Igual à lua

1 Capítulo Único


— Uraraka.

Ochako ouve seu nome e pega seu café despretensiosamente, lançando nada mais que um rápido olhar ao barista que preparou sua bebida e murmurando um “obrigada” rápido. Ela se junta a suas amigas na mesa e, só depois de tomar um gole do café que está excepcionalmente bom, atenta-se a seu nome escrito no copo.

A sensação de déjà-vu não é divertida, sempre lhe deu uma certa angústia, agora não seria diferente. Ochako encara seu nome escrito em uma caligrafia simples e elegante e franze o cenho, tentando se lembrar porque essa letra lhe é familiar.

Ela corre o olhar pelo barista que fez seu pedido. Alto, cabelos cor de areia, olhos vermelhos sangue, um brinco na orelha esquerda e a barba loira por fazer, sem falar nos bíceps enormes, mas isso ela só reparou porque a Mina comentou quando sugeriu que elas viessem a essa cafeteria para organizarem seu trabalho em grupo. “Tem um novo barista lá que é super gato, gente, vocês têm que ver! O braço dele é maior que a minha coxa!”. A morena achou graça do exagero, mesmo sabendo que exagerar é o que a Mina faz de melhor, mas meio que teve que concordar, o rapaz é realmente… definido, o que não muda absolutamente nada no fato de que ela não o conhece. Ochako olha seu nome escrito mais uma vez, a bizarra sensação volta a tomar conta dela.

— Que foi, Ocha? — sua expressão deve estar realmente estranha para chamar a atenção da Kyoka — Seu café tá ruim?

— Não, não! Eu só… — ela olha para o copo, depois para o barista.

Ele é bonito, mas não parece ser dos mais simpáticos, não abriu sequer um sorriso durante todo o atendimento e pareceu ter vontade de revirar os olhos quando ela explicou quais kanjis são usados em seu nome. Bem diferente do ruivo sorridente que atendeu a Mina.

— Ai, não me diz que o barista gostoso colocou o telefone dele aí! — a Mina a faz virar o copo para que possa ler, fazendo uma cara de resoluta decepção ao não encontrar nenhum número — Que pena, parece que você vai ter que pedir mesmo.

— E-eu? Pra quê eu vou pedir o telefone dele?

— Ué, me diz você, você que tá secando o cara! — Ochako fica vermelha de vergonha, ela achou que a amiga estava distraída flertando com o rapaz ruivo e subestimou a capacidade dela de prestar atenção em tudo, como se tivesse antenas no topo da cabeça.

— Realmente, você não tá sendo nada discreta. — a Kyouka ecoa. Sim, Ochako estava observando, apenas porque a sensação de já tê-lo visto antes é muito forte, e dá uma tremenda agonia não lembrar de onde.

— N-não é nada, ele só me lembra alguém. — ela… meio que mente — Mas prometo que vou focar. Vamos começar nosso trabalho?

Ochako volta a se lembrar do barista loiro quando o vê sair, provavelmente quando o turno dele acaba. A sensação esquisita permanece a tal ponto que ela hesita em jogar o copo no lixo, e não só porque essa letra é estranhamente familiar.

É também muito bonita, chega a dar dó jogar o copo fora.

***

Ela o vê de relance na faculdade de vez em quando, o que a faria concluir que já tinha o visto antes pelo campus, só não tinha reparado. Isso deveria dar paz a ela, afinal, é daqui que Ochako deve conhecê-lo, mas a paz nunca vem, pois ela sente que não é só isso. A morena já o viu antes, em algum lugar que com certeza não é na faculdade.

Depois do fim da aula da tarde, ela se pega indo àquela cafeteria, Ochako não costuma ir lá por achar meio caro, sempre preferindo uma lanchonete mais barata na rua em frente, com bem menos opções e nenhuma delas sendo digna de um post no Instagram. Mas a inquietação fala mais alto, e aqui está ela diante do loiro carrancudo esperando para anotar seu pedido.

— O nome é Uraraka, com os kanjis de… — ele lhe dá as costas e começa a fazer o pedido. Ochako o observa trabalhar com destreza e rapidez, a Mina disse que ele era novo aqui, mas a julgar pela forma como ele se movimenta, parece estar aqui há anos.

— Ei, cara, cadê os mirtilos? — um outro loiro, esse com olhos dourados e brilhantes, coça a cabeça e o olha com cara de perdido.

