I'll Be There For You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Kurt estava enlouquecendo Finn para que ele o levasse para uma festa. O primeiro, um rapaz adolescente, franzino, interpelava o irmão de criação para que pegasse sua caminhonete e o deixasse (discretamente) perto de uma mansão:
- Quê?! – Finn, um rapaz alto e robusto, incrivelmente bonito com cabelos e olhos castanhos, ajeitou-se no sofá. – Isso é do outro lado da cidade! E no bairro mais chique de Lima! Quem você conhece que mora lá?
-Ai, perguntas, perguntas... – Kurt meneou a cabeça. – Um amigo meu da Dalton, Blaine Anderson.
- Hum, logo vi que era alguém daquela escola de grã-finos para onde você foi. – Finn comentou, voltando a atacar suas batatas Ruffles. Ele estudava na escola pública, mas Kurt tinha sofrido tanto bullying lá por ser gay que seu pai, o padrasto de Finn, precisou colocá-lo em uma escola particular.
- Claro, quem mais seria rico o bastante para dar uma festa no lugar mais caro desta cidade? – revidou Kurt. – Mas você não pode parar em frente da mansão, ok? Me deixa um quarteirão antes!
- Ah, então eu só sirvo como chofer? Você tem vergonha de mim e do meu carro? – Finn se indignou. – Pois então, eu não vou.
-Finn! – Kurt se exasperou. – Um táxi daqui para lá é muito caro! E o papai e sua mãe viajaram, eu não posso...
- Se você me deixar entrar nesta festa, eu faço o que você disse. – Finn riu.
- Mas e o convite? Você não tem!
- Sei lá, pede pro seu namoradinho... ou você pensa que eu não vi você e esse carinha se beijando quando ele veio aqui semana passada? – Finn riu mais ainda, divertindo-se com a cara estupefata de Kurt.
- Você me paga! – Kurt apanhou o celular e ligou para Blaine, perguntando se ele não podia arranjar mais um convite para Finn poder entrar na festa.
Kurt conseguiu que Blaine lhe desse mais um convite e entregou-o a Finn. À noite, os rapazes saíram; Kurt com uma combinação de roupas que Finn definitivamente não entendia, e ele, de calça jeans escura, tênis All Star, blusa do Aerosmith e um terno preto; o cabelo deliciosamente bagunçado.
A casa do “amigo” de Kurt era a maior que Finn já vira. Dezenas e dezenas de pessoas ao redor de uma piscina, DJ tocando, mesas cheias de comida, garçons servindo bebidas, gente bonita, rindo, dançando. Kurt foi cumprimentar Blaine e acabou sumindo com ele; Finn ficou sozinho, comendo, olhando uma ou outra menina com um pouco mais de atenção até que a viu.
Uma pequena morena, de pele bronzeada, cabelos longos, ondulados e um pouco mais claros nas pontas, pernas perfeitas e sorriso estonteante vindo em direção à mesa na qual ele se servia de um canapé.
No entanto, ela fez uma careta de dor e uma evidente torcida no tornozelo lhe entortou o corpo, impedindo-a de chegar até ali, e o rapaz correu para ajudá-la:
- Você tá bem? – ele a amparou gentilmente.
- Ah... sim. – ela sorriu um pouco, apesar da dor.
- Acho melhor você ver isso, hein? Pode ser algo mais grave.
- Não precisa. – ela disse, simpática. – Acho que não te conheço. Eu sou Rachel Berry, prima do Blaine. E você?
-Finn Hudson. – ele disse prontamente, encantado com ela. – Eu sou irmão de um amigo do Blaine. Escuta... tem certeza de que você tá bem? Isso pode inchar.
Rachel tentou firmar o pé; doía muito, e Finn, sem aviso, a alçou facilmente do chão, levando-a para dentro da mansão e colocando-a delicadamente em um sofá, em uma sala que ela lhe indicara.
- Você é muito gentil. Muito obrigada.
- De nada. – ele coçou a nuca, sem jeito. – Bem, melhor pedir gelo e colocar no pé.
Rachel assentiu e ligou para a cozinha; em cinco minutos uma empregada trouxe uma compressa de gelo, que a garota agradeceu.
- Eu vou ao médico amanhã se não melhorar. – ela sorriu para Finn.
- Eu tenho experiência nisso. Sou o quaterback do time da escola, esse tipo de contusão é comum. Você me promete que vai mesmo?
Ela riu, e um som leve, cristalino, preencheu toda a sala, fazendo o coração do rapaz ganhar um calor especial, diferente:
- O que foi? – ele indagou.
