Notas iniciais
Olá, doces de hortelã. Se sua selecionada ainda não apareceu em nenhum cap, não se desespere, estou me organizando para que todas sejam envolvidas e talz. Próximos caps: - Elizabeth - Alice -Natasha' - Andy - Eva. ' - Kaolin - Carter Mason -Alice Lynn - Valerie Vitiello Stark - Claire Cutter - Lillian Katherine Stoll - Marcelinne Yanes - May Grace - Emilly Lea Mattis - Woori Lee -Stephanie Hwang - Kattrina Amy Midston Lovehgood - Amberly Clare Montegomery - Genna Anne Sheeran - Alary Wudlee - Amber Victoria Ashes Kamilla Dandara Alencar - Ashley Lily Carter - Luane Delacuor Prince Bjux de Luz, boa leitura.

É melhor deixar o passado para trás e permitir que o presente avance para o futuro"- Douglas Adams

Don't stop dancing- Creed

Serena Victoria Montreal estava fitando o horizonte. O sol estava nascendo, tingindo o céu de vermelho. A selecionada apoiou mais uma vez seu caderno de desenhos nos joelhos, esforçando-se para desenhar a vista do palácio antes que as sombras das árvores mudassem de lugar. A vista era linda, isso ela tinha de admitir. Árvores, a imensidão do oceano e bem ao longe algumas casas, borradas e distorcidas por conta da distância.

Passou o lápis mais uma vez pelo papel, captando cada detalhe que estava do lado de fora de sua janela. Ela só desejava poder abrir a porta que dava acesso à sacada, porém estava trancada, e ali não havia nenhuma criada que poderia abrir tal coisa.

Suspirou.

* * *

– Senhorita Serena, é hora de acordar. – Disse Lizbeth, uma de suas criadas. – Ah, a senhorita já está de pé.

A mulher, com uma reverência, entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Tudo no quarto era um pouco exagerado e luxuoso: A cama , que era o centro do quarto, era enorme e digna de um conto de fadas. Tinha uma colcha dourada, bordada à mão com floreios de um tom mais claro dessa mesma cor e um mosquiteiro de um tecido grosso e levemente amarronzado dava um pouco de privacidade se fosse fechado. Ao lado da cômoda, uma pequeno criado de duas gavetas e um abajur davam uma oportunidade para que as garotas trouxessem algo de casa para decorar. O quarto ainda contava com um divã bege, duas cadeiras em frente à lareira, um biombo no canto esquerdo, ao lado da cama, um guarda roupas grande e dourado e um canto para arranjo de flores. Porém, o que Serena mais gostara no quarto fora o canto da escrivaninha, já que essa ficava atrás das enormes janelas que davam acesso à sacada. Tudo era muito bonito e bem organizado, desde a mistura de marrom, bege e dourado até o aroma adocicado do recinto.

E claro, havia a porta de acesso ao banheiro , que ficava disfarçada como um espelho.

– Agora é a hora do banho, senhorita. – A criada avisou. – Deseja ajuda para se despir?

– Não, obrigada. – Serena disse, colocando o caderno em cima da escrivaninha. – Só peço para que arrume a banheira.

– Sem problemas, senhorita. Com licença. – A criada saiu, com uma rápida reverência. Era bonita de um jeito único, a pele negra e os cabelos castanhos médios enrolados na touca a deixavam com um ar clássico, porém era possível ver que tinha uma tatuagem no ombro direito, infelizmente o uniforme não deixava que se descobrisse o que era tal tatuagem. E Serena, por ter recibo boa educação sabia que não seria educado indagar. Se a criada tivesse tido vontade, teria citado.

Serena foi para o biombo, escondendo-se atrás dele enquanto tirava de seu corpo a delicadas camisola de seda branca que era cedida às selecionadas. Ela não gostava de vestir coisas branco-peroladas, já que quase sumiam em sua pele pálida e levemente sardenta.

Enrolou-se no roupão e correu até o banheiro. A criada, Lizbeth, estava ali, preparando a banheira. Ao seu lado estavam outras duas criadas, Olivia e Valerie. Serena assustou-se, não ouvira quando as criadas chegaram ao quarto.

– A banheira está pronta, senhorita. – Valerie, a criada rechonchuda disse, com uma voz doce e calma. – Pode entrar e deixe que cuidamos do resto.

– Obrigada, meninas. Podem sair agora. – Disse a selecionada, esperando seu momento de privacidade.

As três garotas continuaram no mesmo lugar.

– Podem sair ,queridas. – Disse, sem querer parecer grossa.

– Senhorita, pode entrar na água. – Olivia disse, dobrando uma toalha.

– Mas tomarei banho com vocês aqui?

– Sim, senhorita. Estamos aqui para ajuda-la.

– Não preciso de ajuda para o banho.

– É um de nossos deveres como criadas. – Lizbeth disse. – Agora, é melhor entrar antes que se atrase para o café da manhã.