— Porta do meio, segunda prateleira. — a voz dele é ríspida, mas o outro rapaz parece não se importar — Uraraka. — ele chama no mesmo tom áspero, sabendo que não precisa gritar pois ela está bem próxima do balcão, foi necessário para que ela pudesse dar uma olhada no nome do crachá.

“Bakugou”

É um nome que não lhe diz praticamente nada, no máximo, sussurra algo no pé de sua orelha.

***

Ochako sorri de orelha a orelha enquanto escuta o Deku contar de sua aventura para chegar até aqui. Só ele mesmo pra transformar a história de sua viagem de avião em algo incrível e cheio de detalhes.

Sempre foi uma tendência dele que apenas aumentou conforme seus encontros cara a cara rarearam ao longo dos anos, eles estudaram juntos no Fundamental e, das muitas coisas dolorosas de ter que se mudar para o interior quando a situação financeira apertou para seus pais, separar-se do Deku foi a pior delas, seu melhor amigo, praticamente um irmão — a mãe dele dizia que Ochako era a filha que ela nunca teve — claro que eles nunca deixaram de manter contato, sempre trocavam mensagens e telefonemas ao longo do colegial e se viam uma vez por ano, o que se tornou bem mais difícil quando ambos entraram na universidade.

Ela voltou para Musutafu, mas ele foi para Hokkaido, e essa é a primeira vez que se veem pessoalmente em três anos. Ele está mais alto e com a voz mais grossa, mas as sardas e o olhar brilhante, com um quê de infantil, ainda estão lá.

— … e esse campus é tão grande, eu tava lá do outro lado, você não vai acreditar quem eu vi e que me mandou na direção certa!

— Quem?

— O Kacchan! — ele informa como se fosse uma bomba, mas Ochako não partilha do choque dele.

— Quem?

— O Kacchan, você não lembra dele? Ele estudava com a gente no Fundamental. — ela o olha de modo que deixa claro que essa informação não acrescenta muita coisa — Bakugou Katsuki, um loiro alto que era meio… nervoso, ele morava perto da minha rua, foi… foi ele que me deu apelido de Deku pra implicar comigo quando a gente era criança.

Ochako sempre o chamou de Deku por achar que tinha a ver com “se esforce!” e por achar que combinava mais do que Midoriya, mas nunca pensou a fundo como o apelido surgiu. Ela perguntou se ele se incomodava, o Deku disse que não, e ela sempre o chamou assim, às vezes até esquece que não é o nome dele. Então foi o Bakugou que inventou isso? Tinha que ser, ele era cheio dos apelidos pra todo mundo, sempre lhe chamava de “Cara de Lua” e…

Peraí, “Bakugou”?

— Bakugou… Katsuki? — ela associa o nome à pessoa. Um molequinho marrento que, dizem, fazia bullying com o Deku quando eram crianças, Ochako nunca o viu ou ouviu fazer nada com o melhor amigo quando entrou na escola, então nunca soube se era verdade, o Deku mesmo não falava do assunto e, nas poucas vezes em que mencionava o nome dele, era com certo respeito e admiração. Verdade que o Bakugou era impressionante, bom nos estudos, bom em todos os esportes, o líder dos grupinhos. Ela nunca trocou mais de duas palavras com ele, mas se lembra de tê-lo achado meio… comum? Todo mundo tinha algo a dizer sobre o Bakugou, fosse bom ou ruim, já Ochako o achava extraordinariamente normal, nunca formou uma opinião muito contundente sobre o garoto — Ah, esse Bakugou? — ela saca o celular e mostra uma foto dele.

— S-sim, é ele. Hã… por que você… tem uma foto do Kacchan no seu celular, Ochako?

— Ah, foi… uma amiga que me mandou, ela o acha bonito. — soa mentira, mas não é, a Mina realmente tirou uma foto furtiva dele na cafeteria e mandou pra ela, a legenda: “Fotinha do seu crush pra te ajudar a concentrar nas provas finais (ou não)”. Ochako revirou os olhos, mas não deletou a foto — Ele… ele ficou diferente, né? Nem o reconheci direito.

— Ah, sim. Ouvi que ele tava estudando no exterior e voltou agora pra concluir os estudos. Se alguém da nossa turma ia se dar bem, seria o Kacchan.

