Notas iniciais
BS: Gente, me desculpa a demora, estava sem tempo, inspiração e sobrecarregada. Bem, aqui está o capítulo (meio grandinho, eu acho. Não nos abandonem por causa das autoras preguiçosas *----*

Acordei, tomei um banho rápido e me vesti. Beberiquei um café, tomei meus remédios (apenas remédios de rotina), e saí de casa.

Tinha de resolver alguns assuntos, portanto saí cedo para ter mais tempo à tarde.

-

Voltei já passava de meio-dia. Fiz meu almoço, e pensei no vestido que usaria esta noite. Bem, não que eu me importasse, mas... Esquece.

As horas se arrastavam, eu estava ficando nervosa. Quando finalmente bateu 6:00, fui lavar meus cabelos. Eu tinha duas longas horas até o jantar com a vadia do Gerard.

E com o Gerard. O meu Gerard.

Claro que ele não sabe que é meu. Mas ele já foi. E isso é o que importa.

Lentamente prendi o meu cabelo em um rabo-de-cavalo meio solto, deixando algumas mexas caídas sobre meu pescoço; coloquei uma pequena presilha do lado esquerdo da minha cabeça. O vestido estava perfeito em meu corpo esbelto; era simples, vermelho, com pequenos detalhes negros e pouco brilho. Coloquei um sapato preto de vinil, e peguei minha bolsa de mão. Gerard, como sempre, era exagerado. Ele pediu para que esperasse por ele; ele iria me dar uma carona até o restaurante. A tal 'namorada' dele já estaria nos esperando lá.

- Boa noite, senhorita! — Gerard saiu do carro, e abriu a porta do carona para mim.

- Boa noite, senhor. — Respondi, na mesma brincadeira dele.

Ele fechou a porta para mim, e foi até o lugar do motorista.

Ele se sentou, colocou o cinto e fechou a porta. Deu a partida, e sorriu pra mim.

Gerard estava deslumbrante naquele terno negro; seus cabelos vermelhos estavam cuidadosamente penteados e arrumados.

- Você está deslumbrante, Annie. — Gee sorriu para mim.

- Obrigada. — Murmurei, ficando vermelha. — Você também, está ótimo.

Ele sorriu, e colocou seu olhar na estrada.

- Acho que vocês duas vão se dar bem. — Ele puxou assunto. — De certa forma vocês são bastante parecidas. São doces, carinhosas e lindas. Espero que vocês duas se tornem amigas.

Fiquei em silêncio, sem demonstrar o que eu realmente achava sobre a namorada dele: uma puta de quinta categoria. O que? Há alguma lei que diga que eu não possa odiar a pessoa sem conhecê-la?

Depois de quase meia hora de papo jogado fora, chegamos ao restaurante.

Gee tirou o cinto e abriu a porta do carro.

- Espere aí, senhorita. — Gee correu para abrir a porta do carro para mim. Ele me ofereceu a mão, e eu a peguei. Ele me ajudou a sair do carro, e fechou a porta.

- Obrigada, novamente. Senhor.

Começamos a rir.

Esta era uma antiga brincadeira nossa, que quem olhar de fora pensará que é apenas um ato de cavalheirismo. Mas na verdade, é uma 'zoação' com esses atos, que tantas vezes são hipócritas.

Gee olhou para a porta do restaurante, e acenou para uma mulher estonteante que estava parada lá.

- Veja, aquela é Jhennyfer. Ela é maravilhosa.

Me limitei a bufar. Vamos ver o quanto essa vaca é maravilhosa.

- Oi amor! — Jhennyfer deu um selinho em Gerard.

- Meu bem, esta é Annie, aquela minha amiga de quem lhe falei. — Gee apontou para mim e ela me ofereceu a mão.

- Prazer em conhecê-la, Annelize. — Ela sorriu. Eu apertei a mão dela.

- O prazer é todo meu. — Respondi sarcasticamente.

- Vamos logo, meu amor? Estou faminta. — Ela sorriu para Gee, e eu quase vomitei.

Eles deram os braços, e eu fiquei um pouco atrás.

Jhennyfer tinha os cabelos ruivos, ondulados, até a cintura. Quando ela andava, ela exagerava no rebolado.

Vadia.

Bem como eu pensei.

Nos sentamos na mesa. Gee na minha frente,Jhennyfer ao lado dele.

Nosso jantar foi servido, e comemos em silêncio.

- Então, Annie — Jhennyfer tentou puxar assunto. -, quando você e Gee se conheceram?

- Quando tínhamos cinco e sete anos. — Comecei. — Gerard...

- Ah, por favor, não vamos falar sobre nosso passado, não é? E querida, eu já lhe contei essa história milhões de vezes. — Gee me interrompeu, ficando um pouco vermelho.

- E como vocês dois se conheceram? — Perguntei.

Jhennyfer sorriu. Um sorriso que praticamente dizia "olha! Eu tenho 32 dentes!" (e uma alface entre eles...).

- Foi em um show. — Jhennyfer começou. — Gee estava lá, tocando, e eu consegui subir no palco. O abracei, e ele me convidou para ir ao camarim. Depois de uma semana, estávamos juntos.

- Ah, que amor! — Falei sarcasticamente. Mas acho que eles não perceberam o sarcasmo na frase. Gee me olhava estranho. Jhennyfer fazia carinho no rosto dele. — Com licença, volto logo. — Eu disse, e saí da mesa.

Fui até o toalete, querendo ficar um pouco sozinha.

Abri a porta, e fui até a pia. Joguei um pouco d'água no rosto e o sequei. Estava prestes a voltar para a mesa e a doçura dos dois, quando a porta se abriu e Jhennyfer entrou.

