Ill Always Be Here For You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
As flores de cerejeira pareciam dançar ao vento, tão deslumbrantes, e poucas dessas entravam suavemente por uma das janelas entreaberta da escola Hidamari, que foi deixada de tal jeito para que houvesse uma pequena circulação de ar na área reservada para dormir. A sensação de ter aquele vento tocando-lhe a pele era tão agradável, pena que não estava desfrutando muito dela, ou aproveitando para dormir tranquilamente.
Shun estava preocupado com o amigo ao lado, o qual fitava seriamente o teto. Sabia do que se tratava e tinha medo daquilo, mas não quis demonstrar. Sentia seu peito apertar a cada segundo que se passava. O fato de Asaba Yuta estar entre ele e Asaba Yuki incomodava-o, olhou para o fim e viu o gêmeo mais novo com os olhos fechados, parecia dormir. Sentiu um liquido percorrer a sua face, tinha chegado ao seu limite, não poderia mais suportar aquele aperto.
– Yuta-kun v-vai morrer – Balbuciou e agarrou-se ao braço direito do mais velho, derramando lágrimas.
– Yuta não vai morrer enquanto nós não o esquecermos – Agora acordado, Yuki tentava acalmar o ruivo.
Em meio a tantas ideias para que ninguém se machucasse nem dormisse no meio, Yuki, chamou Kaname para dormir ao lado dele, e esse resmungou algo como “É bobagem pensar que dormir no meio encurta seu tempo de vida”, como era um par não havia um meio. Os dois Asaba juntos, Shun ao lado de Yuta, o ruivo parecia ter se esquecido de largar o braço do outro, e Kaname ao lado de Yuki.
Shun sentiu o braço do outro deslizando entre seus dedos, até que as suas mãos se encontrassem. Yuta sentiu a textura macia da mão esquerda do amigo e apertou-a, querendo chamar atenção do outro. Houveram algumas conversas de como “Somos gêmeos, então contamos como um, estamos no meio e iremos morrer”, logo, os lugares foram mudados, separando o contato entre o ruivo e o gêmeo mais velho. Os Asaba estavam separados e não conseguiam dormir sem o outro ao lado. Até que finalmente acharam os lugares certos, os Asaba juntos, logo após tinha Shun ao lado de Yuki e Kaname ao lado de Shun. Mas para moreno aquilo havia demorado demais, após ouvir os gêmeos comentando algo sobre os lugares, explodiu.
– Ah, não consigo dormir com vocês dois aí.
– Eh? Kaname-kun não consegue dormir? Quer que eu cante uma canção de ninar?
– Kaori-sensei...
Nem recusando ou aceitando, Kaname, viu sua amada Kaori-sensei deitar-se ao lado dele, cantando por breves minutos, e logo após adormecendo. Isso fez com que o meio existisse, e o meio era Shun. Ele sabia dos sentimentos do moreno por Kaori, não gostaria de acordar todos e separar o amigo de sua sensei por causa do medo de ficar no meio. Teve que aguentar tudo aquilo sozinho, ou quase isso... Yuta escutava os gemidos de medo que o ruivo deixava escapar hora ou outra, sempre esteve protegendo Shun, e quando visse que ele não suportaria mais aquela situação, iria ajuda-lo, mas não foi o que aconteceu, o Asaba mais velho acabou adormecendo.
Um dia depois...
Era mais um belo dia de primavera. As flores desprendiam-se das árvores e bailavam no ar, o sol tão radiante e mesmo assim com um calor, digamos, suportável. Era apenas o início do dia e já estava tão bom. Yuta Asaba, ao ver tal cena, não deixou de pensar em Shun, seu amigo adorava isso. Perguntava-se se o ruivo estava vendo tal perfeição. Suspirou ao lembrar-se do dia anterior, será que Shun estava bem? Isso é algo tão infantil, mas fazer o que? Ele era uma criança.
O gêmeo mais velho sentia-se estranho quando o assunto era Matsuoka Shun, e possuía uma imensa vontade... Não, não era vontade. Era necessidade de protegê-lo e certificar-se que o ruivo estaria bem. Os gêmeos viram Kaname aparecer na rua que cortava a qual estavam. Somente Tsukahara e sua mãe... Sem Shun, onde estaria ele? Normalmente eles vinham juntos [mentira] que moravam perto [mentira²]. Yuta não gostou daquilo, mas apenas deixou que o moreno se aproximasse mais um pouco.
