I'm Not Ok

1 Capítulo 1 - Odiosa Natureza Humana


Notas iniciais
Primeira fanfic (primeira postada, não primeira escrita). Se você foi corajoso o bastante em iniciar essa viagem sem volta por esta fanfic, meus parabéns, e sinta-se a vontade para continuar.
Gosto de comentários com creme, açúcar e críticas construtivas.
Este capítulo é apenas uma introdução (meio longa, diga-se de passagem) para a real história. Mas é altamente necessária!
O nome do capítulo se refere a uma música de uma banda chamada Matanza, do álbum de mesmo nome que, adivinhem? Isso mesmo, não me pertence também! Recomendo que ouçam, mas fica a critério de vocês.
Bom, vamos deixar de enrolação, ok? Leiam e divirtam-se!

Capítulo 1 – Odiosa Natureza Humana

Fui imerso rapidamente no topor daquela aula assim que a voz do professor de matemática alcançou meus ouvidos. A aula era sobre probabilidade (que tal calcularmos agora a probabilidade de eu estar entediado?).

A sala inteira parecia funcionar devagar. Todos os cérebros juntos com suas engrenagens trabalhando em slow motion. Os ruídos das conversas cochichadas no fundo da sala eram abafados pelo som dos ventiladores nos cantos da mesma, que eram as únicas coisas naquele lugar a realmente trabalhar em potência máxima. Aquele tempo só me fazia desejar nunca ter nascido. Não com aquele calor infernal e usando todo aquele maldito uniforme cheio de golas, gravatas e botões.

E mesmo tentando ignorar todos os pontos negativos daquele dia, não conseguia relaxar em meio aquela sala inóspita.

Despertei dos meus pensamentos de repente quando uma bolinha de papel me atingiu na nuca, seguida por risadas vindas do fundo da sala. E, bom, era mais ou menos isso que definia o meu dia: tédio, provocações, risadas e raiva reprimida. Aliás, meu nome é Gerard Way, e eu só não sou invisível para o mundo quando eu apanho de alguém nessa merda de colégio.

Primeiramente, não sou um sociopata.

Sociopata, basicamente, é aquele que “não gosta” das pessoas e no meu caso, tecnicamente eram as pessoas que não gostavam de mim. Talvez pelas diferenças de opinião, mas, principalmente, de aparência. Nunca fui uma pessoa muito vaidosa, meu cabelo era comprido e sem corte, e a falta de banhos de sol (que se mostrava bem aparente, por sinal) me rendeu o apelido de “vampiro” entre os alunos mais novos. Além do mais, me torno bem calado em ambientes nos quais não me sinto à vontade, o que, com o passar do tempo, me desgarrou ainda mais do resto do grupo. E estava feito! Do dia para a noite me transformei no caldeirão de minorias que todos adoravam zoar.

Ok, não era como se eu não me desse bem com ninguém. Tinha um cara da minha sala, Ray. Digamos que éramos como “melhores amigos”. Ray também sofria com as implicâncias da sala, e tudo só piorou quando começamos a andar juntos, portanto, evitávamos conversar muito dentro da escola. Isso me incomodava um pouco, mas eu sabia que ele tinha a cabeça meio fraca. Do tipo que omite quem é para se misturar com o resto. E também tinha meu irmão, Mikey, infelizmente um ano mais novo do que eu. Apesar de termos mais ou menos a mesma personalidade ele, além de mais “discreto visualmente” que eu, era inspetor de alunos, monitor de física, tinha três medalhas de primeiro lugar em olimpíadas inter-colegias de matemática e um belo boletim recheado de “A+”. Conversávamos muito sobre videogames, tecnologia e HQs. Infelizmente não conseguíamos nos falar com freqüência dentro do colégio devido a nossos horários diferentes, mas vivíamos andando juntos pela cidade. E Ray geralmente se juntava a nós em nossas caminhadas para lugar nenhum.

Mas, voltando à sala, meu tédio todo se devia ao fato de que nem Ray nem Mikey haviam vindo à escola. Sabia que ia passar o resto do dia sozinho e “em alerta”, me esquivando pelos corredores e torcendo para continuar invisível. Então, na impossibilidade de relaxar, peguei um livro dentro da mochila e tentei achar a página na qual havia parado anteriormente. Com um pouco de sorte e alguns capítulos, aquele tédio todo acabaria logo.

