Notas iniciais
Nota 1: Essa é minha segunda fic, e primeira de Lost Girl. Eu não sou uma ótima escritora, mas se fosse para me classificar eu diria que sou uma escritora razoável. xD Nota 2: Eu amo Doccubus, essa foi a razão de eu ter começado a assistir a serie. *u* Nota 3: Eu escrevi essa One shot há anos luz, (um pouco hiperbólica) depois do final da primeira temporada e só agora tive coragem de mostrar. Eu nem lembro de onde tirei essa ideia. Ficou bem fofa, espero que gostem! #TeamLauren o/

Já passava das duas da manhã quando Lauren finalmente conseguira isolar a bactéria Fae a qual ela estava estudando há semanas. Papeis e pergaminhos se amontoavam sobre a mesa. Ela havia passado todo o dia em seu laboratório analisando amostras no microscópio. O cansaço já a tinha dominado e a concentração partira há muito tempo. Àquela hora o silêncio jazia pelo prédio inteiro, deixando o lugar mais assustador ainda.

Sem tirar os olhos do microscópio, pegou seu copo de café e levou à boca. Era a cafeína que ainda a mantinha acordada. Esse caso a estava tomando por completo e ela já começava a odiá-lo.

Olhou para o relógio de pulso e espantou-se com o horário, um bocejo preguiçoso escapou pelos seus lábios. Já estava na hora de parar, constatou. Um dia inteiro trabalhando em uma única analise, Lauren não achou que poderia obter algum resultado em tão pouco tempo, e ter isolado a bactéria já era algum avanço. O próximo passo seria trabalhar em um remédio capaz de combater a infecção. Mas antes a doutora teria que apresentar os resultados ao Ash, que a estava pressionando um tanto por causa dos incidentes com os fae infectados.

Lauren tomou outro gole de café respirou fundo e decidiu ir embora.

“Que se dane” pensou. O novo Ash não era tão agradável quanto o anterior e Lauren não gostava nem um pouco da ideia de se matar trabalhando para uma pessoa como ele. O caso poderia esperar até amanhã.

Nesse momento um som estrondoso quebrou totalmente o silencio do laboratório vazio, arrancando a doutora das suas divagações. Lauren se sobressaltou. Tinha certeza de que era a única no prédio a essa hora, ela estremeceu um pouco ao pensar que poderia ser um invasor e correu o olhar pelo laboratório, procurando algo que pudesse ser usado para se defender.

Havia a barra de ferro usada como suporte para soro, mas ela não conseguiria sequer suspende-la a uma altura considerada ameaçadora. Lauren então agarrou o maior tubo de ensaio que encontrou e atravessou a ala medica em direção ao barulho. Antes de chegar a porta de entrada do prédio, a doutora bateu de frente com Kenzi arrastando uma Bo ferida e inconsciente. A loira correu rapidamente até a garota, largando o tubo de ensaio que se espatifou no chão. Ela agarrou um lado do corpo de Bo e ajudou Kenzi a arrastar a Súcubo até a ala medica.

— O que houve? – perguntou aflita. Elas colocaram a súcubo em uma maca. Lauren puxou uma lanterninha do bolso do jaleco e começou a analisar as pupilas da morena ferida. Bo tinha a roupa encharcada de sangue.

— Uma Fae. Não uma. Varias. – Kenzi respondeu, recuperando o fôlego.

— Que tipo de Fae? – Lauren pegou uma tesoura e começou a rasgar a blusa de Bo para examinar o ferimento na barriga.

— Eu não sei. Não tenho uma enciclopédia de Faes em casa. – Kenzi respondeu sem paciência – Pensando bem, isso viria muito a calhar. Vou perguntar ao Trick se...

— Kenzi, foco!

— Ok, desculpa. Elas eram... Tipo, sei lá... mulheres – Lauren revirou os olhos e continuou a inspecionar o profundo corte na barriga de Bo que não parava de sangrar.

— Kenzi, isso não ajuda em nada. Eu preciso saber, para ter uma noção de como tratar o ferimento. Se elas transmitem algum tipo de veneno. Essas coisas. – Lauren jogou soro sobre os cortes, o que fez Bo gemer. — Onde vocês estavam?

— Próximo ao rio, nos arredores da cidade. Mais um trabalho ridiculamente perigoso. As vadias saíram de dentro da água, tinham rabos e eram enormes, eu vi. Duas delas avançaram em cima da Bo, as três lutaram e minha amiga ali – apontou para a mulher inconsciente deitada na maca – levou a pior.

