Ignites me
10 Centelha X.
Notas iniciais

Embora tivesse convivido com Sakura por pouco tempo, Sasuke poderia dizer que a conhecia bastante. Ela era o tipo mais fechada com sentimentos, mas com emoções, era bem aberta. Como quando saiu correndo do apartamento dele como se houvesse um Serial Killer em seu encalço, e quando desmaiou ao ver a tatuagem dele.
Agora, por exemplo, ela estava com as bochechas suavemente infladas, o espaço entre suas sobrancelhas continha com um vinco que se aprofundava enquanto encarava a xícara de chá na qual girava uma colher, e ele podia dizer que ela estava furiosa com ele. Porquê quando o encarava, as bochechas avermelhavam mais, e seus olhos ficavam verdes de uma maneira quente, mas não quente como ele queria, e sim do tipo que queimaria o rabo dele.
Confuso, voltou o olhar para a mãe que preparava alguma coisa no fogão ou só estava mantendo uma distância segura. Mikoto encolheu os ombros se mostrando tão por fora quanto ele.
Sakura bufou, e se levantou.
— Eu vou estudar. – Avisou, e seguiu para fora levando a xícara. Sasuke girou no banco acompanhando-a com o olhar em busca de qualquer pista, mas no fim, só sabia que Sakura mais Short jeans, eram uma combinação de matar.
Mikoto acertou um pano de prato em seu ombro.
— Mais ação e menos observação! – ciciou.
— Eu não entendo, o que eu fiz?
— Pode ser o que não fez! É o seu maior problema. – ela avisou. Ele suspirou, nervoso, saiu da cozinha. E subiu as escadas. Mal havia aberto a porta antes de Sakura avisar.
— Quero ficar sozinha.
Sasuke a fechou e encontrou-a no estofado ao pé da janela, rodeada de livros abertos e o caderno. Sakura lhe mandou um olhar emburrado e pegou um dos livros.
— Hey... Eu só quero conversar.
— Não pode ser outra hora? – ele bufou e se sentou ao lado, jogando os cadernos.
— Não. Caramba, dá pra me dizer o que eu fiz? Fica mais fácil lidar.
— Talvez eu nem queira que seja fácil. – rebateu, rude e ele lhe mandou um olhar dolorido.
— Não seria a primeira vez – Sakura empurrou o caderno do colo, movendo o olhar pra janela — Sakura... Se eu já estou fora... você pode me dize-...
— Ino veio aqui atrás de você. – ela cuspiu, com desgosto e Sasuke a encarou, perdido. Sacudiu o rosto.
— Oi? Ino? Como porras... ela nem devia estar na cidade.
— E como sabe disso?
— O que ela queria?
— Veio aqui pra falar com você.
— Comigo?! Pra quê? Eu já...
— Pra quê mais ela viria, Sasuke? – Sakura indagou, cansada – Disse que você não fala mais com ela, que a ignora, que a culpa é minha, e que o Gaara fez não é culpa dela.
— Puta merda.
— Ah, pediu pra eu falar pra você responde-la, e não tira-la da sua vida assim.
— Eu não “tirei” ela da minha vida assim, Sakura.
— E? – Sasuke suspirou, arrumando o cabelo.
— Eu não deixei de falar com ela – disse, e ela tentou não se sentir jogada fora de novo. Provavelmente não conseguiu, Sasuke se aproximou mais, tocando o braço dela, olhando em seus olhos – Não é assim. Eu realmente a ignorei, enquanto você estava no hospital.
— Claro...
— Sakura, nem se eu quisesse, poderia focar em algo além da minha vontade de te tirar daquela cama viva e bem. Quando você veio pra cá, que eu me permiti avaliar melhor tudo, toda a situação. E sim, eu falei com Ino, eu disse a ela que não poderíamos mais ser amigos, pelo menos por um tempo.
Sakura piscou, atônita, ele lambeu os lábios com um olhar triste.
— Eu disse que não podia mais arcar com ela, enquanto só eu me ferrasse pra ajuda-la a se sentir querida, tudo bem, eu aceitei e eu não volto atrás com a minha palavra, mas... – ele tocou seu queixo com reverência no olhar – Você... Não, você não. Você não tem culpa dos erros de nenhum de nós. Eu não podia continuar sendo amigo de Ino se você sairia machucada. Seria diferente se eu não fosse louco por você, aí seria só te deixar ir.