Mesmo estranhando aquilo e extremamente envergonhada, Serena a obedeceu, despiu-se de seu roupão e rapidamente entrou na banheira. A água estava na temperatura perfeita.

– Deixe que cuidamos do resto, senhorita. – Olivia disse. – Apenas relaxe.

* * *

– Ande logo com o penteado, Olivia. – Bufou Valerie, claramente irritada. – Vai atrasar a senhorita Serena.

– Então venha aqui e faça melhor do que eu, ora. – Rebateu Olívia.

As criadas começaram a discutir, porém Lizbeth interveio.

– Santo Deus! Será que não podem se calar por um segundo? Precisamos deixar a senhorita Serena extremamente adorável.

Imediatamente, Olivia voltou a fazer o penteado nos longos cabelos negros de Serena. Minutos depois, disse que a menina estava pronta.

Mirando-se no espelho, a selecionada confirmou a competência de suas criadas. Os olhos verdes carregavam uma leve e quase imperceptível maquiagem, o penteado dos cabelos prendia-os em um coque impecável e belíssimo, com uma fina trança ao redor. O vestido roxo era ainda mais belo, dando a impressão de que Serena estava mais alta e curvilínea, mas sem exageros.

E as jóias... Bom, estavam perfeitas.

– Gostou do visual, senhorita? – Lizbeth indagou, apreensiva.

– Adorei. – respondeu a selecionada.

O sorriso das criadas foi notável.

* * *

As lentes de contato nos olhos de Serena estavam a incomodando, o que ela estranhou, já que sempre fez uso delas. Infelizmente, seus óculos de grau estavam no quarto.

Nesse momento, estavam todas reunidas no sala de mulheres. Constance queria que fizessem amizade, porém Serena se escondera em um lugar onde ninguém a incomodaria com falsidade. Para que amizade ali dentro? Eram concorrentes!

– Oi. – Disse uma menina de cabelos loiros e olhos verdes. — Sou Amberly Clare Montgomery. O que fazia escondida nesse canto?

– Estava pensando – Disse Serena.

– Não deveria estar fazendo amizades?

– Prefiro desenhar. – Respondeu. – E você?

– Acho que as amizade aqui dentro são interessantes. Além do mais, adoro ser o centro das atenções em um grupo de amigas...

Antes que a menina começasse um papo narcisista ou metido, Serena saiu, deixando com que ela falasse sozinha.

Avistou uma garota no centro da sala, aparentemente deslocada.

– Perdida? – Indagou Serena.

– Só odeio interagir com pessoas, não sou boa nisso. – Disse, falando baixinho.

– Como se chama?

– Genna Anne Sheeran. Mas me chamam de Genny.

– Bom, Genny, se te serve de consolo eu também odeio isso.

Genna era alta, o que fazia com que Serena tivesse que ficar olhando para cima o tempo todo.

– Gosta de fotografia? – Indagou Serena, apenas para passar o tempo.

– Está brincando? Adoro fotografia! Trabalho como fotógrafa e tudo o mais.

– Que legal. Gosta de desenho?

– Odeio, desenho muito mal e isso me tira do sério.

– Que pena. Eu amo desenhar.

Conversaram brevemente. Viu Amber Victoria e Natasha Romanoff conversaram ao seu lado, bem como Holly Stewart e Felicity Jones e Luanne Delacour.

O vai e vem de murmurinhos e vestidos quase fizeram com que ela tivesse dor de cabeça, mas felizmente anunciaram que estavam dispensadas das obrigações pelo resto da tarde. Dando glória aos céus, Serena foi andando rapidamente até seu quarto, desejando mais do que tudo poder desenhar mais um pouco. Trombou com algum desaviado no meio do caminho.

– Desculpe. – Disse, apressando-se.

– Deixou cair um lápis, senhorita. – Disse uma voz masculina.

Ela se virou para trás, dando de cara com o príncipe Liang.

– Ah, me desculpe mesmo, estava com a cabeça em outro lugar.

– A família do lado de fora? – Ele sugeriu.

– Ah, não. – Ela disse. Não explicou que não havia mais uma família em quem pensar.

– Algum garoto? – Ele indagou, esticando o lápis para ela. Serena pegou o objeto.

– Quem me dera. Pensava apenas em terminar meu desenho.

– Gosta de desenhar, senhorita?

– Amo desenhar. E você, Alteza, também gosta?

– Não precisa me chamar de Alteza, senhorita. Posso vir a ser seu marido, caso ganhe a seleção. Chame-me apenas de Liang.

– Ok, se deseja que seja assim...

– Quanto aos desenhos, devo dizer que não sou muito bom neles, mas gosto de ver meu pai desenhando. Quando ele vier visitar o castelo, quem sabe possam passar algum tempo discutindo sobre coisas de artistas. – Falou, dando uma piscadela. – Agora, se me dá licença, preciso atender a uma emergência de minha irmã. Pelo o que entendi, ela me recruta para uma guerra de travesseiros em seus aposentos reais.

