Igualdade
1 O início dos problemas
Notas iniciais
Tudo começa em uma casa abandonada, quando um grupo de crianças resolve... Pera ai? Isso ta muito chato. Já existem milhares de histórias que começam dessa forma, cadê a criatividade escritor. Podia ser uma história reveladora, inovadora, mais não. É somente uma coisa chata e clichê. Uma pena que não se aproveite bem desse plote, parecia interessante. Continuando com a coisa toda, temos uma história bem é....fraquinha. Apenas um grupo idiotas de amigos que resolvem fazer besteiras.
Nem sempre as coisas terminam bem e nem dão terrivelmente errado. A vida é assim como um presente de aniversário cheia de surpresas. Que analogia bosta, mais vai essa mesma porque eu não conheço outra. De toda forma Sigma sabia que não devia entrar lá. Era um lugar ermo e de pouca iluminação. Foi besteira tentar provar para os outros que tinha capacidade igual e que se encaixava em algum grupo. O tempo todo se sentia deslocada e não estava à vontade com sigo mesma. Agora parada em frente a casa 91 um turbilhão de coisas passavam em sua mente. Ela não sabia ao certo como tudo começou apenas se lembrava das pessoas lhe falando sempre a mesma coisa:
—-- Você não é normal. Deveria estar brincando de bonecas. Porque não está vestindo rosa?
Aquilo ecoava em sua mente como um mantra lhe deixando nervosa. Estava tentando algo diferente, apenas para provar para seus amigos e seu ego que não estava errada. Queria sentir que o que fazia não era estranho para uma garota. Estava farta de ter pessoas lhe julgando o tempo todo, e não se lembrava de em algum momento ter feito algo muito grave. Sigma tremia diante da porta da casa 91. Ao fundo três de seus amigos a observavam de longe. Pareciam perplexos com sua ousadia, porém com nenhuma vontade de inibir tal insanidade. Ela encostou seu skate na parede e girou a maçaneta da porta. Assim que teve o primeiro contato com o ambiente seus ombros se retraíram. Ela apertou a jaqueta mais forte contra si sentindo o vento passar pelo vão da porta. Sigma tinha que entrar na casa subir até o segundo andar, pegar alguma coisa de lá e sair. O problema era o que essa casa representava para todos do bairro. Todo o mistério que rondava sua existência.
Não era apenas uma casa abandonada, era a casa da Sr.Mercedes. Uma senhora açogueira que tinha fama de espantar todas a crianças aos gritos e a machadadas. Um dos seus conhecidos nunca mais voltou e depois de alguns anos a senhora veio a falescer e seu neto a enterrou no quintal de casa ao lado do cachorro. Algo bizarro que espantava todos os compradores da casa ou como também are conhecida “a grande mansão” que seu neto tentava a todo custo vender. Reza a lenda local que todas as pessoas que passam perto ou que entram para conhecer a casa veem o espírito dela e do cachorro impedindo possíveis compradores da casa. Seu neto sempre negou tudo dizendo que todos os moradores são uns loucos e que tudo isso não passa de lendas criadas por crianças desocupadas. Até o momento Sigma era a primeira pessoas disposta descobrir se tudo isso era verdade ou não. Respirando fundo a garota fecha a porta e da dois passos à frente. A casa estava fechada há meses e não tinha mais luz, água ou qualquer outro serviço. Os móveis estavam completamente empoeirados formando grandes teias de aranha. Sigma tinha pavor de insetos isso era uma coisa que considerava constrangedora e não contava para ninguém. Seus olhos percorriam o ambiente rapidamente a fim de analisar cada espaço do local. Se ela estava com medo? Era óbvio que sim e muito. Se nem os garotos grandes tinham coragem de realizar tal façanha, porque uma garotinha franzina ia tentar. Talvez essa aposta idiota parecesse muita petulância agora. Tinha agido por impulso, só queria esfregar na cara desses idiotas que ela tinha razão.
Sentia-se acuada e não queria colocar sua pobre reputação a perder, por isso não hesitou em aceitar a aposta. Na hora perecia fácil, ela tinha estufado o peito mostrado coragem. Algo que foi passageiro, pois agora tinha caído na real de onde tinha se metido. Se pudesse com certeza voltaria no tempo e mudaria sua situação. Podia tentar provar sua coragem de outra forma. Seria mesmo necessário tudo isso? Ela inicia sua longa subida pelas escadas da mansão, que de tanto estarem velhas e gastas rangiam ao menor dos movimentos. Seu corpo tremia como se não tivesse parado de chorar. Agora seus olhos já tinham se acostumado com a escuridão e dava para ver alguma coisa. Uma mansão que se preze tem que ter um corredor enorme com diversas portas que dão acesso aos quartos. Nessa não era diferente. Sigma queria sair o mais rápido possível dali, com isso entrou no primeiro quarto que avistara. Era justo o da Sr.Mercedes.
