Im Flippy
2 Alguns anos atrás...
Notas iniciais
HEY HO, LET'S GO!
Uma época tomada pelo ódio. Sentindo as narinas tampadas pelo forte odor do sangue que banhavam as ruas, nas quais, um dia já houve vida, alegria, belas casas, famílias... Hoje era habitada pela morte. Acenando a cada esquina.
A guerra não destruía apenas guerrilheiros, como pessoas de bem. Incapazes de ferir uma mosca se quer. Sendo massacrado e empilhado no campo de concentração.
Uma cena daquela seria o inferno em Terra para você, enquanto, para outros, cada passo daquele desastre em massa, havia sido minuciosamente planejado em quartéis, desenhado num papel vagabundo.
O peito estufava puxando o máximo de ar que podia e o liberava para fora dos pulmões seguidamente. Os olhos pareciam querer saltar das orbitas, fixados nas mãos ensanguentadas trazendo numa um sniper e n’outra uma reles butterfly. O rapaz se escondera no final de uma esquina aparentemente vazia, apesar dos estouros de granadas e disparos não estivessem muito longe.
Espiando por detrás daquele muro quase destruído, verificou se não havia ninguém ali por perto. Levantou-se e seguiu se espreitando até a porta escancarada de uma escura casa contendo pouquíssimos móveis – a maioria destruídos por alguém que encontrara a residência antes dele –. Guardando a knife no bolso da calça, adentrou o próximo cômodo com cuidado para não fazer muito barulho antes de se certificar não haver mais ninguém ali.
O próximo cômodo era o mais escuro de todos. Quando pisou no assoalho de madeira, um som molhado saiu por baixo de suas botas. Sentiu mais uma vez aquele cheiro de ferrugem já de costume. Apalpando a parede até um interruptor a luz fez com que franzisse o cenho. E antes que pudesse se acostumar novamente com a claridade, alguém ao fundo se moveu muito depressa, chorando para detrás da cama. Sacava a sniper apontando-a inutilmente aos dois corpos deitados no chão para depois apontar pra cama.
Aproximou-se devagar do móvel até poder ver do que ou quem se tratava. Uma garota. Uma pequena garota vestindo uma camisola branca e suja; longos cabelos ruivos e olhos da mesma cor que escorriam lágrimas sem parar.
Ele, por um momento, não soube muito bem como agir. Sentindo-se cansado demais para interrogar, amargurado demais para matar mais um inocente...
O indicador pedia pelo gatilho, mas desistiu abaixando a arma. Suspirava.
- Não vou lhe fazer mal.
Os olhos da pequena pareciam vidrados nos de Flippy, esperando a possível hora em que ele fosse levantar novamente a sniper e matá-la sem piedade, como acontecerá com seus pais. Mas não. Ele sentou na beirada da cama e apoiou a palma das mãos no rosto, o cobrindo.
Por um instante ela quase teve impressão de que ele chorava.
Notas finais
Não demorarei muito em postar o terceiro capitulo bonitinho e sangrento para vocês... E decente também, porque esses dois deixaram muito a desejar quanto a "gorezisses".
Até a próxima e comentei, okay?
Kissu.
Fale com o autor