- Você. Você é muito fofo, sabia? – rapidamente, no entanto, ela quis tapar a boca. O que ela estava dizendo? Mal conhecia o cara e já ia falando aquilo? Mas, também... aquele garoto era lindo. Nunca vira nenhum tão belo quanto aquele.
- Você é linda. – ele sussurrou. – Deixa eu colocar esse gelo direito no seu tornozelo. – ele deu um irresistível sorriso com o canto dos lábios, e Rachel mordeu o próprio lábio inferior, extremamente ligada nele.
Estendeu a perna sobre as dele, o contato fazendo os dois quase arfarem. Nem o gelo conseguia aplacar o calor que subia nos dois, e eles foram se aproximando até beijarem-se. Foi lento, cuidadoso no início, depois ela sentiu a língua do rapaz pedindo passagem, e pôs a mão sobre o peito dele, de modo a se apoiar melhor. O beijo se aprofundou deliciosamente. Finn era carinhoso e persuasivo; enlaçava sua cintura, e Rachel gemeu um pouco, nunca tendo sido beijada daquela forma.
-Uau. – ela suspirou, os olhos ainda enuviados, a boca molhada.
- Uau. – Finn repetiu. – Você é de onde, garota? – ele riu, colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
- Nova York. Estou aqui só de férias.
-Ah. – algo parecia ter pesado como uma tonelada no peito de Finn.- Alguma chance de passarmos estas férias juntos?
Rachel sorriu de orelha à orelha:
- Todas.
{...}
As férias só tinham começado, e às vezes parecia que eles tinham todo o tempo do mundo. Logo as coisas evoluíram para um namoro: todos os dia eles passeavam por Lima e arredores, indo pescar, fazendo piqueniques, indo comer pizza à noite, fora as vezes em que ficavam sem fazer nada além de dar uns bons amassos debaixo de uma árvore, ou em qualquer outro lugar.
Finn descobriu que Rachel era simplesmente filha de dois caras gays, donos da maior cadeia de hotéis de luxo de Nova York. Ela, assim como Blaine, estudava em uma escola particular.
- Mas eu gosto mesmo é quando estou aqui... – ela confessou.
- Por que? Você deve ter uma vida incrível!
-Nem tanto. – Rachel objetou. – O pessoal do meu círculo social lá em Nova York pode ser bem cruel, às vezes. Sabe Gossip Girl? Pois é.
Finn a aconchegou junto de si. Estavam no seu quarto, aproveitando que a casa estava vazia:
- Eu não sei como vai ser quando estas férias acabarem. – ele falou baixinho, beijando o cabelo dela. Será que um dia esqueceria aquele cheiro do seu cabelo? Ou a maciez da sua pele? Será que o sorriso de alguma outra menina faria seu peito ficar em chamas?
- Eu também não sei, Finn. – e ele não viu, mas uma lágrima escorria silenciosa pelo rosto dela.
{...}
Kurt estava com a boca e os olhos arregalados:
- Você tá namorando a prima do Blaine? Sério?!
Finn revirou os olhos, contrafeito. Gostaria de ter mantido tudo em segredo, assim como Rachel também, mas seu irmão acabou pegando os dois há cerca de dez minutos se enroscando dentro de um carro que Finn deveria estar ajeitando, na oficina do pai dele.
- Finn!
- O que é, Kurt?!
- Vocês...
- Sim, sim, sim! Eu a conheci naquela festa! Satisfeito?
-Você sabe que isso não vai dar certo, né? – Kurt abrandou um pouco a voz. – Ela é rica, e ainda por cima, mora em Nova York! Vocês não dividem o mesmo mundo. Eu e Blaine, pelo menos, estudamos na mesma escola, mas vocês... logo estas férias vão terminar... você e ela só vão sofrer.
{...}
Finn estava farto daquela história de que ele e Rachel não poderiam dar certo juntos. Sua mãe e seu padrasto, devidamente alertados por Kurt, eram taxativos. Seus amigos também diziam isso: Puck, Sam, Artie, Mike. “Essa menina não é pro seu bico.”
Rachel também ouviu muito disso de seu primo, não pelo fato de Finn ser pobre (ou não ser fabulosamente rico como eles), mas por viverem longe um do outro. Suas amigas, a quem contara, também achavam impossível aquilo ter futuro.
No entanto, à medida que as férias passavam, Finn e Rachel só sentiam a paixão crescer vertiginosamente.
- Eu não quero mais ficar longe de você. – ela segredou naquela noite, em que eles tinham a mansão toda para si.
Os pais de Blaine tinham viajado à Europa, por causa de um compromisso de trabalho; o garoto estava em uma semana de colônia de férias promovida pela Dalton, assim como Kurt. Logo, Rachel teve para si a casa toda. Aquela era a última semana que passaria em Lima, e queria lembrar dela para sempre.
