murmurou:

— Sarutobi Konohamaru...

— Sarutobi. — ela repetiu. — Você é neto do Sandaime Hokage. Você é sobrinho do meu sensei. Eles foram homens extraordinários. Eles foram do clã Sarutobi, assim como você é agora. Só sobrou você, Konohamaru. Você carrega o nome dessa vila nas costas. — ela pôs uma mão encorajadora em seu ombro. — Olhe, está tudo bem em sentir medo. Todos sentem medo! Não é coisa de um covarde ou de um fraco, é coisa de um humano. É o que nos faz diferente de pessoas como Masao, Konohamaru. Nós ainda sentimos.

Ela levantou-se e sorriu para ele, como uma irmã mais velha faria.

— Mas não está nada bem em ficar parado e não fazer nada. Hinata fez a parte dela. Ela venceu o medo, ela foi corajosa por todos nós. Ela mostrou que nós podemos, sim, conseguir, se tentarmos. — respirou fundo, com orgulho pela amiga em sua voz. — E nós conseguiremos. Agora levanta essa bunda mole do sofá e vem me ajudar, moleque.

O Sarutobi sorriu e se levantou, sentindo-se mais encorajado. Sim, todos estavam fazendo suas partes. A mensagem que Hinata deixara naquela floresta espalhara-se por toda a vila. Ela matara Haito; ela escapara. Os outros a ajudaram, eles fizeram sua parte; mas agora eram eles que precisavam de ajuda.

O garoto tinha que fazer sua parte também.

— Qual é o plano?

•••

Entrou na estalagem suja e barata, o único recinto onde encontrara lugares disponíveis para poder passar algumas noites. Agora, no entanto, não parecia um lugar muito seguro. Bufou, lembrando-se do encontro anterior. O que uma konoha¹ fazia ali?

Passou pelo estalajadeiro sem cumprimentá-lo, subindo até o segundo andar. Foi até um dos quartos e percebeu que a porta estava aberta. Revirou os olhos por isso. Adentrou o recinto; estava sujo, cheio de roupas jogadas no chão e fedia a perfume barato e sexo. Deuses, eles só estavam ali há dois dias!

Passou a mão no rosto, com uma expressão entediada. Sempre a mesma coisa. Aproximou-se da cama e puxou um dos lados do edredom, expondo uma bela mulher de cabelos longos e castanho-claros. Ela acordou assustada e, percebendo a situação, tentou puxar de volta o lençol para se cobrir.

— Pensei que a arma das prostitutas fosse o corpo. — arqueou uma sobrancelha, com deboche. — Por que está envergonhada?

A mulher corou. Mulher? Não, não era mulher ainda. Quantos anos aquela menina tinha? Dezesseis? Sasuke suspirou, jogando a roupa para ela.

— Já está na hora de ir, garota.

Ela arrumou-se apressada, e Sasuke lhe jogou dinheiro, que ela pegou desajeitadamente.

— Mas eu gostaria de me despedir do Namikaze-kun... — ela tentou, sendo expulsa do quarto pelo Uchiha, que era tão bonito quanto o loiro com quem passara a noite. Perguntou-se se tinham mais homens bonitos assim na vila de onde eles haviam vindo. Se houvesse, ela com certeza adoraria visitá-la...

— Ah, sim, é claro que você gostaria. — ele a pegou pelo rosto e deu um pequeno sorriso para ela, que corou absurdamente, se perdendo nos olhos negros do ninja. — Não importa o que ele tenha dito na noite anterior, ele não ama você, criança. Você é uma prostituta. Ele só queria que você abrisse as pernas para ele sem cobrar muito.

E bateu a porta na cara da pobre garota. Ouviu uma risada abafada do outro lado do quarto e revirou os olhos.

— Você está se tornando cada vez mais insensível, Uchiha.

— É você que está, Namikaze. — disse o nome com ironia. — Em todo lugar é a mesma merda. Pare de enrolar essas garotas.

— Não me diga o que fazer. — replicou agora com irritação, sentando-se na cama e balançando os cabelos loiros. — Elas são a única coisa que me distraem a noite.

