Ignorância
1 ♡ . único
Notas iniciais
Agatha sabia ler Fyodor tão bem quanto um livro qualquer, porém, o capítulo 15 era uma incógnita para ela. As letras pareciam inverter os lados, pularem de uma linha a outra, nunca aquietando-se onde deviam, extremamente teimosos, brincando com sua paciência e mente.
Após abrir o livro na mesma página e despejar horas preciosas tentando ler aquela folha encantada, voltou a fechar e, por fim, desistir e pôr o livro na estante. Odiava não desvendar um mistério, ainda mais quando a única peça que faltava era uma tão pequena.
O capítulo em questão continha a resposta para as miosótis que recebia todo mês do homem. Nunca esteve interessada em flores, mesmo assim, fizera uma pesquisa rápida sobre as mesmas que recebia.
Miosótis são de originalidade russa, planta de, no máximo, 30 centímetros, que precisavam de sol, mas também de temperaturas baixas.
Na linguagem das flores elas significam amor sincero e desesperado, fidelidade.
No geral, todos os livros diziam a mesma coisa, entretanto, nenhuma daquelas características lhe beneficiavam da forma esperava. Agatha já havia questionado se não eram significado de uma parceria verdadeira, mas acreditar naquilo seria ingenuidade, e tal defeito ela não tinha.
Não havia veneno ou quaisquer medicamentos no caule, no vaso, nem nas pétalas. Câmeras ou escutas muito menos, mas de qualquer forma, mantinha-as em seu quarto por amar como elas se encaixavam bem no local e pela certeza de que uma hora ou outra, desvendaria o mistério das miosótis de Fyodor Dostoevsky.
Fale com o autor