Ill Look After You

6 A verdade - Samantha POV's


Sempre acordo igual. Com frio, não querendo levantar. Sábado. Quero saber que horas são agora, mas se for cedo, minha mãe deve estar limpando a casa. Não é cedo, pois não ouço nada. Está bem quieto. Ela deve estar dormindo, pois olho para a janela e está bem escura. Poderia dizer que o céu está azul, escuro. Olho para meu celular e vejo que ainda é 02:17, está muito cedo, não? É, eu sei que está cedo. Mas ao invés de dormir, o que faço é ir até a cozinha. Bebo um pouco de água e como um pão doce. Deito no sofá e ligo a televisão. Comecei a ver um filme, mas não prestava muita atenção. Meu cérebro ainda estava “carregando”. Então escuto passos. Minha mãe:

— O que faz acordada há essa hora?

- Ah, mãe. Eu acordei e não estava com sono.

— Mas você foi dormir era 23:48. Como conseguiu acordar a esta hora?

— E pergunta pra mim?

— Foi você que acordou aí cedo, não eu.

— Mãe! Eu sou uma pessoa normal, não sei de tudo. Não sei de tudo que acontece a minha volta, não sei todas as matérias da escola, não sei porque eu acordei a essa hora! EU NÃO SOU PERFEITA! – gritei. Logo depois fui para meu quarto e bati a porta.

Ouvi minha mãe desligando a televisão e falando:

— Almoço ás 12:30. – ela falou, num tom extremamente calmo. – Não vou te acordar desta vez, e se não acordar na hora, perde o almoço.

A última frase “entrou por um ouvido e saiu no outro”, mesmo depois de um minuto eu não lembrava de nada que ela falou, só que eu deveria acordar sozinha. Como é? Acabei de brigar com minha mãe, a mulher mais calma e perfeita do mundo? “Acalme-se”, pensei. Mas meu sonho não vinha. Passava várias coisas por minha cabeça, não sei, não entendia. É muito confuso pra mim, eu só tenho dezessete anos, eu sei, não sou tão nova, mas isso não me torna o Einstein. Isso atormentava minha cabeça até eu cair no sono.

Acordei ainda faltavam duas horas para o almoço, peguei meu notebook e entrei no MSN. Um dos meios de comunicação para falar com os meus amigos, posso até dizer que é um dos melhores. E sabe quem estava online? Thalyta. Não hesitei e fui chamá-la. Imediatamente. Ela respondeu, e educadamente:

— Oi. – disse.

— Oi!

— Posso perguntar algumas coisas?

— Claro.

— Por que você fez aquilo?

— Aquilo o quê?

— Você sabe, muito bem.

— Ah. O negócio do plágio? Ah sim. Terei que ser fria?

— Não. Quem deve ser fria é a geladeira. Agora desembucha. – eu disse, irritada.

— Nossa. Eu vou falar.

— Comece.

— Eu fiz aquilo por...

— Ciúme? Raiva? Frustração?

— Me deixa terminar de falar! Eu posso sair aqui e você nunca vai ficar sabendo o porquê de eu ter feito aquilo. Qual vai ser?

— Vai.

— Ciúme. Eu sabia que o teu grupo seria com a Ashley, eu a conheço, bom, conheço mais ou menos, não vem ao caso. Eu sei que ela é legal, simpatiza qualquer um e pode se tornar a melhor amiga de alguém em poucos dias. Ou horas. Resolvi segui-los até a biblioteca, foi difícil, pois estava nevando, mas fui. Ouvi tudo que falaram, vi os sites da internet e páginas do livro que pegaram para colocar no trabalho. A cor da cartolina, e as figuras. Copiei tudo em um caderno. Vocês não me perceberam porque eu estava cheia de roupa, e estavam prestando atenção demais a aquele trabalho. Saí junto com vocês. Então peguei um grupo e falei as respostas, tudo. Também falei o que deveriam fazer no dia de entregar o trabalho, como reagiriam, e eu sabia também que cujos levariam uma nota zero. Eles nem se importaram com isso. Eu também sabia que você desconfiaria de Ashley primeiro, você desconfiou não foi? Foi que eu sei. Então, continuando, logo depois de levarem um zero, você e Ashley não olhavam uma para a outra, você pensava em não sei o que. Ashley parecia estar chateada com você, chegaram até a surgir lágrimas em seus olhos. Na hora do intervalo vocês estavam se falando novamente, vi meu plano falhar... Como sempre. Eu ia falar mais algumas coisas com vocês, até que aquele cara lá chegou com mais dois, me ameaçando. Ele me ameaçou certo? Chegando ao ponto: Fiz isso para destruir sua amizade com a Ashley, pensei que ela tomaria meu lugar de melhor amiga. Mas parece que já tomou né? Tanto faz agora, eu sei que o que fiz foi errado, mas, eu precisava fazer isso. Cara, precisava. E o único motivo de eu estar confessando isso aqui, no MSN, porque eu gosto da tua amizade, você é uma ótima amiga. E aqui é o MSN, acho que eu não falaria isso cara a cara com você.

— Você fez isso tudo por... Ciúme?

— Parece que sim né.

— Eu...

— Não tem o que falar. Perdoa-me?

— Vou pensar nisso. Tchau. – logo depois desligo o MSN.

Por ciúme que ela fez isso? Ela poderia apenas falar comigo poxa. É tão difícil? Não precisaria fazer tanto “escândalo”. Só sei que eu precisava ligar para Ashley. Falar com a minha mãe sei lá. Preciso desabafar com alguém, sabe? Deitei minha cabeça em meu travesseiro. Não, lágrimas não surgiram, mas sim pensamentos, como sempre. Agora estava tudo explicado, ciúme. E uma pergunta agora me vem: “Ashley se tornou mesmo minha melhor amiga?”. Quando falou que amigos não ficavam tristes um com outro, depois de eu ter desconfiado dela. Quando eu, minha mãe e ela fomos até a piscina de água quente. Assistimos televisão. Dormir tarde. Mas parece que ela está mesmo se tornando minha melhor amiga. Mas como? Em tão pouco tempo, isso parece impossível! Parece. Pa-re-ce. P*a*r*e*c*e. Essa palavra está bem mais clara agora, percebo. Somente parece. “Parece que é vinho, mas é fanta de uva.” Explica algo. Sim. Ashley é minha melhor amiga.