I'll Protect You

13 Capítulo 12: Fix you


– É você? – Ele perguntou na entrada, mirando as molduras ao redor da sala. Uma criança pequena em um vestido vermelho,combinando com um batom da mesma cor,saindo das fronteiras dos meus lábios, desenhados em linhas grossas que se estendem para as bochechas. Segurando o batom como se fosse um troféu.

– Eu tinha dois anos. – Disse, ruborizada. – gostaria de poder lembrar o rosto da minha mãe.

– Ela deve ter ficado brava...Como ela está agora?

Apontou para uma foto ao lado. Os olhos castanhos encontraram uma foto,olhos azuis suaves,usando um vestido cocktail verde. Uma mão estava em seu quadril, a outra ofereceu um martini com um sorriso sensual. Foi uma de suas primeiras capas de revista.

Yamamoto olhou para foto e se virou para Kazehaya. – Uau,ela está diferente desde a última vez que a vi.

– Sim....Ainda tenho dificuldade em lembrar como ela é.

– Você não vê ela?

Balançou a cabeça, sentando-se no sofá. – Vejo as vezes,mas sinto falta dela...Minha mãe quer promover sua carreira,em breve, ela vai viajar para Fiji.

–E você não vai? – Ele perguntou, sentando-se ao seu lado.

A morena realmente nunca se abria sobre sua mãe, exceto para aqueles que já sabiam. Kiku era sua amiga a muito tempo,mas não se falaram muito desde que ela conseguira um emprego em um restaurante de sushi.

– Ela quer que eu me forme na escola primeiro. Depois talvez eu possa ir junto com ela em sua próxima viagem. Mas ...

Ergueu uma sobrancelha. – Vocês vão ir para algum lugar ruim?

Ela não sabia, mas suas feições estavam tristes. Reagiu imediatamente ao perceber. – Não, não! Vai ser legal! – Usou o tom de voz alto e apressado, forçando um sorriso.

Ele riu, e pousou a mão na cabeça da morena. – Haya-chan, você pode me dizer o que está errado, eu prometo que não vou contar para ninguém. – ele colocou o dedo mindinho para fora.

– Mesmo?

Seu sorriso não vacilou deixando o dedo estendido. Embora o gesto simples,ela poderia dizer-lhe tudo. Olhando em seus olhos castanhos, a verdadeira questão não era sobre sua mãe, suposto pai ou o passado, e sim: "Confia em mim?"

Estendeu seu dedo também, ligando com o do moreno,e falaram em uníssono.

– Promessa do mindinho,se você mentir Eu vou fazer você engolir mil agulhas!

– Agora... – Sentou-se no luxuoso sofá– Por onde começamos?

Pelo o que parecia ser o mais fácil. O início.

– Bem...Ela é a única família que eu já tive ... Eu não sei o que aconteceu com meu pai. Ele pode estar desaparecido, ou até mesmo morto. Não me lembro de ver nenhuma foto dele com minha mãe,e sempre que tentei descobrir mais, tudo o que tenho dele é uma lembrança vaga que nem sei se é real... Como se ele nunca tivesse existido. – Passou os braços em volta de si, arrepios surgindo apenas pela conversa sobre o Estranho. Continuou com a voz fraca.

– Então, quando ela teve todas essas oportunidades, trabalhos, capas de revistas. Ela me deixou. Meu único pilar tinha ido embora e eu sabia que era apenas uma questão de tempo até que eu caísse.

– Eu tinha Kiku, mas não era a mesma coisa. Ela não poderia estar lá o tempo todo e falar comigo com um tom maternal. Ela sempre sabe o que fazer. E sem ela em casa..E-eu... – Uma súbita visão apareceu dela à mesa, bebendo café e lendo o jornal na seção de entretenimento. Seu sorriso presente no rosto. – ...Eu me sinto sozinha. – Sua visão se tornara turva na última parte da frase.

Sentiu Yamamoto traze-la para o seu lado. Não se importava com o quão perto ele estivesse no momento, mesmo empurrando seu rosto contra o peito do moreno. Pela primeira vez em meses deixou tudo. Mamãe, papai, a solidão, o stress. Derretendo na camisa macia.

– Kazehaya. – A falta do honorifico e do apelido pegou-a desprevenida. – Você não está sozinha. Você tem Tsuna, Gokudera, Reborn, todos nós que jogamos o jogo de Mafia. Como o garoto diz, somos uma família,certo?

