I'm Crazy For You
16 Beijos no hospital
Notas iniciais
JAMES ON:
Então, em plena terça-feira a tarde (Que eu deveria estar aproveitando porque é férias), estou no hospital. Motivo: Certo gordo, que nem gosta de comer (Sintam a ironia) passou mal hoje após irmos almoçar em um restaurante aqui perto. Resultado: Intoxicação alimentar.
Sobre Carlos e Jade? Bom, eu tive que me conformar com o relacionamento dos dois. Afinal, se eles se gostam eu não posso impedir que fiquem juntos. Eu conversei com eles ainda ontem e disse que apoio o namoro deles. Mas eu sei que vou demorar para me acostumar com a ideia que Jade não é mais uma menininha e agora tem um namorado. Pode até parecer que estou sendo dramático demais, porque ela é minha prima, não minha irmã. Mas eu cresci com Jade, e sempre a vi como a irmã que eu nunca tive... Por isso que eu pirei quando descobri.
Enfim.. Estamos todos aqui na sala de espera aguardando o médico dizer como Logan está. Jade está sentada ao lado de Carlos e Kendall. Hillary não veio, disse que tinha marcado hora no salão. Sam e Ash aparecem logo depois.
— Como ele está? — Ash pergunta apreensiva.
— Eles estão fazendo alguns exames — responde Kendall calmamente. Não sei como ele pode conseguir manter a calma nessas horas — Mas garanto que ele vai ficar bem.
Sam se senta na cadeira vazia ao lado de Kendall e Ash do meu lado. Ficamos todos esperando até que um médico alto, uns 50 anos, moreno e cabelos grisalhos vem na nossa direção com uma prancheta na mão.
— Vocês são os acompanhantes do Sr. Mitchell, certo? — ele pergunta com uma prancheta na mão.
— Somos — respondo me levantando e olho seu crachá — Como ele está, Dr. Morgan?
— Ele está bem, só precisa ficar mais algumas horas no soro para se hidratar e tomar alguns remédios — ele responde — Alguns de vocês é da família?
— Ela é irmã dele! — Carlos diz apontando para Ashley.
— Ah, ótimo! Venha comigo Srta. Mitchell — Dr. Morgan diz.
Ashley abre a boca para falar algo, mas muda de ideia. Eu aposto que ela quase disse que o sobrenome dela era Collins e não Mitchell. Mas isso ia render uma pequena explicação que não precisávamos no momento.
— Hmm, eu vou ver como ele está então — Ashley diz se levantando. Nós assentimos e ela caminha pelo corredor acompanhada do doutor.
[...]
— Estou com fome — reclama Carlos passando a mão na barriga. Tinha passado o que... cinco minutos desde que Ashley entrou? Talvez menos.
— Quero novidade! — exclama Kendall olhando feio para ele.
— Bom, vou comprar algo para comer — Carlos diz ignorando o comentário de Kendall — Alguém quer algo?
— Não, obrigada — Sam responde educadamente
— Também não quero nada — Kendall responde
— Nem eu — Jade diz
— Eu quero café — digo
—Tenho cara de garçom agora? — Carlos pergunta cruzando os braços. Ué, mas não foi ele que perguntou se queríamos algo? Eu hein.
— Você que perguntou... — respondo dando de ombros — Tá, eu vou pegar meu café então.
— Ok. Barbie e Ken, qualquer novidade sobre o gordo nos avisem — Carlos diz saltando da cadeira e ficando em pé. Sim, ele chama Sam e Kendall assim porque os dois são loiros. Nada a ver né? Eu sei! Depois dá um selinho em Jade... Vou demorar para me acostumar com isso, mas ok.
Fui andando com Carlos pelos corredores, me contentei quando vi uma máquina de café em um canto. Mas é claro que o Carlos queria achar uma lanchonete para forrar o estômago, então se despediu de mim e continuou sua "missão". Peguei uma moeda e coloquei na máquina, escolhi uma cappuccino e esperei meu copo ser cheio.
— Você aqui? — uma voz familiar diz. Me viro e dou de cara com uma garota vestindo uma daquelas roupas que parecem mais uma blusa branca com uma espécie de vestidinho listrado vermelho com branco por cima. (Sei lá, não sei explicar. Mas que eu suponho que seja de enfermeira). Os cabelos estão presos em um rabo de cavalo alto e alguns fios da franja caiem sobre os olhos. Ah... E aquele brilhinho no nariz. Claro, Hanna.
