I'm Not Ok

23 Capítulo 23 - Como Irmãos


Notas iniciais
Eu sei, não tem desculpa tanta demora, mas foram tempos difíceis, e agora eu retorno triunfalmente e aviso-lhes com a maior alegria e satisfação do universo que as postagens e respostas aos comentários irão finalmente voltar ao ritmo inicial! E quem me segue no twitter e conversa comigo por lá sabe o quão feliz eu ando! ♥
Enfim, nas notas finais temos surpresas! Espero que todos leiam!
Enfim, agradeço novamente a paciência de vocês e peço para que não me abandonem, pois jamais se passou pela minha cabeça abandonar vocês, muito menos essa história.
BOA LEITURA!

Capítulo 23 – Como Irmãos



– Para com isso, Gerard. – ele disse, sério, e então eu realmente parei e me virei para ele, analisando-o. Ele realmente estava falando sério.

Algo aconteceu.

– Tá certo, o que foi?

– Eu fui na casa do Ray agora pouco... – ele começou, a cor sumindo de seu rosto novamente. Ficou em silêncio.

– E? – incentivei-o a continuar falando, minha curiosidade e preocupação crescendo cada vez mais.

– Você não vai acreditar em quem eu encontrei lá...


Encarei-o, esperando que ele completasse o que dizia. Ele olhou, um pouco nervoso, para suas mãos unidas sobre o tampo da mesa, e então seu olhar, um tanto receoso, um tanto amedrontado, parou sobre mim.


– Gregory.


Permaneci estático na mesma posição na qual havia parado antes de Mikey dizer aquele nome. Naquele momento já havia esquecido a fome, o que eu estava fazendo e, imagino que se o susto fosse um pouco maior, eu já teria me esquecido de respirar.


Mas... aquilo não era possível... era? Não, é claro que não era! Tinha que ter algum furo nessa história!


– Mas o que o Gregory estaria fazendo na casa do Ray? – meu tom de voz era o mais descrente possível.


– Eu não sei. Eu cheguei e eles estavam conversando na cozinha. – ele me respondeu, simples, voltando a encarar as próprias mãos, movendo-as uma contra a outra.


– Mas... Na casa do Ray?


Olhei para Mikey o mais atentamente possível, tentando encontrar nele vestígios de alguma brincadeira muito sem graça (por mais que eu já estivesse cansado de saber que ele era o pior mentiroso do mundo). Apoiei uma mão na bancada às minhas costas e coloquei a outra sobre o queixo. Estava tentando, da melhor maneira possível, analisar aquela situação de uma forma racional. Porque imaginar Gregory fazendo uma visita à Ray... Isso me parecia mais fantasioso que qualquer episódio de “Twilight Zone”.


Mikey me olhou com uma expressão incrédula, talvez até mesmo um pouco indignada, por eu estar, aparentemente, duvidando de seu relato, mas, mesmo assim, me respondeu.


– É.


– Mas... Dentro da casa do Ray? Conversando com o Ray? – e quanto mais eu repetia aquilo, mais estranho me parecia a cena e maior era a raiva que Mikey me exalava pelo olhar.


– Sim, Gerard. Foi o que eu acabei de dizer! – seu tom de voz se elevou e ele parecia que iria começar a se exaltar ainda mais se eu continuasse com aquele tipo de perguntas. Mas o que ele esperava? Que eu dissesse um “Ok, que bom.”? – Eu cheguei na casa do Ray, toquei a campainha e ele veio me atender. Nós entramos, fomos até a cozinha e assim que entrei, a primeira coisa na qual coloquei meus olhos foi aquele brutamontes do Gregory, sentado em uma cadeira e aparentemente bem à vontade. – assim que ele disse essa última parte, vi seu corpo estremecer levemente, provavelmente em um arrepio. – Depois disso inventei uma desculpa qualquer e vim embora. Não, não consegui saber o que eles estavam fazendo. – ele respondeu essa última parte prontamente, apenas ao vislumbrar meu olhar questionador.


Senti meu cérebro dar um nó diante daquele looping infinito de suposições sobre Ray, Gregory e Michael. Mesmo assim, me esforcei e tentei ir por partes.


Vamos começar por Mikey.


Eu entendia tudo aquilo o que ele sentia. O asco. A repulsa. A vergonha. O medo. E como o entendia – porque Gregory também fora meu agressor durante anos, e eu também sempre tentei deixar para lá. –! Fora Gregory quem batera em Mikey na maioria das vezes em que ele se negava a fazer “vista grossa” para certas atitudes de certos alunos. E Mikey só foi me confessar um pouco depois de todas as nossas conversas que muitas vezes o problema não tinha nada a ver com Gregory, mas era sempre ele que vinha resolvê-lo – “Tirar satisfações”, como ele me disse que Gregory se referia àquelas ocasiões. –. Como se ele estivesse lá apenas pelo prazer de bater em alguém. Ou de bater, especificamente, em Mikey.