Levantou a cabeça, e acenou. O sorriso de agora não era algo que se via todos os dias, ele parecia mais humano. Percebendo que estava fitando-o, desviou o olhar, limpando as lagrimas no rosto.

– Sinto muito,eu não esperava...

– Bem, o que você esperava?

– Só um jantar ou algo assim ... E não estragar sua camisa. –Um sorriso tímido apareceu.

– A noite ainda não acabou. – ele respondeu. – e eu estou com fome~!

–--

Kazehaya P.V

O toque alto do celular me acordou na manhã seguinte. Gemendo e tentando procura-lo ainda sonolenta, minha mão desajeitadamente indo para meu criado-mudo, batendo em um livro antes de sentir o telefone de metal liso. Eu trouxe para minha orelha, atendendo sem se preocupar em olhar para o identificador de chamadas, já que eu não queria arruinar a confortável escuridão.

– Ola... –

– Eu-não-consigo-achar-ele-Kazehaya-ele-me-odeia!.– A voz de Kiku cortou o silencio, apressada.

– Respire. – Eu disse meio irritada, aconchegando-me mais na cama. – E fale mais baixo. Por que me ligou?

– Hiro desapareceu. É tudo minha culpa...

Meus olhos se abriram. – O quê?!

– Ele deveria voltar para casa ontem a noite, mas nunca voltou. Liguei para todos os amigos del,e e todos dizem que que ele não estava lá. É tudo culpa minha... – Ela divagava entre pequenos soluços.

Saí da cama e joguei o pijama fora. – Espera ai Kiku, eu estarei lá assim que puder.

–... Eu vou pular de uma ponte se não achar Hiro... – Soluçou, então encerrou a chamada.

Eu também estava em panico ao ouvir sobre Hiro, ele sempre foi como meu próprio irmão. Vesti qualquer roupa que achei pela frente: um jeans, uma blusa branca e uma jaqueta de couro preta. Escovei os dentes rapidamente, peguei o celular e sai correndo o mais rápido que podia.

Tentei manter todos os pensamentos negativos longe, na esperança de que Hiro estivesse no parque ou apenas tivesse esquecido de ligar o celular.

Quando cheguei, Kiku estava fora de casa, sentada na calçada, a cabeça entre as mãos.

Eu sentei ao seu lado,u m policial tomando notas com seu pai, depois disso veio ate ela. – O que houve?

– Ele estava na casa de um amigo até seis de ontem, depois que ele saiu, e não voltou para casa. – Ela disse em tom monótono. Haviam olheiras sob os olhos azuis, que não brilhavam mais e estavam avermelhados por chorar a noite inteira. Até seu cabelo tinha perdido o aspecto sedoso sob um coque desleixado.

Coloquei meu braço sobre ela, seu corpo tremia. – Tenho certeza que ele está bem, provavelmente Hiro-...

– Hiro me odeia.

Olhei para ela. – Do que esta falando? A gente tem que ir procurar ele rápido...

– Ontem...Ele disse que me odiava... – Se enterrou em suas mãos novamente. Tentei acalmá-la, mas ela só ouvias suas proprias palavras: Tudo minha culpa...Minha culpa...

– Por quê? – Eu finalmente perguntei.

Ela respondeu entre soluços. – Nós ... brigamos ... e-ele saiu... ele ... ele .. me odeia!

Os dois têm altos ânimos, dois orgulhosos que amam jogar fogo contra fogo em uma briga verbal, facilmente irritados por apenas dizerem sua opinião. Kiku gostava de brincar com fogo, e desta vez Hiro saiu queimado, ela também.

– Kiku. – As lagrimas escorriam em grandes gotas através do rosto. – Você precisa se acalmar. Quanto mais o tempo que perdemos aqui, Hiro pode estar indo cada vez mais longe.

Ela suspirou. –...Ok.– limpou as lagrimas com a manga da blusa e se levantou. – Vamos nos separar, você vai pelo parque e eu pelo caminho da escola.

Ela era tão fácil de se convencer assim?

– Ok, tente não fazer nenhuma loucura. Mas se fizer isso de novo,vou pendurar suas orelhas na Torre de Tóquio.

–Eu sei. – Ela saiu correndo na direção oposta. Graças a Deus, eu tenho Kiku de volta.

–--

O primeiro lugar que procurei foi o parque. Pelo o que me lembrava ,Hiro gostava de vir aqui com seus amigos, ou apenas para relaxar. Haviam milhares de crianças gritando e correndo por aí, mas nenhum deles era o menininho moreno de olhos azuis.