– Não se deve contrariar a princesa, não é?

– Temo que esteja certa. – Falou ele, sorrindo. – Quer que eu a acompanhe até seu quarto?

– Não é necessário, Alteza. É nesse corredor.

– Nos vemos qualquer dia, Senhorita...

– Serena.

Ele sorriu,depois prosseguiu caminhando.

***

Bônus.

A criada adentrou na cozinha, choramingando e andando rapidamente.

– O que aconteceu, Marcelly? — Indagou Lola, uma das cozinheiras e a única amiga de Marcelly no palácio.

A maioria dos criados estava na cozinha naquele momento, já que era o único momento que tinham para jantarem e conversarem. Marcelly era como a maioria das outras criadas, uma jovem de família pobre, órfã, irmã mais velha que deveria sustentar os outros irmãos. Sempre fora boa em tarefas domésticas, então quando a notícia de que seriam recrutados guardas e criados para a seleção foi anunciada, ela agarrou seu irmão do meio e os dois se inscreveram. O rapaz era jovem, acabara de completar dezoito anos, apenas dois anos mais novo do que ela, porém ambos estavam trabalhando para o reino.

– Marcelly, pode me contar por que choras? – Indagou novamente Lola, ajeitando o avental no corpo miúdo e sem curvas.

– Não foi nada. – Mentiu a criada, com a voz chorosa.

– Está coberta de sopa. – A amiga analisou. – Isso não é algo comum.

– Só me tire daqui, por favor.

Estava apavorada, nunca havia passado tanta humilhação em sua vida (nem mesmo quando fora flagrada pegando comida do lixo). Lola obedeceu, conduzindo-a para a despensa. Ouviu alguns criados murmurarem enquanto passava pelas fileiras pratas de móveis e utensílios de cozinha e corou levemente. Odiava ser o centro das atenções.

A porta da despensa se abriu com um rangido agudo, fazendo com que Lola fizesse uma careta. Entraram as duas no pequeno cômodo.

– Pode me contar o que aconteceu agora? Como irei te ajuda se nem mesmo confia em mim? – A amiga perguntou, ajeitando os cabelos loiros novamente em sua touca.

– Foi a selecionada a quem sirvo, Lola. – Admitiu, envergonhada. – Eu deveria ter escutado o que ela havia me dito.

– Marcelly, não entendo nada do que dizes. A criada sentou-se no chão, deixando uma marca de sopa no local.

Estava se sentindo suja, podia sentir o gosto da sopa que inundava sua roupa e seus cabelos. Havia limpado parte do rosto no caminho para a cozinha, mas ainda havia alguns resquícios em sua face.

– Margarette Buford. – Disse, com raiva na voz. A amiga estranhou, já que sempre fora uma moça doce e calma. – Aquela vaca...

Vaca era o único xingamento que ela sabia.

– A selecionada?

A outra não respondeu, apenas choramingou mais ainda.

– Ela me jogou um prato de sopa, bem no rosto. E eu fui gentil com ela, Lola, juro que fui – Disse Marcelly, afundando o rosto nos joelhos.

– Acalme-se, Celly. – Lola falou, colocando as mãos na cabeça da amiga. – Quer que eu chame seu irmão?

– Não! – Disse, depressa. – Ele não precisa sabe sobre o incidente, não sabe se controlar.

Lola acalmou Marcelly até que ela parasse de chorar e tomasse coragem para revelar a história. Ao que parecia, a senhorita Margarette não se sentira bem de saúde, por este motivo quis jantar em seu quarto. Marcelly, que sempre fora muito educada, havia pegado a sopa e a esquentado novamente para que ficasse em boa temperatura para a senhorita poder comer, porém a sopa estava quente, e ao ser levada para os lábios da selecionada, os queimou. A menina, irritada, havia jogado o prato ainda quente com toda a sua força sob a pobre criada, e ainda a xingara de diversos nomes horrorosos. Humilhara Marcelly, dizendo que não prestava para nada, que nem mesmo os vermes a iriam desejar quando morresse. Então, Marcelly teve de limpar o quarto da selecionada enquanto ouvia esses péssimos xingamentos. Depois, quando não suportou mais segurar o choro, correra para a cozinha. — Vamos, você tem de se limpar. – Lola tentou a animar. Não era justo, pensou, que pessoas boas e ingênuas como Marcelly tivessem que aguentar pessoas más como Margarette. Conduziu a amiga até o quarto, depois foi lavar o uniforme ensopado enquanto a outra se banhava. Mesmo com o ruído do chuveiro, Lola podia ouvir os soluços de Marcelly. Mas ela não deixaria barato, assim que o dia amanhecesse, arranjaria um jeito de se comunicar com os príncipes. E se não conseguisse, iria se vingar. E se havia algo em que Lola era boa, essa coisa era a vingança.

Notas finais
O novo photoplayer do Liang é "Harry Shum Jr". Bjus