— Sasuke.
— Mas eu não posso, não posso, eu sei que eu fui idiota. Eu te idealizei tanto, Sakura, tanto, que quando finalmente te provei, achei que ainda estava sonhando e que era normal ir no ritmo que eu estava. Mas você merece mais, merece realidade, você é real, de todas as formas. – Sasuke inspirou endireitando os ombros e encarando o jardim. – Eu também sabia que as coisas com Ino desandavam, eu só não queria ver, só não podia deixa-la sozinha. Eu também idealizei a Ino... E acho que só agora estou vendo como ela realmente é. – admitiu, pesaroso.
Sakura encarou o ar, ligando os pontos. E se levantou.
— Ela...Aquela... Cadela! – Exclamou e ele deixou os ombros caírem mais ainda. – Ela... Ela mentiu! Você já tinha mandado ela embora, ainda assim ela veio aqui... Com aquele teatrinho barato! Que ódio! Ela queria me fazer aceitar ela... pra você voltar pra ela!
— Acho que se você não estivesse com tanta raiva...- Sasuke admitiu.
— Você tentaria manter eu e sua “amiga” numa boa!
— Ou pelo menos não teria que perder uma de vocês.
Sakura voltou ao sofá, ainda muito indignada.
Ino apareceu com tudo armado pra fazê-la ceder Sasuke. Ela sabia que ele estava irredutível por Sakura e a garota não se importou de implorar.
Mas Sakura não cedeu, e não era atoa que Ino a chamara de Harpia e insinuou que estava escondendo algum jogo.
Desde que foram amigas por um curto período e que Sakura se tornara a companheira de quarto chata e inconveniente, em todos os embates delas, as discussões, Sakura sempre a deixara passar na frente, porque julgara que era o melhor para evitar dor de cabeça.
Nunca a deixou passar por cima, sempre se fazendo de imune ao veneno da loira. E quando não conseguia, Sakura sempre a desarmava, respondia de forma a fazê-la engolir o veneno, mas nunca foi além disso, nunca tentou constranger Ino por puro prazer ou vingança, ou do contrário, aquelas coisas que disse pra ela no estacionamento do pub, teriam saído há muito mais tempo e com sangue bem mais frio.
Ela entendia a dificuldade de Sasuke em deixar Ino, ele cuidou dela desde nova, Mikoto comentara que se uniram ainda na sexta série. Sasuke estava abalado pela morte do pai, havia o sentimento de impotência tanto nele como em Itachi, e Ino, era a loirinha magrela que os pais e todo o resto ignoravam. Mas que desabrochou com a gentileza de Sasuke, infelizmente, numa flor bonita, mas venenosa.
Que só queria depender dele, e se regalar com a atenção de terceiros.
Sasuke estava muito acostumado a protegê-la, Mikoto queria a moça longe não só pelo bem do filho, mas de Ino também. Mikoto remoía que Sasuke era protetor demais por causa do complexo que ela desenvolvera quando ele era muito novo e que Itachi, fora pelo caminho do super controle, as duas coisas se encravaram ainda mais neles com a morte do pai. Sasuke acolheu Ino, Itachi acolheu o posto de homem da família e de negócios ainda aos dezenove anos.
— Eu ia falar pra você, só não sabia como. Sei que falar da Ino ou do resto pode ser traumático. Eu planejava esperar até você voltar pra faculdade. E achei que seria tranquilo, não esperava que ela aparecesse.
— Porquê?
— Ino saiu da cidade, os pais trocaram a matrícula dela daqui para Kumo, eles a querem longe da cidade porquê Gaara foi solto.
— O-o quê?!
