Ill Stand By You
1 Capítulo 1
Notas iniciais
I’ll Stand By You.
Oh, why you look so sad?
Oh, por que você parece tão triste?
E com você acontece aquela mesma sensação? Aquela coisa de querer sentir o cheiro, de acarinhar? De abrir uma janela no MSN para pedir um beijo depois de um dia difícile mesmo sabendo que você não vai ter esse beijo, porque estão completamente longe um do outro? E tem dia, que tudo o que eu olho só vejo você, meu coração aperta. Aperta muito. Dói de uma forma incalculável e eu tenho que te procurar loucamente.
Nesses momentos são os que eu mais quero ter seus braços pra me abraçar, para dizer que essas coisas, sensações, esses medos vão passar. Eu quero você para me dizer que arriscar é fácil, que não há motivos para se ter nenhum medo. Eu quero você, pra quando eu chorar, você me beijar dizendo que eu sou o melhor que já aconteceu em sua vida.
Às vezes eu me pergunto onde está você? Eu te procuro, te encho de beijos em meus sonhos e por amor a você, eu continuo cada vez mais infeliz. E eu não me importo que as pessoas me vejam triste, só me importo com as pessoas que gostam de mim. Elas tentam me animar, mas não são como você que tem o dom de me fazer rir. Nada escandaloso, mas risada do mesmo jeito. Que num abraço me diz tudo o que eu preciso.
Tears in your eyes, come on and come to me now
Lágrimas em seus olhos, venha aqui e venha comigo agora
Nesse dia, eu fui até a tua casa, desesperado. Encarei seus olhos castanhos, grandes e bonitos. Enfiei a mão por seus cabelos e, sem dar tempo para sua surpresa, choquei nossos lábios desesperadamente e você me correspondeu até seu fôlego faltar. Puxei-o para mim, colando-nos de uma forma inimaginável em sua porta. Eu queria te ter. Eu iria levar esse desejo até às últimas consequências.
“O que você faz aqui, Ryan?”, perguntou num ofego, nos separando. Tentei voltar para seus lábios sem te responder, mas você segurou meu braço com força e repetiu a pergunta, pontuando-a. “O. Que. Você. Faz. Aqui. Ryan. Ross?”
“Quero você, B. E quero agora!”, Me soltei de vocêe avancei de novo em seus lábiossem me importar com o suspiro triste que veio depois. Se eu fosse me afastar por aquilo, não mataria a nostalgia que sentia.
Quando eu entrei em seu quarto, fui impactado. Tudo estava decorado como eu tinha deixado. Era a minha foto que você mantinha no criado-mudo. A foto que eu te dei quando a gente começou a namorar. Engoli em seco e abri lentamente os botões da minha camisa, mas você já não estava disposto a me esperar. Não naquele momento, depois me esperaria de novo, de novo e de novo.
Foi depois do amor que eu acendi um cigarro. Traguei-o lentamente e você o puxou de mim, para tragá-lo também. Deixava uma das mãos pousadas possessivamente sobre minha cintura e depois me entregava o cigarro com doçura. Girei os olhos por ter notado sua possessividade, maseu precisava daquilo alguns instantes. Precisava me sentir completamente amado novamente.
“Eu tenho alguém.”, Você falou, soltando a fumaça pra cima. Dei de ombros e um sorriso cínico, mas você continuou provocando. “Não devia estar contigo.”
“Eu não me importo se você tem alguém.”, Falei tragando longamente. É claro que eu me importava, que me feria saber, mas eu não poderia impedir. Eu só era o cara que te procurava em momentos de nostalgia “Eu vou continuar indo e vindo na sua vida e você vai continar me aceitando nela.”
“Por que tem tanta certeza?”, Sorriu me acariciando.
“Porque eu conheçovocê, conheço seu sentimento por mim.”, Murmurei. “Conheço muito mais do que eu deveria ou queria conhecer.”
