I'm Good For You
1 Me Conhecendo
"Eu estava nada mais que dormindo em minha cama, e às três horas da manhã o frio toca meu corpo e um arrepio faz eu me encolher, abri meus olhos, me arrependo do que vi, mas eu não consegui negar em me levantar e ver o que acontecia. Tinha asas, era grande e com forma humana. Cabelos que brilhavam no escuro e olhos que encadeavam de tanto reflexo da lua. Era tão tentador que não tinha como não olhar, desejar saber o que seria aquilo, aquela coisa tão linda, aquela pessoa deslumbrante."
- Querida, acorde. São mais de sete da manhã, ira se atrasar se não se apressar. Seu café da manhã esta pronto em cima da mesa, o suco de laranja está sem açúcar, acho que não vá ser necessário que o acrescente, pois o suco em si está bem doce. Ah, e não esqueça de colocar seu lanche, que está dentro da geladeira também, dentro de sua mochila. Fiz um sanduíche de peito de peru, queijo e alface para seu lanche de mais tarde. Já coloquei seu dinheiro dentro da sua carteira, que está em cima do sofá. Irei chegar tarde, almoce por fora hoje, e não espere pela mamãe quando for dormir, irei para a cidade vizinha para uma audição jurídica. Tudo bem?
- Nossa mãe, como a senhora pode falar tão rápido, só entendi metade, mas relaxe, você já fez isso mil e uma vezes, eu sei como sobreviver quando você está nessas audições longe de casa.
- Eu sei que você sabe se cuidar, mas coração de mãe não para quieto até que tudo esteja certo. Você longe de mim me preocupa, senhorita.
- Ok! Juro que me cuidarei, e que te ligarei sempre que eu puder. Alias, a faculdade me espera, e lá eu não tenho muito tempo para ficar dando noticia.
- Me ligue sim, eu faço questão disso.
- Irei, não se preocupe senhorita.
Minha mãe, ah, minha mãe. Essa senhorita de quarenta e seis anos que trabalha igual louca. Acho que devo logo acabar essa faculdade para que ela possa descansar bem muito até sua velhice. Aliás, nem me apresentei. Me chamo Choi Hye-Jin, mas todos me chamam de Hye, talvez por que meu nome seja um tanto quanto estranho. Ah mãe, acho que você quebrou um pouco comigo, né sua velha?
Deixa eu me apresentar mais formalmente, saber meu nome não quer dizer que me conheça. Como falei, meu nome é Hye-Jin. Recebi esse nome por que, de acordo com minha mãe, era o nome de uma tia dela na qual ela amava muito quando pequena, e, minha mãe sempre muito besta que acredita em tudo, disse que ela tinha poderes, poderes esses que ajudavam as pessoas a se livrarem do mal. Bem, ela me deu esse nome por que ela acha que eu tenho esse poder, e desde pequena venho ouvido ela falar isso o tempo todo, mas nunca, digo e enfatizo, nunca aconteceu nada de mais na minha vida, a não ser as pessoas que simpatizam comigo sem eu precisar falar nada. Sim, não querendo me gabar, mas eu devo ser uma pessoa super legal para todo mundo me achar uma graça de pessoa. Obrigada Deus, sempre fui muito avantajada por isso.
Enfim, sou uma adulta, quero dizer, acabei de virar uma. Tem sete dias que entrei na maioridade, e isso é incrível, irei poder tirar minha carta de habilitação, e logo terei um carro zero. Estudo artes plasticas na universidade da cidade, e nunca pensei que eu pudesse amar tanto uma coisa quanto eu estou amando esses estudos. Digo, nunca fui uma menina de notas altas e muito menos que gostava de estudar, sempre estudei por obrigação, e por isso sempre fui esforçada, mas nem sempre minhas notas eram a cima da média e eu terminava em pagar a matéria por não ter conseguido nota suficiente no fim do bimestre. Frequentei aulas particulares, sempre dei de tudo, e no fim deu certo, passei no curso que eu queria e hoje sou feliz porque estudo o que gosto, e isso é muito melhor do que estudar coisas que eu nunca irei usar na minha vida profissional. A unica coisa que está me deixando pra baixo nisso é que até agora só vi teoria, historia da arte e essas coisas mais, mas ainda sim é incrível aos meus olhos de garota sempre disposta a aprende e capitar assuntos novos e de meu interesse.
Tenho duas melhores amigas que estudam na mesma faculdade que eu. Uma delas estuda psicologia, ela não é bem centrada e nem sei por que entrou nesse curso, mas desde que começou ela tem evoluído e pensando bastante, até me ajudou com uns pequenos problemas de coração por ai. A outra, um ano mais velha que eu, está cursando química, na verdade, o curso que ela realmente queria era engenharia mecatrônica, mas não teve pontuação suficiente, e para não perder mais um ano de sua vida, resolveu cursar sua outra paixão e entrou em química, e amou sua escolha, pois, de acordo com ela, as viajadas que ela dá quando está na aula são as melhores, pois são elas que fazem ela evoluir e pesquisar mais sobre a faculdade que ela está fazendo. Coisa de doido, eu sei, nem eu mesma entendo ela as vezes.
Desde pequena sempre fui muito criativa. Durantes horas e horas eu ficava sentada na mesa da sala, com um bloco de papel A3 na minha frente e alguns lápis. Desenhava e coloria coisas que eu nunca imaginei que fosse capaz de fazer, e sem precisar de aulas, evolui com meus esforços e curiosidades. Acho que isso faz com que eu me sinta diferente, minha capacidade de imaginar coisas surreais faz eu me sentir especial. Quase sempre, na verdade.
