Ilusão

8 Angelo


Notas iniciais
deculpem pela demora @_@... O capítulo é curtinho, maaaas cheio de surpresinhas ;)

Um longo tempo tinha se passado desde que Lívia havia deixado Mundus sozinho com Vergil e aquela começava a se irritar por não ter sido chamada ainda. Ela sabia que cedo ou tarde Mundus a convocaria para ser testemunha da transformação de Vergil e a demora a irritava profundamente. Não estava acostumada a ser deixada para trás nos planos de Mundus e mesmo que isso não representasse a sua exclusão dos planejamentos do mestre o fato de estar a muito tempo esperando não era prazeroso. Levantou-se nervosa jogando o livro que lia em sua cama e decidiu voltar para as masmorras. Não poderia deixar que os outros demônios vissem essa situação como uma possível desconfiança de Mundus.

Agradeceu por não ter encontrado ninguém indesejado e com rapidez chegou à fortaleza do Príncipe. Em poucos minutos estava novamente na frente das grandes portas duplas e sem cerimônia adentrou o recinto.

Lá estava Vergil. Era difícil, de longe, notar alguma mudança física no homem que se encontrava deitado no chão frio e aparentava estar morto, mas Lívia sabia que não era esse o plano de Mundus — a não ser que algo errado houvesse acontecido. Caminhou lentamente até ele procurando algum sinal do príncipe, obviamente ele pediria sua opinião. Lívia estranhou, pois aparentemente não há ninguém na sala, além de Vergil não apresentar mudanças. Lembrou-se da frase de Mundus e pensou se o filho de Sparda havia conseguido lutar contra a mudança.

“A não ser que seu corpo humano fosse todo reconstruído e no lugar surgisse um demônio completo. Assim ele estaria em nossas mãos”.

- O que pode ter acontecido? – Lívia sussurrou preocupada. Ela sentia a energia do mestiço por todo o ambiente de forma mais forte que antes, o que deduziu ser efeito da ação de Mundus, mas mesmo assim não era aquilo que esperava.

Virou de costas para o corpo de Vergil e após respirar profundamente voltou para as portas duplas. Foi surpreendida por um barulho estranho vindo detrás e ao se virar deu de cara com um Vergil de rosto maltratado e sujo de sangue que com rapidez segurou seu pescoço forçando um enforcamento. Lívia havia sido atacada por um homem que pensava estar inconsciente e o choque de vê-lo na sua frente a fez perder qualquer tipo de reflexo. Usando de sua força consegue fazer com que ele a solte, o jogando ao chão, e após recuperar sua posição toca seu pescoço percebendo que aquele toque não seria possível ao Vergil debilitado de antes.

- Você conseguiu me surpreender. Parabéns. – diz ao homem que voltava a ficar em pé e apenas a fitava sem demonstrar qualquer tipo de sentimento. Naturalmente o processo estava em curso, o que deixou Livia bastante animada. Seu olhar havia mudado, pouco sinal de humanidade existia naqueles olhos avermelhados que a encaravam.

Lívia continua observando Vergil curiosa a respeito de sua transformação e após um sorriso vitorioso fala:

- Por que você tentou me matar, Vergil?

- Não poderia fazer, poderia? – sua voz também havia mudado, tendo recebido um tom mais robótico. Falava baixo e pausadamente como se cada palavra que saia de sua boca representasse um grande esforço de sua parte.

- Não. Lembranças do passado, eu percebo. – lembrou-se do que Mundus havia dito sobre o processo complexo que transformava um humano em um demônio-servo.- Como se sente? – circula em volta de Vergil, esperando por alguma resposta que demora a ser respondida.

- Ódio... – disse apenas.

- Eu acredito. Deve ser algum assunto não resolvido. – falou ironicamente.

- Ele ainda possui lembranças do passado Livia, como disse. É resistente a qualquer coisa, mas logo resolverá esse impasse, ele sempre quis ser um demônio. – a voz de Mundus foi ouvida no recinto. Livia olhou ao seu redor esperando encontrar algo, mas não havia nada no local.

- Difícil até o final... – Livia volta a observá-lo. – Espero que seu irmão seja mais fácil.

Vergil a encara e secamente responde:

- Eu não tenho irmão.

Livia sorri maliciosamente antes de caminhar pela saída. Entretanto é interrompida por um grito vindo de suas costas. Um grito de dor. Vira-se lentamente e encontra a obre de Mundus tendo espasmos deitado no chão. Volta para o meio da sala e olha o sofrimento do homem.

- Tanto vigor. Vê como ele luta contra a mudança – a voz de Mundus é novamente ouvida.

- Isso realmente vai demorar. – Livia se agacha ao seu lado para estudá-lo com maior cuidado.

- Ele visualiza vestígios do passado, mas mesmo assim é arriscado mandá-lo agora. Foi por isso que ele lhe sufocou.

- Naturalmente. O processo costuma ser doloroso e ainda mais com o filho de Sparda.

- Com o tempo ele aprenderá. Tirarei dele todos os traços antigos e que possam mostrar a Dante quem seja. Será impedido de falar também.

- Aproveite bem suas lições, Vergil. – Livia fala antes de se levantar.

- Não vá ainda. Preciso esclarecer alguns detalhes.

Após o silêncio Mundus continua:

- Eu preciso que fique alerta em relação aos demais demônios. Nem todos estão vendo isso da forma desejável. Nós já conversamos sobre o assunto, então acredito que seja claro para você a situação.

Livia apenas concordou com a cabeça.

- Eu confio em você, apenas me diga uma coisa: por que voltou aqui antes de ser chamada?

- Como encarregada eu precisei saber se estava correndo tudo como o desejado por você, senhor. – disse claramente sem esconder o olhar desconfiado.

- Como imaginei. Por confiar em você sinto na obrigação de esclarecer pequenas dúvidas que surgem. Pode ir, precisarei de você, mas não agora.

Livia olhou mais uma vez para Vergil que havia desmaiado e caminhou novamente para a saída. Uma vez na porta, Mundus falou:

- Não se esqueça que você é um demônio, acima de tudo.

- Eu nunca tive dúvidas a respeito disso.

Dito isso saiu do recinto com a mente confusa. O motivo do diálogo com Mundus não era totalmente claro para Lívia, mas decidiu esquecer, por enquanto. Ela havia deixado nítido sua lealdade, não possuía motivos para se preocupar com nada além do necessário.