Ilha Das Sensações
14 Psicólogo : Mirane Garden
Notas iniciais
– Ai, ai... — Mirane disse coçando a cabeça e soltando o ar pesadamente, de cabeça baixa.
– O que te aflige bela dama? — Uma voz soou atrás dela.
Aquela voz á fez se arrepiar e dar um pulinho do banco em que estava sentada.
– A-ahn, nada demais! — Mirane disse se virando e vendo quem era. — Ah, senhor Claude...
– Quanta formalidade. — Claude disse sorrindo e enganchou seu braço ao de Mirane.
– Q-que é isso?! — Mirane perguntou corando.
– Apenas estou te direcionando a sala. — Claude disse sorrindo e começou a andar.
"Não vou com a cara dele... Jogou uma lâmina em mim! Monstro..." Mirane pensou e olhou ao lado oposto de Claude.
– O que te aflige bela dama? — Claude perguntou novamente.
– Nada... — Mirane respondeu rápido e ficou observando as árvores.
– Por favor... Tome cuidado. — Claude disse e soltou o braço de Mirane.
Ela foi andando e disse.
– Eu sei tomar conta de mimmmmmmmmmmmmmm... Uou! — Mirane disse dando vários passos para trás rapidamente. — Desde quando esse internato tem precipício em pleno pátio?!
– Acalme-se, é apenas uma ilusão. — Claude disse rindo. Ele adorava pregar peças nos alunos, mas escondia essa insanidade no fundo de sua alma.
– Mas homem de Deus! Criou cisma comigo agora?! Daqui a pouco vai me jogar em um mar de tubarões e dizer "Eles são vegetarianos!"! — Mirane disse irritada e imitando a vozinha, que ficou bem mais afeminada que o normal de Claude.
– Boa ideia... — Claude disse e tirou um caderninho de dentro de seu paletó e começou a anotar.
– Por favor, que coisa mais criança! — Mirane disse e foi pegar o caderninho.
As mãos dos dois se encontraram, por mais que Claude usasse delicadas luvas brancas, os dois sentiram aquilo.
– Clichê. — Claude disse tentando ficar sério e separando as mãos.
– É... M-muito clichê. — Mirane disse olhando para o chão.
– Por favor, me siga. — Claude disse e começou a andar rapidamente.
– Ei! Espere um pouco! Para que toda essa pressa?! — Mirane disse correndo.
Os barulhos da sola do sapato preto cheio de laços e fitas de Mirane, dava para se ouvir ecoar pelos corredores e ouvir ele voltando, tamanha era a extensão do corredor.
– Por favor, entre. — Claude disse dando passagem para Mirane.
– Mas... Mas está é a sala de aula. — Mirane disse confusa.
–
Sim
, prefiro não mostrar o local onde
fico
todos os dias. — Claude disse puxando sua cadeira e se sentando.
– Egoísta... — Mirane sussurrou e se sentou em alguma fileira das mesas. Um tanto longe, só para garantir.
– Por que tão longe? — Claude perguntou curioso.
– Gosto de falar alto e... Sabe né... Você é meio calmo e se eu falar alto ai perto você não vai gostar. — Mirane disse criando a melhor desculpa de todas em sua vida inteira.
– Sim, entendo. — Claude mentiu.
– Tudo bem. Como é esse lance de psicólogo? — Mirane perguntou, queria sair logo daquela sala enorme.
– Simples, eu faço as perguntas e você responde. Qualquer sinal de resistência de sua parte, terei total permissão de ler sua mente. Combinado? — Claude explicou e em sua pergunta, já havia a resposta.
– Claro... — Mirane disse pensando em quais perguntas seriam.
– Hum... Como você era com sua família. — Claude disse e retirou suas luvas.
– Ah... Minha família. Meu irmão e minha irmã são bem legais. Eu gosto de morar com eles. Para ganhar dinheiro criamos uma loja de bolos e fazemos bolos de formas e cores diferentes todos os dias. Pelo menos... Era assim... — Mirane disse lembrando que só os veria em muito tempo.
– E seus pais? Os responsáveis. — Claude disse acariciando a mão em que Mirane tocou.
– Eles... Bom, meus irmãos são meus responsáveis. — Mirane disse sorrindo amargamente, tentando esconder a verdade.
– Não adianta... Precisa me contar. Qualquer trauma que tiver, eu posso fazê-la superar. — Claude disse, ainda passando a mão uma na outra.
– Eu já superei! Não preciso da sua ajuda! — Mirane disse e se abaixou para ir debaixo das mesas. Ela engatinhava até o mais longe que pudia.