— Pela descrição, nada precisa por sinal, pode ter sido Lâmias. Curioso, nunca ouvi falar em ataque delas por aqui.

— Pois é. Mas graças a mim e a minha nova besta de 3 flechas, conseguimos sair dessa.

— Como você sabia que eu estaria aqui?

— Eu não sabia. Como ela está, doc? – O coração de Kenzi apertava em um nó por ver sua amiga tão debilitada. Bo já havia saído de brigas cortada e ensanguentada, mas não como agora.

— Ela está sangrando demais, não estou conseguindo estancar. Mesmo que eu feche a ferida, ela vai continuar a sangrar por dentro. Bo precisa se curar, e rápido. Você tem que ligar para o Dyson imediatamente.

— E você acha que eu já não tentei? O peludo desapareceu há três semanas e ninguém teve notícias dele.

“Merda!” Lauren pensou tão alto que estranhou Kenzi não ter ouvido. Dyson tinha que desaparecer logo agora? Ela não acreditava na sua incapacidade de estancar aquele ferimento. Na mitologia as Lamias eram demônios metade humana, metade serpente. Eram bastante associadas às súcubos, a diferença era que essas sugavam sangue e não chi. Geralmente elas sugavam o sangue da vitima e depois a devoravam, mas o caso da Bo não era esse. Ela não foi mordida, e muito menos devorada. O ferimento de Bo era muito profundo e a doutora entendia a gravidade da situação. A Súcubo teria que se alimentar sexualmente quando recobrasse a consciência, e não era pouco. Um humano não aguentaria talvez dois, mas Lauren não poderia arriscar, Bo estava muito debilitada para ir à caça e trazê-los para dentro da fortaleza do Ash seria pedir para ser morta.

Houve um grunhido de dor, sinal de que Bo estava voltando a si.

— Precisamos fazer alguma coisa, Lauren. – Disse Kenzi, com um tom mais serio e preocupado. – Vou buscar os humanos e dar um jeito de trazê-los sem que ninguém veja.

— Você não pode trazer humanos aqui, Kenzie. É contra as regras.

— Mas ela vai morrer se não fizermos! — Kenzi retrucou — Olha, eu assumo a culpa por você, tá bem? Eles podem me prender e escravizar, ou sei lá. Contanto que minha Bo-bo viva mais um dia para chutar uns traseiros...

— Não, ela não vai morrer. Eu farei isso. Eu alimentarei ela.

— Ok... O quê? Não! Você perdeu o juízo? É perigoso demais, ela pode matar você, doc.

— Não importa. Ela vai morrer se eu não fizer. – disse Lauren brandamente.

— Pra mim importa. – dessa vez fora Bo quem falou. A morena estava sentada na cama, com o rosto pálido e uma expressão de dor. – Não deixarei você fazer isso. — anunciou.

Lauren encontrou o olhar de Bo e o desviou logo após.

— Não cabe a você decidir.

— É a sua vida que está em jogo, Lauren. Não vou me alimentar de você. – Bo aumentou o tom da voz o tanto quanto pôde e isso só fez aumentar mais ainda a dor que estava sentido.

— Você não tem escolha, Bo. – Lauren se aproximou da morena e segurou suas mãos firmemente. – Confio em você. Você não vai me matar. – Lauren tentou beijar os lábios de Bo, mas essa desviou.

— Já disse que não! – Sua voz saiu falhada dessa vez.

— Bo… – Lauren agarrou uma das mão da morena e levou até seu peito. – Sente o meu coração? Ele está desritmado. Porque se o seu coração não bater, o meu também não bate. Se você morrer, eu morro. Sabe porquê? Porque eu te amo, Bo

— Mas que droga, Lauren!

A morena puxou sua mão de volta. Uma fina e solitária lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela não poderia arriscar a vida de Lauren. Nem conseguia pensar no que resultaria caso não conseguisse controlar seus instintos. Bo olhou para Kenzi de relance, esta sinalizou um “apenas-o-faça” e saiu da sala.