Acordei sobressaltado com o barulho alto do sinal para o intervalo. Havia adormecido em uma posição estranha, com meu rosto amassado entre o livro, agora fechado, e meus braços. E agora parecia que um trator havia passado por cima de mim. Duas vezes.

- Acorda, princesa! – os garotos que se sentavam no fundo da sala (e que provavelmente me jogaram a bolinha de papel) se aproximavam. – Dormiu bem? – um deles ria cínico, enquanto passava por mim com seus “comparsas”, cada um dando um tapa em minha nuca. – Estava sonhando com o que? Peitinhos ou pintinhos? – ele gargalhava da própria piada enquanto passava por mim.

Fiquei calado e continuei no meu lugar. Meus olhos esfaqueando-os enquanto eu os observava se afastar.

Assim que me vi sozinho, contorci-me do modo que pude, ainda sentado em minha carteira, alcançando rapidamente meu almoço dentro da minha mochila. Levantei-me resignado (esse tipo de palavra é a cara do Mikey), caminhando até a porta da sala sem muita vontade de realmente sair dela. Suspirei pesado, já imaginando o que me aguardava lá fora.

Dei o derradeiro passo a frente, como um preso condenado a fritar na cadeira elétrica.

Virei para trás, encarando o outro lado do batente da porta. Inferno! Eu detestava aquele lugar, era simplesmente horrível, mas era sempre tão convidativo quando vazio!

Sem muitas opções – já que durante os intervalos, os alunos eram proibidos de permanecer dentro das salas sem a supervisão de um professor. – encaminhei-me para o pátio. Lá, toda a sorte de atletas e outros idiotas (porque todos os atletas são idiotas, mas nem todos os idiotas são atletas, entende?) conversavam e riam uns dos outros, como se a última coisa que quisessem fosse fazer algo de útil pela humanidade (ou por si próprios). Não estava nem um pouco afim de me “socializar” com eles. A minha sorte era que o pátio era realmente grande. As enormes mesas que se encontravam dentro e fora do refeitório estavam completamente lotadas, porém, a área verde que dava acesso aos campos de futebol tinha algumas árvores que faziam uma acolhedora sombra em um ângulo muito interessante, que me permitia observar o ir e vir de pessoas, sem ser visto.

Dei a volta no refeitório (os idiotas mais cretinos sempre se reuniam lá), porém tive de atravessar o corredor formado pelas mesas em uma área aberta do pátio. Era como atravessar um corredor polonês. E enquanto eu passava, várias pessoas me olhavam de um modo... pouco amigável.

- Eu sempre ouço as risadas, não precisam agir como se eu fosse surdo! – rosnei entre dentes, de cabeça baixa.

Andei mais um pouco e logo avistei o lugar que eu queria. Eu até estaria feliz, mas algo estranho estava acontecendo lá. Bem, não que fosse estranho ver um garoto apanhando para outros três caras bem maiores que ele. O estranho mesmo era que o garoto resistia.

Fiquei estático observando a cena. Fazia tempo que eu não me impressionava tanto assim com algo. Por quê? Aquele garoto, provavelmente com metade do meu tamanho, fazia exatamente o que eu jamais tive coragem de fazer: resistir. E quanto mais eu olhava, mais um estranho sentimento crescia e se remexia dentro de mim. Uma raiva maciça, provavelmente fruto dos inúmeros anos de humilhações gratuitas que eu mesmo sofri. Meu lado racional pedia urgentemente para eu me afastar, antes que tudo aquilo que eu havia guardado por anos aflorasse e eu acabasse por fazer algo do qual eu me arrependeria no futuro.

Infelizmente meus demais sentidos me impediram de realizar tal ação.

No lugar daquele moleque, eu enxergava a mim. E eu sabia que se um dia eu tivesse tido ajuda, resistir e até mesmo revidar seria bem mais fácil.

— “Não interfira, Gerard!” – dizia uma vozinha irritante e aguda na minha cabeça, enquanto eu assistia o garoto receber mais um soco. – “Você sabe como vai acabar! É sempre do mesmo jeito!”

Maldita consciência covarde!

E mais maldita ainda aquela raiva que me fazia agir por impulso!

Notas finais
E aí? Espero que não peguem leve comigo! ♥
Quero comentários sinceros. Quem comenta ganha continuação, e um coração contente.
Beijos para quem fica, e até uma próxima!