— Calma, por favor, ele saiu da prisão, como já planejavam, os irmão dele o puseram numa clínica de reabilitação pra viciados e também pra tratar a obsessão por Ino. Mas os pais dela não confiam nessa, até porque ele já fugiu uma vez. Ino veio implorar pra eu escondê-la de novo ou falar com os pais dela. — Sasuke esfregou os braços dela, tentando acalma-la de novo, a menção a Gaara continuava perturbando-a — Sempre que eles queriam obriga-la a sair da cidade pra algo que só eles queriam, eu a escondia. Eles desistiam, e ignoravam desde que ela não os constrangesse mais. Essa coisa do Gaara, não pegou bem pra eles, então ela veio e eu disse que talvez ela devesse ir mesmo, nem que por um tempo, faria bem pro Gaara não ter certeza que basta pular o muro da clínica pra reencontra-la.
Sakura se encolhia com o pensamento de que pudesse haver alguém com uma mente tão distorcida. Aquele menino precisava de ajuda. Ino por perto não ajudaria ninguém, nem a si mesma. Por que era tão difícil ela entender pelo menos isso?
Sasuke a puxou para si num abraço de urso, quente e acolhedor.
— Me desculpe.
Sakura inspirou profundamente seu perfume e soltou o ar, exaurida.
— Ainda não.
Ela o sentiu tencionar, e se afastou suavemente.
— Eu não vou mentir que não estou com raiva. Mas muita coisa aconteceu, eu não estou pronta pra encarar ainda.
— Mas você não precisa encarar sozinha – ele suplicou.
— Agora eu sei. Passei muito tempo fazendo isso, a vida toda. Mas eu sei que tenho que confiar mais nas pessoas, em você. Só não estou pronta ainda. Eu preciso de um tempo, me organizar de novo e tentar decidir se ainda sei o que quero pra minha vida. E eu também... preciso fazer isso sem depender de você, ou da sua família.
— Mas...
— Ou vou acabar me tornando uma Ino. – ela suspirou – Eu não quero ser ingrata, mas eu não quero abusar. Você não faz ideia do quanto estou feliz aqui, é quase... Quase um sonho se realizando... – fungou – Mas as coisas não são assim, não existe mais tempo pra ser. Eu aprecio poder me escorar um pouco em você, Sasuke. Mas é que estou sem pernas agora, vou acabar me instalando sobre você, ficando dependente, eu não quero isso, vai ser ruim pra nós dois. Eu quero ter minhas próprias pernas fortes, pra andar ao seu lado. E pra que quando você precise escorar em mim, eu dê conta de você, como você dá de mim.
Sasuke acarinhou seu rosto, admirando cada nuance de verde nos olhos profundos.
— Eu acho que quem vai acabar dependente sou eu. Você, seriamente, é real?
Sakura acabou rindo, apertando os dedos dele. Sasuke a puxou e beijou, sugando os lábios dela com ânsia. Ela derreteu em sua língua. Não imaginava o quanto sentia falta do sabor dele mesmo que ainda lembrasse tão bem.
— Mas então...- ele ronronou distribuindo beijos por seu maxilar. Sakura suprimiu um gemido, também tocando seu peito sobre a camisa. Sasuke mordiscou seu pescoço e ela mordeu os lábios se matando pra se calar. – Ao menos posso te chamar de minha namorada?
Ela abriu os olhos e riu, abraçando o pescoço em dele. Sasuke beijou seu rosto esperando a resposta.
— Que tal quando eu decidir que a gente pode começar?
Ele suspirou e riu anasaladamente. Abraçando sua cintura, tocou a base de suas costas fazendo-a se e empertigar quase saltando no lugar.
— Garota, por mim tudo bem. Eu já disse que você é minha, não?
***
Seis meses depois.
Sakura desceu as escadas tentando conter a ansiedade, velha companheira, que a tomava.
Meio que parecia um sonho. Aquela noite marcava o fim de um ciclo que começara conturbado, cheio de altos e baixos, desgastante, doloroso e confuso.
Ela havia passado por tanta coisa, que já se considerava meio velha.
Começando por ser realmente meio azarada, ela teve alguns problemas com o transplante, chegando até a ser internada de novo. Tudo por conta de uma bendita alergia. Amendoim foi o vilão da vez.
Mikoto comprara biscoitos de chocolate mas não sabia que havia amendoim na composição. Foi tenso...
Depois, ela teve que estudar em casa, sua imunidade baixara de novo, adiando sua volta ás aulas. Sakura fez o semestre em casa, foi confortável, mas não fácil.