O silêncio que pairava no ambiente era profundamente mórbido, dava calafrios e só fazia aumentar o medo e a tensão. Sigma abre uma das gavetas da cômoda que fica ao lado da cama. Em meio à bagunça instaurada na gaveta, ela encontra uma carta escrita à mão sem remetente ou destinatário. Apenas tinha um selo na parte de traz. Tinha identificado como sendo de uma pomba. Qual seria o significado? Era um pedido de paz? Sigma estava muito nervosa para raciocinar naquele ambiente. A única coisa que passou pela sua mente foi guardar a carta em um dos bolsos de sua jaqueta. Ela tinha que pegar outra coisa do local, iam caçoar dela caso aparecesse com uma carta em mãos. Fora que ela decidiu manter isso em segredo, queria ser ela mesma a desvendar esse mistério. Sigma sentia dores no joelho onde tinha ralado no asfalto mais cedo andando de skate, mais não queria desistir. Estava tão perto de realizar tal feito. Sentia-o arder cada vez que o vento soprava com mais força. Sua mãos também estavam um pouco raladas por tentar amenizar a queda. Olhou em sua volta em busca de algo bacana para levar como prova. Todas as coisas de lá pareciam não ser nada de mais, apenas objetos de uma casa velha. Foi então que ela resolveu pegar uma foto da ex-dona da casa. Parecia uma boa ideia.
Logo que encostou na foto ouviu gritos vindo de fora da casa, era algo que soava familiar se parecia muito com a voz da Sr.Mercedes. Sigma não pensou duas vezes pegou a foto e saiu em disparada rumo à saída. Olhou uma última vez para traz antes de sair e viu um vulto transparente passar pelo cômodo, esse pequeno lapso fez com que Sigma tropeçasse em um dos degraus e caísse com força sobre o chão. Sentiu algo espetar o seu joelho esquerdo, que agora derramava algumas gotas de sangue. Do nada ela começa a suar frio e ranger os dentes. Estava imóvel sobre o chão como se seus músculos não pudessem se mexer. Em sua cabeça efetuava todo tipo de orações que se lembrava tentando afugentar todo mal possível. Sigma desvia o olhar rapidamente para os joelhos e percebe que tinha caído em cima de cacos de vidro que agora tinham perfurado sua fina pele. Estava distraída e acabou se assustando quando ouviu uma voz firme e severa ecoar pelo ambiente:
—-- Para que tudo volte a ser como era antes entregue essa carta para meu filho e o faça acreditar que eu estou aqui à espera dele para uma conversa final. Só assim a ordem e paz vão poder se restabelecer.
Não havida dado muito tempo para que Sigma prestasse bastante atenção à imagem a sua frente, preferiu apenas ouvi-lá de longe. Algumas lágrimas caiam sobre seus olhos, o medo e a dor agora já tomavam conta do seu corpo. Ela queria estar em casa deitada sobre sua cama, assistindo TV ou jogando vídeo game. Sigma ficou alguns segundos pensando no que acabara de ouvir, não podia ser verdade que tinha visto um fantasma. Ela estaria ficando louca? Não queria acreditar nisso era muito fantasioso até para uma criança. Caso ela contasse para alguém ia ser considerada mais anormal ainda. Deu um ultimo suspiro dentro da casa. Em seguida pegou seu Skate e andou como pode sobre o asfalto ainda com uma das pernas mancando. Atravessou a rua e sentou no meio fio olhando de longe a entrada da grande mansão.
—-- E ai covardona, porque está chorando? Disse um de seus amigos, um gordinho que usava roupa de time de futebol e tinha o cabelo bem curto estilo militar. Ele era ligeiramente mais alto que ela e não disfarçava seu sorriso vitorioso.
—-- Não me enche você não sabe o que eu vi lá dentro. Ela fala tentando o empurrar, porém ele era mais forte e acabou por derruba-la na grama.
—-- O que você pegou da grande mansão? Pergunta o outro garoto que tinha cabelos loiros, era bem alto e magricelo. Diferente do primeiro menino ele tinha um olhar de admiração sobre ela, como tivesse feito algo heroico. O que de fato era verdade, afinal eram poucos que se arriscavam em passar por aquela rua.
—-- Eu...eu p..peguei uma foto da Sr.Mercedes. Sigma fala gaguejando e tentando rapidamente secar as lágrimas que caiam sobre sua face. Estava muito nervosa e seu coração ainda continuava disparado.
—-- Poxa que legal! O que você viu lá? Exclamou o menino loiro.
—-- Não achei nada de mais, é só uma foto idiota. Debochou o gordinho.
—-- Então vai lá e faz melhor. Retrucou o outro garoto.
—-- Faço mesmo, pena que eu não estou afim. Ele fala dando língua.
—-- Isso se chama covardia. Sigma tem mais coragem que você.
Foi então que os dois começaram a brigar, um empurrava o outro na tentativa de decidir quem tinha razão. Não aguentando a situação Sigma resolve gritar para espantar a briga:
—-- Parem já com isso. Os dois são uns covardes. Assunto encerrado.
Em seguida ambos a olham espantados pela sua reação. Sigma sempre fora uma garota calma, mais introvertida e não costumava contrariar as pessoas. Ela não conseguia tirar a imagem do vulto de sua cabeça, preferia pensar que tudo aquilo não tinha passado de um sonho. Sua mente estava cheia de dúvidas e questionamentos. Ela se levanta a vai andando vagarosamente em direção a sua casa com seu skate de baixo do braço ignorando a presença dos meninos.
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