I'll Protect You
15 Capítulo 14: Windowed
— Então, Haya-chan, o que tem feito?
Além de treinar para tornar-me uma assassina, em uma família italiana chamada Vongola, por uma criança simpática que atira em nosso chefe, o que o faz ficar semi nu. Ah, e uma aura impressionante! Um demônio me salvou... Acho que amo meu melhor amigo, e ele não sabe sobre meus sentimentos. Já mencionei que tenho o potencial de matar, como contou-me o tutor? Bem, você sabe, apenas o de sempre.
Ah, tão tentador.
Eu poderia contar tudo, e livrar-me desse peso na garganta, nos lábios, na consciência. Mas tudo o que eu fiz foi dizer:
— Nada demais, e Fiji?
Adoraria poder contar tudo á ela, mamãe foi sempre aberta comigo e agora eu tenho que fingir que nada acontece: As lutas, ser espancada pelo mesmo rapaz que me ajudou, Yamamoto...
Quero dizer, garoto vai, garoto vem. Sempre que eu me interesso, ele nunca me vê de outra forma, ou mal sabe da minha existência. E quando eu me interesso, ele não me quer. Desde quando o mundo é tão confuso?!
Passou pela minha cabeça contar tudo, colocar as cartas na mesa. Mas, eu não quero machuca-la, eu preciso proteger aqueles que eu amo. Não posso por a Mãe em risco.
—...E, amanhã vamos fazer um cruzeiro! O mar daqui é brilhante, azul e maravilhoso! Odeio dizer, mas, o Havaí não é nada comparado a este paraíso!
— S- sério?
Ela continuou em um tom animado, alegre como sempre fora. Um sorriso amargo atropelou meus lábios, era estranho o quão infantil ela parecia. Como a loira parecia inocente ao embarcar em lugares exóticos e uma vida luxuosa, completamente cega para a vida de sua filha.
— Haya-chan, apenas pense sobre isso.
Fui obrigada a me desfazer de meus pensamentos: — Huh?
— Apenas duas semanas, minha querida, e então eu finalmente vou voltar para casa.
— Eu sei, Mãe.
Minutos depois, eu deixei a modelo nas mãos de sua agente para irem a uma entrevista. Apoie-me sobre o balcão azulado da cozinha, ela tentou me animar, já que estava voltando para casa, poderíamos ser o que não eramos há tempos: Uma família.
Levantei-me, fui para o andar de cima e troquei o pijama por trajes mais aceitáveis. Saia e meia-calça pretas, um casaco confortável vermelho profundo, e um par de luvas brancas. Andando para fora, calçei minhas botas e tranquei a casa. O inverno finalmente tinha ido embora, deixando poças no gramado e o Sol brilhar novamente. Não estava quente, claro, apenas agradável o suficiente para que minha doença não tornasse a me incomodar de novo.
Eu estava bem melhor, graças ao “comitê de reposição”. Shamal fizera um check-up em mim (ah, o duplo sentido), e afirmou que meu corpo estava apenas se acostumando com o tempo frio. Entretanto, eu me recuso a ficar dento de casa o dia inteiro, é necessário um pouco de atividade.
E algumas respostas.
Então, apenas trilhei o caminho já tão familiar, passando pela residência dos Sawada. Tudo tranquilo demais, o que era estranho para uma família que vivia com a casa cheia de risos, gritos, barulho e caos. Pude ver Tsuna correndo para casa, uma torrada em sua boca ao cumprimentar Gokudera, Yamamoto e a mim.
Naturalmente, iriamos para a escola antes que o sinal tocasse, e eu rezaria para não ficar em detenção por algum motivo ridículo que apenas o carnívoro poderia inventar. Mas, hoje não se trata de “naturalidade”. Não se via nada na rua, na casa do moreno, além de mim procurando respostas.
Eu não fiquei lá por muito tempo, antes de caminhar sem rumo. Eles devem estar treinando, não há motivo para preocupação. Mas, nunca se sabe, melhor prevenir do que remediar. Pressionei o numero de Gokudera na discagem rápida, depois de três toques, o prateado atendeu:
— Olá?
— Kaze-..encontre.. — Sua voz se tornava mais rouca do que o normal entre as falhas da chamada.
— Eu não posso te ouvir, Bakadera, fale mais alto.
— Mulher-...encontre-..
