Ignotus - A lenda do Caçador
3 Capítulo 3 — O homem com olhos de fogo...
Notas iniciais
Admito que já se passaram meses desde a última vez que dormi tranquila. Mesmo estando acostumada a acordar aos gritos, hoje foi diferente… tudo parou. Não tive nenhum sonho ruim essa noite, nem mesmo cheguei a me lembrar dos corriqueiros pesadelos durante o decorrer do dia. Por isso quando repousei a cabeça nos travesseiros fui capaz de dormir em paz.
Biologicamente devo estar acostumada a isso, de forma que se tornou uma rotina, por isso, abri os olhos as exatas 3:33 da manhã, horário confirmado pelo relógio em meu pulso, mas diferente de antes eu não acordei em um salto, ou mesmo estava suada e tremendo, hoje eu apenas acordei.
Mas tinha algo errado...
Ao abrir os olhos avistei o céu estrelado, haviam nuvens dispersas por toda a extensão, e uma fina luz no horizonte… o sol? Não… ainda falta muito até o amanhecer, que luz é essa? Parece reluzir como uma aurora boreal, de um verde intenso cintilante.
Me levantei do chão duro de terra e olhei em volta, procurando algo que pudesse me orientar, mas a única coisa que vi era a lua cheia quase se pondo no horizonte.
Realmente fiquei assustada querendo descobrir como cheguei aqui, numa campina durante a madrugada de um sábado.
Não tive nenhum sonho ruim… ou será que isso é um sonho? Nunca sou capaz de discernir entre eles e a realidade, por isso, após algum tempo caminhando para o horizonte chequei o relógio.
Com certeza é um sonho, já que a hora está travada na mesma numeração há pelo menos vinte e cinco minutos, como sempre, em meus sonhos os relógios por algum motivo não se movem, ficam sempre marcados nessa hora: 3:33… Não sei o motivo, ao menos nada que vá me ajudar a entender essa situação, mas pode ser algo relacionado a numerologia, enfim... Ficar parada não vai ajudar, preciso andar, procurar ajuda.
Gritei algumas vezes pedindo socorro, mas não pude ouvir nada, haviam apenas sons semelhantes a gritos e grunhidos de dor e sofrimento ressoando por toda a extensão daquele lugar.
Me virei assustada tentando entender de onde vinha aquele som sofrido e estridente, e então me vi no meio de uma floresta.
Estranhamente reparei que estava calçada com uma sandália preta qualquer e minha bengala estava em mãos, mesmo não tendo lembrança de tê-la apanhado.
Jeans? Eu não uso jeans…
Minha perna direita agora estava coberta por um gesso e a bengala em minha mão se tornou uma muleta.
O que está acontecendo aqui?
Um rugido diabólico surgiu no bosque e uma besta selvagem veio em minha direção, se assemelhava a um lobo demoníaco faminto.
Ele era alto, possuía olhos vermelhos brilhantes, um corpo forte e grande, superando facilmente um homem de um metro e noventa, suas presas estavam expostas e seus dentes se tornaram pontes para escorrer a saliva que gotejava, ao me avistar ele pareceu sorrir. A criatura tinha pelagem na cor laranja, puxado para um tom vermelho e uma espécie de cheiro rabugento vindo de seu pêlo, como um cão de rua sujo, o pelo do topo de suas costas era preto e a pelagem do seu papo tinha a cor branca assim como a ponta de seu rabo. A criatura possui garras enormes, suas patas possuem a cor negra, contrastando com o tom vermelho do resto do pelo, era como se estivesse de luvas.
Ele rugiu em minha direção e começou a correr para cima de mim.
Preciso fugir!
Preciso fugir, agora!
Tentei correr de volta de onde havia vindo, mas logo minha respiração se tornou ofegante.
A criatura não estava apressada, apenas circulou em meu encalço passando por trás das árvores e surgindo na minha frente, eu apenas pude tropeçar, tentando desesperadamente correr de volta para o outro lado, mas seria em vão de qualquer forma.