Sasuke revirou os olhos.

— Você tem que parar de dormir de dia.

— Você já sabe que eu não posso dormir de noite. É quando ele mais ataca. — resmungou.

— Pensei que Kurama estivesse te ajudando com isso.

Naruto ouviu a raposa bufar dentro de si e começar a resmungar algo, ofendida com o tom irônico do Uchiha.

— Ele tentou... Mas nem mesmo ele pode impedir algo assim. — disse com indiferença. Avistou sua calça jogada no chão, pegou e a vestiu. — O que veio fazer aqui tão cedo, aliás?

— Bem, achei que você ficaria interessado em saber com quem eu me encontrei hoje de manhã. — disse com um sorriso debochado, e sem esperar a resposta do outro, continuou: — Uma das suas companheiras de vila, Hyuuga Hinata.

— O quê? — subiu o olhar surpreso para Sasuke, que deu de ombros com desinteresse, mas seus olhos estavam sérios, muito mais do que normalmente. Eles se entreolharam tendo o mesmo pensamento. Sabiam da situação de Konoha, sabiam os problemas pelos quais a vila passava, sabiam que ninja algum saía da aldeia, tampouco do País do Fogo.

Naruto, mesmo não querendo ter mais nenhuma relação com a vila da folha, tivera que investigar o local, saber o que acontecia. Sabia sobre Masao e toda a situação há dois anos... e não podia se importar menos.

Pegou a camisa negra com o símbolo vermelho do clã Uzumaki nas costas. Colocou sua capa, a mesma que Sasuke usava, com a diferença de que era branca. Eles usavam para não serem reconhecidos; era trabalhoso serem os nukenins mais procurados entre os cinco países ninjas.

— Pelo visto, a garota conseguiu escapar.

— Bom pra ela. — murmurou friamente, puxando o capuz e indo até a porta. — Vamos embora.

Sasuke não deu sinal de que ia se mover. Ao contrário, ele encostou-se a cômoda do quarto do amigo e cruzou os braços.

— Isso não te perturba nem um pouco, Naruto? — perguntou secamente, fazendo o outro parar de costas para si. — A garota esteve tão perto de te encontrar... Ela representa todo o passado que você quer esquecer, mas não pode. Não te perturba nem um pouco a situação da sua querida vila?

O Uzumaki soltou um riso vazio e quando se virou para Sasuke seus olhos estavam vermelhos e ferinos, em uma ameaça explícita que o outro ignorou; como sempre fazia.

— Você está tão profundo hoje, Uchiha. Acho que se esqueceu que Konoha é sua vila também.

— Não mais.

— Idem. — disse, dando o assunto por encerrado. — Agora, que tal parar com esse papo sentimental e andar?

Naruto poderia enganar qualquer um; porém não ele. Não Uchiha Sasuke, que vira o quão despedaçado o amigo estava quando o encontrara, depois de toda a vila por qual ele tanto lutara ter virado as costas para si.

Naquele dia, Naruto procurava abrigo em alguma vila pequena perto do País do Relâmpago, e foi quando Sasuke e ele encontraram-se. O Uchiha seguia sozinho; seu time Hebi havia se desfeito e seguido rumos próprios, e ele, depois de pensar bastante, desistira da vingança contra Konoha. Itachi havia feito tudo pela maldita vila, e não seria ele a destruí-la... Mas não voltaria para lá. Já fazia um ano desde a Quarta Guerra; não era bem vindo lá, se voltasse seria preso, e tampouco lhe interessava voltar para os restos de uma aldeia.

Ah, sim. Os boatos se espalhavam bem rápido no mundo shinobi. Quando o Uchiha reencontrou Naruto, já havia chegado aos seus ouvidos o que havia acontecido ao rapaz. Parecia uma piada de mal gosto o fato dos dois só terem retomado a velha amizade de anos quando Naruto havia desistido dela e parado de “tentar salvá-lo”. Mas bem, eles eram dois nukenins procurados em todas as nações, seus nomes eram mais conhecidos que os dos próprios kages. Unir-se apenas parecia o certo a se fazer.

