I'll make you love me ♥
4 Fofocas são como Papa Léguas
Notas iniciais
A rosada caminhava pelos corredores a passos largos. Os punhos se encontravam fortemente cerrados e as sobrancelhas franzidas. Estava procurando por Sasuke a um bom tempo e nada do moreno aparecer. Enquanto seguia em direção ao ginásio, a rosada sente alguém lhe abraçar por trás e rapidamente se desvencilha. Acreditando ser algum pervertido, Sakura desfere uma forte cotovelada no abdômen do rapaz.
— AHH! – Gritou o garoto que fora atingido. – Sakura-chan, isso dói!
A rosada que até então encontrava-se de costas para o garoto, vira-se automaticamente ao escutar o lamento.
— NARUTO? – Esbravejou incrédula. – Seu idiota! Por que me agarrou por trás? – Perguntou a rosada com uma expressão furiosa. Ela ergueu o loiro pelo colarinho e o sacudiu para que falasse.
— E-eu só queria te fazer uma surpresa Sakura-chan. – Respondeu o loiro nervoso e com medo da força descomunal de Sakura.
A rosada encarou o garoto desconfiada. Após alguns segundos, lembrou-se de quem estava procurando antes de Naruto lhe fazer a tal “surpresa”.
— Eu não tenho tempo para palhaçadas Naruto. – A rosada colou sua testa na de Naruto e lhe direcionou um olhar ameaçador. – Já que você apareceu, quero que me diga aonde o Sasuke-kun está!
— E-eu não sei Sakura-chan! – Respondeu Naruto que, por conta da aproximação repentina da rosada, ganhou um tom mais avermelhado na face bronzeada.
Os olhos de Sakura eram ainda mais fascinantes quando a garota estava em fúria. As duas esmeraldas continham um brilho tão intenso que Naruto chegava a acreditar ser possível vê-las no escuro. Naruto se contentava com as furiosas esmeraldas. Ele sabia que talvez nunca recebesse de Sakura um olhar apaixonado como era para Sasuke, por isso vivia irritando a rosada.
— A única coisa que ele me disse, era que iria “Ler um pouco” e só. – Respondeu Naruto com um sorriso triste nos lábios.
Várias foram as vezes em que Naruto declarou seu amor por Sakura, mas a mesma não lhe correspondia. Nem se quer lhe dava uma chance que fosse. E quando puxava assunto com a rosada, ela logo mudava o rumo da conversa para Sasuke. Qualquer outro assunto que não fosse sobre o moreno, a garota simplesmente lhe virava a cara ou fingia não prestar atenção. Toda essa indiferença da rosada para consigo já estava lhe cansando. Naruto queria seguir em frente e encontrar um outro amor que lhe correspondesse, mas todos os seus esforços eram em vão. Sakura sempre preencheria suas manhãs e suas noites em sonhos.
— Ele deve estar na biblioteca então. – Sakura soltou o colarinho do loiro com brusquidão e em seguida retirou-se às pressas deixando um Naruto confuso e abalado para trás.
✼✼✼
— Que merda! – Esbravejou.
Sasuke estava possesso! Era a quarta vez que socava um dos box do vestiário masculino. O moreno encontrava-se sozinho no momento. O sinal anunciando o término do intervalo já havia tocado a alguns minutos e provavelmente todos os alunos estavam em suas respectivas salas, mas ele continuava ali.
Seu primeiro contato com Hinata não aconteceu do jeito que ele havia planejado. Ela era do tipo difícil de se aproximar, imagina então o trabalho que ele vai ter para conquistá-la. E, para piorar ainda mais sua situação, praticamente a escola inteira estava fofocando sobre o intervalo que passaram juntos. Os boatos não iriam demorar a aparecer e isso era o que mais preocupava Sasuke.
Hinata nunca foi o tipo de garota que gosta de ser o centro das atenções. E assim que os boatos e fofocas chegarem aos ouvidos da morena, ela com certeza vai querer se manter o mais distante possível de Sasuke. E é óbvio que ele vai ter que fazer alguma coisa para mudar essa situação.
O moreno realmente pensou que aquela aposta poderia afastar algumas garotas do seu pé, mas parece que o feitiço se voltou contra o feiticeiro. Agora mais do que nunca elas estavam lhe rodeando como ratazanas atrás de um pedaço de queijo.
Quando o moreno estava retornando para a sala de aula, várias garotas lhe agarraram totalmente histéricas e chorando como se o mundo fosse acabar. Para Sasuke, aquele havia sido o episódio mais irritante e ensurdecedor do ano letivo até o momento. O moreno não teve outra opção a não ser se esconder no vestiário masculino e aguardar até o término das aulas.