— Hmm, oi — digo tomando um gole do meu café, como se eu não estive surpreso em vê-la também — Como você está?
— O que você está fazendo aqui? — ela pergunta séria se desviando da minha pergunta. Parece que ela não gostou de me ver.
— Um dos meus amigos ficou doente e vim saber como ele estava. Não sabia que você trabalhava aqui....
— Sou voluntária nas férias, não é grande coisa — ela responde dando de ombros — É algum dos seus amigos da banda?
— Sim, o Logan... Meio-irmão da Ashley — explico.
— Oh, minha nossa! O que ele tem? — ela parecia preocupada. Oh, será que ela tem um coração? Que surpresa!
— Intoxicação alimentar, mas já foi medicado.
— Que bom... Ash está aqui também? — Hanna pergunta, faço que sim e então ela se vira em direção ao corredor. O quê? Ela vai mesmo embora sem dar pelo menos um tchau? Depois reclama quando digo que ela é grossa.
— Espera, onde você vai? — pergunto andando rapidamente e quase viro o meu café.
— O que você acha? Falar com a Ash né — ela responde como se isso fosse óbvio.
— Queria falar com você primeiro — digo
— Já estamos nos falando — ela revira os olhos. Tá, tenho que elaborar melhor minha perguntas para Hanna não dizer mais isso.
— Pode ser lá na rua? — pergunto, mas prossigo antes dela falar — Não é correto conversamos dentro do hospital né...
— Você está certo — ela diz olhando o relógio no pulso. Espera, ela concordou comigo? É isso mesmo produção? MILAGRES EXISTEM! —Você tem cinco minutos.
— Obrigado, Srta. Enfermeira — digo fazendo um gesto para ela ir na frente, como um verdadeiro cavalheiro.
Ela revira os olhos, mas passa na minha frente. Tomo o resto do café e me livro no copo no primeiro lixeiro que encontro no caminho. Ela segue o corredor até a saída e eu a sigo. Ela consegue ficar linda até naquela roupa horrível. Afinal, será que alguma roupa consegue deixar essa garota feia? Aposto que não.
— Fale — ela diz assim que chegamos no lado de fora. Havia uns bancos de pedra à nossa direita e um estacionamento do outro lado
— Acho que começamos com o pé esquerdo.... Afinal, eu não entendo qual é o seu problema comigo — falo.
— Como é que é? Eu não tenho problemas com você! — ela responde rindo.
— Claro que tem! Você trata todo mundo bem, menos eu.
— Deve ser porque eles não ficam pegando no meu pé toda vez que me veem...
— Ahh, desculpa se só estou querendo fazer as pazes mas não consigo porque você NÃO aceita meu pedido de desculpas — digo jogando ao mãos para cima. Ela fica em silêncio por um tempo, certamente pensando no que me responder.
— Ok, ok... Pedido de desculpas aceito. Sinto muito por falar com você daquele jeito quando nos esbarramos. Eu estava estressada e descontei em você — ela suspira.
— Algo na escola? — pergunto curioso.
— Não, problemas familiares... — Hanna responde desviando o olhar. Ela estava escondendo algo. Mas... O quê?
— Hm, Hanna? — a chamo
— Sim? — ela volta a olhar para mim. Seus olhos quase negros tem um brilho especial. Está ventando um pouco e o seu cheiro doce de baunilha vem até mim.
— Amigos? — pergunto crente que ela vai dizer não.
— Claro — ela suspira exageradamente, e depois estende a mão na minha direção — Por que não?
Dou um sorriso e aperto sua mão. Não foi tão difícil como eu imaginava. Mas sua mão está suada, como se ela estivesse nervosa. Ela solta minha mão rapidamente e dá um passo para trás, tropeçando na calçada. Seguro ela pela cintura antes de cair. Estamos a pouco centímetros de distância um do outro. Minha cabeça alerta... Perigo, perigo! Tento ceder, mas a vontade de sentir aqueles lábios cor de cereja nos meus, é maior. MUITO MAIOR. Então me inclino mais para frente e toco seus lábios. Na hora, ela não corresponde como se estivesse em choque. Mas logo depois ela relaxa e me beija de volta. Suas mãos estão no meu peito, enquanto as minhas passeiam por suas costas. O beijo acaba quando ela se distancia de mim, me empurrando levemente para trás. E... SLAP! Sinto meu rosto formigando.