Quando finalmente pode sair mais de casa, queria voltar a trabalhar. Mas nenhum Uchiha parecia disposto a deixar.
O tempo foi passando. Ela finalmente podia dizer pra si mesma que estava apaixonada, sem sentir pânico ou dor.
Sasuke era seu, mas não começaram nada. Ainda.
Como ela havia decidido, iria sair mais da asa dele e de sua maravilhosa família antes de começarem um namoro. De certa forma já estavam juntos. Mas fazia exatos seis meses que nenhum dos dois conhecia o sabor do outro.
Sasuke estava louco. Ela também, mas gostava assim.
Hinata havia até gostado de vê-la se impor, agora tinha pena do Uchiha. Mikoto dizia que ela ia matar seu filho, não bastando Izumi ter feito jogo duro.
Tanto é que, Sakura só percebeu que talvez estivesse exagerando, quando viu a durona Devine finalmente se deixar cair nas garras de Itachi.
Sasuke passou a encara-la feio sempre que viam o casal. Era errado ela rir?
Mas agora, seis meses depois daquela conversa, oito meses depois do transplante, ela finalmente sentia que podia recomeçar sua vida nova, por mais delicada que ela tivesse se tornado. Sakura decidiu não deixar mais nada impedi-la de obter seu futuro nas mãos, mesmo que ele só durasse um dia, ou mais vinte anos. E também decidiu que poderia dividir ele um pouquinho com pessoas importantes, com Sasuke.
Por isso, agora estava num vestido colado e curto, num par de saltos bem perigosos, seu cabelo estava ondulado e com um corte cheio de mechas que o deixara com um volume que ela sempre invejou noutras meninas. Sua pele ainda estava meio pálida da falta de sol, mas esperava mudar isso nos próximos dias e ela havia trocado a armação do óculos por uma mais despojada e atual.
Ela sairia hoje, beberia, se divertiria e veria velhos rostos. Era sábado, no domingo ela trabalharia meio turno no estúdio, e na segunda voltaria pra aula.
— Olha ela, que arraso – Izumi disse quando a viu no meio do caminho para baixo. Sakura teve que admitir que não segurava o corrimão apenas pela imagem de elegância que passava, cair e rolar escada abaixo era um temor bem vivo em sua mente.
— Você está linda – elogiou, Izumi sorriu girando no lugar. Vestidos não eram a praia dela, mas uma calça preta e uma blusa cavada a deixaram deslumbrante.
— E isso tudo? É pro Mrs. Lerdeza? – Sakura olhou em volta, vermelha. Mas Sasuke ainda não estava lá.
— Para! – reclamou.
— Sério, acho melhor você ir comigo pro pub, se Sasuke puser as mãos em você agora, do jeito que você vem o amarrando...
— Eu não “amarro” ele, só quero o terreno limpo. É difícil, sabe? Ele é lindo e eu sei que as garotas não o deixam em paz.
— Pode estar certa, mas o coitado está acertando, sim? E você não pode culpa-lo pelas outras garotas serem atiradas.
Sakura inflou as bochechas, inconformada. Mas ela admitia que descontava em Sasuke o fato de ele ser um imã de sexo.
Um imã quente.
Mas era difícil ficar em casa enquanto ele estava estudando, jogando, trabalhando, com um monte de garotas em torno.
Sakura era orgulhosa, bastante egoísta, e também, muito ciumenta.
Era melhor voltar logo pra aula, aceitar namorar Sasuke, ou acabaria se descobrindo uma megera.
— Eu vou aceitar, sim? – segredou. Izumi esbugalhou os olhos e em seguida a abraçou.
— Até que enfim!
— Mas não espalha. Vai que ele diz que não quer mais...
— Realmente, garota? Ainda consegue ser insegura? Francamente...
Elas ouviram o som da buzina e seguiram para a porta, Sakura perguntou-se onde estava Mikoto, mas decidiu que esse também era o começo da paz da boa mulher. Mikoto se preocupava muito, cheia de zelos e o acidente com o amendoim a fez se sentir mal por muito tempo.