— E você, né? — ela esbarra no ombro dele, fazendo um gracejo que o deixa acanhado — Vem, quero te apresentar pros meus amigos! — Ochako o puxa pela manga da camisa animadamente, ainda incrédula que o garoto chatinho dos tempos de escola e o barista que não saiu de sua cabeça pelas últimas semanas são a mesma pessoa.

A Mina recebe o Deku como se o conhecesse há anos. De certa forma, conhece, já que a morena falou sobre ele inúmeras vezes, a amiga de cabelos rosa chegou a questioná-la sobre a possibilidade de eles serem mais que amigos, mas Ochako riu e descartou essa possibilidade, ela a descartou há muitos anos, no Fundamental mesmo, quando começou a receber cartinhas de amor anônimas. A garota pensou imediatamente no Deku, afinal ele era próximo o bastante, mas extremamente tímido, faria sentido enviar as cartas anonimamente, a ideia a empolgou de início, e depois a desesperou. Ela não o via assim, era seu amigo com quem brincava e discutia acaloradamente sobre um desenho de super heróis a que assistiam juntos, a amizade deles ficaria comprometida caso ele estivesse apaixonado, então Ochako torceu pra não ser ele o autor das cartas. Ela se mudou sem nunca descobrir quem era, mas sente em seu íntimo que realmente não era o Deku, até porque, por mais que ela o adore, a letra dele é um garrancho. Ainda bem.

Mais tarde, eles vão à cafeteria por sugestão da Mina, ela sabe que é só uma desculpa dela para ver o ruivo, que atende pelo nome de Kirishima e também estuda na faculdade, além de estar ficando com sua amiga já tem algumas semanas, Ochako não pode julgá-la porque quer ver o Bakugou.

Ela ainda está chocada, mas um pouco aliviada de finalmente saber de onde o conhece, agora tudo faz sentido. Quer dizer, ela tem certeza que não o mataria ser um pouco simpático e cumprimentá-la já que aparentemente ele se lembra dela — o que também é meio estranho considerando que eles não conversavam muito — mas agora sabe porque ele a olhava tão intensamente e sabia escrever o nome dela.

— Oi, Bakugou-kun! — ela o cumprimenta quando vai fazer seu pedido — Eu soube que você encontrou o Deku-kun, e… a gente estudou junto no Fundamental, né? Eu sabia que te conhecia de algum lugar, só não sabia de onde e-

— Vai querer o quê? O de sempre, Cara de Lua? — ele a corta com um olhar enfastiado.

— Hã? A-ah, pode ser… — ela fica sem-graça e desiste de tentar puxar papo.

— E o nerd do seu namorado vai querer o quê?

— Quê? — ela arregala os olhos.

— O nerd do seu namorado, o Deku, porra, o que ele quer?

— Ele… ele não é meu namorado! — ela protesta como uma criança, só falta bater o pé e fazer biquinho, ele parece concordar e dá um sorriso de canto de boca, irritantemente charmoso.

— Você falava a mesma coisa na escola.

— Bom, era verdade naquela época e é verdade agora. Ele nunca foi meu namorado. E você… — ela o olha com indignação — você parece não ter mudado nada mesmo, só ficou musculoso.

— É? E você ficou reparando? — ele abre outro sorriso arrogante, fazendo seu rosto queimar.

— O de sempre pra mim e um chá verde pro Deku. — ela resmunga e paga de cara amarrada, indo se juntar a seus amigos na mesa.

— Aquele funcionário estava te incomodando, Uraraka? — o Tenya, um de seus amigos, pergunta seriamente.

— Não, não. Tá tudo bem, é só um velho conhecido.

— Pois é, o Bakugou é marrento daquele jeito, mas é um cara legal! — o ruivo chamado Kirishima deu uma pausa no trabalho para cumprimentá-los, e sorri animadamente pra ela — O coitado só não sabe flertar! Tenta ter paciência com ele, ok? — ele diz diretamente pra ela, Ochako cora, mas a vontade é de rir nervosamente. Por que o Kirishima acha que o Bakugou estava flertando com ela?

— Uraraka. — o loiro irritado a chama, e ela tenta não pensar no breve roçar dos dedos dele contra os seus e no sorriso que ele lança, evitando olhá-lo e dando-lhe as costas com um “obrigada” dito de má vontade.

— Ei, Ochako, me dá um gole do seu café? — a Mina pede, e ela passa o copo pra ela prontamente, a amiga dá uma boa golada e sorri — Bem que eu imaginei, é um frapuccino sabor tensão sexual. — o Kirishima e a Kyoka dão risada, o Deku e o Tenya ficam chocados.