Assim que o último sinal tocou, Sasuke esperou tempo suficiente até que os corredores estivessem completamente vazios. Por sorte havia ficado com seu celular no bolso e pôde mandar uma mensagem a Naruto para que guardasse sua mochila. Se tivesse que voltar até a sala de aula para pegá-la, com certeza encontraria algumas garotas lhe aguardando. O que seria péssimo na opinião de Sasuke.
O moreno, após certificar-se de que não havia mais ninguém vagando pelos corredores, caminhava calmamente em direção a saída do colégio quando escutou passos vindo em sua direção. Rapidamente, Sasuke entrou na primeira porta que viu e ficou a espionar pela pequena janelinha de vidro. Ele estava curioso para saber quem estaria na escola até aquela hora. Após alguns segundos, a pessoa passou bem em frente a janelinha deixando Sasuke surpreso e ao mesmo tempo confuso.
“Hinata? O que será que ela ainda faz aqui? E por que ela está correndo?” Perguntou-se.
Sasuke queria segui-la. Ele estava interessado em responder aquelas perguntas, mas não queria esbarrar com nenhum aluno pelos corredores. Se Hinata estava ali, então outros poderiam estar também. A curiosidade matou o gato não é esse o ditado? Então Sasuke não a seguiria.
O moreno aguardou até que o barulho dos passos de Hinata não pudessem mais ser ouvidos. Ao dar o seu primeiro passo ele sente pisar em algo. Sasuke procura pelo chão e encontra uma folha de papel amassada. Normalmente, Sasuke não daria a mínima importância para uma simples folha de papel, mas algo lhe dizia para pegá-la e foi isso que ele fez. Aparentemente era uma folha qualquer, mas ao abri-la sentiu seu queixo ir ao chão. Na folha estavam escritos mais ou menos uns 30 títulos de livros. A caligrafia era impecável e logo abaixo, mais especificamente na penúltima linha, havia uma assinatura.
“Hinata Hyuuga.”
✼✼✼
O sinal havia anunciado o término de mais uma manhã de aulas. Hinata organizava seus materiais para partir quando sentiu falta de algo. A morena colocou a mão no bolso esquerdo da saia do uniforme e percebeu que sua lista de livros não estava mais lá. Ela olhou ao redor da sala, embaixo de sua carteira, mas não encontrou nada! Por fim, decidiu aguardar a saída de todos os outros alunos para que pudesse procurar pela folha de papel com mais calma e sem testemunhas. Quando restou somente ela dentro da sala de aula, começou sua procura. Hinata olhou embaixo das mesas e cadeiras, dentro da pequena cestinha de lixo, mas não encontrou o que queria.
— Onde está? Onde está? – Hinata sussurrou desesperada ao vasculhar a última carteira da sala de aula.
Após vasculhar cada pedacinho daquela sala minuciosamente, a garota decidiu repetir toda a trajetória que havia feito naquela manhã afim de encontrar sua lista. Qualquer um que a visse tão desesperada atrás de um pedaço de papel contendo apenas títulos de livros a chamaria de louca, mas para Hinata aquele era um de seus bens mais preciosos. Todos os anos, desde os treze anos de idade, Hinata escrevia em uma folha de papel qualquer, o nome dos livros que lhe chamavam a atenção para aos poucos comprar e ler um por um. Ela sabia que aquela ideia era um pouco sem sentido, mas havia se tornado um hobby.
A garota dos orbes perolados já havia vasculhado o banheiro feminino, o refeitório e até os corredores da escola, mas nenhum sinal da lista. Ela já estava perdendo as esperanças, o último lugar que tinha para procurar era em seu local de leitura. Hinata correu em disparada até o jardim dos fundos e quando chegou, procurou ao redor cuidadosamente. Alguns minutos se passaram e Hinata já estava pensando em desistir da procura.
“Alguém deve ter encontrado esse pedaço de papel e jogado fora, só pode.” Pensou desapontada e com os olhos marejados.
Após este pensamento, Hinata de relance olha para uma lata de lixo qualquer e vê algo que nunca pensou encontrar dentro de uma lixeira. Um livro. A garota se aproxima até poder visualizá-lo melhor e logo sua expressão de tristeza muda para uma mistura de surpresa, raiva e desgosto. Ela pega o exemplar de capa azul com o título “A Culpa É das Estrelas” e o guarda cuidadosamente em sua mochila, já imaginando a quem ele um dia pertenceu.
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