E ele havia batido no meu irmão até ele ficar, praticamente, desacordado. Por mais que Michael não tivesse motivos para não gostar dele, eu os teria por nós dois.


Mas... e Ray? Para começar, Ray já não tinha um histórico muito bacana aos nossos olhos quando o assunto era Gregory. Era no grupo dele que Ray sempre ia, em todas as oportunidades que tinha, mendigar um pouco de atenção e, quem sabe, um pouco de status para conseguir viver em paz naquela escola. Mas tudo bem, porque ele, naquela época, não tinha muita certeza do que estava fazendo. No fundo, imagino que ele só não queria ter a mesma vida escolar que eu e Mikey acabamos tendo: repleta de ofensas e agressões (independente da forma de como isso aconteceu para cada um de nós). Mas isso não me ajuda em nada a entender o porquê de Gregory estar dentro da casa de Ray conversando com ele. Conversando! Eu nem consigo imaginar como seria esse cara tendo uma conversa civilizada com quem ou o que quer que seja! Muito menos com Raymond, que ele sempre desprezou.


Gregory nunca me pareceu o tipo de pessoa que faz amizades. Ele faz contatos, aliados, encontra recrutas e ajudantes, mas não amigos. A meu ver, ele é e sempre foi uma pessoa interesseira... Logo, das duas, uma: ou Ray estava sendo chantageado por Gregory, ou Gregory precisava de algo que apenas Ray podia lhe dar, seduzindo-o com falsas promessas de popularidade para conseguir aquilo que queria (e, naquele momento, me lembrei automaticamente de Bob e Max).


E eu torcia internamente para que eu estivesse errado em todas as minhas suposições e que Gregory estivesse apenas visitando sua avó e errado de endereço.


Sai a passos largos da cozinha em direção à sala.


– Ei! Gerard! – ouvi a voz de Mikey vinda da cozinha e logo ele já vinha um tanto apressado atrás de mim. Parou na minha frente, me encarando de forma séria. – O que você vai fazer? – seu tom de voz parecia me cobrar algum tipo de atitude.


E eu sabia exatamente o que fazer.


– Vou ligar para o Ray e perguntar o que está acontecendo. – minha voz saiu em um tom preocupado que eu não planejava, mas não me importei. Ray é meu amigo e sinto como se fosse meu dever cuidar agora para que ele não caia na mesma ladainha que eu caí.


Nós temos uma relação interessante, Ray e eu. Cuidamos um do outro como dois irmãos, mas, na maioria das vezes, nunca nos impedimos de fazer nenhum tipo de burrada.


Mas agora as coisas são diferentes. Eu estou diferente, e, talvez por isso eu não queira ver Ray repetindo os mesmos erros que eu. Não quero ver o meu amigo passar pelas coisas que eu passei.


Peguei o telefone em minhas mãos e permaneci encarando-o durante alguns minutos como se tivesse esquecido para que número ligar. Olhei para Mikey, que mantinha seus olhos atentos a cada gesto meu, e ele me fez um sinal com a mão para que eu andasse depressa. Franzi o cenho em resposta. Ele me apressa como se fosse fácil interrogar alguém sem parecer realmente interessado nas respostas. De qualquer forma, não tínhamos alternativa: se quiséssemos mesmo saber o que Gregory estava fazendo na casa de Ray, teríamos que perguntar para um dos dois. E eu ainda preferia mil vezes falar com Ray.


Apertei as teclas de forma rápida, já que o telefone de Ray era um dos poucos que eu sabia de cor. Mikey permanecia parado de frente para mim, claramente dividido entre a apreensão e a curiosidade, os braços cruzados na altura do peito. Estava chamando.


Uma, duas, três vezes.


Mikey fez mais um sinal com as mãos, como se perguntasse um mudo “E aí?” e eu apenas neguei com a cabeça. Aparentemente não tinha ninguém em casa.


Estava pronto para desligar quando ouço uma voz feminina do outro lado da linha.


– Alô? – a voz da mãe de Ray continuava sempre a mesma, não importava quantos anos passassem. Ela era o tipo de pessoa que sorria até mesmo pela voz.


– Oi, senhora Toro! – falei, rapidamente, me embolando com as palavras pelo susto. – É o Gerard.


– Oh, oi querido! Como vai? – ela perguntou e eu suspirei baixinho. Eu detestava falar ao telefone, por mais que eu gostasse dela.


– Eu vou bem sim. O Ra... – mas não tive a oportunidade de terminar a minha frase.


– E como vão os seus pais? Estão bem? – e a cada palavra a mais que ela dizia, mais desconfortável eu me sentia em responder às suas perguntas.


E, aliás, sempre perguntam para mim ou para Michael dos nossos pais. Afinal de contas: por que não perguntam diretamente para eles?


– Eles... Eles estão ótimos. – “eu acho”, acrescentei mentalmente.