— N-nada a ver! — ela pega seu café de volta, olhando rapidamente para o nome escrito no copo, a mesma caligrafia perfeita.

Estranho, Ochako já sabe de onde o conhece, mas ainda não entende porque a letra dele a deixa tão desassossegada.

— Deku. — a voz rascante dele ressoa pela cafeteria e parece assustar seu amigo de olhos esverdeados, e ela fica brava consigo mesma por ter dito “Deku” e não “Midoriya” ou mesmo “Izuku” quando fez o pedido dele.

A expressão de seu amigo quando volta com a bebida lhe deixa preocupada e levemente culpada, sabe-se lá porquê.

— Tá… tudo bem, Midoriya-kun? — a Kyoka pergunta, estranhando o súbito silêncio dele.

— Hã… t-tá, tá sim, Jirou-san. Tudo bem... — a voz dele soa mais baixa, e o Deku não tira seus olhos do copo de chá.

Quando eles vão embora, ela nota que ele não jogou o copo fora e, pouco antes de eles se despedirem no aeroporto, o Deku mostra pra ela, e Ochako entende o porquê de ele ter guardado.

No copo, não tá escrito o nome dele.

Tá escrito “Desculpa por tudo”.

***

Ela vai acabar falindo, pois vai à cafeteria onde o Bakugou trabalha pelo menos umas três vezes por semana.

Pra quê? Nem ela sabe, eles mal conversam, tirando vez ou outra que o movimento está fraco e eles trocam ideias sobre a faculdade, ela só chega, faz o seu pedido e fica observando-o trabalhar, notando que ele realmente não faz a menor questão de ser simpático como o Kirishima e o outro rapaz — Kaminari, ela aprendeu o nome dele — mas que é o barista mais habilidoso e eficiente.

Até que um dia é diferente, e o Bakugou não escreve “Uraraka” no copo, e sim “Cara de Lua”, e é como se o teto caísse sobre ela.

Quando Ochako se mudou da casa dos pais para o dormitório da faculdade, ela não trouxe muita coisa, mas, por algum motivo, colocou a caixinha com as cartas de amor anônimas junto da caixa “FACULDADE”. Elas estão lá, atrás das botas de inverno no armário, já faz um tempão que ela não as lê, só as pega quando sua auto-estima tá bem pra baixo e pensa dramaticamente que irá morrer sozinha pois ninguém com quem ela sai ou já saiu lhe amará como essa pessoa lhe amava. São cartas de um pirralho de 14 anos, claro que são bregas e até engraçadas em algumas partes, mas são também puras, essa pessoa a via com nada mais que adoração.

Tsuyu, sua colega de quarto, dá um pulo quando ela chega ao dormitório com tudo, escancarando a porta e correndo para o armário. Ochako saca a caixa com as cartas e procura uma em particular. É a mais cafona pois foi a última a ser mandada, o autor parecia resignado com o fato de que ela iria se mudar no ano seguinte e só queria se despedir, lamentando por não ver mais o sorriso ensolarado em um rosto belo e brilhante igual à lua todos os dias.

Igual à lua.

Cara de Lua.

Como ela pôde ser tão tapada?

Ochako jogou fora todos os copos com seu nome, mas trouxe o “Cara de Lua” para comparar. Mesmo depois de todos esses anos, a letra dele não mudou nada, o jeito como as linhas mal se tocam, o traço surpreendentemente delicado, é a caligrafia do Bakugou, o garoto do Fundamental e o barista bonitão.

— Preciso sair, Tsu-chan! Tchau!

— Você nem falou “oi” antes, mas ok, tchau!

***

Ela não sai dali mesmo quando o Sero, mais um dos funcionários, começa a colocar as cadeiras sobre a mesa e limpar o chão, assobiando alto e olhando-a de soslaio como quem pensa “Essa doida não vai embora?”

— Bakugou, tira o lixo e pode ir! — o Kirishima grita, olhando-a também e sorrindo. Ela entende o que ele tá fazendo e agradece silenciosamente.

Ochako o espera na porta para não atrapalhar ainda mais os meninos e se sente uma detetive muito esperta quando o avista e estende a carta e o copo na direção dele. A resposta do loiro, claro, é um misto de tédio nebuloso com raiva contida.

— O lixo tá logo ali, Cara de Lua, tá achando que sou seu empregado?