— Por que você fez isso? — digo esfregando a área acertada. Caramba, não acredita que ela me de um tapa...
— Você ainda pergunta, seu idiota? — ela diz brava. Legal, a Hanna Grossa está de volta. Como eu senti a falta dela... Só que não — Você me beijou!
— Mas você bem que gostou — Digo dando uma piscadinha.
— O QUÊ? Claro que não! Você só pode ter ficado louco! — ela responde batendo o pé no chão e colocando a mão na cintura.
— Ah, é? Então porque você beijou de volta? — pergunto. Ela abre a boca mas não diz nada. Há, responde essa agora Hanninha!
— E-u não te beijei de volta. Você.... Você só me pegou desprevenida — ela diz dando de ombros. Mentirosa.
— Tá bom, fale como você quiser. Mas eu ainda acho que você gostou, só não quer admitir.
— Olha aqui — ela se aproxima um pouco e coloca o dedo indicador quase no meu olho — Se você tentar fazer isso de novo, vai se arrepender!
— Uh, você está me ameaçando? Que medo — digo fingindo que estou tremendo.
— Estou falando sério, eu vou acertar bem no seu amiguinho — ela fala em um tom ameaçador. Ok, confesso que fiquei com um pouco de medo dela agora — Sem falar que existe um ótimo motivo para dizer que você não deveria ter feito isso.
— E qual seria?
— Ah, que você tem namorada!?
— Como você sabe disso? — pergunto surpreso.
— Oh, você quer dizer além do anel de namoro que você tem no dedo? — ela pergunta apontando para a minha mão. Droga, esqueci do anel! Quer dizer... Esqueci que tinha namorada. Viu, é isso que acontece quando essa garota está perto de mim... Daqui a pouco eu esqueço até o meu nome.
— Hmm... Eu... — tento dar uma boa explicação para isso.
— Quer saber? Nem gaste saliva tentando bolar uma resposta, porque não tem — ela responde ajeitando o vestido — Vou falar com a Ash. E você.... nem pense em vir atrás de mim!
Ok, senti que isso foi uma ameaça só pelo tom de voz dela. Jogo minhas mãos para cima em sinal de rendição. Ela se vira e vai em direção a entrada do hospital. Seu rabo de cavalo mexe para o lado e para o outro enquanto ela anda, então... Some quando passa pela gigante porta da entrada.
Eu queria entender como essa garota consegue me deixar desse jeito. É sério, eu sou o tipo de pessoa que não perde a cabeça facilmente. Se bem que ultimamente eu ando bem nervoso... Tá, isso não vem ao caso no momento. Enfim, isso que acabou de acontecer foi errado. Afinal eu ainda estou com a Hillary, mesmo nosso namoro não andando nem um pouco bem. Beijar Hanna foi um erro.
Mas o problema do erro, é que às vezes ele beija bem. Muito bem.
LOGAN ON:
[Minutos antes]
— Logan? Você tem visita — Dr. Morgan diz entrando no quarto, percebo que tem alguém atrás dele. Ele dá uma passo para o lado e vejo Ashley. Ah, droga! Eu esperava que só fosse vê-la quando saísse do hospital.
— Hmmm, doutor... Será que podemos ficar a sós? — ela pergunta baixinho, mas eu escuto. — Ah, claro. Eu preciso olhar outro paciente. Qualquer coisa, chame a enfermeira — ele responde e sai do quarto.
— Oi... Como você está se sentindo? — ela pergunta puxando assunto. Ah, eu estava ótimo até você chegar.... Só olhar para o aparelho que marca meus batimentos cardíacos que já dá para ter uma resposta.
— Bem... Mas o que adianta se não posso ir para casa agora? Aff.
— O médico disse que você precisa se hidratar — ela comenta — Ah, um dos meninos ligou para o seu pai, mas ele estava ocupado. Então só vem te ver a noite.
— Ele se importa mais com o trabalho do que comigo... — digo desapontado.
— Não é verdade... — ela diz defendendo meu pai. Ah, você está do lado dele agora, Collins? Que legal!
— Claro que é, sempre foi assim e sempre vai ser — respondo desviando o olhar.
Ficamos alguns minutos em silêncio, e isso está me matando. Não esperava que ela viesse me ver, afinal... ela realmente se importa comigo? Não parecia quando ela fez aquilo.
— Logan, sei que essa não é a melhor hora, mas preciso falar algo para você.