Suspirou, seguindo o amigo, que já havia saído da hospedaria. Deu o dinheiro da hospedagem ao dono e saiu também.

— A Hyuuga provavelmente está indo pra Suna, pedir ajuda. — insistiu, ignorando o olhar exasperado que Naruto lhe lançou. — Parecia apressada quando eu a encontrei.

— Para alguém que cortou completamente os laços com Konoha, você parece bastante interessado.

Sasuke deu de ombros, caminhando tranquilamente pelas ruas quase vazias.

— Só achei interessante a perspectiva de uma luta. Faz muito tempo que não lutamos. — era a mais pura verdade.

— Sinceramente, Sasuke, desde quando você é tão falador?

O ignorou novamente, coisa que fazia o Uzumaki bufar de raiva.

— Acho que você é o mais interessado aqui, Naruto.

— Ah, é? — desdenhou. — E o que te faz pensar isso?

— Não sei... — disse, fazendo uma falsa cara pensativa. — Talvez o fato de que o atual Hokage saiba algo sobre como Kurama milagrosamente se libertou e destruiu sua amada vila.

Naruto apertou o maxilar. Ah, a velha ferida, Sasuke pensou, observando de esguelha o amigo.

Era algo que matava o loiro por dentro: o mistério daquele ataque. Nem mesmo a raposa sabia como havia acontecido, tudo o que sabia era que em um momento estava bufando de tédio em sua cela e, no outro, estava atacando Konoha, sem ao menos ter controle sob seu próprio corpo.

Do mesmo jeito que Uchiha Obito havia a controlado vinte e um anos antes... O problema era que Uchiha Obito estava morto.

Ele não ficara parado quanto a isso, no entanto. Com a ajuda de Sasuke, Naruto interrogou (não sem antes ter que lutar) mais de cem ninjas, de diferentes países, regiões, e diferentes habilidades — alguns lhe renderam até boas lutas. Três dias antes, um deles lhes dissera um nome: Shimura Masao.

— Ainda existe a possibilidade de aquele cara ter mentido... Se for verdade, porém — e estreitou os olhos perigosamente. —, teremos uma vila para invadir e alguém pra interrogar.

•••

Hinata poderia ter chorado de alegria e alívio ao ver a fenda entre dois penhascos onde ficava a entrada de Sunagakure. Não o fez, porém, porque seu trabalho não estava acabado ainda, seu corpo estava carente demais de água para desperdiçar ainda mais e havia ninjas ali.

— O que deseja? — um deles perguntou, encarando-a com curiosidade. Deveriam guardar a entrada da vila, é claro.

Ela curvou-se respeitosamente.

— Vim de Konohagakure no Sato com uma mensagem para o Kazekage.

Viu os ninjas entreolharem-se, surpresos.

— Konoha? Faz muito tempo que não vemos um ninja da sua vila por aí. — disse com suspeita. — Onde está seu hitaiate?

— Eu não uso.

Não conseguiria usar a bandana com o mesmo símbolo que ninjas como Haito usavam. Simplesmente não podia, não enquanto Konoha não voltasse a ser a vila da qual ela tinha orgulho em ter nascido.

— Qual seu nome?

— Hyuuga Hinata.

— Oh, Hyuuga-san. — o segundo ninja também se curvou em forma de respeito. — Lutei ao seu lado na guerra! Por favor, você pode entrar. Imagino que a mensagem que carregue seja importante.

— É sim... — disse com um suspiro cansado. — Arigatou.

— Eu a acompanho até a sala do Kazekage-sama...

— Não precisa Aiko. — alguém o interrompeu. Temari a encarava com curiosidade no olhar. — Eu a levo.

Hinata começou a acompanhar a kunoichi, que já andava até o escritório do Kazekage. Temari não perguntou nada e Hinata nada disse também. Na hora certa, que já estava se aproximando, a kunoichi de Suna saberia.

•••

— Gaara!

