Notas iniciais
Volteiney! Desculpem a demora novamente. Meu professor não colaborou muito comigo, nem a minha criatividade. Mas enfim, aqui está mais um capítulo!

"How can the darkness feel so wrong?" — Your Star, Evanescence.

—Claire? Claire! — Ouvi a voz de Jeff ao longe, me chamando.

Algo atingiu fortemente o meu corpo. Deve ter sido Eve ou, quem sabe, um demônio-fantasma. Eu não queria levantar, muito menos abrir os meus olhos para saber o que estava acontecendo. Provavelmente, a guerra ainda não acabou e eles estão lutando sem mim... Mas eu não podia ficar ali, esperando todos morrerem. Eu preciso me reerguer.

Fiz um esforço para me sentar na grama e abrir os olhos. A primeira coisa que vi foi Eve acertando Kayla com um martelo de névoa, e assim, esmagando-a.

Era como se o tempo tivesse parado. Tudo ficou em câmera lenta, assim como em um filme. A guerra ainda continuava, ninguém parecia ter reparado em Eve esmagando Kayla, apenas eu.

"Use a beladona"

Essa voz...de quem era essa voz? E o que é beladona? Como que eu vou usar isso?

"É a névoa, sua besta"

Ok, voz desconhecida. Se você está só em minha mente, vou acreditar em você.

Levantei e respirei fundo antes de invocar a névoa. Ergui as minhas mãos e deixei sair toda quantidade de névoa roxa possível. Eve nem sequer percebeu e foi pega desprevenida. Quando a névoa a acertou no peito, ela foi arremessada para longe de Kayla, permitindo-me chegar perto para ver se ainda estava viva.

—Kayla! — Gritei e corri até ela. Seus olhos estavam fechados e sua pele palida — mais do que já era. Eu não tinha percebido antes, mas havia uma poça com algum tipo de liquido preto ao seu redor. — Não, não... — Me ajoelhei ao seu lado e a toquei. Sua pele não estava fria, e sim quente. Será que quando algum demônio imortal está perto da morte eles ficam quentes? Será que demônios imortais morrem?

—C-Claire... — Disse ela, ou tentou. Sua voz estava fraca demais. — E-eu...

—Você o quê? Me diga. — Falei, segurando a sua mão.

—Ela está morrendo. — Disse Sádica, arrastando-se para perto de mim. Ela parecia não estar bem, assim como Kayla. Mas pelo menos, ela estava melhor que a irmã. — Quer que você mate Eve e tome o lugar dela como deusa.

—Como você sabe? — Perguntei, olhando para ela com desdém.

—Somos gêmeas. Posso ler a mente da minha irmã com um simples estalar de dedos. — Respondeu ela.

Pude ver pelo canto do olho que Eve havia se levantado com uma certa dificuldade. Ela tentou usar o seu poder em nós mas não funcionou, o que foi bom.

Sádica segurou o meu braço no momento em que eu ia levantar.

—Tome cuidado, Claire. — Disse ela. Sádica dizendo para eu ter cuidado? Hoje vai chover sangue.

Apenas assenti com a cabeça e ela soltou o meu braço. Assim que me levantei, vi ao meu lado o punhal de prata que Kayla havia me dado. O peguei e fui até Eve sem pressa.

O estado de Eve estava bem pior do que antes. Seus cabelos estavam completamente bagunçados e suas roupas estavam rasgadas com um pouco de sangue. Seu lábio estava cortado e ela parecia estar mais fraca, provavelmente por causa da beladona.

—Sua idiota! — Berrou Eve, tentando erguer as suas sombras mas estava fraca demais para isso. — O que você fez comigo!?

—Todos tem uma fraqueza, Eve. — Me aproximei dela e a derrubei no chão. Ela ia me atacar mas apontei o punhal para o seu coração e olhei em seus olhos. — E a sua é uma planta. — Empurrei a arma para dentro do peito de Eve. Ela gargalhou enquanto lágrimas de sangue saiam de seus olhos.