Nunca conheci meu pai e nenhum membro da família dele. Durante anos, meus avós maternos vivam conosco, mas resolveram seguir viajem pelo mundo e há dois anos eles não aparecem por aqui, só nos ligam e mandam mensagem e e-mails, sim, eles são mais modernos que muitos adolescentes por ai. Sempre fui uma menina feliz, sempre tive o que eu precisei, e muitas vezes até o que eu não precisei. Não me lembro de ter dado algum trabalho exagerado à minha mãe e avós. É, talvez sobre minha infância eu não tenha que falar muito, ela não era tão interessante, eu quando pequena não tinha muitos amigos e nem muitas aventuras nas quais posso compartilha-las com vocês.
Mas deixa eu te contar uma coisa. Se eu ficar aqui conversando com você não será um coisa boa para mim. Às oito horas tenho que está em sala de aula, e neste exato momento são sete e meia, ou seja, ou eu corro ou eu reencarno no Flash, por que chegar em meia hora lá será impossível. Devo correr, tomar banho, me trocar, comer e pedir um táxi, para tentar chegar na primeira aula. Nossa, a primeira aula de hoje é incrível, eu não posso, jamais, perder.
(...)
Na hora do almoço, eu, Mina e Lia sentamo-nos abaixo da unica cerejeira do campos. A árvore estava linda, completamente rosa e cheia de flores, deixando o gramado dali igualmente rosa com suas flores e pétalas caídas ao chão. Era primavera, o clima estava incrível, o vento estava fresco, o ar tinha um cheiro de rosas e flores tão bom que fazia eu não querer voltar para as aulas e ali ficar até o fim desta estação. Delírios aparte, devo dizer, mas com esse clima frio e gostosa, não consigo me conter em querer nunca mais precisar entrar em um prédio que me impeça de sentir a brisa fresca e cheirosa. A mulher de cabelos castanhos claros e levemente cacheados comia um sanduíche ao meu lado, era tanta a vontade dela ao comer o piedoso sanduíche, que eu sentia certo medo de lhe perguntar que horas ela iria sair naquele dia. Sim, eu a conheço, ela é nada mais nada menos que Lia, minha melhor amiga desde sei lá quando.
- Cara, come mais devagar, a comida não vai fugir das suas mãos. — falei
- Devo dizer, minha cara amiga, estou com tanta fome que posso comer um boi inteiro e ainda tomar a água do oceano pacífico. — ela falou irônica
- Vai ter indigestão. — falou Mina, a mais velha de nós.
- Que nada, meu estomago está vazio demais para isso. Não como nada desde ontem, e isso é como estar presa em uma cela de delegacia durante anos. Ficar sem comer é o pior castigo para mim.
- Deixa eu te dizer uma coisa. A comida continuará não fugindo de você, Lia. Come mais devagar, assim você se sente satisfeita comendo menos. — falei.
- Ok, como se isso funcionasse para sua querida amiga. Parece até que nem me conhece, né criatura?
- Deixa ela. Quando começar a passar mal vem logo à nossa procura. — disse Mina, lendo seu livro e comedo seus biscoitos recheados.
- Eu não falo mais nada.
Eu não entendia muito bem como ela conseguia ser tão pequena e magra e ao mesmo tempo comer tanto. Digo, mesmo que fossemos da mesma altura, que devo afirmar não ser tanta, ela pesa menos que eu, mesmo que seja pouco, e come igual uma porca sem engorda nem um quilo si quer. Sinto uma inveja branca desse poder, claro. Eu tenho alergias, se eu comer mais do que devo passo e ela me olhando com uma cara de quem quer meu sanduíche que não será devorado por inteiro. Não aguento mais essa vida de limitações alimentares.
Olhei-a, encarei meu sanduíche, voltei a olha-la. É, parece que a criatura queria meu resto de lanche.
- Toma. — entreguei-a, arrancando um largo sorriso de seus lábios e uma risada alta de Mina.
- Você é incrível, por isso te amo.
- Você deveria me amar mesmo sem nenhum motivo, pilantra. — falei, tomando meu copo de água.
Meu corpo se arrepiou, uma sensação estranha e incomoda dominou todo o meu corpo, espinha e coluna vertebral. Não era o vento, pois naquele momento ele não soprava, não havia sido a água, pois eu estava doente e tomando-a natural. Era só calafrios, aqueles que são sentidos repentinamente e que te incomodam, pois podem significar alguma coisa. Não exitei em pensar na minha, e então para ela liguei, segundos em espera por uma resposta de chamada, soltei minha respiração, do outro lado da linha estava sua voz em tom de aflição. Talvez ela tivesse sentido o mesmo que eu.
"- Você está bem, Hye-Jin?" — ela falou apreensiva.
- Estou, e a senhora?
"- Agora estou, não conseguia falar com você de maneira alguma. Está com o celular no silencioso, não está?" — seu tom de voz preocupado me deixava aflita.
- Não mãe, não está no silencioso. Talvez a conexão estivesse ruim e a senhora não conseguia completar uma chamada.
"- Talvez. Mas agora que sei que você está bem, posso me tranquilizar."
- Sim, estou bem. Acabei de dar o resto do meu lanche para a Lia.
"- Essa menina, vai acabar morrendo obesa. — ela falou rindo — Me ligue qualquer coisa. E quando chegar em casa me mande uma mensagem avisando que está bem."
- Pode deixar, senhorita. Um beijo mãe.
"- Outro. Vou desligar."
(...)
Notas finais
Até o próximo capitulo, beijinhos... ♥
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