Sakura já amava, mas precisava sair um pouco de perto. Mikoto tinha passado por muita coisa na vida. Já estava na hora de ela descansar e aproveitar, criara dois filhos incríveis, superara a perda do marido, não devia se preocupar em cuidar de mais ninguém que não fossem seus futuros netos (os quais já cobrava de Itachi e sondava Sasuke).
As duas deixaram a casa, o carro de Izumi esperava ao lado de uma moto enorme e escura. Sasuke se afastou do semental de duas rodas, usava uma camisa social preta e meio amassada, as mangas encolhidas nos cotovelos deixando aquelas chamas a vista, calça jeans escura e surrada e aqueles cabelos escorridos e molhados a fizeram andar mais devagar e perder o ar.
Ele se aproximou, seus olhos estudando cada parte dela, fazendo suas pernas queimarem sob seu olhar cada vez mais tórrido.
Mas quando ele encarava seus olhos, não havia só desejo fumegando, e sim uma mistura de sentimentos além dos da carne. E ela assim sabia que, estava pondo seu coração no lugar mais seguro do mundo.
Junto do dele.
— Oi. – ele ciciou, desconcertado.
— Oi...
— Você está incrível... Uau.
Sakura riu, as bochechas assando.
— Obrigada...
— Hey, coisas fofas? – Izumi provocou abrindo a porta do carro – Vamos? Sasuke, vai levar a Sakura nessa coisa?
Sakura voltou a encarar a moto e ele também. Ele também e a fitou, incerto.
— Se você quiser...
— Está brincando? Que legal! – ela se aproximou da moto e Izumi partiu no carro. — É tão linda, nossa, vamos mesmo? E desde quando tem uma moto?
Sasuke se aproximou, coçando a cabeça e tentando focar ao máximo em outro ponto que não fossem suas pernas.
— Um idiota me devia um favor... E eu lembro de você ter dito que adoraria andar.
— Nossa, quero sim! – ele riu e puxou um dos capacetes, lhe oferecendo. Ela não negava a si mesma que preferia o vento no cabelo, mas Sasuke era um grandão protetor nato.
— Sabia? Um cara normal levaria a garota de limusine – brincou.
— Bem, as garotas normais geralmente pedem limusines, sabe?
— Engraçadinho, vamos?!
— Okay, mas eu vou pilotar.
— Hahaha, eu compro uma um dia.
— Neném, vai ter que me a acertar bem forte primeiro. – Sasuke subiu, e ela sentou, de lado pois estava de vestido. Ele suspirou encarando a frente e rememorando o caminho para o Pub, ou o único que lembraria seria o mais rápido para uma cama.
Sakura abraçou seu tronco e riu deliciosamente empolgada com o rugido do motor.
Ele não poderia pedir mais nada tão bom para sua vida.
O perfume de Sasuke vinha direto para ela, e não pode negar que sentira tentada apertar os gomos de sua barriga. Se ele era uma perdição antes, pilotando uma moto então...
O pub lhe trouxe uma sensação bem nostálgica, não via a hora de sentir o mesmo pela faculdade.
Sasuke estacionou e quando desceu, ela estranhou não ver as luzes amareladas vindo das janelas, mesmo havendo vários carros lá fora. Ajeitou a barra do vestido no lugar e entregou o capacete para ele.
— O que houve? Chris não pagou a conta de luz de novo?
— Não sei. – Sasuke disse, guiando-a até a entrada. Sakura entrou agarrada ao seu braço, ele apertou sua mão forte.
— Que está...? – as luzes se ascenderam de uma vez, e ela estremeceu com um grito que fora abafado por um verdadeiro coral.
— Feliz aniversário!!
Sakura encarou tudo perplexa demais pra assimilar, de repente haviam muitos rostos, muitas vozes, bexigas e cores. Confete explodindo aqui e ali. No balcão bar havia um bolo quadrado de dois andares, era branco e enfeitado com flores de um rosa claro, um monte de besteiras, salgadinhos, docinhos e afim estavam distribuídos ao redor e na estante de bebidas, algo que fez a ficha cair e seus olhos encherem de água.
— Feliz aniversário e bem vinda de volta – Sasuke leu para ela e a abraçou. Sakura escondeu o rosto vermelho, os soluços e a maquiagem que provavelmente borrou entre as mãos. – Achou que ia escapar?