– Ah, mas que bom! Mande um beijo para eles! E diga para qualquer dia virem aqui! Faz tempo que não sentamos para conversar.


– Pode deixar, eu falo isso sim. – respondi, um tanto sem graça. Enfim, aproveitei a deixa e perguntei. – O Ray está?


– Ah, que pena! Ele acabou de sair com um amigo dele. Como ele se chama mesmo...? É... Ge... Gre... – ela parecia estar se esforçando para lembrar. Mas eu não tive que me esforçar tanto assim para imaginar quem fosse.


– Gregory?


– Isso, isso mesmo, querido! Obrigada. – e eu permaneci mudo e sério do outro lado da linha. – Quer deixar algum recado?


– Não, tudo bem. Eu ligo mais tarde. Obrigado. – agradeci rapidamente, tentando não estender demais o assunto.


– Por nada, querido. Apareça aqui em casa qualquer dia com o seu irmão, certo? – e ela dizia isso com a mesma empolgação desde que eu fui a casa dela visitar Ray pela primeira vez.


– Pode deixar, agradecemos pelo convite. Até mais.


– Até!


Apertei o botão para encerrar a chamada, fazendo o telefone emitir um ruidoso “bip”, que praticamente ecoou no silêncio que, repentinamente, se instalou sobre a sala, formando basicamente uma nuvem negra sobre mim e Mikey. E, antes que o clima pudesse pesar um pouco mais, meu irmão disparou.


– E aí? – ele parecia ansioso e nervoso. De certo pelo meu silêncio. – O que aconteceu? – e eu até estranhei a pergunta, já que, durante toda a conversa, ele esteve tão próximo a mim e ao telefone que eu poderia jurar que ele tinha conseguido captar cada suspiro do outro lado da linha.


– Segundo a mãe dele, ele saiu com o Gregory. – dei alguns passos, meus olhos já fixos no sofá mesmo antes de eu me sentar nele. Mikey se sentou ao meu lado. Me olhava preocupado. – Não devíamos nos preocupar tanto assim, não é? O Ray mudou bastante de uns tempos para cá, principalmente com relação ao Gregory.


– Eu... Eu realmente não sei nem o que pensar, Gerard. Você sabe muito bem o tipo de pessoa que o Gregory é, e mesmo as burradas que o Ray fez tendo ficado no passado... Sei lá, eu não acho isso normal! – ele ajeitava os óculos no rosto de forma nervosa, os lábios se contraindo como se ele estivesse pensando em mais coisas ao mesmo tempo do que conseguia pronunciar.


– Por enquanto, não podemos fazer muita coisa, Mikey. – observei mais uma vez o telefone em minhas mãos e logo ergui o olhar novamente para encontrar os olhos de Mikey. – Vamos esperar.


– Mas esperar até quando?


– Até hoje à tarde. Passamos na casa dele e vemos como ele está... Não deve ter acontecido nada de mais... – “eu espero”, completei mentalmente.


– Assim espero. – e essa não era a primeira vez naquela conversa que Mikey vocalizava os meus pensamentos. – Bom, eu... Eu vou subir, ok? Qualquer coisa é só chamar. – murmurou, já caminhando para fora da sala com o olhar perdido.


E assim eu fiquei, sentado no meio da sala, com mais um pensamento ruim na cabeça. As coisas melhoram, as coisas pioram, as coisas melhoram, as coisas pioram, tudo infla dentro da minha cabeça e explode! A sensação de estar preso dentro de mim mesmo era estranha, a sensação de impotência sobre o que acontece ao meu redor... Já estava mais do que na hora de eu começar a esvaziar minha cabeça daquelas preocupações. E a melhor forma de fazer isso era, sem dúvidas, resolver todos os problemas.


Deite-me no sofá e fechei os olhos, meus pensamentos ainda rondavam o assunto “Ray e Gregory”. E era triste dizer, mas eu realmente não sabia o que pensar sobre o Ray e não fazia idéia do que esperar de um encontro entre ele e McCain. Só torcia para ele ser esperto. Esperto o suficiente para perceber no que ele está se metendo se aproximando desse tipo de pessoa.


Notas finais
Enfim, a demora também tem um outro motivo, que não está assim tão ligado ao corre-corre, que se tornou a minha vida. Eu estou finalmente realizando minha idéia - que surgiu ainda no capítulo 15/16 dessa história - de reescrever essa fanfic! Ela está sendo melhorada e eu estou concertando alguns furos que eu deixei passar, então, quem tiver interesse de ler, o link está aqui http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=7234828&tid=5719482110104461929 <--- Está sendo postada na comunidade "Fics Slash" pela linda da Plosh, que está me dando a maior força. Minha escudeira!
E eu sei que não mereço, mas isso é sim um retorno ao ritmo antigo das postagens, portanto, espero poder rever ainda nos comentários desse capítulo todos os meus antigos leitores.
Beijos e até o próximo capítulo! ♥