Brendon assentiu. Não havia o que ser dito. Abaixei a cabeça para poder dizer que era a hora de ir embora. Andei tranquilamentepelo seu quarto – o que era nosso – e um bilhão de lembranças vieram em minha cabeça, ao mesmo tempo, como se fosse em um filme de leito de morte.Corri para os seus braços e você cantou baixinho em meu ouvido, pra me acalmar, porque você sempre soube da ligação que eu tinha com a sua voz:
“Dont be ashmed to cry, let me see you through. Cause I seen the darkside too”, eu acabei caindo em um choro profundo, arrependido, amargo. Ouvia a sua voz de longe cantando uma das minhas músicas favoritas. Eu sabia aonde ia dar aquilo. Eu ia acabar nos seus braços, pedindo pra você apenas me amar.
O pior é que me lembrou a primeira vez que você tocou pra mim. Não estávamos perto um do outro, mas o iChat resolveu nosso problema. Eu tinha insistido tanto e você tinha me dito que faria. Eu ainda tenho guarada em mim a emoção de ouví-lo cantando para mim. Eu tinha ficado trêmulo e com os olhos cheios, você tinha sido tão perfeito que tudo pareceu mais simples naquele dia.
Levantei bruscamente, irritado com minha incapacidade de te deixar de uma vez e de verdade, e corri. Outras épocas nostalgicas me trariam a você de novo. Eu era escravo disso. Natal, ano novo, seu aniversário... Não importava com quem estaríamos. Nós não poderíamos nos separar daquele amor, como um vício. Um maldito cíclo mortal. Eu voltaria pra você, um noite, nos teríamos e pronto. Tudo se desfaria.
When nights nitgh falls on you. You don’t know to do.
Nothing you confess could make me love you less
Quando a noite cair sobre você, Você não sabe o que fazer.
Nada que você confesse pode me fazer te amar menos.
E os tempos foram passando e o meu desejo desesperado de ver o Urie só ia aumentando. Eu vivia a me olhar no espelho e me perguntar se estava certo em querê-lo tanto assim. Não era necessário tamanho sentimento, tamanha idiotice. Eu simplesmente não podia compactuar com aquilo. Me perguntar se eu precisava passar por todas aquelas dúvidas pra saber o que fazer. Quando a noite caía, lá estava eu e meus medos de me arriscar. Lá estava eu e meus sonhos jogados no chão. Sem forças pra continuar lutar por eles.
Eu tinha me mudado de cidade para esquecê-lo, mas toda vez que algo novo acontecia, seu nome era o primeiro que me vinha a cabeça para contar. O seu nome era o primeiro que eu pedia, que eu chamava. No frio, no meio da noite, eu tentava me convencer de que meu amor por você, Brendon, ia morrer daqui mais um pouco de tempo. Que sua ausência seria cômoda, mas eu não conseguia. Não conseguia te transformar em malditas meras lembranças. Eu queria desculpar você, correr para seus braços e implorar que ficasse comigo. Mas não dá. Desaprendi a perdoar.
Você aceitaria? Aceitaria voltar pra mim mesmo sendo eu? Eu sei que sim, mas sua vez passou, por mais que doa em mim, que doa em você, não vai mudar. Não vai mudar minha consepção de amar e também, não vai mudar as coisas. Não te fará me amar menos e vice versa. Infelizmente, nós terminamos tudo errado. Começamos, talvez, de forma errada.
A vida nos ensinou. Por favor, pratique com o seu novo amor o que eu pude te ensinar e me espere. Vez ou outra eu vou estar em sua vida. Eu vou estar brincando de ser seu namorado ainda. Eu sou assim e você me ama assim, não tem como mudar.
I’ll stand by you. I’ll stand by you.
Wont let nobody hurt you, I’ll stand by you.
Eu estarei contigo. Eu estarei contigo.
Não deixarei ninguém te machucar, Eu estarei contigo.
E o tempo passou, de novo. Nós estávamos cada um em um canto do país, mas eu decidi ligar. Eu precisava ouvir sua doce voz. Precisava que me fizesse rir. Foi por isso que acabei te chamando para ir a Starbucks. Você sempre odiou café e eu tinha que fazer alguma coisa para chamar a sua atenção. Te ver em uma cafeteria seria divertido.