— E sobre o que seria?
— Sobre aquele outro dia... Eu tentei me explicar, mas você nem me deu uma chance.
— Ah, claro — respondo dando de ombros. Ela está se referindo ao dia que cheguei na sua casa e ela estava com Ben — Bom, agora não importa mais....
— Claro que sim. Você precisa saber que...
— Ashley, eu já sei — digo a interrompendo
— Sabe? Sabe o quê? — ela pergunta confusa
— Eu sei que você e o Ben nunca tiveram nada
— Oh. Mas como você sabe disso?
— Ele me contou
— Como é que é? O Ben.... Falou com você? — ela perguntou, fiz quem sim — Quando isso?
— Ontem — respondo. Então me lembro da nossa pequena conversa de ontem, logo após o James ter surtado. Quando eu fui abrir o portão achei que era o carteiro, mas era ele....
~FLASHBACK ON~
— O que você quer? — pergunto impaciente
— Logan, será que podemos conversar?
— Não tenho nada para conversar com você, Benjamin — digo tentando fechar o portão, mas ele o segura.
— Pode me chamar de Ben. E sim, nós temos que conversar — ele responde.
Era só o meu faltava! O que esse garoto quer afinal? Que eu parabenize os pombinhos? Ou dizer que ele e a Ashley formam um lindo casal? Eu não me importo! Cara, quem eu estou tentando enganar? Eu me importo sim. E MUITO!
— Fala — digo revirando os olhos
— Posso entrar pelo menos? — ele pergunta. Faço um gesto de “Que seja” e solto o portão. Ele entra e fecha — Obrigado.
— Não tem te de que — respondo com um falso sorriso
— Então, o que você quer TANTO falar comigo?
— Ashley — ele responde. Sério, não me diga? OOOH! Claro, que o assunto era ela.
— Olha, eu não quero saber o que está acontecendo entre vocês...
— Que bom, porque não está acontecendo definitivamente nada entre nós.
— Ahh, claro — respondo ironicamente.
— É sério. Eu e Ashley somos só amigos. Nunca tivemos nada e nem vamos ter.
— Conta outra...
— É verdade. Logan, ela me contou tudo — ele diz. Ela contou? Contou o quê?
— Hmm, é mesmo? E o que exatamente ela te disse? — pergunto tentando não parecer muito interessado.
— Sobre vocês dois.
— Não sei do que você está falando... — dei de ombros.
— Claro que você sabe, não se finja de desentendido — ele responde. — Eu só quero que você saiba, que eu não estou interessado na Ashley.
— Como não? — exclamo — Hm, quero dizer... Ela mesma me disse que gosta de você.
— Sim, ela gostava. Mas eu disse a ela que não sinto nada além de amizade.
— Eu não te entendo... Como você pode não gostar da Ashley? Ela é... UAU! — não tive nem palavras para expressar como aquela garota é maravilhosa para mim.
— Ashley é uma garota incrível, e eu tenho muita sorte de tê-la como amiga. Mas ela não faz o meu tipo.
— Hmm, então você prefere loiras? Ruivas?
— Você não entendeu. É que... Eu não gosto de garotas.
— Você está zoando com a minha cara, né? — pergunto. Não, ele não pode ter dito o que eu pensei ter ouvido. Como um garoto como ele, forte e todo "bonitão" pode ser.... Céus, eu devo estar em um sonho, ou em um pesadelo, sei lá.
— Não estou. Eu sou.... Gay — ele responde na maior naturalidade.
— Caralho! Eu não acredito! — exclamo
— Acredite, é a mais pura verdade. Só peço para você não falar isso para os seus amigos, pelos menos por enquanto.
— Aham... — asseguro — Ashley sabe sobre isso?
— Sim, ela foi a primeira que eu contei.
— Quem mais sabe? Sam? — pergunto, ele assenti — E os seus pais?
— Ainda não... Criando coragem para contar isso a minha mãe sem ela tem um infarto. E meu pai... Bom, ele não se importa muito comigo, já que mora bem longe de mim. Eles são divorciados.
— Entendo...
— Olha Logan eu sei que você não gosta de mim, porque achou que eu tinha algo com a Ash... — ele fala. EXATO! Ainda bem que você sabe cachinhos dourados — Mas eu só quero que você saiba que eu nunca fui uma concorrência.
— Ok, ok — respondo dando de ombros. É claro que eu me sentia ameaçado por ele, mas não ia admitir isso.
