Notas iniciais
Oi gente! Eu fiz algumas mudanças na história, nada muito importante, o conteúdo vai continuar o mesmo. Fiquei realmente muito feliz com os comentários que eu recebi, obrigada garotas! E me desculpem por alguns erros de ortografia e a falta de paragráfos, por mais que eu revisse, algo sempre passa despercebido. Boa leitura!

Hayley apertou o braço do pai, assustada.

– Nunca — seu pai tremia de raiva, parecia prestes a se transformar.

– Será por bem ou por mal — Jackson o encarou decidido e quando foi reagir, Harry já estava pronto.

– Fujam! — Harry gritou em meio ao pulo e caiu no chão sobre as quatro patas de um lobo marrom.

Hayley tremeu de medo, e a cena que se passou diante de seus olhos ficariam gravadas em sua memória para sempre.

O lobo marrom avançou contra Jackson. Todas as mulheres e as crianças em sua volta começaram a fugir, enquanto novos lobos se transformavam e avançavam na jugular dos lobos negros que cercavam a praça, lutando por suas famílias. Mas os lobos negros pareciam mais fortes e estavam em maior número. Hay viu Brendon em sua forma de lobo pular em cima de um dos maiores lobos inimigos e ser jogado de volta para o centro da praça na sua versão humana e inconsciente em dois segundos. Havia uma poça de sangue se formando em volta de Brendon. Hayley levou as mãos a boca e soltou um grito estrangulado. Foi só então que viu, Jackson não havia se transformado. Seu pai ainda o esperava para a luta, rosnando. Ao invés disso, Jackson sacou uma arma.

– NÃO! -Hayley gritou com toda a forma de seus pulmões, suas pernas pareceram perder a consistência e ela caiu de joelho no chão. O homem que segurava a arma olhou dentro dos olhos de Hayley e ela pode ver que não existia uma alma por trás daqueles olhos, era como olhar para um espelho de vidro. Então a menina levantou e tentou correr para o pai, suas pernas pareciam sem força o suficiente e ela caiu novamente, jogando os braços sobre o lobo marrom, quando ouviu os três disparos. Cada centímetro do seu corpo estremeceu, e ela sentiu as balas cortando sua alma, mas não seu corpo.

– Papai...

Quando Hayley voltou a abrir os olhos o que se encontrava debaixo de seus braços não era o lobo marrom, era o corpo humano de seu pai. Ela olhou para os olhos verdes iguais aos seus e sentiu a vida deles se esvaziando aos pouquinhos. Seu pai abriu a boca para pronunciar alguma palavra, mas não conseguiu dizer nada. Sua cabeça tombou para o lado e uma lágrima escorreu por sua face.

– Pai?! PAI! -Hayley sacudiu o corpo sem vida, segurando seu rosto. Percebeu que as lagrimas que caiam no rosto de seu pai eram suas, escorriam geladas pelo seu rosto — PAPAI! — ela gritava, queria acorda-lo — Não! — ela olhou em volta, mas tudo o que viu foram corpos caídos e lobos negros — Socorro! Socorro! — pediu, mas os lobos apenas a olhavam.

Então ela sentiu uma mão grande se fechar em volta de seu braço e a puxar de cima do pai, colocando-a em pé.

–Não! Me solta! — ela não olhou para quem a puxava, somente olhava para seu pai, ainda esperando uma reação, ainda esperando que ele levantasse. Ela tentou puxar o braço do aperto, mas a mão se fechou com mais força ainda, a machucando, enquanto a arrastava para longe de seu pai. Então ela levantou os olhos e viu que quem a puxava era Jackson, ainda segurando a arma na outra mão.

– COVARDE! — ela começou a desferir socos com todas suas forças contra Jackson, ódio não podia descrever o que ela sentia agora. Ela queria ter ativado sua maldição. Queria se transformar em um lobo e mastigar a carne e os ossos de Jackson vivo.

Então ele a virou de costas pra ela, torcendo seu braço até quase quebrar, fazendo com que Hayley soltasse um grito de dor e colocou a arma em sua cabeça.

– Se você não parar com isso agora, vai ser a próxima.

– Me solta desgraçado! — ela gritou e tentou chuta-lo. Jackson soltou a arma, suspirou e segurou Hayley pelos cabelos. Ela quis gritar, mas não ia mostrar sua fraqueza. Seu pai havia a ensinado a ser forte.

– Em casa nós conversamos sobre esse seu comportamento — Jackson disse no tom mais normal possível e começou a arrasta-la pelos cabelos até um dos lobos. Então a jogou no chão. As lágrimas de Hayley estavam secas, tamanho era seu ódio. Jackson voltou e a levantou novamente, ignorou os protestos dela, segurando seus pulsos como se a menina não tivesse força nenhuma, e os amarrando com tiras de couro. Então a levantou, colocando a sentada nas costas de um lobo e amarrando suas algemas de couro à coleira que ele usava.

