I'm Here Again
9 4. Merry Christmas and Happy New Year - Parte 1
Notas iniciais
“– Novas! Amiga! Festinha de natal.
– Como assim, Harper? Aquele povo resolveu dar uma festa em pleno natal?
– Todo ano tem, vamos?
– Qual é, Harper! É natal.
– Por isso mesmo, vamos!
– Sinto muito, Har, mas dessa vez não rola.
– Por que não? – pela primeira vez ela me olhou triste e decepcionada.
– É natal, Collins. Devemos ficar com a família.
– Ah! Para, Lua! Vai me dizer que se importa com o certo agora?
– Sim! Desculpa, Har, mas se quiser ir vai sozinha, vou ficar com os meus pais, é nosso primeiro natal aqui, não seria justo.
– Ah! Que droga! Sozinha nem rola – ela sentou na minha cama desanimada.
– Harper? – ela me olhou. – Natal sozinha também? – e assentiu – Vem para cá hoje à noite, como eu disse é nosso primeiro natal em Nova York, vamos ficar sozinhos se comparar a festa de todos os anos, chamem seus pais! Eles mal me conhecem, é uma chance de conhecer a melhor amiga da filha, não acha? E os pais dela também.
– Ih! Aí eles me proíbem de vez de sair com você! – ela sorriu.
– Tudo bem, anjo! – ironizei depois rimos. – Agora sério, vai para casa e volta à noite.
– Não vai dar problemas com seus pais!?
– Desde que tragam comida, não!”
– Do que você está rindo?
– Lembrei de uma coisa.
– Posso saber qual?
– O natal do ano passado.
– O meu foi um desastre! Aquelas mesmas coisas de sempre, família reunida e tios chatos apertando as minhas bochechas.
– O meu foi divertido, minha melhor amiga foi lá para casa, conheci os pais dela e eles me conheceram, descobrimos que nossas mães já se conheciam e todo mundo gostou de todo mundo. Foi bem legal, eles saíram de madrugada de lá, sorte que não moram muito longe. O problema é que em Manhattan, se não for ao lado da sua casa, é longe – Chris riu.
– Vai à casa da Pattie hoje à noite? Garanto que vai ser mais do que 6 pessoas num apê em Nova York – ri.
– Você vai estar lá, né?
– Vou.
– Sua irmã também!?
– E desde quando você se importa com a Caitlin?
– Desde nunca, foi só curiosidade. Nos vemos lá, pestinha.
– Tudo bem então, até a noite. Feliz natal, Lua.
– Feliz Natal Chris! – nos abraçamos e dei-lhe um beijo na bochecha, depois me despedi e enfim ele saiu da minha casa.
Quando digo “enfim” até parece que queria vê-lo longe, mas na verdade não. Era que ele ficou quase a manhã inteira na minha casa e tinha falado que iria embora havia cerca de uma hora, sem contar que de noite tinha uma ceia de natal na casa do Justin, mas isso inclui os Beadles e os Houston, não só, mas até agora é quem eu sei que vão. Alguns amigos das Pattie, dos meus pais, até. Ninguém que eu conheça ou que eu deveria me importar em conhecer.
Voltei para o meu quarto morrendo de sono e me perguntando por que não matei o Chris, por ter vindo a minha casa tão cedo para fazer absolutamente nada. Minha adorável cama toda bagunçada era bem convidativa e explicita no convite: “Volte para mim” e eu, como uma ótima convidada, fui me arrastando de volta para ela. Me joguei e sem mesmo enrolar abracei o travesseiro, mas quando o vento me lembrou que era inverno, puxei o lençol para enrolar meu corpo, tudo de olhos fechados. Respirei fundo e quando quase vi que o sono chegou, meu telefone toca.
– Alô?
– Lua! Cheguei agora.
– Que bom.
– Que bom? Que péssimo, era para eu ter chegado ontem à noite.
– Hum...
– Que foi?
– Dormir.
– Há essa hora? Já está tarde.
– Seu amigo veio me fazer uma visita e me arrancou da cama.
– Chris? – soltei um “uhum” do outro lado da linha e ele riu.
– Cachorro! Não ri não! Se eu não dormir, não aguento na sua casa mais tarde – aí que ele riu ainda mais. – Ok, isso pegou mal, mas você me entendeu.
– Muito mal, mas tudo bem, eu infelizmente entendi.
– Infelizmente?
– É, seria legal entender o lado malicioso da coisa – ri fraco, do jeito que o sono permitia.
– Claro! Aí eu ficaria gaguejando tentando deixar baixo e você provocando para fazer eu me embolar mais ainda.
– Claro! Gosto quando você faz isso, gosto mais de ver você fazer, mas ouvir já seria o suficiente.
– Tudo bem Justin, mas você me ligou só para me bajular?
– Não, queria te pedir um favor, mas já que está com tanto sono, vou deixar você dormir.
– Obrigada. Como eu sou uma garota muito educada, é melhor você desligar o telefone se não o desligo na sua cara, sem mais. – ele riu, de novo.
