I'll Miss You
4 Good bye
Sexta-feira
Tivemos uma noite linda. Sinceramente, não sei como vou viver sem Connor... Ele é o homem da minha vida!
Hoje de manhã, nós decidimos que esses três últimos dias seriam inesquecíveis. Logo cedo, fui para o jornal e expliquei ao Brown o que estava acontecendo. Ele me deu duas semanas em casa. Assim que saí de lá, eu e Connor ligamos para nossos amigos e fomos todos nos encontrar no parque municipal. Passamos a tarde tomando sorvete e brincando. Os filhos dos nossos amigos fizeram muito bem a ele. Na hora do almoço, fomos ao seu restaurante preferido. Gastamos muito, pra falar a verdade, mas isso não tem a menor importância. Quando o dia começou a escurecer, todos nos despedimos e cada um foi para sua casa. O dia foi esplêndido. Assim que entramos no nosso apartamento, um sentimento de euforia tomou conta de mim e uma ideia ótima veio junto. Olhei para Connor e perguntei se ele não queria ir à praia. Um pouco confuso com minha pergunta, ele respondeu positivamente, mas acho que não esperava que eu tomasse uma atitude a tal hora. Sorri para ele e fui correndo ao nosso quarto. Peguei nossas bolsas de viagem e coloquei-as em cima da cama. Comecei a pegar as roupas de praia que estavam guardadas em nosso armário e fui arrumando uma a uma dentro das bolsas. Connor chegou no quarto um pouco ofegante e se assustou mais ainda quando viu o que eu estava fazendo. Sem permitir qualquer questionamento, pedi que ele me ajudasse a arrumar as coisas.
– Essa será nossa última viagem, meu amor.
– Mas agora? Ally, não é melhor esperar para viajar amanhã bem cedo?
– A vida não espera! Já esperamos tempo demais aqui, é hora de fazer o que queremos. O mundo não vai acabar, meu bem, mas temos muito pouco tempo e eu não quero ficar aqui vendo-o acabar. — Sem discutir mais, ele me ajudou com as malas e logo elas estavam prontas. Descemos todas para a sala e corremos até a cozinha, para preparar ótimas refeições para o dia de amanhã. Arrumamos tudo no carro e então eu me lembrei do livro. — Querido, tem algo que eu quero te mostrar. Não está pronto, mas não consegui terminar a tempo, então vou te entregar assim mesmo.
– Acho que também tenho que te mostrar algo. — Fiquei intrigada com a surpresa dele. — Duas coisas na verdade.
– Ok... Espera só eu imprimir o meu?
– Tudo bem.
Corri novamente para dentro de casa e liguei o computador na impressora. Ao que me constava, faltava apenas um último capítulo para que eu terminasse o livro, então não me importei muito. Coloquei tudo para imprimir e demorou um pouco, mas não o suficiente para me fazer desistir. Arrumei as páginas, organizei por capítulos e grampeei em cima, só para não perder.
– Vamos!
Nossa “jornada” até a praia durou cerca de duas horas, chegamos lá no início da madrugada. A praia estava deserta, claro, e nós ficamos no lugar mais escondido e afastado que encontramos. A praia em que fomos não costuma ser movimentada, é apenas a casa de algumas famílias de pescadores. Nos acomodamos e ficamos olhando para o horizonte, onde somente as ondas podem ser avistadas. O luar nos cobriu e assim ficamos até o momento em que adormecemos.
Sábado
Ao surgimento do primeiro raio solar, senti Connor se movendo ao meu lado e acabei despertando. Ele já estava acordado e, pelo o que pude entender, estava me observando. Seu sorriso me preencheu a alma e o dia se tornou feliz. Abracei-o e ele beijou meu pescoço, fazendo-me sentir deliciosos arrepios.
Tomamos nosso café da manhã de frente ao nascer do sol e nada poderia tirar a alegria que eu estava sentindo. De repente lembrei-me do livro. Interrompi aquele momento gostoso e entreguei minha arte para Connor.