Eu abri um sorriso pequeno quando chegou. Estava com aqueles jeans surrados que uma vez eu disse que lhe cairia bem, eram jeans colados em seu corpo o que o deixava ainda mais atraente, convidativo, tentador para meus instintos. Vestia uma camisa vermelha porque eu lhe tinha dito que o tom fantasmagórico de sua pele ficava radiante em vermelho – e eu sempre odiei essa cor – em você, tudo tinha o dom de ficar lindo. Apenas os óculos escuros eram aqueles estranhos que eu odiava. Não ficava bem. Não ficava bem em ninguém, não eram para você.
Me procurou com os olhos – ah, aqueles olhos que eram expressivos, pidões, mágicos que me faziam querer me perder ali e ficar -, murmurou sem som meu nome – como ele fazia quando eu deslizava meus lábios sobre seu corpo. Ah, aqueles lábios me davam sede de mais, muito, muito mais — , suas mãos foram para seu bolso e seu sorriso se abobalhou quando seus olhos me encontraram. Abaixei meu rosto para fingir que não estava a sua maldita espera. Os seus passos se apressaram para chegar até mim, fechei o rosto, atraso. Atraso. Atraso, muito atraso. Estava atrasado, como sempre.
“Atrasado.”, Resmunguei meio nervoso.
“Desculpa, eu não sou daqui.”, argumentou, sorrindo “Me perdi.”
“Senta.”, Sorri de leve após a ordem. Não queria parecer tão feliz em vê-lo. Eu não podia, de repente, ter me tornado tão expressivo assim. “Como anda a vida?”
Pegou o cardápio com um toque totalmente delicado. Abriu-o e colocou contra o rosto, me impedindo de olhar seus olhos interessantes e de um mar completamente escuro. Me perderia ali se olhasse. Sua íris escura correu pelo papéu e torceu os lábios por não ter nada naquele cardápio que não fosse com café. Mordeu o canto daqueles lábios ligeiramente avermelhados e pediu sorvete. O garçom que eu havia chamado anotou o pedido e eu apoiei os cotovelos na mesa, encarando-o. Como estava lindo. Como desejei abraçá-lo.
“Bem, eu acho.”, Murmurou, virando-se para a janela.“E você?”
“Bem.”, Monossilábico, mas com um rastro de sorriso ali em meus lábios. “Eu senti falta da sua voz.”
Ficou evidente a sua surpresa. Nem eu acreditei quando proferi uma confissão tão íntima, embora meus olhos estivessem em qualquer coisa que não fosse você. Senti meu coração meio disparado, como se com cada batida que ele dava – para você – o gelo ia rachando, aos poucos. Eu não fui frio, não contigo. Seu sorriso foi aumentando de tamanho conforme eu enrubescia e conforme eu me desesperava. Minha timidez não me deixava sequer olhá-lo nos olhos, então, ajeitei o chapéu que eu usava para esconder parte do rosto. Com certeza você ia dar um jeito de descontrair a situação. “Porque eu sou seu Brends.”, sua voz em minha cabeça, me lembrou.
“Eu ganhei meu dia, okay?” Mordeu o lábio grosso, se repreendendo pelo sorriso que soaria bobo se o deixasse escapar. “Nunca imaginei que você me dissesse isso.”
“Você sabe que eu sou muito ligado ao som da sua voz.”, Desviei meus olhos para a janela de vidro e deitei minha cabeça ali. Fiquei olhando a chuva que caía do lado de fora. Os raios deixavam onde estávamos completamente azul. Azul frio, como eu. “E como vão as coisas, com seu alguém?”
“Não vão, querido”, Sorriu tristemente “Eu realmente entendi quando você disse que eu te sufocava. Ciúmes são terríveis mesmo.”
“Eu disse.”, Limitei-me a isso, embora sentisse uma alegria imensa em saber o quanto não tinha dado certo o romance que ele tinha me dito há algum tempo. Não poderia deixar de confessar a mim mesmo que gostava você tivesse a vida entrelaçada a minha, embora não conseguisse olhar para ele e dizer eu quero você de volta.