— Bom, eu preciso ir... Espero que podemos ser amigos.
— Acho que não tem nenhum problema nisso — respondo. Ele sorri e estende a mão para mim, que eu aperto — Espera, foi a Ashley que pediu para você vir aqui?
— Não, não... Ela apenas me contou e pediu ajuda para saber o que te falar. Ela não sabe que eu vim aqui.
— Seria um segredo, então?
— Não. Você pode contar para ela se quiser. Ela vai me dar uma bronca por se meter, mas posso conviver com isso. Então, tchau Logan — ele se vira de costas para mim e toca na maçaneta do portão.
— Ben? — chamo. Ele olha para trás — Valeu.
— De nada — ele sorri, abre o portão e vai embora.
~FLASHBACK OFF~
Contei para Ashley tudo que Ben havia me dito. Cara, como eu fui tão idiota de achar que ela podia ter algo com aquele garoto? Tipo, ele é gay! Tudo bem que antes eu não sabia e queria encher ele de porrada... Enfim.
— Me desculpa por não ter deixado você se explicar naquele dia. Mas eu... — me interrompi.
— Você o quê...?
— Eu fiquei com ciúmes — admito. Caramba, eu não acredito que falei isso para ela!
— Ciúmes, é? Então... Isso quer dizer que você realmente gosta de mim? — ela pergunta com um sorriso nos lábios.
— Sim, eu gosto.... de você. Só de pensar que você podia estar feliz com outro cara que não era, eu fiquei... Com raiva. — digo envergonhado. Fiquei tão furioso que queria dar um soco naquele garoto só por ficar perto da minha Ashley. Espera... Minha!? Oh God!
— Awn! Então... Estou perdoada?
— O que você acha? — pergunto arqueando uma sobrancelha.
— Ah... Sim? — ela pergunta se aproximando mais da minha cama.
— Claro que sim — respondo e a puxo de leve pelo braço para baixo. Ela apoia as mãos, uma em cada lado do meu corpo, para não cair em cima de mim. Olho de relance para o monitor cardíaco. Claro... meus batimentos tinham subido rapidamente. Essa garota acelera meu coração, literalmente — Estava com saudades de você.
— Eu também estava — ela responde dando aquele sorriso encantador que só ela tem.
Uma mecha do seu cabelo escapa de trás da orelha e tapa um pouco seu rosto. Coloco de volta no lugar e levanto um pouco da cama e toco seus lábios. Mas então escutamos um barulho, e a maçaneta da porta gira. Ash sai e fica ao meu lado como se nada tivesse acontecido. A enfermeira velha e gorducha que está me dando a medicação entra no quarto. Ah, qual o seu problema vovó? Não deu para perceber que eu estava fazendo as pazes com a minha gata? É, pelo jeito ela não percebeu...
— Desculpa Srta. Mitchell, você precisa ir — A enfermeira diz. Espera... Mitchell? Aaah, ela acha que Ash é minha irmã.... Mas, por quê? Tá, isso não importa agora — Ele tem que tomar o remédio e descansar.
— Oh, certo. Hmm... Tchau Logan — Ash responde sem saber direito o que fazer — Fique bem.
— Obrigado. Tchau Ash — respondo.
Eu devo ter um sorriso muito bobo no rosto, porque ela também está sorrindo. Ela anda até a porta, dá uma piscadinha para mim e sai do quarto. A enfermeira velha/gorda/sem coração/estraga-prazeres/mal amada (PAREI) me dá o comprimido. E logo acabo pegando no sono.
[...]
Escuto a porta de abrindo, e abro os olhos devagar. É meu pai. Quando ele se vira na minha direção, fecho os olhos e finjo que estou dormindo. Escuto seus passos e sei que está perto de mim.
— Desculpa por não ter vindo antes — ele diz tocando meu braço. Não abro os olhos. Então escuto novamente ele andando e um barulho de cadeira. Depois de uns segundos dou uma espiada e vejo que ele se sentou. Meu pai colocou o terno na cadeira e afrouxou a gravata, deve ter vindo direto do trabalho. Então ele fica ali por um tempo, seu celular toca e ele xinga baixinho enquanto o procura dizendo "Cadê essa porcaria?". Me segurei para não rir, eu nunca vejo meu pai xingando.
