Ilusões e Sangue
1 Traída
Notas iniciais
Lizzie estava à um passo de estrangular Lucas. Mas por algum motivo, ela apenas ficou parada, o fuzilando com o olhar, esperando uma resposta decente.
Nada.
- Seu filho da puta. — Ela quebra o silêncio. Lágrimas começam a rolar de seu rosto. — Como pôde fazer isso comigo?
Lizzie joga o sutiã no chão. E começa a arrumar as malas.
- Liz, meu amor, espera, eu posso explicar! — Indaga o namorado.
- Não precisa. Vai brincar com a dona desse sutiã. Vejo que são bem íntimos.
Ela sai porta àfora com as suas coisas, e entra no carro indignada.
- Por favor, não é isso que você está pensando!
Lizzie ignora o rapaz, e começa a dirigir, resmungando palavrões. Ela dirige sem rumo, apenas querendo se afastar dele. Ainda se lembra do que aconteceu.
flashback on
Lizzie tinha acabado de chegar do trabalho. Mas se irrita ao ver Lucas dormindo no sofá, roncando como um porco, enquanto a TV falava sobre esportes e a casa permanecia em total bagunça. O hábito grita mais alto, e Liz começa a organizar as coisas.
Até que, encontra uma caixa sobre o guarda-roupas. Ela nunca teve curiosidade de olhar naquela caixa até então. Lucas sempre evitava que qualquer pessoa mexesse. Dizendo ele que eram coisas íntimas dele.
Liz sabia que não devia, que seria desrespeito, mas mesmo assim, abriu a tão misteriosa caixa, descobrindo da pior forma, objetos que incriminariam seu namorado de tê-la traído.
Lá haviam sutiãns, calsinhas e fotos de outras mulheres. Algumas cartas diziam " Obrigada por essa noite maravilhosa. Foi a melhor transa da minha vida." outras falavam " Na próxima é sua vez de fazer a oral."
Nesse momento, Lizzie se encheu de ódio, e foi tirar satisfações com Lucas.
flashback off
Liz deixou escapar um grito, tentando esquecer do ocorrido.
Quando menos esperava, já estava anoitecendo, e ela já tinha saído da cidade.Está perdida. Onde dormiria?
Lizzie avista ao longe, um humilde posto de gasolina, e resolve parar.
Ela sai do carro, e caminha em direção à uma pequena loja de conveniencia. O posto não tem funcionários, mas talvez a lojinha tenha alguém.
- Olá. — Disse um homem atrás de um balcão, assim que ela entrou. — Como posso ajudá-la?
- Oi — Liz forçou-se a não parecer com problemas. — Sabe qual caminho eu devo tomar pra voltar pra cidade mais próxima?
- Mas tão tarde? — Ele mantia um sorriso estranho, parecia petrificado. — Não acha melhor dormir em algum lugar?
- É, acho que sim...
Lizzie olhou alguns pacotinhos de Cheetos. A vontade de levar passou quando viu a data de validade: 2/03/1999. Fez uma careta de nojo e o devolveu ao seu devido lugar.
- Eu conheco um hotel ótimo! E é aqui perto!
Ela o olhou esperando que ele dissesse onde é. O rapaz apenas continuou sorrindo.
- Onde é?
- Vira a primeira à esquerda, segue reto uns 10 km. E você chega lá.
- Obrigada senhor...?
- Gostaria de comprar alguma coisa?
Liz saiu da loja sem responder, e voltou para o carro. Achou perda de tempo continuar conversando com ele. Olhou no relógio. Meia-noite.
Ela continuou a dirigir seguindo as instruções do homem estranho. 00:20 já tinha chegado no local.
O hotel era grande e parecia um castelo velho e abandonado. Algumas luzes estão acesas, mas a porta permanece fechada. Começou a chover de repente. Liz desceu do carro e foi correndo até a grande porta. Juntou forças e a empurrou. Quando conseguiu abrir, deu de cara com um hall do mais alto luxo. Haviam muitas pessoas, conversando, bebendo, se divertindo.
- Boa Noite, a senhorita gostaria de alguma coisa? — Perguntou uma mulher idosa e baixinha.
- Onde é a recepção? — Liz perguntou.
- Por aqui.
Lizzie seguiu a senhora até uma grande bancada, onde conseguiu a reserva para uma noite. Ela seguiu para o seu quarto. No quinto andar, o 501. Em todos os lugares tinham pessoas, homens, mulheres, crianças... Como aquele hotel no meio do nada era tão famoso, e Lizzie nunca tinha ouvido falar dele?
Liz finalmente chegou no seu quarto, e deitou-se na cama, prestes a dormir. Era 00:30.
Quando conseguiu cair no sono, teve um pesadelo um tanto estranho.
Lizzie estava correndo desesperada, sem saber o porquê. Mas não sentia mais as suas pernas, estava exausta. Mesmo assim, o medo a fez continuar. Por mais que ela avancasse, o cenário nunca mudava, como se estivesse em uma esteira. Era uma cidade fantasma.
- Volte aqui! — Alguém gritou atrás dela.
Liz então, entendeu porque estava correndo tão aflita. Alguém estava perseguindo ela. E esse alguém parecia se aproximar cada vez mais. Era um homem. Quase o dobro da altura de Liz. Ele usava um uniforme médico, e corria com uma adaga na mão.
Liz apressou o passo. Inútil. Ela acabou caindo, e o homem a alcançou.
Ele se aprocimou devagar, virou Lizzie de barriga para cima. E com a adaga, foi cortando lentamente a região do coração da garota. Ele sorria ao ouvir os gritos de dor dela, sentindo prazer ao ver o sangue escorrendo.
Mas ele não se contentava com tão pouco. O homem tirou as roupas de Liz, exibindo seu corpo nú para a lua. Então, com a adaga, ele cortou os seios dela, rindo histéricamente, adorando o sofrimento da garota. Lizzie chorava, gritava, tentando escapar. Ela só via sangue e mais sangue.
Mas ele não se contentava com tão pouco. Quando Lizzie viu as mãos odiosas do seu perseguidor descer em direção à vagina...
Liz acordou.
Suada, tateeou as partes do corpo no escuro. Foi apenas um sonho.
Ligou a luz do abajour, e se sentou na cama. Era 1:00. Procurou no frigobar um pouco de cerveja.
Sentou-se na cama, e começou a beber.
Então, começou a ouvir um barulho de música e pessoas falando alto.
- Merda.
Lizzie decidiu descer, e reclamar do barulho àquela hora da madrugada. A porta rangeu quando ela abriu. Liz foi para o corredor, e andou em direção ao elevador. Estava tudo escuro e não tinha tanta gente como antes. Na verdade, não tinha ninguém.
Apertou o botão. E pouco tempo depois, a porta se abriu. Contudo, o elevador não estava ali. Falhas técnicas, talvez.
Ela deu meia-volta, pretendendo tentar voltar a dormir. Até que começou a ouvir alguém chorando. Mais especificamente, uma garotinha. O som vinha do quarto 520. Lizzie bateu na porta, preocupada.
- Está tudo bem aí? — Perguntou.
Sem resposta.
A porta estava entreaberta, então com um leve empurrão, Lizzie, abriu a porta, entrando calmamente.
Não tinha ninguém no quarto, com exceção, de uma criança em um berço.
Liz sentiu um frio na barriga, e alguma coisa dentro dela gritava para ela não ir.
Mesmo assim, ela se arriscou a se aproximar.
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