— Por que você não me falou nada? Por que não disse que me conhecia? Por que não… me contou que era você? Não, por que… por que você escreveu aquelas cartas?

— Tsk. — ele parece ficar surpreso, mas logo a olha com desdém — Por que raios alguém escreve uma carta de amor?

— Então por que você… nunca veio falar comigo? Eu ia me mudar de todo jeito, mas…

— Eu achava que você gostava do Deku, todo mundo achava. — ele dá de ombros — Tinha uma puta raiva dele sempre que ele falava que ainda conversava com você no Ensino Médio, achava que vocês tavam namorando.

— Ele é meu melhor amigo…

— Não tinha como eu saber disso, caralho!

— Teria se você tivesse, sei lá, falado comigo ainda naquela época.

— Foi o que eu disse! — ela ouve uma voz abafada vindo de dentro da cafeteria, e sente o rosto pegar fogo ao ver que o Kirishima e o Sero os observam pela porta de vidro.

— Vai arranjar o que fazer, Cabelo de Ouriço! — ele esbraveja, depois se vira pra ela e resmunga — Vem, vamo sair daqui.

Ochako o segue silenciosamente, observando-o, ele parece nervoso, mas não no sentido de raiva, o rosto dele está rosado e as mãos estão tensas, os dedos parecem dar pequenos espasmos, como se ele quisesse explodir algo se tivesse essa habilidade. Os dois acabam fazendo companhia um ao outro até chegarem ao campus.

— “Cabelo de ouriço”. — ela ri secamente.

— Hã?

— Você ainda é cheio dos apelidos, hein? Não mudou nada.

— Ué, é culpa minha que ele tem o cabelo espetado? — ele dá de ombros — Posso ver? — Bakugou estende a mão, pedindo pela carta, Ochako a entrega, escaneando as feições dele enquanto lê o que escreveu — Puta que pariu, como eu era tosco!

— Não… não acho. A gente tinha 13, 14 anos, era normal.

— Tsk, eu tava começando a fazer terapia, a psicóloga falou pra eu escrever o que não conseguia falar.

— Terapia?

— Controle de raiva e essas merdas. Eu tinha a porra de um diário pra preencher, acabei escrevendo umas paradas sobre você. Aí ela sugeriu que eu escrevesse pra você sem mandar, mas eu mandei as cartas mesmo assim.

— Entendi.

— E você guardou… todas? Ou só essa?

— Todas.

— Tsk, não achei que você fosse guardar essa merda.

— Não é merda! Eu… gosto de lê-las quando tô num dia ruim, e… era o que você sentia, não tem nada de merda nisso. — ela o olha timidamente.

— Você… você lê?

— Uhum, me leva de volta pra uma época muito boa, eu adorava estudar lá, não queria ter me mudado.

— Ninguém queria. — ele limpa a garganta — Eu não queria.

— É? Você teria continuado com as cartas se eu não tivesse me mudado?

— Eu… sei lá, Cara de Lua! Como vou saber de algo que nunca aconteceu? — ele vocifera — Enfim… parabéns, levou só 10 anos pra descobrir quem era o seu admirador secreto, quer um troféu?

— Não, não quero não. — ela sorri — Mas eu quero um café.

— Tsk, agora só abre amanhã.

— Não, eu não quero que você faça um café, eu quero tomar um café com você. — Ochako o olha diretamente — Pode ser?

— Pode ser, — os lábios dele se abrem em um breve sorriso — Cara de Lua.

Notas finais
Oioi! Aqui estou com uma repostagem de uma kacchako que fiz em 2019 pro amigo secreto do saudoso Kacchako Project, não lembro bem quem eu tirei nem o que a pessoa queria, mas taí essa pequena AU de Faculdade/ AU Cafeteria. Não sou a maior fã de escrever ou de ler AUs, mas fiz essa e gostei do que saiu.

Ainda tenho algumas repostagens pra fazer, e sinceramente, desejo muito que seja assim pelos próximos meses, tô torcendo pra pegar muitas aulas essa semana, o que significa que meu tempo pra escrever vai cair bastante, é o preço que se paga pra ter um salário minimamente decente nesse capitalismo tardio, fazeroq. Então... mesmo que eu não consiga mais escrever tanto por aqui, torçam por mim! Eu preciso de dinheiro que fanfics jamais renderiam hauahushs

Obrigada por ler, espero que tenha curtido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!