– Demônio... — o rosto de Hayley queimava de raiva, ela cuspiu na cara de Jackson quando ele acabou de amarra-la, e esse retribuiu com um forte tapa em seu rosto fazendo-a sentir gosto de sangue na boca. Então os lobos começaram a correr.

Eles corriam em silêncio, Hayley mal conseguia ouvir o barulho das patas dos monstro no chão e o vento gelado parecia cortar sua pele. Então Hayley se permitiu chorar novamente. Sentia dor nos pulsos apertados, em seu rosto e no braço que Jackson havia torcido, mas nada se comparava a dor que sentia em seu coração. Ela desejava fechar os olhos e acordar em sua cama novamente, mas quando fechou os olhos a imagem de seu pai morto parecia desenhada em suas pálpebras.

Sua garganta começou a fechar em pânico ao lembrar das palavras de Jackson. Era ela que ele queria, ele havia derramado aquele sangue por culpa dela. Hayley pensou e percebeu que não tinha mais nada. Seu pai estava morto, Brendon estava morto. Mesmo se ela conseguisse fugir, para onde iria? Ela não tinha mais ninguém. Somente o resto de sua alcateia desestruturada pelas perdas. A única coisa que poderia fazer agora era retirar de Jackson aquilo que ele desejava, ela mesma. Pensando assim ela se jogou das costas do lobo, permanecendo pendurada pelas mãos, acreditando que o maldito monstro iria a pisotear. Mas o desgraçado tinha reflexos incríveis, a única coisa que Hayley ganhou foi os joelhos ralados. Um outro lobo a ergueu bruscamente até as coisas da besta e a jogou ali, depois rosnou bruscamente ordenando-a que não fizesse mais isso e eles retornaram a corrida. Agora a única coisa que restava a Hayley era chorar em silêncio.

Quando os lobos pararam de correr Hayley estava beirando a inconsciência, então abriu os olhos alarmada e olhou em volta. Estavam na entrada de uma vila. Tudo que via em volta era pobre e imundo, as casas de madeira pareciam prestes a ruir. Era óbvio que um assassino não devia se preocupar com o bem-estar das pessoas de seu vilarejo, ele devia ser um carrasco.

Um senhor de idade avançada, com roupas gastas e muito magro, estava na varanda de uma das cabanas e quando avistou os lobos correu para dentro de sua casa, muito assustado. Hayley sentiu pena das pessoas que viviam ali. Jackson voltou a sua forma normal ao lado de Hayley, e ela virou os olhos para não ver sua nudez. Ele vestiu calças e uma camisa, então se aproximou de Hayley e ela lançou seu melhor olhar de ódio.

– Se você fosse esperta, mudaria essa carinha... — Jackson disse, esticando a mão e segurando a queixo da menina. Hayley não escondeu o asco que sentiu e tentou afastar seu rosto. Jackson suspirou calmamente, mas seu semblante era sombrio. Ele desamarrou as mãos de Hayley e jogou seu corpo com facilitada pelo ombro, a carregando como um fardo. Ela pensou em se soltar, ou simplesmente tentar machuca-lo, mas sabia que não era uma ideia inteligente. Tinha que agir na hora certa. Então deixou que aquele monstro a carregasse pela vila inteira, até chegar em uma casa grande. Jackson passou ela para frente e a aninhou em seus braços como um bebê. Hayley sentia tamanho repulso pelo homem que só conseguiu olhar para longe e tentar ignorar sua presença.
A casa em que entraram era contrastante com o resto do vilarejo. Apesar de parecer antiga, era bem cuidada e tinha móveis luxuosos. Jackson começou a subir a escadaria da mansão e a garganta de Hayley se apertou, o medo voltando para ela.

– Me coloque no chão — ela disse em tom firme.

– Já estamos chegando em nosso quarto — Jackson sorriu torto.

Um arrepio percorreu a espinha de Hayley e ela bloqueou seu cérebro de decifrar o que aquelas palavras significavam. Então, em um descuido de Jackson para abrir a porta, Hayley conseguiu pular de seu colo e começou a correr pelo longo corredor. Jackson rosnou e começou a andar em sua direção.

Hayley desceu a escada e correu para a porta, sem olhar para trás. O desespero e a adrenalina ferviam em suas veias. Quando ela girou a maçaneta para sua liberdade, descobriu que estava trancada. Ela forçou a maçaneta em desespero, sentindo os passos de Jackson cada vez mais perto dela.

– Socorro! — ela gritou, batendo na porta. Alguém precisava aparecer e salva-la.

– Você podia fazer isso ser fácil para nós dois, Hayley.

Jackson finalmente chegou até ela, ele rosnava. Lágrimas de desespero escorreram pelo rosto de Hayley, ela não se virou para ele. Sentiu mãos grandes segurando e puxando dolorosamente seu cabelo na nuca, obrigando-a a se virar.