“Eu quero você pra mim, você e seus malditos defeitos que você deu uma melhorada. Eu quero você nos meus braços, você e seus malditos ciúmes que me sufocavam. Quero pra mim os seus sonhos. Quero nosso apartamento abarrotado de instrumentos musicais e dois cachorros. Um que você colocaria o nome da música que você gosta – daquela sua banda favorita – e um que eu escolheria o nome. Eu quero você de volta, porque eu quero sorrir, quero que você me faça rir pelos motivos mais idiotas que eu já vi.” Eu não emiti esse som. Não emiti embora seja a mais pura verdade. Já o havia treinado por várias vezes e por várias vezes tinha pedido volta pra mim sem som algum. Você nunca pôde me ouvir, quando eu estive aqui, não me ouviria agora que eu estava longe.
“Ry, ele era doente.”,Virei meu rosto pra te olhar. “Eu assumo que não tinha motivos para ter tanto ciúmes de você, mas cara, ele era muito, muito, muito pior.”
“Coitado de você, B.”, Ri baixinho e ele riu comigo. “Você, com certeza, entendeu porque eu reclamava tanto.”
“Eu devia ter cuidado melhor de você.”, Sorriu. “Você foi o melhor namorado que eu já tive.”
Um silêncio nos colocou constrangidos, você com as bochechas vermelhas que eu tinha vontade de morder, mas não segui meus instintos. Voltei a olhar a chuva fria caindo do lado de fora da Starbucks e sorri para mim mesmo. Você entendeu o que eu tanto te cobrava mais cedo do que eu esperei que você fosse entender.
“E você já tem alguém?”, perguntou, cortando nosso silêncio e brincando com a beira da taça. Maneei a cabeça positivamente. Estava embarcando num romance recente, mas você arqueou a sobrancelha. Bebeu um gole do seu pedido e sorriu. Um sorriso falso. “Posso te perguntar uma coisa?”
“Diz.”
“Você ama essa pessoa?”, Ótima pergunta. Eu travei a resposta. Minha boca não emitia a porra do som Eu o amo, mas não como amei você.“Não enrola, doce. Você o ama?”
“Digamos que eu tenha um carinho muito grande por uma pessoa.”, Falei em um tom baixo, sem olha-lo nos olhos. Sua mão segurou a minha. O toque da sua pele quente na minha gelada. Eu o percebia tremer eu queria aquela delicadeza para mim, mas eu não mais a teria. Uma única chance. Porque pessoas nunca mudam, elas continuam do mesmo maldito jeito. “Eu ainda não estou pronto pra amar de novo, querido.”
“Entendi.”, Suspirou e soltou minha mão. Seus olhos não conseguiam me encarar, estavam feridos. “Eu espero que esse alguém seja um cara bem melhor do que eu fui, que te faça feliz, porque se não eu juro que vou matá-lo.” E riu. Seu senso de humor funciona até nas piores horas.
Porém seu senso de humor não conseguiu esconder as lágrimas que vieram depois. Fiz menção em ir abraçá-lo, mas Brendon saiu correndo e eu fiquei parado com cara de tacho ao vê-lo correr. Paguei nossa conta na Starbucks e saí em meio a chuva que já estava mais fraca. Brendon tinha corrido de mim por eu ter sido sincero. Eu não gosto de mentir, porque assim como você me conhece, eu conheço você. Conheço de uma forma que mesmo que você queira, não pode disfarçar. Brendon ainda me ama. Me ama tanto quanto ou mais do que me amava quando eu parti.
“Eu conheço você sim!”, relembrei. Brendon batia infantilmente o pé no chão “Não tem como não te conhecer, Ryan.”
“Por quê?”, Arqueei a sobrancelha, desafiando-o.
“Eu não quero falar sobre isso.”, Respondeu. “Eu não gosto de deixar você sem resposta e o clima tenso.”
“Mas eu quero te ouvir...”, Grunhi, infantil.
“Porque eu ainda te amo, Ryan. Por isso.”, Suspirou, cruzando os braços. “E não tem como não conhecer você se eu te amo desse jeito.”