– Onde está Shun? – Sem cumprimentos e direto.
– Ah, Shun est... – Nem chegou a terminar a frase e foi interrompido.
– Shun-chan não está nada bem – Essa frase dita pela mãe de Kaname fez o gêmeo mais velho paralisar – Ele não quis vim conosco.
– Eh? Mas como assim? Ele está doente? – Ambas as mães conversavam.
– Não, ele parece assustado com algo.
– Yuta? – Sussurrou, mas Yuki não obteve resposta alguma.
Então ele realmente ficou com medo? ..... As crianças caminharam até a escola Hidamari. Logo chegaram, despediram-se das mães e permaneceram no parque que havia na entrada. Os três encontravam-se sentados em um banco, os Asaba juntos e Kaname um pouco mais afastado. Para ele aquelas duas crianças eram muito precoces e problemáticas.
Alguns minutos se passaram e uma mulher surgiu na entrada da escola. Eles sabiam quem era, e sabiam mais ainda quem era o pequenino que se escondia atrás dela. Como se fosse algo automático, saltaram do banco e correram até lá. Ambos os olhos se encontraram nesse momento, os castanho-avermelhados de Shun e os castanho-claros de Yuta.
– Kaori-sensei, eu não sei o que há com Shun, mas consegui convencê-lo a vir. Por favor, cuide dele
– Matsuoka-san, eu posso cuidar de Shun – Yuta disse, caminhando até o ruivo e pegando uma de suas mãos, convidando-o a sair de trás da mulher.
– Y-Yuta-kun? – Ouviu-se algo como “Obrigada, Yuta-kun” vindo da mãe de Shun, mas que não fora ouvido pelos dois. Os dois caminhavam lentamente pelo parque até chegaram ao banco onde, anteriormente, Yuta estava.
– Sente-se.
– Sim – Assim fez.
– Shun... – disse, quase suspirando. – O que há de errado? Suas pálpebras e olhos... Por que você tem chorado?
– Nnn... Yuta-kun... V-você – sentia novamente algo quente percorrer seu rosto.
– Eu? Shun, olhe para mim. – Envolveu suas mãos no rosto do ruivo. Lá estava algo que não gostava de ver: a face triste de Shun. Mesmo desse jeito, com tanto sofrimento exposto, era tão belo... Sentiu seu coração ser esmagado ao vê-lo derramar lágrimas. – Shun... – Abraçou-o.
– Você acha que eu vou... morrer, Yuta-kun? – Shun balbuciou, com a voz falha por causa do choro.
– Não, não diga alg... – Parou, pensou sobre o que havia ouvido, então era realmente isso, desfez o abraço, mas ainda com o as mãos envolvendo o rosto do menor – Escute, Shun.
– S-sim?
– É como o Yuki disse, está lembrado? Se nós não nos o esquecermos de você, não irás morrer.
– Yuta-kun, você não irá me esquece? – Disse hesitante.
– Não, Shun. Eu jamais irei o esquecer, nem se eu quisesse. Eu prometo.
– Você é tão gentil, Y-Yuta-kun – Novamente derramava lágrimas, o que fez com que o outro o olhasse com preocupação – São lágrimas de alegria, não se preocupe – Segurou as mãos do gêmeo mais velho e abaixou-as.
– Shun, se haver algum problema, venha até a mim e me conte, eu sempre estarei aqui por você, não se esqueça.
E novamente elas, as flores de cerejeira, foram testemunhas do que havia se prometido ali, de que Yuta jamais iria esquecer o ruivo.
Ainda na entrada, Yuki e Kaname observavam aquela cena. O Asaba desviou o olhar do irmão mais velho e olhou para o seu lado, fitando o moreno por breves segundos até que o mesmo percebesse o olhar sobre si. Olhou-o com indiferença, mas o Asaba nem dera importância para isso, era tão comum. Mesmo assim, continuou mirando o amigo.
– Eh? O que foi? – Ruborizou.
– Nada. – Pôde-se ouvir um longo suspiro vindo de Yuki após a única palavra dita.
Notas finais
Obrigada, Saphyraa3. Você me ajudou muito com os erros, sério. ♥
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