— Alô? — o escuto dizer — Oi amor... Sim estou aqui. Ele está dormindo.... Sim, falei com o médico, Logan vai ter alta amanhã... Vou passar a noite aqui com ele... Não precisa Tereza, eu fico. Mesmo assim obrigado... Tá bom... Te amo. Tchau.
Ainda não estou acreditando. Ele disse que ficaria aqui comigo. Mas, e o trabalho? E a Sra. Collins? Decido que só vou "acordar" depois te contar até 100, mas só vou até 60... E então abro os olhos.
— Pai? — digo. Ele está arqueado na cadeira, mas olha assim que ouve minha voz e sorri.
— Oh filho, que bom que você acordou — ele se levanta e vem até a minha cama, depois pega na minha mão — Como está se sentindo?
— Bem — respondo. Realmente estou, por mim já ia embora agora. Detesto hospitais — Pensei que você não ia vir...
— Me desculpe por isso. Aquele seu amigo loirinho me ligou quando eu estava representando um caso — ele responde. Sim, meu pai está falando do Kendall, mas ele sempre esquece os nomes dos meus amigos. Para ver como ele se interessa com a minha vida — Por isso só vim agora.
— Claro, sempre o trabalho em primeiro lugar... — digo sem olhar pra ele
— Logan por favor, já conversamos sobre isso. Você tem que agradecer, é o meu trabalho como advogado que paga as suas despesas. Incluindo a sua outra casa e a banda.
— Eu sei, eu sei — respondo. Ele não precisa jogar na minha cara que me sustenta, eu sei disso. Eu só não arrumei um serviço porque ele não deixou alegando que eu precisava me focar nos estudos. Aff, como se eu precisasse estudar para ganhar notas altas.
— Fiquei preocupado com você — ele diz.
Olho atentamente para o meu pai, ele tem uma expressão de cansaço no rosto. Meu pai ainda é um homem novo, ainda nem tem quarenta anos, mas como está sempre engravatado, representa ser mais velho. Não somos muito parecidos na aparência, seus cabelos são um poucos ondulados e bem pretos, e ele sempre penteia para trás, e seus olhos são um pouco mais claros. Devo ter puxado minha mãe, mesmo nem sabendo ao certo como ela era.
— Filho, me desculpa mesmo. Eu me esforço ao máximo para ficar perto de você. Mas parece que você não quer ficar perto de mim...
— O quê? — pergunto
— Faz quatro anos que você foi morar com seus amigos, me deixando sozinho naquela casa — ele responde triste.
— Pai, você quer saber mesmo porque eu me mudei? — pergunto. Ele não responde, mas eu continuo mesmo assim — Porque eu estava cansado de ficar sozinho. Isso mesmo! Você vivia viajando a negócios, resolvendo seus casos, ganhando seu dinheiro, enquanto eu ficava sozinho naquela casa.
— Eu não sabia que você se sentia assim... Eu sinto muito, muito mesmo.
— Pedir desculpas agora não vai resolver, pai — digo dando de ombros — Tudo seria mais fácil se mamãe estivesse viva...
— Logan, por favor... Não coloque sua mãe na história.
— Por quê não? Nós quase não falamos sobre ela. O senhor já parou para pensar que talvez eu quisesse saber mais sobre a minha mãe? — pergunto.
Era sempre assim, quando eu falava sobre ela, meu pai dava um jeito de mudar de conversa. Será que depois de tanto tempo, ainda doia falar sobre a morte dela? Só podia ser isso.
— É claro que sim — ele responde fechando os olhos por um instante — Mas agora não é um bom momento, estamos em um hospital
— Uhum — murmuro. Não queria brigar com meu pai, muito menos aqui.
—Você tem razão... — ele diz depois de alguns minutos de silêncio — Temos que passar mais tempo juntos. E eu já sei como!
Ele diz sorrindo parecendo que teve uma grande ideia. Olho para ele sem entender.
— Esse final de semana tenho que viajar para Seattle para resolver alguns casos. Podemos fazer uma viagem em família... Eu convido Tereza e as meninas. Ou podemos ir só nós dois também, como você preferir.
— Hmm — digo pensando no assunto. Bom, eu realmente não ia aceitar o convite do meu pai. Mas, a ideia de passar um final de semana perto de Ashley em outra cidade parecia uma ideia tentadora — Acho que seria legal se fossemos todos nós juntos
— Oh, que ótimo! — meu pai diz animado.
Eu. Ashley. Em Seattle. Esse final de semana vai ser demais.
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