Era o chapéu que não permitia que eu molhasse os olhos. Eu estava pegando meu celular para ligar para um táxi quando senti uns braços magros envolvendo minha cintura, me parando no meio da chuva. Suas mãos me puxaram para trás e eu me virei, encarando os seus olhos escuros. Cada gota da chuva adornava sua pele alva, algumas passavam por seus lábios e eu escutei seu sussurro, com atenção:
“Espera.”, Acarinhei sua mão como um pedido que me soltasse, ele entendeu, soltou-me aos pouquinhos, abaixando o olhar porque eu o tinha repreendido. “Eu... Só quero dizer que fico feliz que você esteja retomando sua vida.”
“Eu fico agradecido.” Murmurei, mordendo o canto dos lábios “Você me deve quinze pratas, sweet.”
“Olha só que filho da mãe.”, Seus lábios se formaram num “o” perfeito. “Eu aqui, me derramando, praticamente me arrastando por você e você querendo o meu rico dinheirinho.”
“Sem drama, Brendon.”, Eu ri baixinho, cruzando os braços contra o peito.
“Não, não!”, levou as mãos a cabeça, segurando a risada “Não me chama pelo nome, você só faz isso quando fica chateado comigo.”
“Eu não estou chateado com você.”, Sorri de leve “Mas eu estou ensopado por sua culpa”
“Desculpa.”, Murmurou “Desculpa, eu esqueci que você não gosta de água.”
“Anda me esquecendo?”, Brinquei, arqueando uma das sobrancelhas.
“Eu jamais esqueceria você.”, Falou, baixinho. A chuva engrossou e começamos a correr, brincando. Já que eu estava molhado, ao menos ia me divertir. Você tinha aquele poder, de me fazer rir em coisas pequenas. A chance dele de me fazer feliz estava jogada na lata de lixo, irrevogavelmente, mas ele era um ótimo amigo.
Quando paramos – porque a chuva parou – nos sentamos numa das calçadas sem nos importar com mais nada. Você segurou minha mão com cuiado e a acariciou. Não desvencilhei de seu toque, mas sabia que ele queria falar alguma coisa, então, começou.
“O céu tá azul hoje, né?”, Sorriu.
“Está marrom, B. Acabou de chover e é de noite.”, Expliquei, sem rebater a verdadeira indireta. Eu sabia o que o céu azul significava. ‘ainda te amo, Ryan\' e aquilo sempre me deixava completamente sem jeito, como sempre. Só me faria sorrir meio idiota, meio superior por saber a real cor do céu.
“Continua azul, pra mim.”, deu os ombros e sorriu grandemente para mim. Ele sabia que eu amava aquela forma de sorrir, era delicado, era doce, era simplesmente o jeitinho absoluto dele. Brendon segurava minha mão e a acariciava. “A gente... Tem que conversar, não acha?”
“Eu não posso fugir disso toda a vida.”, Sorri, apertando sua mão. “Eu posso?”
“Não.”, Você sorriu pra mim e negou com a cabeça. “Eu ainda não esqueci a forma que me deixou. Ainda dói, sabe?”
“E você foi falar que tinha alguém depois que nós transamos. Acha que eu ia ficar como?”, Soltei de sua mão imediatamente e começou a chover de novo. Não me mexi da calçada, não tinha forças. Aqueles nossos “de vez em quando” sempre acabavam comigo no fim das contas.
“Vai se resfriar.”
“Eu não me importo, B.”, Suspirei. “Eu ainda amo você. Amo tanto que chega a doer.”
“Você...”, Dei um sorriso fraco, assentindo logo em seguida. “Mas por que fugir tanto?”
“Não é tão simples. Eu ainda amo você, mas... tenho medo que me fira de novo.”, Sorri e ele segurou minha mão.
“Eu prometo que não vou te ferir de novo. Prometo, prometo.”, Começou a distribuir beijos por minha mão molhada e eu olhei para você com certa dor em meu coração. Afastei minha mão e neguei com a cabeça.
“Não me promete o que não vai poder cumprir.”, Falei.
“Quando foi a última vez que eu te magoei?”
“Quando foi a última vez que eu passei mais de três dias por perto?”, Não houve resposta de sua parte. “Acho melhor eu ir pra casa.”