—A profecia foi concluída. A garota está viva! — Disse uma voz, mas não foi a de Eve. Era rouca, como se fossem duas vozes falando ao mesmo tempo. De repente, o corpo, que deve estar morto, de Eve se levantou. A névoa escura cobriu todo o corpo, como se fosse um enxame de abelhas carnívoras devorando um corpo humano. Assim que a névoa se dissipou, o corpo sumiu e foi substituído por um cetro negro.

Assim que toquei o cetro, um arrepio percorreu pelo meu corpo. Minhas mãos formigaram e era como se eu tivesse perdido o chão. Cai de joelhos e senti algo quente pelo meu corpo, mas não era por fora e sim por dentro. Era o meu sangue. Eu podia senti-lo novamente!

—Claire! Você está bem? — Perguntou Jeff, colocando a mão em meu ombro. Tentei tocar a sua mão mas estava tremendo. — Ei, fica calma. Eu estou aqui com você.

Quando ele foi me abraçar, o campo de força que estava ao meu redor — na verdade, eu nem sabia que ele estava em mim — explodiu. Não pude ver, mas acho que Jeff foi arremessado para longe.

—Mas que...

—É um campo de força. O cetro a está protegendo. — Disse Sádica. — Não toquem nela, a não ser que queiram morrer!

—Mas o Tio Jeff não morreu... — Disse Sally.

—Sou imortal! — Disse Jeff rindo, e soltando um gemido logo em seguida.

Quando finalmente parei de tremer, consegui me mexer e olhar para trás. Sádica ainda estava ao lado de Kayla, que estava pior do que antes. Jeff estava à alguns metros de Slender e Candy, que estavam ao lado de Sally.

—Tia Claire, você está bem? — Perguntou Sally, segurando o seu ursinho com força.

—É, acho que sim... — Falei, meio rouca.

—Impossível... — Sádica colocou as mãos na cabeça. — Eve está morta. Ela está realmente morta... — Ela olhou para mim, parecendo uma louca que acabou de fugir de um sanatório. — Claire, me dê o cetro.

—Não, Sádica. — Falei. Eu não iria dar o cetro para Sádica nem se o Jeff me pedisse em casamento!

—Você não percebeu o que fez!? Olhe para si mesma!

Olhei para o meu próprio corpo. Minha pele estava mais morena, minha respiração estava acelerada e meu coração...estava batendo. Impossível...mas, como? Como um cetro pôde me trazer de volta a vida em apenas cinco minutos?

—Não foram cinco minutos, Claire. Já estamos aqui parados olhando para você há uma hora. — Disse Sádica. Ela também lia mentes!? Ótimo, não me sinto mais segura, sendo que eu nunca me senti segura. — O cetro te reviveu porque você tem que tomar o lugar de Eve.

—Mas eu não quero me tornar uma deusa. E-eu não posso... — Eu não queria me tornar uma deusa, não queria deixar tudo para trás. Quer dizer, ser uma deusa deve ser legal, mas eu ainda não estava pronta para deixar a realidade, deixar os meus novos amigos, deixar Jeff...

—Claire... — Gemeu Kayla. Corri até ela e me ajoelhei ao seu lado. Quando a olhei nos olhos, soube exatamente o que eu tinha que fazer.

—Sádica, o que acontece se eu passar o cetro para Kayla? — Perguntei, encarando-a.

—E-eu não sei, ninguém nunca fez isso... — Respondeu ela, parecendo meio nervosa.

—Então vamos descobrir. — Peguei a mão fria de Kayla e a coloquei no cetro. Era como se fosse mágica de verdade. Um pó roxo saiu do cetro e entrou pela boca de Kayla. Um trovão ecoou no céu e um vento repentino apareceu. Eu e Kayla fomos envolvidas por um furacão, que logo foi acompanhado de uma explosão. A última coisa que lembro foi de ter voado e batido a cabeça com força em uma árvore.