— Eu ainda não consigo te ouvir. — Franzi o cenho para o barulho estático. — Gokudera?
— Floresta- Reborn- Sua..- vaca estupida.
Estalei a língua, suspirei: — Ligue quando estiver em um lugar melhor, até logo.
— E-espere-..Kaze...!
Bem eu poderia ligar novamente, mas, tudo o que eu fiz foi balançar a cabeça e continuar meu caminho. Eles vão sobreviver sem mim.
Uma coisa que eu gosto muito nessa cidade: é que você pode muito bem caminhar por ai sem rumo nenhum e acabar em algum lugar. Mamãe dizia que isso é a mesma coisa que se perder, eu chamo isso de “se encontrar”.
— Namimori... — Encarei o edifício.
Os portões estavam abertos, então não fui obrigada á pular o muro. Eu abri a porta principal, que normalmente seria aberta para os alunos. As solas úmidas das minhas botas deixavam marcas no chão não utilizado. Paredes creme, janelas de madeira escura, folhas verdes pousavam na piscina depois de flutuar no ar durante alguns segundos.
Mesmo de luvas, ao encostar minha mão sob a superfície de vidro eu pude sentir arrepios subindo pelos braços.
— Suponho que vá limpar isso, herbívora.
Eu tive sorte de não quebrar meu pescoço, pela velocidade em que olhei por cima do ombro. A musica perfeita para o momento seria um hino de insultos que eu pronunciei em pensamentos, francamente, detesto ele. Hibari estava completamente indiferente.
— Eu não te entendo.
— Tentando ser um herbívoro esperto?
— Não sou bonita, por acaso, Kyouya?
— Talvez. — Resmungou. — Ninguém deu permissão para você me chamar pelo primeiro nome. — Ele agarrou meu pulso e levou-o á impressão da mão limpando-a da janela, encarando-o, ele não tinha nenhuma expressão para se ler. O moreno desviou o olhar para o vidro, seus olhos metálicos formavam duas fendas irritadas.
— Satisfeito?
Em resposta, o demônio apenas me soltou, apoiando-se contra a parede. Me surpreendi ao perceber que a região tinha perdido um pouco de calor depois daquilo. Cruzou os braços:
— O que pensa que está fazendo aqui?
— Queria dar um passeio. — Retruquei. — E você, não há muito o que proteger em uma escola vazia.
— Herbívoros idiotas pensam que podem ir e vir o tempo inteiro.
Arregalando os olhos, eu me lembrei daquele dia. Estava irritada com ele o suficiente para esquecer o motivo de estar ali, ignorando a parte “herbívoros idiotas”, pude sentir um sorriso leve se desenhando no meu rosto:
— Sobre aquele dia...Eu queria te agradecer.
Hibari não protestou, espancou ou ameaçou, portanto, eu suspirei: —O médico disse que se eu ficasse lá fora por mais tempo eu poderia...Você sabia disso, não é?
— Eu não sei sobre o que você está falando. — Retirou-se da parede e começou á afastar-se. Naturalmente, eu teria deixado o Presidente do comitê Disciplinar ir embora. Entretanto, como eu disse antes, não se trata de “naturalmente”.
— Sabe muito bem do que eu estou falando. — Retruquei pela segunda vez ao segui-lo. — Mas não quer que eu piore, então, está me expulsando. Admita.
Ele parou de andar de repente, e olhou por cima do ombro, uma profunda carranca estampada nos lábios. Seus orbes não estavam tão irritados, tinham um brilho:
— “Admita”? — Repetiu. — Você é realmente estúpida.
— Acha que eu realmente me preocupo? Não estou interessado em pirralhas, animais fracos, tamanho A como você.
— Mesmo? — Indaguei, com um tom de ironia e raiva: — Então, me explique por que seu coração estava batendo tão rápido, hein? Você não pode fingir isso!
— Está duvidando de mim? — Estreitou os olhos, inclinando a cabeça de maneira arrogante.
— Vai fazer o que? Me morder até a morte? Por favor, eu te odeio.
Hibari me encarou como se procurasse um argumento melhor, em seguida, agarrou meus ombros. Não era como sempre, que ele apertaria com força e deixaria marcas por baixo de apertadas camadas de roupas. Foi tão rápido que eu nem pude fechar os olhos.
O demônio era um verdadeiro paradoxo, e simplesmente não fazia jus á personalidade. Era doce, suave, pude sentir um sorriso se formando quando ele literalmente me mordeu. Sem reação, eu apenas tentei empurra-lo para longe.