“Não, Ryan, não.”, Pediu e eu neguei com a cabeça.
“Foi você quem errou e nos transformou no que somos agora, Brendon.”, sorri de forma falsa. “Aguente.”
“A gente devia se acertar, Ryan”, Instiu. “Por favor.”
“Nosso tempo, dessa vez, se esgotou.”, Dei os ombros e me afastei para então ligar para um táxi e ficar esperando sozinho. Brendon foi me deixando aos poucos. Entrei no táxi e perdi meus pensamentos. “E a culpa continua sendo sua.”, concli pra mim, ainda que perdido em pensamentos.
So, if you mad, get mad. Don’t hold it all inside
Come on and talk to me now.
Então, se você se sentir triste, fique triste. Não guarde isso dentro de você
Venha aqui e fale comigo agora.
Dentro do táxi mesmo eu comecei a chorar lembrando nossos momentos. Do quanto tudo me dava ódio agora. Todas as vezes que nos amamos me despedaçando. E você continuava vivo dentro de mim enquanto eu te buscava em um relacionamento pela metade. Nós não íamos voltar, mas era sempre por você que eu fechava os olhos.
Percebi meu celular tocando e quando vi sua foto sorridente, atendi. Não disse nada. Esperei que você conversasse comigo, que você me dissesse que tudo estava completamente bem e que eu fosse o cara certo, mas com certeza você viria com...
“Desculpa.”
“Não tem algo melhor pra me falar?”, Sorri pra mim mesmo. “Eu que te peço desculpas, eu não devia ter dito tudo.”
“Eu não vou pedir você pra voltar pra mim.”
“Eu acho bom, mesmo.”, Suspirei. “Eu me odeio por te amar ainda, tanto assim.”
“Eu sei.”, Pausou “Mas você não deveria se odiar por isso.”
“Eu não quero mais amar você.”, Confessei. “Eu sei que nós dois somos tudo o que precisamos, mas eu não quero. Vai acontecer de novo.”
“Eu quero ver você.”, Sorri. “Preciso ver você de novo.”
Desliguei o telefone, mas ele não tentou ligar de novo. Fui para minha casa e eu estava completamente sozinho. Eu precisava de um abraço, de um carinho. Eu precisava de novo confessar que não conseguiria viver sem ele, mas que mesmo assim continuaria tentando, tentando e tentando.
Deitei no sofá do jeito que estava: sujo e molhado. Não me importei que o local onde deitei era completamente branco e que no dia seguinte eu ia reclamar. Estava triste demais. Tão triste que eu não conseguia nem pensar direito. Pensei em beber, mas meus princípios contra o álcool me fizeram ficar longe. As brigas que eu tinha com você me mantiveram perto. Se eu não quero que você faça, tenho que dar o exemplo.
But, hey, what you’ve got to hide? I get angry too
ButI’m lot like you.
Mas, hey, o que você tem a esconder? Eu fico com raiva também.
Mas eu tenho mais a ver com você
Flash Back
Véspera do meu aniversário. Você estava fazendo um bilhão de coisas ao mesmo tempo. Fazendo pequenas participações musicais em tantos CDs e em tantas bandas que eu tinha certa pena de você. Pedi pizza já que você não chegaria tão cedo e fui gentilcom o entregador. Vi você chegar de longe e caminhei até você. Abracei-o com um sorriso no rosto e Brendon fora completamente frio.
“Hey, o que foi?”, perguntei te levando pra dentro de casa e o massageando.
“Só um dia difícil.”, Seco. Foi a geladeira e pegou uma garrafa de cerveja e eu girei os olhos. “O que foi, Ryan. Primeiro você se esfrega no entregador de pizza e agora fica com gracinha pro meu lado.”
“Como?”, Franzi o cenho. “B eu só dei um copo d’água pro entregador.”
“Mas ele estava comendo você com os olhos.”, Rosnou, ligando a televisão e focando os olhos na televisão. “E eu não gostei disso.”
“Você está sendo infantil, B.”, Falei baixinho, quase rindo de seu ataque de ciúmes. Virei meus olhos pra televisão e girei os olhos quando notei que estava em um programa esportivo. “Dá pra pôr em um canal que nós dois gostamos, por favor.”