Bem,acho que posso riscar esse lugar da lista, Hiro estaria nos balanços ou nas mesas.

–-Terceira Pessoa—

Kiku estava na ponte,mas não para procurar o seu amado irmão.

Seus sapatos foram descartados de qualquer jeito no chao, a loura fitava o nada, sem nenhum expressão no rosto.

— ...Ela vai me matar se eu pular... — Susurrou. Ficou assim por alguns minutos, adimirando o rio que cortava a cidade. — Ele poderia estar em qualquer lugar agora... — Olhou para baixo, encarando a água.

O seu estava ficando alaranjado, quando o prateado chegou na ponte pela qual passava para chegar em seu apartamento. Onde por muitas vezes viu Kazehaya com Yamamoto ou Kiku, os olhos brilhando de um jeito infantil e ambas sempre rindo. Tsc, meninas são realmente problemáticas...

E agora,que encontrara a loira chorando enquanto olhava para baixo. Estava somente la, no meio do caminho, quase como uma estatua, a pele muito mais pálida do que o normal, seus longos cabelos louros escabelados e seus belos olhos dilatados. Era como se ela tivesse morrido por dentro e a casca havia sobrado para apodrecer.

Feito a tonta que ele sabia que Kiku era, franziu o cenho. Um ambiente próprio pra tomar uma atitude dramática.

— Oy! Mulher! — Ela pulou com o susto. Idiota. — Não faça nada estupido, ouviu?

A loira virou-se, muitas lagrimas grossas caindo deslizando por sua bochecha e despendurando-se no queixo. — Como sabia que eu pretendia pular?

O prateado não admitiria nem se seu amor sobre UFO’s estivesse em jogo. Mas ele sentiu algo quebrando dentro dele, suou frio durante um segundo ,pra depois seu sangue começar a ferver. Sem pensar, agarrou rapidamente o pulso de Kiku, tentando despertar o consciente dela. — Como assim, pular!? Sua anta,por que ficou assim de repente!?

— Meu irmão mais novo me odeia...Ele fugiu...Meu pai me odeia, minha madrasta me odeia... — Disse, a voz monótona. Suspirou. — Mas por que voce se importa?

Os orbes verdes de Gokudera se arregalaram. Ele franziu o cenho novamente, não aguentava ver aquela retardada assim.

Um rosto vermelho,olhos azuis assustados encarando a mão do mais alto.

— Agora vai procurar o seu irmão antes que eu mesmo te jogue dessa ponte. — Fez o movimento sem pensar, mas funcionou. A Mulher Idiota estava de volta.

—...Obrigada, G-Gokudera...-kun.— Ela corou um pouco mais pelo novo tratamento do prateado.

–-Kazehaya P.V—

Nada. Todas as ruas do bairro, e nada de Hiro e seu mal-humor. Uma loura familiar aparece dobrando a esquina na minha direção, seus olhos azuis ainda estao vermelhos, olheiras negras, mas algo iluminava suas feicoes. Esperança, e um rubor pequeno.

— Kiku? — levantei uma sobrancelha.

— Não,a Rainha da Inglaterra!...Hiro não esta pela ponte. — cruzou seus braços

— Humpf... Ele gosta de algum lugar? Particularmente?

Ela inclinou-se ligeiramente, pensando, então estalou os dedos . — A loja de conveniência!

— Huh?

Ela se virou para mim com um sorriso brilhante. —Sempre que ele esta triste, Hiro vai comer sorvete!

—Não basta ir na sorveteria?

Ela balançou a cabeça — De jeito nenhum, Hiro nunca leva mais que 1,50 quando sai. E a maioria das lojas de conveniência cobram a metade disso!

— Nossa, você realmente conhece seu irmão.

— Vem logo! — Fui correndo atras da loira, que era muito mais rápida.

–--

— Desculpe senhor. — Empurrei uma foto de Hiro ao balcão para o proprietário de meia-idade — Você viu esse garoto entrar na sua loja ontem?

O homem pegou a fotografia, inspecionando-lo perto de seus olhos. Ele balançou a cabeça — Eu não acho que eu o vi por aí, mas eu vou pedir a minha esposa, ela estava no aqui ontem. — Ele virou-se e gritou: “Tammy!". Uma mulher com uma rede de cabelo saiu de uma porta ao lado. — Já viu esse garoto?