- Eu também não, meu amor. – ele garantiu, olhando profundamente dentro dos seus olhos. – Mas só tenho mais este ano na escola. Quando me formar, vou embora para Nova York.
- Finn! – ela gemeu. – Por favor, não faça nada de cabeça quente! Não mude nenhum dos planos que você tem para si mesmo por minha causa!
Ele sorriu enviesado:
- Quem disse que eu tinha algum plano antes de você? – tocou levemente seu nariz. – Você me deu uma luz, Rach. E eu não quero ir aonde você não esteja.
- Você me ama tanto assim? – ela subiu no colo dele, rodeando o seu tronco com suas pernas. Encostou a testa na dele, sentindo o leve roçar dos lábios dele pelo seu rosto.
- Demais. Te amo de um jeito que só achava existir nos filmes. – ele gracejou, beijando-a com intensidade. As mãos dele subiram até as costas dela, depois foram para as suas costelas, tocando de leve seus seios. Ela respirou fundo, olhou-o decidida:
- Eu quero você. Agora.
- Certeza?
- Toda do mundo, Finn. – ela iniciou o novo beijo, sua línguas excitadas, desejosas.
Finn foi delicado, beijando seu corpo todo, tocando com calma. Rachel gemia de paixão, sentindo coisas que nunca imaginara: a língua dele em sua pele, os dedos dele entrando nela, os seios dela saboreando-o. Ele foi cuidadoso, gentil quando viu que ela estava com dor; depois, apaixonado, entregue, e ela o beijava, seu tórax, seu pescoço, sua boca, os dedos emaranhados na nuca dele. E quando o orgasmo veio, lançando uma névoa de prazer e realização sobre eles, os dois perceberam que o mundo não sabia nada do que sentiam um pelo outro.
{...}
Os pais de Rachel piraram quando ela decidiu sair de casa e ir morar em um pequeno apartamento com um rapaz que conhecera nas últimas férias. Ela tentou argumentar que já estava na faculdade, que logo estaria estagiando, e que Finn também estudava e que, apesar de ter conseguido uma bolsa, também iria trabalhar.
Eles, no entanto, achavam o cúmulo da maluquice; pensavam que ela, depois da escola e da aprovação na faculdade, iria viajar, fazer um intercâmbio. Qualquer coisa, menos praticamente se casar e ir morar em um lugar tão distante do nível social e econômico que o deles.
Não foi sem choro que eles deixaram a única filha seguir seu destino, com a esperança de que ela caísse em si e voltasse correndo para o conforto do lar. A família de Finn, que achava que ele iria querer ficar em Ohio, também não o apoiou, mas ele decidiu ir atrás do seu grande amor.
Passaram por muita coisa; o apartamento, pequeno, apertado, não tinha quase nada. Seus cursos eram puxados; ela fazia Artes Cênicas, ele, Jornalismo. Às vezes, o dinheiro era curto, e eles não saíam à noite. Mas a companhia um do outro, a certeza de estarem fazendo aquela escolha por amor foi maior que tudo. Superando obstáculos, descobrindo mais um do outro, eles conseguiram crescer e ser felizes.
{...}
-Sabe, amor? – Finn indagou, mexendo no cabelo dela. Estavam nus, os lençóis bagunçados, cobrindo-os muito pouco após uma noite toda de sexo.
- Hummm... – ela ronronou.
- Eu te amo. – ele simplesmente disse. Foi tão puro, tão belo, que soou como a primeira vez que ele dissera aquilo.
Rachel sentou-se e selou os lábios nos dele, para depois dizer:
- Eu também te amo.
Trocaram um olhar de entrega, amor, companheirismo:
- Eu tenho que agradecer ao Kurt uma coisa. – Finn comentou. – Se não fosse por ele, eu não teria ido àquela festa e te conhecido.
- Então, eu também tenho que agradecer. – ela sorriu. – Aliás, tem outra pessoa que gostaria de agradecer também. – ela pôs as mãos dele sobre seu ventre, e o rosto de Finn parecia iluminado pelo sol, descobrindo que havia ainda amor maior do que já sentia.
Muitas vezes, ir contra o senso comum de que as coisas não podem dar certo pode ser recompensador.
“I'll be there for you/These five words I swear to you
When you breathe I wanna be the air for you/ I'll be there for you” (Bon Jovi)
(Eu estarei ao seu lado/Estas cinco palavras que eu juro para você Quando você respira eu quero Ser o ar para você/ Eu estarei ao seu lado)
Fale com o autor