– Relaxa, tenho que desligar mesmo, preciso descansar também se não sou outro que não vai aguentar a festa.
– Imagina, nós dois como bêbados de tanto sono dormindo pelos cantos? – rimos, e muito ainda por cima, eu realmente imaginei a cena.
– Nada! A gente subia para o quarto e dormia por lá mesmo.
– Ah! Vai dormir Justin! Vai – ele riu ainda mais, se fosse possível.
– Credo, que menina maliciosa! – e outra gargalhada alta por parte dele e mais uma vez me segurei para não rir tanto.
– Tchau, Justin! – apressei para que desligasse.
– Tchau, tchau! – e ele desligou.
Eu conseguiria até dormir rápido, sabe, ainda estava com sono, mas um maldito sorriso não queria sair do meu rosto. Respirei fundo e ele acabou saindo para que eu dormisse de novo, mas custou.
Capotei. Dormi muito, só não parava quieta um segundo, mas dormi e acordei com fome como era de se esperar, mas a hora do almoço já tinha passado há muito tempo. A questão é: quando se vai fazer 18 anos, seus pais param de te acordar, pois acham isso um sinal de responsabilidade, acordar na hora certa para comer ou fazer seja lá o que fosse, então, mesmo com os meus pais em casa fui acordar realmente muito tarde.
– Mãe, comer! O que tem?
– Fala coisa com coisa menina!
– Coisa com coisa e agora comida?
– Sei lá, se vira, ninguém mandou você acordar agora – melhor eu ficar quieta.
Apesar da fome a da preguiça, fucei a geladeira toda até achar algo para comer. Achei e tive que fazer algumas coisas para complementar o baita lanche que fiz para substituir o almoço. Comi e queria mais, ultimamente acho que meu estomago não tem fundo, mas resolvi não comer, sei lá, o problema iria ser não ficar como uma esfomeada na festa de natal.
Que lindo isso, em pleno natal e eu dormindo o dia inteiro, que exemplo Lua! Mas Papai Noel só vem de noite.
Realmente ri com esse pensamento.
– Do que você está rindo aí sozinha, garota? Ficou louca? – minha mãe olhou da sala para mim.
– Quase – eu ainda ria, foi engraçado oras! Minha mentalidade infantil às vezes, me surpreende.
Certo, sem sono e “sem” fome, e agora? Tédio até a hora de se arrumar. Fiquei na sala vendo TV com os meus pais, só que o mais interessante é que foi divertido.
– Pai! Meu presente de natal?
– Como assim "presente de natal"?
– Um presente que você me dá no natal, ué.
– Eu te dei um carro e você ainda quer outro presente?
– Claro, o carro foi de aniversário! Quero o de natal agora.
– Lua, você não é mais criança para ficar pedindo presente desse jeito.
– Você vai me dar? – perguntei a minha mãe.
– Não.
– Então deixa que eu me entendo com o papai – ela riu. – Pai? Papaizinho? Papai do meu coração?
– Ora, Lua! O que a senhorita quer de natal?
– Eu sei lá, é presente! Se eu dissesse o que é para comprar não seria presente.
– Não tem como eu comprar nada hoje.
– Aceito atrasado.
– Você já tem um carro.
– Nem rola juntar presente de aniversário com o natal, principalmente se as datas forem longe uma da outra.
– Vou pensar no seu caso...
– Isso quer dizer que...? – sou alguém muito esperançosa.
– Que irei pensar.
Fiz bico como sempre, mas meu pai fez com que eu risse, como sempre também.
Logo deu à hora para que eu me arrumasse, então fui para o meu quarto e escolhi a minha roupa tranquilamente enquanto a minha mãe corria pela casa desesperada atrás do sapato preto que combinava com o vestido vermelho que ela também não sabia onde estava. Meu pai, muito esperto, foi tomar banho e se livrou da histeria da minha mãe, já eu, em 5 minutos já estava no banho tranquila, com tudo pronto.
Tomei banho e fui para o quarto com uma toalha na cabeça, coloquei a legging, o sutiã, mais nada e voltei para o banheiro. Arrumei o cabelo – aí daria tempo de ele secar o suficiente para não molhar a blusa – e depois comecei com a maquiagem, nada pesado como sempre, mas foi à parte que mais demorou. All star, blusa, casaco de frio na mão e pronta! O que me restava agora era esperar os meus pais.
Desci e encontrei meu pai todo bem arrumado na cozinha mexendo em alguma coisa que não deu tempo de ver.
– Oi pai, cadê a mamãe?
– Se arrumando, oras.
– Ah claro! Que pergunta besta a minha – ele riu.
– Onde você pensa que vai desse jeito mocinha?
– Na comemoração de Natal, ué.
– Assim?
– Assim...? – estendi meus braços para o lado, me olhei de cima a baixo até onde podia e depois o olhei. Vi ele me olhar de cima baixo.
– Você está muito linda! – fechei meus braços e arqueei a sobrancelha.