– Aqui está, querido. O livro que eu tanto escondi de você, o livro ao qual eu tanto me dediquei. Pena que eu não consegui terminar... — Ele lia algumas das primeiras linhas enquanto eu falava. — Espero que você goste. — Deixei-o lá e fui andar na praia.
Não sei ao certo quanto tempo depois Connor veio me procurar, sei apenas que o sol já parecia indicar a proximidade do meio-dia. Estava sentada na beira do mar e ele se sentou ao meu lado. Ele estava com o rosto molhado.
– Sabe, eu tinha decidido não contar mais o tempo. Acho que você notou que me desfiz de meus relógios. Decidi apenas viver, sem me preocupar com quanto tempo isso duraria, mas aquela visita ao médico me fez ver que meu tempo acabou. Por isso topei todas essas suas loucuras, Ally, para não perder tempo longe de você. — Ri lembrando de tudo o que fizemos ontem. — Você é a pessoa mais importante desse mundo para mim. Infelizmente, não tivemos tempo de ter nossos filhos, mas você me bastou. Saiba que o dia em que te conheci foi o mais importante da minha existência, pois a partir dali eu comecei a viver. Obrigado por tudo, meu amor, você me fez o homem mais feliz do mundo. Para onde quer que eu vá, estarei sempre olhando por você e pedindo aos céus que te protejam. — Parou de falar por um instante e puxou meu rosto para que eu pudesse vê-lo. Eu, como sempre, já estava com o rosto todo encharcado de lágrimas. — Eu te amo, minha escritora. Cada palavra daquele livro me mostrou ainda mais a pessoa maravilhosa com quem me casei. Tenho orgulho de vê-la sendo chamada de Senhora Connor Kay. Você, sim, é incrível. Obrigado. — Suas últimas declarações me fizeram cair em meu choro habitual. Novamente, desesperadamente, chorei como uma criança que se perde da mãe. Connor me abraçou e ficou repetindo que me amava. Era tudo o que eu precisava hoje.
Horas depois, montamos um pequeninho banquete de frente ao crepúsculo praiano. Não havia nada melhor no mundo do que o lugar onde estávamos. Nada.
Domingo
Voltamos para casa ao meio-dia. Almoçamos na casa de um amigo de Connor; a família dele foi muito receptiva conosco. Após o almoço, voltamos para casa. Como não sabíamos a que horas seu corpo não aguentaria mais, decidimos que era melhor voltar. Ao chegarmos, lembrei-me de que Connor não tinha me mostrado sua surpresa na tarde anterior e lhe cobrei isso.
– Espero que tenha ficado tão bom como os outros que já fiz de você. — Ele me entregou um bloco de anotações onde o primeiro papelzinho tinha escrito “Pra você, meu amor.”– É um stop motion. Você sabe como fazer?
– Acho que sim. — Dei início aos desenhos. Conforme as folhinhas iam passando, um rosto ia se formando. Era o meu rosto. Estava igual ao desenho do meu bolo de aniversário. Chegou na última folha e o desenho estava acabado, com os olhos azuis e o cabelo loiro. Ao lado do meu rosto, tinha a frase mais linda que Connor já me escreveu: “Mesmo que as estrelas caiam e que o sol não volte a aparecer, eu te prometo, meu amor, estarei sempre com você.” Dessa vez segurei meu choro. Fechei as páginas e apertei-as contra o meu peito. — Querido, vamos dormir?
– Por que? Não quer terminar de aproveitar o dia?
– Eu só quero uma última vez deitar ao seu lado.
Ele concordou e subiu comigo. Tomamos banho juntos. Ao sair, nos trocamos e fechamos as janelas e cortinas do quarto. Tranquei a porta e deitamos.
Apesar de não saber em que momento Connor não acordaria mais, decidi dividir com ele seu último sono. Não queria que de súbito ele tivesse uma falha em seu sistema nervoso e caísse no chão. Nos abraçamos e sussurramos nossas últimas juras de amor um para o outro. Não posso fazer nada para impedir que ele se vá, então ficarei ao seu lado. Até seu último suspiro.
Notas finais
Contato:
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Beijão, pessoas lindas. Até breve. o/
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