– Me deixe em paz! — Hayley gritou rouca, apertando os olhos fechados numa tentativa de trancar suas lágrimas.

Então Jackson aproximou seu corpo dela, apertando-a contra a porta. Hayley sentiu o calor do corpo dele e o membro duro pressionado contra seu ventre. Já não bastava ter matado seu pai, agora ele ainda queria depravar seu corpo? Hayley fez uma careta de asco e tentou afasta-lo. Jackson ignorou seus esforços e aproximou os lábios de seu ouvido, sussurrando:

– Você... é... minha.

– Não! — Hayley abriu os olhos e trincou os dentes. Em um impulso de ódio, juntou toda a força que existia em seu corpo e desferiu seu joelho com força contra o membro de Jackson. Ela ouviu seu grito satisfeita e observou ele se dobrar no chão, então correu para trás da escada, procurando alguma saída nos fundos. Uma mulher estava na cozinha, era magra e assustada como todos ali deviam ser.

– A porta dos fundos! — Hayley gritou para ela, que estremeceu e apontou.
Então Hayley correu para a porta que ela apontou e mal pode acreditar que estava na rua. Olhou em volta, um pátio enorme com piscina e um muro alto, mas não impossível de pular. Ela puxou com dificuldade uma das cadeiras de ferro que adornavam a piscina e a levou até o muro, quando estava chegando no topo alguém segurou seu tornozelo.

– Me solta, verme! — ela disse entredentes e bateu contra o rosto de Jackson com o salto, abrindo um corte em sua testa. Ele somente puxou o tornozelo de Hayley e a observou despencar de cima do muro e rolar pelo chão. Então Jackson a olhou com sangue nos olhos e chutou com força várias vezes, fazendo Hayley gritar e se encolher no chão. Ele desferia chutes em suas costas, descarregando toda a sua raiva.

– P-para por favor — Hayley gritou, sua voz engasgada de dor e medo.

Jackson parou e olhou para o pequeno corpo chão, sua expressão fria se desfez e ele tremeu.

– Porque me fez fazer isso? — ele gritou nervoso, temia que tivesse a machucado demais. Ergueu Hayley do chão e ela soltou um gemido de dor — Droga! — Jackson engoliu em seco ao ver as marcas roxas em seus braços. Não podia mata-la, devia se controlar.

Hayley sentiu alguém larga-la em uma cama. Cada canto de seu corpo doía. Ouviu gritos de Jackson e alguém colocar várias pílulas debaixo de sua língua e a obrigar a beber um copo de água que acabou escorrendo pelo seu rosto. Apesar de seu corpo se debater de frio, dor e medo, ela acabou sendo puxada pra inconsciência.

Quando Hayley acordou ela sentiu lágrimas em seu rosto. Abriu os olhos vendo que o quarto em sua volta ainda estava escuro. Todas as memórias foram perfurando seu cérebro aos poucos e quando ela se deu conta, estava chorando o suficiente para soluçar. Todos estavam mortos, e logo ela estaria, mas não antes de lutar o suficiente para levar Jackson pro inferno.

Ela se levantou decidida. Sabia que havia algo errado com seu corpo e que estava machucada, mas haviam a dopado o suficiente para que não sentisse dor. Ela calçou os sapatos e procurou algo para se proteger do frio. Acabou vestindo um velho suéter, foi a única coisa que achou nas gavetas do quarto. Não era o suficiente, mas ela não se importava. Ela saiu do quarto e andou pelo corredor sem emitir som algum, do mesmo modo desceu as escada e chegou a cozinha. Todos na casa deveriam estar dormindo. Agradeceu a Deus por a porta dos fundos ainda estar aberta, talvez a empregada que a viu tivesse tentado ajuda-la. Mas quando chegou no pátio avistou seu maior problema: um lobo negro dormia ali, aninhado no muro. Hayley mordeu o lábio. Dessa vez levar a cadeira de ferro até o muro demorou mais de dez minutos, porque ela precisava ergue-la e andar sem fazer barulho.

Ela estava em cima do muro quando sentiu a respiração do lobo em sua direção. Virou a cabeça devagar e se deliciou com o alívio, ele apenas havia virado a cabeça, continuava dormindo. Então ela pulou para o lado de fora, as drogas que lhe deram fez com que caísse sem se apoiar e rolasse pelo chão, mas logo se levantou e virou para o leste, para onde ficava sua casa. Mas que casa? A que Jackson destruiu? Deveria voltar para casa e enterrar o corpo de seu pai com dignidade? A resposta era não. Jackson a seguiria e acabaria matando os inocentes que conseguiram sobreviver.

Hayley virou as costas para o inferno de onde acabara de sair e correu em direção ao desconhecido, implorando a sorte que lá houvesse algo melhor.

Notas finais
E então?