– Poderia ser menos infantil e me contar? Já me disse que superou. — Claude disse e colocou sua luva novamente.
– Eles morreram! Está feliz agora?! Aposto que a maioria das pessoas aqui os pais morreram! Sortudo é quem os têm ainda! Você não sabe a dor em que estamos! Não deveriam tocar nas feridas dos outros! — Mirane disse e saiu correndo até a porta.
– A chave está aqui. — Claude disse apontando para uma pequena corrente em suas mãos.
Mirane bateu com a testa na porta e tentou segurar o choro. Estava com raiva, sentia dor, remorso. Tudo junto, isso á confundia.
– Por que choras tanto? Me conte o que aconteceu á eles. — Claude disse e começou a girar a corrente em seus dedos.
– Fui eu... Eu matei eles... — Mirane sussurrou á si mesma e com isso suas lágrimas desceram pelas suas bochechas e contornaram seu queixo, escorregando de seu rosto e molhando seus sapatos.
– Mas como? — Claude disse interessado.
– Não é da sua conta! Não me incomode mais! — Mirane disse socando a porta e a quebrando.
– Mirane... Peço que se acalme e tome de volta seu lugar. — Claude disse colocando sua mão sobre o ombro de Mirane.
Mirane arregalou os olhos e percebeu a velocidade de seu psicólogo.
– Eu não vou sentar. — Mirane continuou e secou suas lágrimas. Olhou firme para Claude, que simplesmente a segurou pelo braço e jogou-a nas mesas. Quebrando algumas costelas da coitada.
– Maldito! — Mirane disse e percebeu os rasgos em seu vestido. — Ele era novo.
Mirane disse e se levantou mancando.
– Quando vai entender que é para ficar quieta? — Claude disse ajeitando seu óculos.
– Quando me matar. Assim ficarei em silêncio profundo e você, em angústia eterna. — Mirane disse e depois se surpreendeu com sua filosofia.
– Apenas sente-se. — Claude disse rindo de leve da expressão que Mirane vez.
– Acidente de carro. — Mirane respondeu e se soltou em meio os escombros.
– Tem lugares melhores para se sentar. — Claude disse apontando para as outras mesas.
– Não quero. — Mirane disse seca.
Começou á passar sua mão pelo seus machucados externos e eles se fecharam.
– Como assim? — Claude perguntou sorrindo de curiosidade.
– Não está vendo?! Posso explicar depois. Agora continue. — Mirane disse e se concentrou em seus ferimentos.
– Algum segredo? — Claude perguntou ainda á observando.
– Eu já tenho as minhas asas... — Mirane disse mais calma.
– Interessante... Sabe como guardá-las? — Claude perguntou.
– Nem sabia que isso era possível... — Mirane disse descontraída
– Vai aprender... Seus poderes. — Claude disse sério.
– Levitação, mudança de forma, poder de cura e posso causar sono. Mas a maioria eu preciso de muita concentração. — Mirane respondeu terminando de seu curar.
– Interessante. Suas armas.
– Não tenho nenhuma... — Mirane respondeu chateada.
– Vou te explicar algo. Todos tem alguma arma, mas outros podem receber essa arma com dificuldade. É necessário muito treinamento. Creio que seja uma destas. Ah, antes que eu me esqueça. O que gosta e não gosta. — Claude disse riscando algo em seu caderno.
– Eu gosto de bolos e cantar. Não gosto de insetos e agulhas e prefiro ficar longe de lugares apertados. — Mirane respondeu e se levantou com dificuldade.
– Foi uma ótima consulta. — Claude respondeu, se levantou e foi embora.
– Grosso! Inútil! Monstro! Egoísta! Fútil! — Mirane gritou e bateu o pé quando ele saiu.
– Menina infantil... — Claude disse do lado de fora da sala, sorrindo.
Mirane estava saindo dos escombros quando abriu-se um buraco entre eles. Ela caiu, caiu, caiu. E finalmente tombou em um palco enorme. Onde as pessoas á olhavam, algumas riam, outras estavam preocupadas e outras nem figiam que aquilo tinha acontecido.
Uma garota se aproximou dela.
– Lotte quer saber se está bem.
Mirane sorriu e se sentou ao lado dela, em algumas cadeiras restantes.
Lotte ofereceu um bolinho e ela recusou.
– Ainda bem, Lotte não gosta de dividir! — Respondeu sorrindo e comendo o último bolinho da bandeja.
Notas finais
(R)
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