O Kazekage subiu o olhar dos papéis a sua frente para a porta. Algo no tom de sua irmã o alertou imediatamente.

— Entre.

Ela entrou parecendo preocupada, o que fez Gaara franzir o cenho. Poucas coisas preocupavam Temari. Na verdade, poucas coisas preocupavam qualquer um naqueles tempos.

— Hyuuga Hinata deseja vê-lo. Ela traz uma mensagem de Konoha.

De trás da loira, outra kunoichi surgiu. Mais baixa que Temari, de andar leve e gracioso, cabelos longos e azulados. Gaara a reconheceu logo. Havia a conhecido na guerra. Ela ficara ao lado de Naruto todo o tempo, o apoiando, e mesmo um cego perceberia o quanto ela o amava. Porém agora seus olhos não tinham mais o mesmo brilho. Ela parecia mais magra, frágil e terrivelmente cansada, e ele subitamente soube que não era por causa da viagem.

Problemas, Gaara pensou imediatamente. Aquilo só podia significar problema, e dos grandes. Percebeu, pela expressão de Temari, que ela pensava a mesma coisa.

— O que é tão importante para Konoha mandar uma ninja ao invés de mandar um pergaminho codificado? — perguntou o que o estava atormentando. O que seria assim tão confidencial?

A Hyuuga o encarou por um momento antes de suspirar, seu corpo todo repentinamente começando a tremer, como se ela tivesse se mantido em pé por mais tempo do que podia; como se ela estivesse sendo forte por mais tempo do que aguentava.

— Não foi Konoha que me mandou, Kazekage-sama. — ela surpreendeu ambos os irmãos ao ajoelhar-se e encostar a testa no chão, os punhos apertados e a voz embargada em súplica. — Onegai... Minha vila está perdida. Precisamos de sua ajuda.

•••

Ao ouvir os barulhos de luta, ele já desconfiava quem era. Suspirou. Ino, por que sempre tão teimosa?

Chutou o guarda para o canto da cela e saiu do cubículo; havia guardas por todo canto, porém no chão, completamente desacordados (ou mortos). Ino não poderia tê-los vencido, sozinha; era forte, mas eles eram muitos e não eram fracos. Entendeu tudo quando subiu a vista e viu Konohamaru sair de uma das celas próximas a sua, com um dos braços de Neji em seus ombros, enquanto o rapaz se esforçava para carregá-lo. Ela tivera ajuda, então.

O Sarutobi percebeu finalmente que ele estava ali e o encarou surpreso, e quando estava prestes a indagar sobre isso, eles ouviram um grito:

— MORRE DE UMA VEZ, DESGRAÇADO!

Shikamaru revirou os olhos, sua sombra esgueirando-se quase inconscientemente até o adversário de Ino, paralisando-o e deixando que ela fizesse o resto com a kunai. Soltou o inimigo quando ele caiu de joelhos no chão, morto.

— Ah! Shikamaru. — ela disse, não parecendo surpresa ao vê-lo. Respirou fundo, tentando regular a respiração cansada. — Supus que você teria um plano para sair daqui, mas uma ajuda nunca é demais, não é?

O Nara novamente revirou os olhos, sentindo o corpo pesar com o cansaço. Todos os seus músculos doíam. As algemas haviam roubado muito de seu chackra, porque Masao ficara muito tempo em sua cela, torturando-lhe pessoalmente, e se ele tentasse algo com o maldito Hokage ali, sabia que a morte seria certa. Então, quando ele saiu, usou o Kage Mane no Jutsu no guarda, que demorou um momento para perceber que estava paralisado. Aquele único momento o permitira realizar o Kage Kubi Shibari, sem precisar realizar os selos manuais — havia treinado tanto aquilo! —, então sua sombra esgueirou-se até o pescoço do inimigo e, de lá, uma mão se formou e enforcou o oponente. A sombra esgueirou-se até o bolso do morto e de lá tirou as chaves, levando-as até Shikamaru.

Oh, sim. Ele havia aperfeiçoado e muito sua técnica.

— Você, como sempre, muito discreta. — ironizou.

