Illusões Sólidas
1 Quando o bom homem vem visitar
Capítulo I — Quando o bom homem vem visitar
A Mamãe disse que Sasha iria para o médico. Mas foi ele que veio em casa, Sasha não entendeu porque sua Mamãe teria mentido.
Heir gostou dele, disse que ele não a machucaria. Heir raramente gostava de homens, mas deste gostou.
O Papai disse para ele conversar com a menina no quarto se não quisesse que a mamãe colocasse o nariz na conversa dos outros. O doutor recusou a opção, se sentando no chão da sala. Ele pediu para Sasha se sentar também. Ela se sentou na poltrona do pai, mesmo se as Noir lhe dissessem para se sentar no chão com ele.
– Tenho a língua presa, então não consigo esticar ela o suficiente para os palitos coloridos — Foi começando, fazendo a cabeça balançar a cada palavra que dizia.
Ele riu e explicou que não era um médico desse tipo. Era médico de cabeça. Heir não parava de sorrir, talvez ele pudesse dar uma olhada na cabeça dele e ver o que ele tinha.
– Sua mãe estudou comigo por algum tempo, mas acho que ela não falou sobre mim, certo? — Ela acenou com a cabeça e afundou mais ainda na poltrona — Meu nome é Xavier. Eu só venho aqui hoje, se você quiser voltar a conversar comigo, fale com sua mãe e vocês virão até mim.
Sasha entendeu. Era uma menina muito inteligente.
– Então, vim aqui porque sua mãe me disse que você tem alguns amigos que ela não consegue ver — ele sorriu — pode confirmar?
– Uh-hm. A mamãe não consegue ver eles, aí eles falam as coisas pra mim e falo pra ela.
– Você tem muitos desses amigos? — Ele perguntou. Aproveitou que a menina contava nos dedos e tirou um bloco de notas, não maior que a palma de Xavier.
A menina fez uma careta e começou a encarar o caderninho.
– Muitos, tenho muitos — respondeu ao contar todas as falanges — Tenho dificuldade em contar mais que meus dedos da mão e do pé, mas tenho muitos.
– Deve ser muita coisa para falar por eles. Eu não tenho nem 20 amigos — Ele riu, e ela riu também.
– Vou ser sua amiga agora. Aí você chega perto — Decidiu que concordava com Heir, o tio Xavier era legal.
– Muito obrigado — Ele sorriu e escreveu no caderninho, "ciente das alucinações", "não demonstra sinais de violência" conseguiu espiar quando esticou a cabeça para o lado.
– SASHA! — Uma voz masculina gritou do corredor, e os dois se viraram ao mesmo tempo para o papai – Fora daí.
Ela na mesma hora pulou da poltrona do pai e se sentou no chão. O médico olhou para ***** e fez uma anotação no bloco.
– Você! — Apontou para seu novo amigo — Pare de escrever de mim agora! Se você vai dar maus exemplos para Sasha, prefiro que vá embora agora.
– Perdão, senhor. Não vai acontecer de novo — Ele baixou a cabeça e olhou Sasha. Ela não entendeu porque Xavier assumiu a culpa, se Sasha estava na poltrona porque queria.
***** bufou e bateu a porta com todas as suas forças. Elas disseram à Sasha que estava atrasado para ver a puta. Sasha quis perguntar ao doutor Xavier o que significava, mas elas deram o conselho de não contar. Adultos não entendem elas diziam, eles tiram conclusões precipitadas e fazem teorias. Ela concordou e voltou a olhar o homem, ele dizia alguma coisa, estava preocupado.
– Sasha? – A garota ouviu ele dizer, enfim – Você está bem?
– Estou – Olhou para a parede e viu o Sol brilhando forte no papel de parede verde – Será que Papai vai ficar bravo por muito tempo?
– Tenho certeza que ele vai se acalmar, agora que saiu para ter um ar mais puro.
– Ele saiu? – Ela olhou para a porta do corredor, agora aberta e então para a porta que dava para a saída.
– Há uns vinte minutos – Checou o relógio e balançou a cabeça – Você acenou para ele.
– Ah, entendi – ela não entendeu.
Xavier escreveu alguma coisa, mas como não estava na poltrona, não conseguiu ver dessa vez. Checou o relógio novamente e sorriu para a menina.
– Tenho que ir agora, mas foi bom falar com você – Xavier guardou o bloco no bolso do sobretudo. Sasha seguiu o movimento com os olhos – Vou falar com sua mãe e vocês decidirão se quer continuar a conversar comigo. Certo?
– Vai mostrar o que escreveu aí?
– Acho que a senhorita já espiou o suficiente. Mostrarei à ******** se for preciso. Até.
Ele se levantou com dificuldade e foi até a porta.
– Cuidado com o olho. – Ela disse enquanto Xavier fechava a porta.
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