Lauren então começou a despi-se. Sentiu que se não o fizesse logo, Bo poderia mudar de ideia novamente. Depois de um momento ela estava completamente nua. O frio da sala fazia arrepios descerem por suas costas descobertas. Lauren se aproximo mais um pouco de Bo, e se inclinou até ouvido da súcubo:

— Bo, me tome. – sussurrou

A morena não pôde evitar olhar. A doutora estava ali, seu corpo deliciosamente nu implorava por seu toque. Lauren então levou as mãos até o rosto dela e alcançou seus lábios. Bo hesitou por um momento sugar o chi da loira, mas não pode se conter. E o fez. O encontro gelado entre o chi e a sua boca, o arrepio na nuca. Aquela sensação era ótima, quando a força vital circulava por todo seu corpo. Bo nunca havia se alimentado de Lauren. Seu chi era diferente de qualquer outro que Bo tenha experimentado, seu gosto era diferente. Bo sentia-se aquecida, completa...

A morena afastou-se subitamente. Sentia a energia da loira correndo dentro de si, era bom. Muito bom. Era o melhor que já tomara. Seu coração dava saltos de excitação. Ela queria nunca mais ter que tomar outro. Bo mordeu seu lábio inferior na tentativa de conter o desejo selvagem que a acometia. Queria tomar a loira com vigor, mas não poderia arriscar. Um deslize e Lauren estaria morta.

Lauren se aproximou e a beijou novamente. As línguas se encontraram e dançaram. O beijo dessa vez foi mais ardente e apaixonado. Outra corrente de energia e a súcubo não sentia mais dor alguma. A morena agarrou a medica pela cintura e a puxou para si. Pôde sentir a pele macia e quente de Lauren se arrepiar ao seu toque.

Bo acordou razoavelmente bem, apesar da dor no lado esquerdo da barriga. Demorou um tempo para perceber que estava em uma enfermaria, e mais um pouquinho para perceber o corpo ao seu lado. O perfume era familiar. A cabeleira loira não poderia indicar outra pessoa. Só precisou de mais alguns segundos para Bo se lembrar da noite anterior. Um arrepio de medo lhe coçou a espinha. Ela segurou o braço da mulher e deu uma breve sacudidela, mas essa não reagiu. Outra, e nada. Bo se desesperou, seu coração deu uma apertada violenta e uma enxurrada de lágrimas ameaçava cair. Teria ela matado a mulher que amava? A mulher que amava? Sim, ela amava Lauren. Amava suas piadas sem graça, as linhas de expressão que se formavam em sua testa quando estava concentrada. Amava sua nerdice, e sua cara de boba. Agora ela temia ter descoberto isso tarde demais.

— Lauren? – A voz saiu fraca, quase inaudível. As lágrimas embaçavam a visão de Bo, seu coração martelava uma melodia excruciante. Bo se jogou sobre a loira e a segurou em um abraço apertado. Não soltaria, se isso significasse que Lauren não estaria mais viva.

— Bom dia! – Lauren disse preguiçosamente por baixo do corpo de Bo.

— Você está bem. – não foi uma pergunta. A sucubo suspirou aliviada.

— Bo, eu estou bem. – Lauren se desvencilhou o bastante para notar a aflição no rosto da morena – E você? Seu ferimento...

— Eu te amo!

— O quê? – Lauren parecia surpresa.

— Eu te amo, doc! – Bo quase gritou. Um sorriso imenso cresceu em seus lábios. – E eu demorei muito para perceber. — Ela retirou uma mexa loira dos olhos de Lauren e sorriu novamente. – Eu tive medo de ter te machucado.

— Você nunca vai me machucar, Bo. – Lauren alisava carinhosamente o rosto da morena.

— Você não poderia saber.

— Eu sabia. – Lauren afirmou enquanto desenhava distraidamente padrões diferentes com o dedo no braço de Bo.

— Obrigada por salvar a minha vida.

— Eu sempre estarei aqui por você. – A loira disse por fim. Bo abraçou a doutora e deitou sua cabeça no colo dela. Lauren a envolveu e afagou seus cabelos.

— Argh! Vocês ainda estão assim?! – Kenzi exclamou, virando-se rapidamente de costas ao perceber que as outras estavam despidas completamente. Seu rosto estava levemente corado. As duas mulheres nem tinham notado a presença da garota na sala até agora.

Ambas limitaram-se a apenas rir.

Notas finais
Eu tentei ao máximo descrever a Kenzi igual a da serie, mas tipo assim, ela é incopiável. rs Aí, alguém mais chorou com esse episódio 03x10? :'(
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!