Im Coming Home For You
1 1 - Tequila
Notas iniciais
"Um passo. Mais um passo. Só mais um..."
-Ei garota, precisa de ajuda? — perguntou uma voz divertida as minhas costas.
-Não, obrigada, eu estou bem — falei com a língua enrolada.
Sabia que devia ter parado depois da segunda dose de tequila. Não sou forte para bebidas, então imagina o que duas doses já fazem comigo...
-Tem certeza? — ele perguntou arqueando uma sobrancelha — Você está parecendo bem acabada.
-Ah, legal, obrigada — comentei sarcasticamente, enquanto dava outro passo com meus saltos, tentando não tropeçar.
-Tem certeza? — perguntou novamente.
-Uma ajudinha seria le-legal — falei, gaguejando enquanto tentava deixar o orgulho de lado.
Ele riu, e se aproximou de mim, pegando-me no colo. O mundo girou e eu apertei com força o braço dele, que apenas começou a caminhar novamente.
-Onde é sua casa?
-Onde estamos?
-Na frente da praça municipal.
-Segue duas quadras adiante, vira a direita, dai a primeira esquerda... É a única casa verde da quadra...
Ele seguiu caminhando, e quando virou a direira e logo depois a esquerda, eu sabia que ele realmente estava me levando para casa. Quando ele parou de caminhar, sussurrou no meu ouvido:
-Posso de por no chão?
-Pode — falei, enquanto tentava me equilibrar novamente em terra firme. Ouvi um gato miando em uma casa perto, uma porta sendo aberta e alguém perguntando:
-Está tudo bem, srta. Evans?
-Sim, sim, sra. Johnson — falei, acenando, ainda meio cega pela luz que caiu sobre meus olhos quando minha vizinha abriu a porta.
-Quem é o rapaz com você? — perguntou ela. Sabia que cedo ou tarde iria. Quem cuida das fofocas da rua? A senhora Johnson, claro. Já estou vendo amanhã todos os vizinhos comentando.
"Sabe aquela moça da casa verde? A que faz faculdade de psicologia? Então, pelo que a senhora Johnson viu, ontem a noite ela voltou bêbada para casa junto com um homem..."
-Vamos entrar — murmurei para o cara, que me ajudou a subir os degraus de entrada e a abrir a porta.
Você provavelmente está pensando, que idiota é essa que deixa um estranho leva-la até a sua casa, e depois deixa-lo entrar? Ela poderia ter sido assaltada, estuprada, morta e bla bla bla. Mas não sou tão estúpida assim. Eu conhecia aquela voz... Eu sabia que conhecia, mas não me lembrava de onde. E também sabia que poderia confiar nele... Não me pergunte como, mas eu apenas sabia.
Acendi a luz quando fechei a porta, então finalmente pude ver o cara que havia me ajudado. Ele era alto, tipo, muito alto. Com meu salto alto 15 cm eu fico com 1,79 e mesmo assim ele ainda era uns bons centímetros maior que eu. Só para ter uma ideia. Seu cabelo era negro, e seus olhos de um azul impressionante. Tinha um piercing no queixo e
um transversal na orelha esquerda.
-Ha, eu sabia que te conhecia de algum lugar — falei sorrindo e dando uma risada feito bêbada. Eu estava, então não tinha desculpa. Fui dar mais uns passos para frente, mas caí — Malditos sapatos.
Ele riu, mas veio me ajudar a tirar o calçado. E me pegou no colo novamente.
-Você não é uma bêbada muito inteligente, não é mesmo?
-Com certeza não sou — falei rindo histericamente, enquanto ele subia as escadas — Mas quem imaginava que você, que está cuidando dessa bêbada retardada, é o baterista da famosa banda Avenged Sevenfold.
-Você gosta?
-Até curto, mas meu irmão gosta muito mais que eu. Ele é viciado. E só tem 16 anos.
-E você, quantos anos tem? — ele perguntou com um sorriso malicioso.
-Por que quer saber?
-Curiosidade...
-Aham, sei... — ri — Mas, tanto faz então, tenho 22 anos.
-E... — ele disse — Ainda não sei seu nome. E você com certeza sabe o meu.
-Verdade... James — falei brincando, mas com a cabeça ainda girando. Eu não falo muita merda quando fico bêbada, o problema é a locomoção — Meu nome é Marianne, me chama de Mari, Anne... O que você quiser...
-Vou te chamar de Mari — ele disse me deitando na minha cama — Agora durma.
Senti um cobertor sobre meus ombros, e apaguei.
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