Ilusão

1 Capítulo 1


Ilusão


“Mais um dia. Mais um dia que eu venho calada para o trabalho, sem que eu possa fazer nada diferente. Mais um dia que meu coração quase sai pela boca quando eu o vejo entrar por aquela porta. Mais um dia que eu tento não pensar em quanto eu o quero pra mim!”
-- Tenente Hawkeye, algum problema?
-- Não senhor, Coronel Mustang.
-- Então por que me olha desse jeito. Parece desconfiada.
“Eu estou apaixonada, seu idiota! Apaixonada por você!”
-- Não senhor, só estou repassando mentalmente tudo o que o senhor disse até agora, senhor.
-- Muito bem. Então, passemos para o próximo item.
“Como eu posso pensar em ter alguma coisa com Roy Mustang? Afinal, ele é Roy Mustang, caramba! E ele mal olha pra mim. Eu sou só a tenente e nada mais. E ele pode ter a mulher que quiser, por que olharia pra mim? Eu morro só de pensar nele me rejeitar!”
-- E é só isso que precisaremos. Com certeza eu mandarei Edward fazer a parte difícil primeiro! Há, há, há... Tenente, eu fiz uma piada.
-- O senhor deveria pensar com mais cuidado antes de mandar Edward pra essas missões.
-- Ele é bom! Confio nele. E eu sei que ele fará exatamente o que eu gostaria de fazer. Ah, se eu pudesse...
-- O senhor não chegará a Marechal fazendo o que gostaria, senhor!
-- É, você tem razão. Mas tem tantas coisas que eu gostaria de fazer...
“Eu também! Gostaria que me tomasse em seus braços, que olhasse fundo em meus olhos e me beijasse como se nada mais importasse. Gostaria que me carregasse a sua casa e dissesse que me ama mais que tudo neste mundo!”
-- Venha tenente.
“Mas é só isso que eu terei. Terei de segui-lo por essa porta até o fim do mundo se for preciso, sem ter o direito de alcançar o que mais quero! Terei de andar por essas ruas pisando em suas pegadas, vendo-o sorrir a todas as mulheres que se atiram pra você. Terei de suportar a dor de vê-lo até mais de uma vez nos braços de alguém que não o ama como eu! Terei de me contentar sempre em só olhá-lo.”
-- Bom dia, senhorita – “por que tem que ser tão galanteador como se eu não estivesse aqui?”
-- Bom dia, Coronel. Lindo dia, não está? Veio proteger essas redondezas?
-- Proteger? Sou apenas um Coronel, estou só espairecendo – “por quê? Por que gasta este sorriso arrebatador com esta mulher e não comigo? O que eu tenho de errado?”
-- Mas eu me sinto muito segura com o senhor por aqui!
-- Que isso. Eu só me sinto seguro acompanhado pela tenente Hawkeye! – “segurança? É isso que eu sou? Isso, afaste-se dela imediatamente”. – Está tão silenciosa hoje, tenente.
-- É porque não tenho nada a dizer, senhor.
-- Que pena. Se estiver muito cansada, eu aconselharia uma folga.
-- Estou bem, senhor. Obrigada.
-- Claro, claro, só não quero que se desgaste – “você até parece se preocupar comigo, mas creio que só se preocupa com a própria segurança. Segurança!”
-- Acho que devíamos voltar, senhor.
-- Espero não tê-la aborrecido com minha conversa.
-- Não senhor, mas temos muito trabalho a ser feito, por isso, devemos voltar.
-- É que você parece tão distante hoje, pensativa...
-- Se é meu silêncio que o está preocupando, Coronel...
-- Não seja irônica. Vamos voltar.
“Pra que tudo isso? Você sente algum prazer em me fazer desejá-lo dessa maneira? O que ganha me torturando assim, Mustang?”
-- Poderia trazer as papeladas necessárias, por favor, tenente? – “Claro, agora sou sua secretária, não sou?” – E mais uma coisa. Não quero que pense que estou me intrometendo na sua vida. Apenas... Apenas... Não faça nada além do necessário, está bem, Liza? – “Me chamou de Liza? Nada de tenente? E sorriu pra mim? Al, por que me tortura, Mustang, por que faz brotar esperanças em meu coração que eu não deveria alimentar? Porque você não é nada além de ilusão pra mim, e você é um ótimo ilusionista!”

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