Ele lambeu os lábios ao separar-se de mim, e se afastou rapidamente. Como sempre, acima da minha estatura. O carnívoro provara seu ponto de vista, e um pouco mais, resmungou:
— Foi como beijar um peixe. — E simplesmente saiu.
Foi então que, com uma mão sob o peito, eu pude sentir que o espaço abaixo não tinha ritmo nenhum. Meu pulso nunca foi tão rápido.
Claro que eu não tinha um argumento melhor.
Lugares certos nos levam para as pessoas erradas. Ou os lugares errados nos levam para certas.
“Não, completamente errado. Ele é errado, um problema. Tch.”
Pensei, ao encarar-me no espelho pela quinta vez ao chegar em casa. Tentei fazer outras coisas, como lavar roupa, dever de casa, mas tudo me levava até essa maldita ferida. Cutuquei-a com o dedo, ardia levemente ao toque. Era como se Hibari continuasse ali. A suavidade, o gosto insuportável de chá verde, laranjas, disciplina e Kyouya.
Seria idiota de minha parte cobrir o machucado com um band-aid, portanto, apenas passei um pouco de maquiagem para disfarçar. Apenas se o indagador fosse muito atento iria perceber.
Tomei um gole longo de chocolate quente. Pare de exagerar, Kazehaya, ele fez isso apenas para provar o quão incrível é como ator. E eu fui a coadjuvante.
Nunca imaginei que meu primeiro beijo teria um gosto doce e metálico ao mesmo tempo. Foi então que meu celular tocou, eu revirei os olhos, ignorando-o. Entretanto, ao ver “Gokudera” na tela eu agarrei freneticamente o aparelho:
— Sim?
— Mulher! — Gritou. — Onde diabos você estava?! Eu liguei milhares de vezes, mas você simplesmente desligou como se não fosse nada!
— Eu não conseguia te ouvir, idiota.
— Che, a culpa é toda sua. Oy! Isso é meu seu-...!
— Não se preocupe com a grosseria do Gokudera, estamos todos salvos agora. — A voz amiga de Dino ecoou do outro lado, sob os protestos do prateado.
—O que aconteceu?
— Reborn decidiu treinar os garotos num vale...Digamos que foi um pouco mais difícil do que imaginei.
— Estão todos bem?
— Oh, bem... — Eu imaginei o italiano arranhando o rosto envergonhado –e belo, aliás. — Estamos bem, mas, Tsuna...Teve que ir pro hospital.
— Oquê?! Ele vai ficar bem?
— Calma, Kazehaya, não é grave. Vai poder visita-lo amanhã.
— Ah...Obrigada, Dino. — Suspirei.
— Só estou fazendo minha parte, até logo. — Ele disse calorosamente
— Tchau... — Eu senti um pequeno peso sob minhas costas ser substituído por um muito maior e pesado ao pressionar o botão para encerrar a chamada.
Espero que Hibari fique careca, perca todos os cabelos, pare de se achar superior, e pare de aparecer em meus pensamentos quando eu menos preciso dele.
–--
— Takeshi? — Perguntei para as duas costas, cabelos negros, pele morena. Os dois Yamamoto estavam mais parecidos do que eu me lembrava.
— Ah, Haya-chan. — Eu corei quando o mais alto girou nos calcanhares e apontou para o pai com o polegar, sorrindo: — Esseé o meu pai, Tsuyoshi. Pai, lembra da-...
— Kazehaya! — Desviando o olhar para mim, o homem, um palmo mais baixo do filho, com certa idade e um sorriso que eu conhecia muito bem. Segurando um enorme saco. Andou freneticamente na frente de Yamamoto: — Você cresceu! Eu não te via desde que era uma menininha, ah, você ficou igual á sua mãe!
Dei um sorriso em resposta: — Obrigada, é bom te ver também. — Encarei o outro moreno: — Eu...Esperava poder parar em alguma loja e comprar flores.
— Claro, é muito melhor do que o meu presente!
— O que você trouxe para Tsuna, exatamente?
— Meu pai! — Cantarolou.
— ...Ah, sim.
–--
— Kazehaya, Yamamoto!— Tsuna exclamou da cama do hospital.
— T-Tsuna... — Engoli em seco. — Parece que você foi atropelado umas cinco vezes.