— Muito obrigada. — ela rebateu com um pequeno sorriso cínico. — Agora pega a Tenten, que eu vou pegar a Sakura.

Konohamaru olhou para os dois quando eles saíram, carregando as garotas inconscientes. A tortura havia sido pior em Tenten e Neji, os cortes físicos eram bastante visíveis, mas Sakura quase não tinha mais chackra e não dava sinais de que estava se recuperando, o que preocupou Ino. Se não os tirassem logo de lá e os curasse...

— O que foi? — Ino perguntou preocupada ao Sarutobi, que carregava Neji com esforço. Ele era mais alto, mais pesado e estava completamente desacordado, o que dificultava para o pobre adolescente.

— Como vamos sair daqui?

Ele e Ino conseguiram entrar graças a um plano idiota de infiltrar-se, fingindo ser um deles, que, por sorte, dera certo; mas como conseguiriam sair dali, tendo que carregar três desacordados pelas ruas com cem por cento de risco de alguém ver e ir contar ao Hokage, tudo para ter algum dinheiro, comida ou abrigo? E mesmo se conseguissem fazer isso sem que fossem descobertos e dedurados — o que seria impossível —, para onde iriam? A cabana já não seria mais segura, e logo Masao descobriria, e então...

O olhar da Yamanaka imediatamente pousou no antigo companheiro de time. Shikamaru apertou os olhos, pensando rapidamente. Merda de vila problemática. Quando os abriu, Ino e Konohamaru o olhavam ansiosos, e ele suspirou. Bem, estava mais que na hora de fazer o que planejava, de qualquer forma. Afinal, todos os preparos já estavam feitos.

O plano em sua mente havia sido meticulosamente programado em todos aqueles anos, e havia sido posto em prática com a fuga de Hinata. Primeira parte completa.

A segunda e igualmente importante parte... ele havia debatido com Neji sobre esta, pouco antes de eles serem presos... Um suborno aqui e acolá, um sussurro jogado ao vento, uma fofoca lá e cá, a notícia da fuga de Hinata se espalhando... Uma esperança germinando pela população era tudo o que ele precisava. Sim, estava tudo pronto.

O Nara ajeitou Tenten em suas costas e então olhou para os amigos e em uma voz calma anunciou:

— Vamos começar uma revolta.

Notas finais
¹: Eu vou me referir aos habitantes da vila desse jeito, de vez em quando. Um/uma konoha é um morador de Konoha (óbvio), heuhaea, um/uma suna, e etc. Naruto apareceu! /o/ Não muito, e eu não me aprofundei (ainda) nos sentimentos dele, mas logo isso acontecerá, não se preocupem. Hinatinha também não apareceu muito, mas ela aparecerá mais no próximo e eu focarei também no Gaara e na Temari, e ainda tem a história da revolta que farão em Konoha... Nossa, tem tantos personagens que eu vou desenvolver nessa fic que eu fico perdida, ahahaha. Pra quem não entendeu a parte do Shikamaru, repitam "uma esperança germinando pela população era tudo o que ele precisava". No começo do capítulo, na parte do Konohamaru tem isso: "Lembrou-se de como a notícia da fuga da Hyuuga havia se disseminado rapidamente, mesmo que Masao odiasse que qualquer notícia que pudesse dar qualquer esperança para os moradores fosse espalhada." Por que Masao odiou ter a notícia da fuga da Hina espalhada? Porque aquilo daria esperança para a população; seria como jogar na cara deles "vocês podem ser livres se quiserem". Shikamaru veio bolando planos há anos, ele tem muitas cartas na manga para tudo o que precisa. "Um sussurro jogado ao vento, uma fofoca lá e cá", ele disseminou esperança pela população durante todos esses anos, mas de maneira discreta, prudente, para que nem Masao nem os homens dele desconfiassem. Shika é um gênio, afinal. Ele não ficaria parado durante todo esse tempo. Reviews? Recomendações, talvez? Ahahaha, ok, ainda estamos no terceiro capítulo, mas eu ficaria tão feliz.