“Vai ficar com seu entregadorzinho então, Ryan Ross.”, Grunhiu.
“Quando você achar umas palavras mais cortantes, me fala.”, Girei os olhos e levantei indo para o meu quarto. “Eu vou estar no meu quarto quando você perceber que está sendo mesquinho e idiota.”
E então, caiu a fica. Brendon deu um gole em sua ceveja e correu até mim. Envolveu-me com seus braços e eu me debati neles. Forçou-me a ficar ali, então, abaixei meu rosto e escondi-o na curva de seu pescoço.
“Desculpa”, Assenti, mas por dentro ainda doía. “Desculpa, desculpa, desculpa.”
“Tá tudo bem”. Sorri falso. “Eu vou dormir.”
“Não, não vai não.”, Chocou nossos lábios e me beijou meio agressivo. “Feliz aniversário, Ryan Ross.”
“Tá.”, Suspirei, mas abri um sorriso sincero depois. “Obrigado.”
When you’re standing at the crossroads don’t know which path to choose.
Let me come along cause even if you wrong… I’ll stand by you.
Quando você estiver numa encruzilhada não sabe qual caminho escolher.
Deixe-me ir junto porque mesmo se você estiver errado...Eu estarei contigo.
Acabei dormindo por horas seguidas. Acordei e tinha várias mensagens suas no celular. Preocupado comigo. E também irritado. Talvez ele tivesse esse direito, eu não ia impedí-lo. Não tinha como. Retornei uma de suas mensagens passando meu endereço. Eu precisava de uma noite com ele e era eu quem ditava as regras daquele jogo de encontros e desencontros. Sempre era quandoeu queria ou quando o meu humor permitia.
Meia hora depois ele estava batendo na minha porta. Abri e quando ele entrou, não houve clima ruim, ele só me segurou e me beijou. Afastei-me o mais rápido que pude, negando seu beijo com relutância. Neguei com a cabeça e fiquei olhando pra ele.
“Eu tenho alguém.”, repeti.
“Claro que tem, Ryan Ross.”, Colocou-me contra a porta e me impediu que eu saisse. “Você tem a mim e pouco me importam seus relacionamentos.”
Chocou nossos lábios com violência e me guiou por onde quis. Não resisti em momento algum, não poderia. Num ofego, consegui dizer que estava mantendo aquela pessoa para esquecê-lo. Vi Brendon sorrir e, ao mesmo tempo, repudiar meu ato.Não me importei e voltei para seus lábios, mas dessa vez ele me empurrou e me manteve longe.
“O que foi agora?”,Perguntei, cruzando os braços.
“Quero que me ouça.”, Dei os ombros e me encolhi. “Eu te amo com a mesma intensiade que você me ama. Eu te amo e não quero machucar você, eu nunca quis machucar você...”
“Ninguém nunca quer.”, Interrompi, dando de ombros mais uma vez. “Ninguém é sádico o bastante pra isso, Brendon.”
“Eu não gosto que você me chame pelo nome”, Sentou-se melhor na mesa de centro e eu acendi um cigarro. Ele me relaxava, enquanto o tragava com os olhos fechados.
“Whatever.”, Murmurei. “Acaba logo com isso.”
“Eu só quero ressaltar que não vou te pedir pra voltar, embora eu queira, muito, que isso aconteça.”, Suspirou enquanto eu soltava a fumaça. “Eu sei que minha chance com você já passou, mas eu quero que você me ouça falar que te amo. Eu sei muito bem que se você voltasse para mim eu ia cuidar direito de você.”
“Certo.”, Balancei a cabeça. “Só que você errou uma vez comigo, me magoou tantas outras...”
“Eu sei. Só que eu só sei que eu tenho um carma, Ryan. Eu vou sentar e esperar você querer voltar pra mim.”
“E se eu ficar pra sempre longe...?”
“Você não consegue.”, deu os ombros.“E agora quem tá errando comigo é você. Está sendo tão injusto que chega a ser egoísta, mas Ryro, eu não me importo em engordar o seu ego. Se é assim que você me quer, é assim que você vai me ter.