— Quase isso. — O moreno murmurou, ajeitando-se para que pudesse nos ver melhor. Completamente envolvido em pesadas ataduras brancas e curativos pendiam em suas bochechas.
Eu sorri ao estender o buquê para ele. — A loja não tinha muitas opções, espero que goste de cravos vermelhos.
Yamamoto tinha uma mão preguiçosamente na nuca. — Eu não sabia o que trazer além do meu velho!
Os dois preparavam sushi, enquanto eu colocava as flores em um vaso vazio. Só então percebi Dino e Reborn estavam na sala.
— Woah! — O louro engasgou, pelo prato espumante e tradicional, com um aroma delicioso era realmente difícil resistir.
Yamamoto ofereceu um pequeno combinado de três para mim, abri um sorriso ao aceita-lo. O arroz e salmão deliciosos dançavam na minha língua. A cabeça nas nuvens. Eu tenho uma certa queda por sushi, mas isso tinha me matado e enviado para o Paraiso, cheio de Takesushi lá. E o próprio Yamamoto, talvez. Ruborizei um pouco pelo pensamento.
— E então?
Desviei o olhar para o moreno, cantarolando: — Palavras não podem descrever.
— Haha, eu sei! Meu pai é o melhor! — Suspirou orgulhoso.
Concordei, roubando um sushi do prato dele e levando rapidamente aos lábios antes que pudesse reclamar, rindo. Dino, como estrangeiro, tinha a sua primeira vez com um delicioso prato tradicional do melhor cozinheiro que eu já conheci, pedindo mais um após o outro. Quem poderia culpa-lo?
— Re-Reborn! — Desviei o olhar para Tsuna, gritando com seu tutor, mastigando enquanto zombava do futuro Chefe.
— Bem, tenho que ir! Até logo. — Despediu-se depois de recolher suas coisas e deu uma piscadela para o filho: — Cuide bem deles, Takeshi.
— O-Obrigado! — Tsuna apressou-se. O Yamamoto apenas olhou por cima do ombro, com um largo sorriso estampado no rosto:
— Sem problemas.
Eles se tornam mais parecidos a cada segundo...
Não demorou muito para que a porta deslizasse para o lado, tempos depois, com um familiar rapaz de cabelos prateados:
— Gokudera?!
Com a cabeça inclinada, uma sombra cobria-lhe parcialmente o rosto.
— Onde você estava?
O italiano correu para o quarto, choramingando algo como “Me perdoe!”, ajoelhando-se para o chefe e oferecendo um ramo de flores mortas e brancas.
— Tudo bem, Gokudera, não foi sua culpa. — O moreno abriu seu sorriso habitual.
O prateado ainda permanecia no chão, afogando-se na culpa. — E-eu falhei como Braço Direito! — Correu para a saída, embora uma beldade de cabelos rosados tenha impedido-o.
— Hayato. — Ele tombou novamente de maneira instantânea, enrolado nos próprios braços de maneira patética.
— Tsuna, — Sua voz de veludo traçou o ar. —Coma isto.
Ele vacilou, temendo o destino que a culinária de Bianchi lhe traria. — N-não! — Correu de sua cama até a porta. Sua mão roçou a maçaneta, mas congelou ao ouvir alguns sussurros.
— Parem de me empurrar! — Exigiu uma mulher.
— Então deixe-me ver também! — Argumentou uma voz masculina
— Visitantes atraentes...!
Foi rápido, quando a porta fora empurrada para o lado pela terceira ou quarta vez, o futuro Chefe logo foi pisoteado por algumas enfermeiras em uniformes cor-de-rosa e homens de azul. Isso foi estranho. Em seguida, mais uma funcionaria, gorducha, com um coque prendendo seus cabelos cor de fogo e uma carranca nos lábios. Seus olhos encarando cada um como punhais.
— O que pensam que estão fazendo?! — Gritou. — Deveriam estar trabalhando!
— Desculpe! — Choramingaram ao sair do quarto, depois fora a vez de Tsuna receber uma branca: — Sawada! Visitantes que tentem seduzir minha equipe são proibidos!
Seduzir?! Franzi o cenho, mas fora prontamente desfeito pela expressão da enfermeira-chefe. Ela apontou um dedo acusador para nós. — Saiam do meu hospital, agora!