A criatura cravou suas garras em mim e me trouxe para perto de si.
Lembro-me de gritar e implorar por socorro, mas quando tudo escureceu a voz que pedia ajuda não era a minha, era um homem caído, ele estava com a perna quebrada e tentava lutar pela própria vida, mas logo tudo se tornou nublado e um véu escuro de morte me engoliu, em segundos me vi em pé encarando a criatura que se deliciava do corpo, acho que o homem morto estava procurando pelo seu cachorro que fugiu da casa e entrou no meio do mato.
Eu queria ajudar, mas era tarde, e naquele instante tudo se tornou trevas.
Depois de alguns instantes o céu se tornou visível, a luz intensa dos prédios se chocou com os meus olhos, é realmente noite, mas onde eu estou?
— Kami? — Ouvi uma voz chamar o meu nome. — Kami! — Gritou novamente, era Ana.
Quando finalmente me localizei avistei a garota na minha frente, estávamos no meio da rua, em Casa Amarela. — Tudo bem?
Olhei em volta e assim percebi que haviam inúmeras pessoas naquele lugar, que ao que tudo indicava se tratava de uma parada de ônibus.
— Oi!? — Respondi de pronto.
— Você estava catatônica. — Respondeu Ana, ela visivelmente estava preocupada, e ficou ainda mais principalmente após ouvir minha voz assustada.
— Eu tô bem… — Respondi novamente, tentando parecer neutra e sem vida como sempre. — Tá se preocupando a toa… — Retornei a minha postura introvertida.
Ana suspirou aliviada e se virou seguindo rumo a um fiteiro com bombons expostos.
Caminhei pelo meio das pessoas que estavam nos cercando, enquanto tentava não machucar os pés deles com a bengala em minha mão.
— Ana. Espera. — Chamei e ela se virou tomando uma embalagem de pipoca doce da mão de um senhor de aparência gentil e entregando-lhe 1 real.
— O que foi?
— Desculpa te deixar preocupada. — eu queria me explicar, mas nem mesmo eu conseguia entender o que havia acontecido.
Me lembro da Ana entrar no quarto e dizer que queria comprar algumas coisas, mas depois disso… tudo ficou enevoado, com pequenas lacunas de memória no intervalo de tempo entre ir tomar banho e sair para pegar o ônibus.
Deus! O que tem de errado comigo? Minha cabeça dói, meus olhos ardem e sinto como se meu corpo todo tivesse sido esmagado por um caminhão. Além desses arrepios que venho sentindo pelo corpo desde que acordei.
Coloquei uma mão no rosto e pressionei meus olhos, enquanto tentava me lembrar do que acontecera, já Ana apenas saiu me puxando pela multidão rumo a faixa de pedestres no cruzamento com o Mercado público.
Entramos na loja e tudo ficou silencioso, Ana não falava nada enquanto escolhia seus sapatos, entre sapatilhas e saltos altos, ela apenas me olhava no intervalo de tempo enquanto experimentava os calçados.
Que sensação ruim… Me sinto enjoada. O ar nos meus pulmões já parecia queimar, isso graças ao ar condicionado da loja, aquela sensação se assemelhava a minha alergia, mas era dez mil vezes pior, tem algo muito ruim acontecendo ou será que ainda vai acontecer?
Enquanto ela estava na fila para pagar as compras, eu fiquei de pé na saída. Quando o fiz senti como se agulhas estivessem perfurando meus músculos e a sensação de que havia alguém me observando recaiu novamente sobre mim, aquilo começou no momento em que entrei na loja e me incomodou tanto que busquei olhar em volta procurando de onde vinha aquela sensação, assim me deparei com um dos atendentes me encarando, o homem tinha um sorriso estranho no rosto e seus olhos pareciam um abismo de trevas, ele veio até mim na saída da loja, mas na metade do caminho ele parou e desviou o olhar. — Foi quando o avistei passando por trás da vitrine… era alto e forte, tinha uma franja caída na testa escondendo uma queimadura enorme no rosto, o homem que nos meus sonhos sempre estava de cabelos longos, sujos e desarrumados, agora estava com o cabelo curto, ele vestia um terno vinho com uma camisa branca por baixo. Além disso, ele calçava um coturno militar preto e uma calça jeans.