— Ah, mas é claro! — Ela disse alegremente. — Um dos meus clientes habituais na verdade. Sorvete de baunilha e seu favorito. Ele veio aqui ontem.

Meu coração começou a bater mais rápido, e Kiku agarrou meu braço apertando-o.

— Ele disse se iria a algum lugar?

— Hum...Ele mencionou um tal que Shimatta-kun..?

— Shimatta-kun..? Kiku voc-...— Franzi as sobrancelhas, eu olhei para a loura, espantada. Seus olhos estavam arregalados e ela tinha a mão sobre sua boca. — O que há de errado Kiku?

— Eu sei onde ele está.

–--

— Você tem certeza que ele está aqui?

— Absoluta!

Varias gaiolas, sons de animais em todo lugar. O zoológico estava cheio de vida, mas por algum motivo, haviam algumas jaulas quebradas.

Ele podia estar tao perto, mas também poderia estar longe. A quantidade de pressão a ser aplicada sobre a situação era demais. Se Hiro não estivesse lá, estaria tudo perdido...Kiku iria...

Não. Eles vão ficar bem.

— Hiro! —A exposição para o famoso panda vermelho foi um desastre. O vidro e árvores foram feitos em pedaços no chão e alguns homens limpando a bagunça.

Parei um deles — Desculpe-me, mas o que aconteceu aqui?

— Uma explosão desconhecida libertou a maior parte dos animais. Resgatamos alguns, mas Shimatta-kun está fora de alcance.

— Você sabe onde ele está? — perguntou Kiku.

— Isso é uma informação eu possa dar a qualquer pirralha que não autorizada no local.

Em um movimento rápido Kiku deixou o cara no chão, pairando seu pé sobre...”Aquilo”.

— Digamos de um jeito mais fácil para você entender. — Fervia entre os dentes. — Você pode me dizer onde o panda esta, ou ter um show de sapateado sobre seu pequeno amigo.

Ele se encolheu. — E-ele foi visto em uma pista de montanha-russa...Algumas crianças estavam tentando ajudar ele. Por favor, não me machuque!

— Crianças...?

A loira saiu correndo mais uma vez. — O parque de diversões!

–--

Uma multidão de rostos familiares e um urso vermelho fofo.

Tsuna ergueu as sobrancelhas.— Kazehaya-chan? Fujiyama-san?

Olhei para eles, o panda envolto por dois braços pequenos em torno de seu pescoço. Hiro encarou Kiku em descrença.

Kiku passou por todo mundo e parou em frente a ele. Ele fechou os olhos a espera do pior.

— H-Hiro..! — Caiu de joelhos e abraçou-o. Ela gritou para ele resmungando — Eu sinto muito! Eu deveria ter...Desculpa!

Suspirei. “Graças a Deus”.

— O que aconteceu? — Yamamoto perguntou confuso.

— Te conto mais tarde.

Tratava-se de uns cinco minutos quando a loira parou de chorar. Foi então que ela resolveu reprender o pobre menino. Foram vinte minutos de argumentos entre os dois, alguns ganhos por Kiku de modo épico, outros superados pelo irmão. O orgulho preenchia cada uma das palavras da mais velha.

— Você poderia ter sido sequestrado! Ou morto!

— Eu... — tentou achar argumentos. Enfim, vitoria. — Desculpe. — murmurou.

Eu poderia contar nos dedos quantas vezes ele dissera aquelas palavras. Mesmo com vários anos de amizade que eu tinha com a loira.

Eu coloquei a mão em seu cabelo. —Você nos assustou. Eu não saberia como te achar.

Ele balançou a cabeça, em seguida, aproximou-se. Ela cruzou os braços sobre seu torso.

— Escuta, eu não te odeio. Mas não pense que eu te amo tanto. — Ele fechou os olhos, o orgulho voltara.

Não era o momento irmão-irmã ideal, mas para os dois Fujiyama’s era como se fosse uma declaração clara de amor familiar. Momentos como estes eram realmente raros.

Ela teve um brilho alegre nos olhos, mas rapidamente voltou com sua personalidade habitual. — Eu só estava preocupada porque o Pai iria me matar se não achassem seu querido menininho.

— Oy...Como você me achou?

— Acha que eu sou estúpida? Mamãe costumava nos levar lá quando éramos pequenos, seu favorito era o panda vermelho.

–--

Depois de voltar para a casa dos Fujiyama, encontramos um pai histérico. O céu avermelhado me guiou para casa.