Assenti com a cabeça, segurando o rio de lágrimas que logo viria em meu rosto. Suspirei e choquei nossos lábios mais uma vez. Eu realmente não sabia o que fazer. Eu não ia simplesmente ir lá e terminar tudo o que eu tinha com um pessoa só porque o Brendon me queria por inteiro e queria corrigir seus erros do passado.
“Você continua impulsivo.”, Levou seus lábios a minha bochecha. “Adoro esse seu jeito, sabia?”
“Eu adoro você inteiro.”, Murmurei. “Inteiro, inteiro, inteiro.”
Eu estava entre correr pros braços do Brendon de uma vez por todas ou manter com a pessoa que eu estava me relacionando. Essa pessoa era quase como Brendon Urie, só não me fazia rir o tempo inteiro, não costumava ser tão sensível. O problema de tudo nele é que essa pessoa não era Brendon Boyd Urie e não tinha o mesmo poder sobre mim.
Quando eu achava que não tinha nada, que não era nada. Quando eu achava que tudo estava perdido, ele simplesmente me fez reerguer. Me mostrou uma saída e me disse que faria de tudo para que eu esquecesse esse relacionamento destrutivo com Brendon. Estava sendo maravilhoso comigo e eu jamais me negaria a isso.
Brendon foi embora depois do sexo. Eu fiquei fumando frente a janela do meu quarto. Eu a abri para o cheiro dele sair do meu quarto. Aquele cheiro ia me torturar por um bom tempo assim como nossas lembranças e o amor que eu tinha por ele só estava crescendo. Eu estava sendo egoísta e gostava da sensação de controlar Brendon Boyd Urie, mas não seria assim pra sempre. Não suportaríamos aquela vida.
Era mminha vez de decidire não estava pronto pra isso.
And when, when the night falls on you baby
You feeling all alone walking on your own…
I’ll stand by you.
E quando, quando a noite cair em você, baby
Você se sente completamente só caminhando consigo mesmo...
Eu estarei contigo.
Uns dias depois eu decidi ir a praia. Caminhar e pensar um pouco. Porque euprecisava pensar e pôr minha cabeça no lugar e ver o que era melhor para mim. Continuar tudo como estava, conduzir minha vida ou largar tudo e pedir que Brendon Urie voltasse pra mim. Minha indecisão fora tamanha que poucos permaneceram comigo.
Sentei-me na areia e comecei a pensar em qualquer coisa que não fosse minha mesquinha vida e meus amores. Foi quando eu senti uma mão segurando meu ombro. Olhei para cima, deparando-me com Brendon Uriee seus malditos óculos escuros que não me deixavam vê-lo.
“Vim me despedir.”, sorriu, me entregando um sorvete.
“Obrigado.”,Sorri indicando que se sentasse. “Quando é que eu vou te ver de novo?”
“Não sei.”, Torceu os lábios. “Você sabe que se me ligar eu venho correndo pra você.”
“Eu sei.” , Passei a língua devagar pelo sorvete. “Eu preciso de você perto, B.”
“Eu sei que precisa.”, Acariciou meu ombro. “Foi sempre você quem me deixava, Ryan. Eu jamais me afastei.”
“Mas errou comigo.”, Grunhi.
“Isso realmente importa agora?”, Arqueou a sobrancelha e apertou minha mão. “Não importa onde estaremos, Ryan, sempre vamos estar ligados.”
“Eu não gosto disso.”, Suspirei “Não gosto de cair por você.”
“Não me importo.”, Sorriu. “Se eu me importasse com esse sentimento seu, jamais te teria de novo.”
Nós ficamos ali, divindo o sorvete e vendo a noite cair sobre nós. Não importava se daqui alguns minutos ele fosse pegar um avião e não estaria mais em minha vida. O importante era o agora. E o que concluímos. Por mais que nós dois quiséssemos, jamais nos abandonaríamos.
Levantei-me rápido, ainda com um pouco de vestígio de sol e escrevi na areia: “Ryro e Bden” envolto em um grande coração que a água do mar fez questão de levar.
FIM.
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