É ele… Ele existe.
Ele veio na minha direção, entrando na loja a passos lentos, assim que me avistou tive uma sensação mais estranha do que as anteriores, pude sentir como se minha pele estivesse queimando, e no instante em que as luzes do local se chocaram com o olho castanho-avelã dele um brilho laranja surgiu e logo desapareceu, em seus lábios havia um sorriso, um sorriso de canto de boca.
A intensidade que ele transmitia se assemelhava a de leões, não sei como explicar isso, mas era quase a mesma sensação de estar na mira de uma arma. Ele era intimidador, alto, forte e sobretudo tinha uma postura territorialista, com ombros e pés espaçados, o que dava a sensação de que ele iria matar qualquer um a qualquer momento.
— Boa noite senhor, posso ajuda-lo? — Questionou o atendente que me fitava com um olhar predatório, ele parou próximo a mim e se encolheu ao ver o homem da queimadura avançar em sua direção.
O atendente era branco e possuía cabelos castanhos, era bem aparentado, mas em critério visual era como qualquer outra pessoa. Ele me olhou novamente e no momento em que direcionou o olhar para o rapaz em minha frente seus olhos negros semelhantes a um abismo escuro desapareceram dando lugar a uma cor azul nas íris do atendente.
— Acredito que não tenha o número que eu quero, — Ele olhou o crachá do atendente. — Walter?
O homem engoliu em seco.
— Sim. Qual número o senhor calça? — Walter o perguntou.
— Não. Esse número não, quero o número da bela moça, mas sei que você não tem… você tem? — Ele meneou a cabeça em negação. — Foi o que eu pensei. Mas obrigado, Walter.
Meus olhos que estavam sobre o atendente recaíram sobre o outro indivíduo.
Ele pôs a mão na cintura e me olhou com um sorriso nos lábios.
Tentei dar alguns passos para trás já que aquela sensação ruim não havia desaparecido, mas fui impedida pelo homem da queimadura, ele pôs a mão na minha cintura e me virou rumo às cadeiras da loja.
Antes de começar a andar ele cochichou algo para Walter e o homem se encolheu meneando a cabeça positivamente.
— Será que podemos conversar por um instante? — Ele me olhou de forma diferente enquanto falava, não tinha raiva nos seus olhos ou qualquer sentimento, mais parecia que estava me analisando, porém uma coisa era intimidadora, não a queimadura, mas a imensa cicatriz descendo diagonalmente sobre a testa do sujeito, passando pela sobrancelha e se encerrando na maçã do rosto, estes eram cinco cortes paralelos, um deles próximo ao nariz do sujeito e os outros se distribuindo até a ponta da sobrancelha, o olhando tão de perto pude ver o olho esquerdo da figura, ele era azul claro, parecia um vidro embaçado, como se ele fosse cego.
— Claro. — Respondi por fim.
Ele colocou as mãos em meus ombros e me conduziu até as cadeiras do local. Mesmo naquela hora haviam várias pessoas nas ruas, e a fila que Ana estava, meu Deus, não parecia andar nunca, pois só havia um guichê atendendo.
O rapaz se sentou ao meu lado, passou o braço ao meu redor e me puxou pra perto dele.
— Por que está me vigiando?
— O que? — Minha voz saiu sufocada, ele de alguma forma tinha uma pressão absurdamente intimidadora que me fez ficar paralisada.