– Foi mal pai, mas aí não tem como mudar não, você me fez assim e agora não quer deixar eu sair de casa? – ele riu.
– É só colocar uma roupa mais “escondida”.
– Eu em, pai! Qual é! Mais escondida do que isso só se eu usasse um habito!
– Boa ideia!
– Pai! – rimos.
– Tudo bem, tudo bem, não é para tanto, mas ainda acho que você poderia está mais tampada.
– Ah pai! Eu só vou à frente numa festa de natal, ta achando o que?
– Sei lá, vai que Justin cai nas suas graças de novo? – ri.
– Não, não. E mesmo se caísse, qual seria o problema? Ele é famoso, tem dinheiro, bonito...
– É só com isso que você se importa?
– Claro que não, mas acho que você não daria moral se eu dissesse: ele é carinhoso, fofo, uma criança grande! Além de parecer uma boba, claro.
– Você acha que só me importo com isso?
– Não. Então mudando a minha fala: Bla, bla, bla, e mesmo se caísse, qual seria o problema? Ele sempre foi muito gentil comigo, é carinhoso, romântico – tarado às vezes, mas isso, esquece – realmente muito fofo, sempre me dá atenção, até mesmo mais do que eu mereço...
– Certo, você me convenceu!
– De que você não ia dar bola?
– Não, que você parece uma boba.
– Pai! – ele riu e eu acabei rindo também.
– Estou pronta! – a minha mãe apareceu na cozinha. – O que acham? – ela deu uma volta.
– Que tal a mesma coisa do ano passado já que a roupa é a mesma? – respondi brincando.
– Credo! Que filha ruim.
– Liga não – meu pai chegou mais perto –, você está linda – e eles deram um selinho.
– Eca, vocês adoram fazer isso na minha frente, né?
– Você também faz – minha mãe respondeu.
– Mas não na frente de vocês! – saída estratégica para tentar disfarçar a minha cara de vergonha.
– Para de show, menina – meu pai disse sério.
– Ok, ok. Você está linda sim, mãe – passei pelos dois. – Quero só ver você andar na neve com esse salto fino – tentei ri discreta.
Coloquei minha roupa para proteger do frio e saí de casa sendo seguida pelos meus pais em silêncio. Fiquei para trás, já notando a fumaça sair da minha boca, eu adorava aquilo, quando era criança gostava de brincar na neve – confesso, ainda gosto –, mas hoje em dia o que eu mais gosto e ficar soltando ar pela boca e ver a fumacinha sair. Só não sei qual é mais infantil, mas é legal! O que eu posso fazer? Enfim, fiquei para trás para fechar a porta e vi minha mãe afundar ao andar, graças ao salto agulha enquanto eu e meu pai andávamos calmamente com nossos sapatos fechados. A cada vez que ela ameaçava cair, eu soltava uma gargalhada, era inevitável.
Abraços, beijos e o sapato da minha mãe cheio de neve. Tirei o casaco e coloquei junto com os dos meus pais e de várias outras pessoas naquilo que se penduram casacos e andei casa adentro, tentando achar um lugar que eu ficasse à vontade, o que demorou um pouco para acontecer.
– Você está linda – me virei assustada.
– Ah! Oi, Justin! Você é a segunda pessoa que me diz isso.
– Segunda? Que droga! Quem aqui disse primeiro para eu matar?
– Meu pai – ele fechou a cara na hora e eu ri.
– É melhor deixá-lo vivo.
– Concordo – eu não conseguia parar de rir e acabou que ele riu também. – Sua namoradinha chegou?
– Sei lá – ele deu de ombros –, mas desde quando você se importa com a Cait?
– Eu não me importo com ela – ele me olhou confuso – me importo com o irmão dela – ele fez uma expressão de “ah”.
– Era de se imaginar! Você e Chris não se desgrudam mais!
– Culpa sua!
– Minha? – quanto cinismo.
– Sua sim, Justin! Você que nos apresentou.
– E me arrependo.
– Oras! Por quê?
– Vocês não se desgrudam.
– Até parece está com ciúmes!
– E se eu estiver? Algum problema?
– Sim! Primeiro que você não tem mais esse direito...
– Tal direito que logo terei de volta.
– Não está muito confiante?
– Eu sei que vou tê-lo de volta.
– Só em sonhos!
– Neles também.
– Apenas.
– Mentira! Vai ser na realidade também.
– Duvido.
– Quer apostar?
– Não.
– Ué? Por quê?
– Vai que eu perco? – dei de ombros e sorri.
Seria legal – ou não – que a conversa continuasse. Estávamos falando num tom de brincadeira – dizem que toda brincadeira tem um fundo de verdade, dizem –, mas uma pessoa chegou e começou a conversar com ele, eu pedia em silêncio que ela fosse embora para continuarmos a conversar, mas aconteceu o inverso. Outra pessoa chegou e depois outra e mais outra, depois mais uma, enfim, quando notei, Justin estava cercado de gente e eu exclusa dali. Aproveitei que ele me olhou e acenei, virando as costas.
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