Igual
3 Espectros
Notas iniciais
Horas antes da discussão.
– Deixo-nos entrar em você. – Diziam ao Percy – Deixe-nos, menino.
– Não! – Percy exclamou assustado, acordando e levantando-se da cama. Olhou ao seu redor e tudo estava escuro. Abriu a porta do quarto e correu. Tinha medo, medo de ser possuído, domado. Tinha medo daquele breu. O jovem correu durante alguns segundos, sem parar, pela gigante casa, e apenas parou quando dois braços o rodearam e abraçaram. Iria gritar, mas o grito morreu em sua garganta quando ele percebeu quem era, correspondendo ao abraço com força e escondendo o rosto no peito do homem à sua frente.
– Hei, está tudo bem pequeno. – Jorge tentava o acalmar.
– Eles me querem Jorge! Querem o que sou.
– Eu estou aqui, não estou? Não podem te ter. – Beijou o topo da cabeça do menino. – Eu já o tenho. – Abraçou o menino com mais força. Ainda estava agitado. – Venha comigo.
Ainda abraçado à ele, e andando devagar, foi levando o P à sala, em frente a lareira. Estava frio, e a lareira fornecia luz também. Ajoelhou, ainda com Percy em seus braços e o virou. Sentou no chão e colocou o menino entre suas pernas. Alisou suavemente seus braços e sussurrou ao seu ouvido:
– Abra os olhos agora.
Os olhos de Percy tremularam um pouco, mas assim ele o fez, abriu os olhos. Viu a luz ao redor deles, não muita, mas o suficiente para os dois. Tremeu, os espectros ainda estavam ali.
– Ainda estão aqui Jorge.
– Tudo bem, podemos ficar aqui até amanhecer. – Jorge viu Percy se aconchegar em seus braços, e escondeu o rosto em seu pescoço. Alisou seus cabelos castanhos e riu internamente, deixando um sorriso aparecer. Às vezes, aquele rapaz de 19 parecia mesmo um menino.
– Você acredita em mim, não é Jorge?
– Sim.
Percy se esfregou mais ao Jorge, como se quisesse uni-los. Jorge amava isso.
– Eu já pensei em ir num psiquiatra. – Revelou.
– E porque não foi?
– Medo. Medo de que eles consigam entrar. Algo me diz que se eles se forem, eles estarão dentro de mim.
O mais velho suspirou. Entendia o menino. As vezes, achava que podia ver os espectros dele também. Era como se os espectros fossem as diferenças. Parecia que o seu “eu” precisava de uma saída para a indiferença social do Percy, e essa foram os espectros. Se eles entram, a indiferença sai.
– Jorge?
– Hum?
– Há outra coisa que os faz querer entrar.
– O que?
– Você. — Calou-se.
Dormiram.
Acordaram às seis da manhã, e foram tomar café. Estavam um pouco tensos, os pais do Jorge iriam chegar em algumas horas. O mais velho queria que o menino fosse, mas ele queria ficar.
Depois que saíram da cozinha o Percy fora tomar banho enquanto o Jorge ficou no quarto, arrumando sua mala. Quando o menino voltou ao quarto e encontrou sua mala pronta ficou um pouco revoltado. Há alguns meses queria conhecer seus sogros, mas o mais velho sempre implicava com isso, e ele não entendia o motivo. Uma discussão se seguiu. O Jorge tentou fugir para o seu escritório, mas foi seguido.
– Eu não entendo o porquê de você não me apresentar aos seus pais! – Bateu a porta logo após seguir o Jorge até o escritório.
– Percival, eu não vou explicar de novo.
– Mas você nunca explicou!
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