— Olha, gatinha… Eu vou ser direto, eu sei o que você é, não precisa fingir nada. — Me Encolhi e inclinei-me para frente deixando o cabelo esconder meu rosto. — Me responda, estou querendo um motivo, não quero machucar você ou qualquer coisa assim, a não ser que seja necessário...
— Eu não faço ideia do que está falando. — Foi a única coisa que consegui dizer, mesmo sendo a frase mais clichê que poderia usar em uma circunstância como essa. — Eu…
— Primeiro Você vai me ouvir. Ta? — Ele acariciou meu cabelo e tirou alguns fios da frente do meu rosto. — Quer que eu diga com todas as letras? Eu sei que você é uma Vagante e sei que anda me vigiando… Alguém te pediu pra fazer isso?
— Não…
— Alguém da Conselho?
— Que Conselho? — Respondi, minha voz estava falhando, cortando as palavras em sílabas. — Eu não sei do q…
— Os sonhos.
— Você sabe sobre eles? Como?
— Eu te vi umas quatro vezes… e em todas as vezes você estava me olhando de longe. — Ele explicou. — Responda, agora: Alguém pediu que você me vigiasse?
— Eu já disse que não… — Me desvencilhei dele. — Esses sonhos começaram há uns meses e eu fiquei vendo você numa ilha matando "macacos gigantes" com bocas no estômago. — Quando finalmente respondi ele gargalhou.
— Mapinguari…
— O que?
— O "macaco" que você viu…
Algumas pessoas nos olharam vendo o rapaz gargalhar, incluindo Walter, que permanecia em pé na porta.
Os olhos dele se acenderam por um segundo, claros como um farol de carro, mas com uma luz laranja como a do nascer do sol, pequenas faíscas de fogo surgiram a frente de seus olhos e rosto e logo em seguida ele sorriu.
Naquele instante com aqueles olhos brilhantes era como se o tempo tivesse parado e eu estivesse de pé diante de uma figura mítica, como um desses semideuses mitológicos, era um aspecto divino, inflamado quase que sagrado e que em um piscar de olhos desapareceu.
— Desculpa… eu não queria te assustar, mas aprendi uma coisa com o meu pai: existem duas formas de uma pessoa ser totalmente sincera, a primeira é quando ela está com muito medo e a segunda é quando se está com muita raiva.
— Seu desgraçado. — Gritei e novamente eles nos olharam. — Eu devia te dar um soco na cara!
Vendo a minha alteração um homem alto veio em nossa direção.
— Calma, jovem… — Ele ergueu as mãos ao céu. — Você não pode me culpar, você ficou me brechando por um longo tempo… E mesmo quando eu não te via eu sentia sua presença me rondando. — Ele explicou.
Uma figura dos vendedores veio em nossa direção, ele tinha pele negra e possuía um porte físico tão atlético que chegava a ser absurdo, o maluco era quase um armário.
— Ele está te incomodando? — Questionou o homem de voz grave.
— Não cara… Relaxa… — O homem da queimadura falou. — Ela só ficou com raiva porque eu não respondi as mensagens dela.
— Ta tudo bem mesmo? — O homem insistiu e eu apenas assenti.
Tornei a me sentar e o rapaz da queimadura se aproximou novamente de mim estendendo a mão.
— Eu sou Arthur, Arthur Andrade. — Ele abaixou a mão ao ver que eu não iria retribuir seu cumprimento.
A postura dele mudou e ele se afastou, parecia relaxado com as pernas esticadas no chão de cerâmica e os braços cruzados sobre o peitoral forte, parecia estar esperando que eu ao menos respondesse, então, por algum motivo eu o fiz:
— Kamila… Kamila Branco. — Me apresentei mantendo a cabeça baixa.
— É um prazer… — Respondeu ele me encarando, naquele instante a presença ameaçadora desapareceu e os calafrios que eu senti durante todo o dia foram embora com ela.