- Ah, Annie! Que bom, eu preciso falar com você.

Ela foi até o espelho e pegou um batom vermelho.

- Sabe — ela começou -, eu não gosto da sua relação com Gerard. Ele acha que você é a melhor amiga dele, mas eu sei a verdade. Aceite, meu bem, você é uma vadia, e ele é MEU. Portanto, afaste-se dele. Se não eu vou afastá-lo de você. E isso será bem simples. Gerard está comendo na minha mão. — Ela falou tudo isso naturalmente, como se falasse com uma criança.

Me imaginei pegando-a pelos cabelos vermelhos e cravando a cabeça dela no espelho, e batendo até o crânio dela estar espalhado pelo banheiro inteiro. Respirei fundo, e sorri.

- É o que veremos, Jhennyfer.

Fui sair, mas ela me puxou pelo braço.

- Afaste-se do meu Gerard, puta. — Ela me olhou furiosamente.

Puxei o meu braço, e me livrei do aperto dela. Essa cadela me paga.

- Seu Gerard? Desculpa, mas o seu nome não está escrito na testa dele. Vocês já transaram?

Ela ficou em silêncio.

- Foi exatamente o que pensei. Eu transei com ele tantas vezes quanto você pode imaginar. E quer saber? Ele é ótimo de cama. Mas sabe de uma coisa, vadia? Aposto que quando ele se deitar com você, ele vai estar pensando somente em mim.

Saí do toalete teatralmente. Me sentei na nossa mesa, e Gee se sobressaltou.

- Uau, que susto! Você é muito silenciosa, Annie querida. — Gee sorriu, brincalhão. — E então, o que acha de Jhennyfer?

Uma vadia.

- Um amor. — Respondi. — Simpática e gentil.

- Eu sabia que vocês iriam se dar bem.

É claro, Gerard. Tão bem quanto pólvora e fogo.

Jhennyfer chegou na mesa, e sentou em seu lugar.

- Sentiram minha falta?

- É claro. — Respondi docemente. Ai que vontade de jogar o meu vinho na cabeça dela. E sujar o seu vestido de seda preto. Vadia.

- Sempre. — Gee disse, romântico, dando um selinho nela.

Os dois juntos são tão doces que me dão cáries.

Após mais algum tempo de conversa, Gee pediu a conta. Me ofereci a pagar, mas ele não aceitou.

Inventei uma desculpa, e saí um pouco antes. Queria respirar um pouco de ar puro, e desinfetar minhas narinas daquele perfume enjoativo da 'Jhennyfer'.

Sentei em um banco da praça que havia em frente ao restaurante. A noite estava incrivelmente estrelada. Completamente linda.

- As estrelas estão lindas essa noite, não? — Havia alguém atrás de mim. Me virei rapidamente, e vi Gerard.

- Estão. — Sorri.

Ele se sentou ao meu lado, e passou seu braço pelo meu ombro.

- Você não gostou dela. — Não era uma pergunta.

- Não.

- Por...?

Sorri. Ah, ele não pode saber a verdade.

- Gee, eu não vou gostar de nenhuma das suas namoradas. Você não entende isso?

Ele riu, e beijou minha testa.

- Esqueci. Você é a minha melhor amiga, o seu trabalho é odiar as minhas namoradas.

- É, exatamente.

Deitei minha cabeça no ombro de Gerard.

- Você lembra, quando costumávamos fugir à noite, apenas para deitar na grama do meu quintal, e olhar as estrelas? — Ele perguntou. Me surpreendi por ele lembrar desses momentos.

- É claro que lembro. Você se imaginava, tocando pelo mundo, com a sua banda. E hoje, estamos debaixo das estrelas lembrando de quando éramos jovens. Você realizou o seu sonho, Gee.

- Eu sei. Mas acho que perdi algumas coisas por causa dele... — Uma tristeza tomou conta da sua voz.

- O que? Do que você está falando, Gee?

- De nós. — Ele murmurou.

Me lembrei da desculpa que inventei para terminarmos.

Abracei-o, e deitei minha cabeça no seu peito.

- E estarmos, assim, hoje, já não basta?

- Acho que posso conviver com isso, baixinha. — Ele sorriu, e me abraçou de volta.

- Você não tinha que estar com a sua namorada agora?

- Eu estou com ela há meses, e você, eu não via há quase um ano. Acho que prefiro recuperar o tempo perdido com a minha bobinha. — Ele apertou a ponta do meu nariz, usando o apelido que ele me deu quando eu tinha doze anos.

Ficamos ali, parados, observando as estrelas por um bom tempo.

- Você está com sono? — Gee sussurrou.

- Um pouco.

Gerard me pegou no colo, e começou a sair do parque.

- O que você... Gerard, me põem no chão agora! — Gritei, rindo.

- Não, eu irei levá-la para casa, e não quero que suas perninhas fininhas trabalhem demais. — Ele estava rindo.

Gee me colocou no carro, e colocou meu cinto. Correu até o lado do motorista, e se ajeitou.

- Muito bem, respire fundo, feche os olhos, durma um pouco, sonhe comigo, e logo logo estaremos em sua casa. — Gerard, como sempre, brincava.

Depois de quinze minutos (ele corria muito pelas ruas), chegamos na minha casa. Assim como antes, Gee me pegou no colo, e me levou até o meu quarto.

- Durma bem, senhorita! Pela manhã, ligo para você.

- Aham, vai embora Gee. — Joguei um travesseiro nele.

Ele veio, me deu um beijo na testa, me desejou boa noite e foi embora.

Ah, acho que eu queria que ele ficasse aqui, comigo.

Notas finais
reviews? *------* õ/