E assim, nós: Dino, Yamamoto, e eu (Gokudera escolheu ficar de fora, ainda imóvel no chão) fomos expulsos hospital. A ruiva nos acompanhou até a entrada principal e explicou de uma maneira “adorável” que “hormônio” e “moleques perturbadores" nem mesmo poderiam pisar em qualquer quarto de pacientes ou vamos sofrer "uma grande quantidade de dor." Com isso, ela saiu, os punhos cerrados ao seu lado.
— Eu nunca vi alguém tão...— o italiano murmurou.
— Hm, brava? — Sugeri, ele negou com a cabeça. — Estressada?...Gorda?
— Não, não...é...Ah! —Ele sorriu como uma criança em apuros. — M-mal-humorada!
Eu ri da reação do loiro, descontroladamente enquanto tentava mante-la com a mão. Yamamoto também ria, fazendo-me menos culpada por falar mal pelas costas.
“Espero que ele saia vivo do hospital.”
Pensei ao encarar as janelas do terceiro andar, embora brincássemos um pouco com a situação, não era engraçado. Era preocupante. Portanto, decidimos ficar por um tempo no nível térreo, do lado de fora, caso Tsuna recebesse alta logo. O barulho alto que vinha de cima, ou o loiro indo embora por ter uma reunião importante de negócios não ajudara.
O moreno que eu tanto admirava se espreguiçou ao meu lado, em um banco de praça e tomando um largo gole de refrigerante. Com uma sacola cheia de guloseimas nas mãos, estendendo-me uma caixa rosa com letras familiares e garrafais dizendo “Pocky”. Agradeci com um sorriso. Mordisquei o inicio do doce.
— Que dia bonito... — Suspirou. — Aposto que o restaurante deve estar lotado hoje!
— Você não deveria estar ajudando, então?
— Na verdade, o Pai tenta me manter fora dos negócios. Alem disso, eu acho que ele prefere que eu esteja fora de casa. Ou com você, não sei por que.
— Entendo... — Disse, o pai gostava de mim, mas o filho não. Uma doce ironia encheu meus pulmões ao suspirar, desfrutando da brisa leve e meio fria contra o meu rosto e contra os galhos das arvores. Junto de suas sombras e algumas folhas caiam, verdes ou meio desgastadas pelo tempo se misturavam no ar, passando por uma janela em particular no terceiro andar. Uma presença quase que sobrenatural enchia o quarto.
“Aquele rosto...! Não pode ser, seu idiota. Problema. Eu te vi apenas ontem, é apenas um fruto infeliz da minha imaginação. Hibari não poderia...Quero dizer, o que um demônio faria em um hospital?”
O moreno se foi quando eu tornei a encara-lo com mais precisão, não poderia ser ele... Entretanto não pode ser apenas imaginação, eu não sou tão louca. Ainda.
— Haya-chan?
Eu saltei ao ouvir meu apelido, pela voz doce do rapaz ao meu lado. — O-oque? — Tentei parecer o mais normal o possível, mas minha voz saiu ridiculamente assustada.
Yamamoto ergueu uma sobrancelha, segundo meu ponto de vista. Tudo o que encontrara foi um quarto vazio, desviando o olhar para mim, abriu um pequeno sorriso: — Você se preocupa muito com ele, não é? — Pisquei um par de vezes. — Tsuna vai ficar bem...Ah, Haya-chan, o que é isso na sua boca?
— Na verdade, eu... — Eu comecei a explicar, mas fui impedida pelo mesmo par de olhos frios que me encaravam ontem. Com certeza era ele, pelo penteado ridiculamente redondo, a franja, o amor pela cor preta e sua altura. Mesmo pela mão particularmente grande, dedos finos apoiando-se na janela.
“Não conte a ele, ou eu vou te morder até a morte.”
— Na verdade...? — O moreno ao meu lado perguntou, em expectativa.
Eu hesitei em contar, mas Takeshi não precisava saber. Então, ignorei o carnívoro e senti um sorriso tímido se formar no meu rosto: — Eu estava nervosa com uma questão do dever de casa e nem notei. Não foi nada, pocky?
Ele aceitou um dos doces com um sorriso inquieto, de largura. Pareceu não aceitar minha desculpa, mas logo deu de ombros ao morder o rosa fosco. Tempos depois, eu me encontrei olhando para a janela de novo, a procura do demônio de Namimori, mas tudo o que restara dele fora uma impressão de sua mão contra o vidro.
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