Naquele momento a sensação intensa de animais selvagens desapareceu, estranhamente surgiu nos olhos de Arthur gentileza, sem falar naquele sorriso tranquilo que carregava disfarçando um rosto tão cansado e marcado.
— Posso fazer uma pergunta? — Questionei e ele sorriu.
— Já fez…
— Outra pergunta… — Ele assentiu e se espreguiçou no assento estofado. — O que é um Vagante?
— Você não quer saber isso… — Ele respondeu com as sobrancelhas arqueadas.
— Eu… eu vi você, os olhos de fogo, as criaturas… a espada… — Meu coração acelerou, era primeira vez que eu falava sobre aquilo em voz alta, ao menos fora dos meus pesadelos. — Fiquei pensando que era tudo mentira e quatorze meses depois você aparece aqui… do mais absoluto nada...
— Relaxa, você não é maluca ou algo assim… e não é uma conveniência eu ter te encontrado.
— O que isso significa?
— Essa cidade é um imã sobrenatural… — Ele olhou em volta. — E você é um ser sobrenatural… — E fez uma pausa. — ou ao menos eu pensei que era… Você pode ser só uma médium. — murmurou. — eu sei que é muita informação pra processar, desculpa.
— Como me achou?
— Bom… Aqueles "Olhos de Fogo" que você viu, me permitem ver o futuro e ver através da realidade… A minha família o chama de O Olho de Deus. — O homem me olhou e sorriu de forma boba.
— Como posso saber se você é real? — Os calafrios retornaram cobrindo meu corpo com aquela sensação gélida e fria como um sopro maligno de morte. — Como eu sei que não é um sonho?
Ele continuava sorrindo.
— Me dê sua mão. — Pediu e eu a estendi.
Ele pegou minha mão de forma gentil, sua pele tinha um toque áspero, haviam calos nos punhos e na palma com pequenos cortes por toda a extensão dela, mas ele de algum modo conseguia ser delicado e meigo, o que era estranho vindo de um ser com aparência tão bárbara e primitiva. Naquele momento Arthur colocou a outra mão no bolso da calça, mão essa que ficou a maior parte do tempo escondida atrás de seu corpo, e só quando ele a estendeu pude observar com clareza seu lado esquerdo. Na mão fechada pude reparar, aliás, não só na mão, mas todo o seu braço desde os nós dos punhos, era envolvido por uma bandagem suja e surrada que deixava a ponta de seus dedos queimados e pálidos à vista. Ao redor daquela mão havia um brilho laranja ondulando pelo ar, este ia se desfazendo conforme a mão se distanciava do corpo dele, era uma luz intensa e forte, como uma tocha queimando, mas diferentemente era tão claro quando a luz do sol.
— Aqui. — Ele me entregou uma pequena esfera metálica de um ouro branco e polido como a lua. Ele colocou-a em minha mão e deu uma piscadela de olho. — Eu tenho que ir, mas guarde isso com você, logo logo eu vou te encontrar, espere por mim…
Arthur sorriu uma última vez e seu corpo se desintegrou em pequenas faíscas que dançaram pelo ar como cinzas e assim elas aos poucos se dissiparam.
Naquele exato momento o ambiente que mais parecia congelado, voltou ao seu normal e as pessoas passaram a se mover. Ana saiu da fila e após pagar suas compras se sentou ao meu lado.
Fiquei de cabeça baixa encarando aquela peça esférica de metal que possuía uma pequena corrente de mesma cor da massa, eu logo a abri, era um relógio, marcando exatas 21:30… seu ponteiro estava marcando normalmente os segundos enquanto o tempo passava.
— Quem era? — Se manifestou Ana depois de muito me encarar.
— Quem era o que? — A olhei de soslaio e ela sorriu.
— O cara alto, moreno e incrivelmente gostoso que tava falando contigo. Quem era?
— Era um velho amigo… — Ao menos foi o que senti conversando com ele. — Se quer saber, o nome dele é Arthur.
Continua...
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