— Idiota...- ela fungou. E como podia pensar isso? Seu aniversário foi em Janeiro, ela não disse a ninguém nem ficou preocupada por não lembrarem.
— Feliz aniversário! – Hinata exclamou, abraçando-a.
— Sua bruxa, armou pra mim!
— Armeei!
— Parabéns, Sakura – Hanabi cumprimentou entregando-lhe um pacote. Sakura a abraçou e em seguida deu com Mikoto, encarou-a com desconfiança.
— Porque eu ainda acredito em Uchihas?
— Deve ser nosso charme – a mulher provocou, Sakura nem olhou na direção de Sasuke, pois sabia que ele estaria sorrindo muito pretensiosamente. Abraçou-a e em seguida caminhou para dentro do bar, havia gente da sua turma, até mesmo alguns professores, mas ela sorriu e riu mesmo foi de deparar-se com uma mesa, onde as pessoas agiam como se fossem donos do lugar, se aproximou e sorriu.
— Em que posso ajudar? – eles todos a fitaram e Deidara se levantou dando um soco no ombro de Sasori.
— Tá vendo? Eu disse que ela viria, somos VIPs! Vem cááá! – Sakura riu quando ele a abraçou e praticamente girou com ela – Que saudades! Achei que ia virar um daqueles nerds esquisitos que não saem de casa pra nada.
— Uh, entendo...
— Que idiota – Sasori disse, abraçando-a em seguida – Seria um pecado esconder tudo isso, aliás, tá mais cheinha? Adoro ter o que apertar – ele piscou e Sakura segurou o presente com firmeza, ou o faria engoli-lo.
Se arrependeu de usar um vestido tão justo, céus.
Sasuke a puxou de perto do ruivo.
— Para de falar merda, nunca nem pegou mulher pra falar.
— Vai te catar, baby Uchiha.
— Meninos... – Sakura cantarolou.
— Parabéns pelo niver— Konan disse-lhe com sua habitual apatia – Posso ver a cicatriz?
Sakura recebeu o presente com medo.
— Uh...
— Ignora essa maluca estranha – Yahiko tranquilizou-a, apertando a cintura da morena em seu colo – Nagato, entrega meu presente.- Nagato o fitou, com estranheza.
— E você compra presentes? E como eu vou saber?
— Filho da puta. Te mandei trazer a porra do pacote que estava no caralho do porta luvas. – ele xingou.
— Wow, mas me diz, desde quando você manda em mim? – Yahiko o encarou e eles pareciam que iam se matar. Konan era a única empolgada com a ideia e os outros reviraram os olhos.
— Bando de sádicos de merda – ela se virou reconhecendo bem aquela voz e encarou Hidan, tão grande, selvagem e descolado como na primeira vez que o vira.
— Little Cherry. – ele chamou, aquele velho tom de badboy a fez sentir lágrimas nos olhos, aquele cara fizera sua vida na faculdade melhor do que ela esperara. O abraçou com força.
— Oi. – fungou.
— Haha, e você dizendo que ela nem lembrava de mim, huh, Baby Uchiha? – ele se gabou e Sakura se afastou enxugando o canto dos olhos e ouvindo Sasuke bufar.
— Não começa, Hidan.
— Humpf, eu disse que ela tinha coisa melhor pra sentir falta. – Sasuke rebateu, envolvendo o quadril dela.
— Aham, e olha que ela nem viu meu presente ainda – ele tateou os bolsos da jaqueta.
— Hidan, não precisava...
— Precisava sim, meu presente foi uma nota e eu nem peguei você – Falou Kisame, claro.
— É o quê, filho da puta? – Sasuke se voltou pra ele. Sakura revirou os olhos e estendeu a mão pra ele.
— Bom te ver também, Kisame.
— Uh, quanta frieza.
— Deixa de moda, Kisame, todo mundo sabe que até um pacote de balas te custa uma nota. – foi Itachi quem disse, aproximando-se em seu jeito casual, com Izumi pela cintura e um cigarro entre os lábios.
— Vão me zuar agora?
— Seria um bom presente – Sakura admitiu.
Hidan tomou sua atenção, pondo uma pulseira de ouro na sua frente. Sakura piscou aturdida, e se emocionou ao ver que era uma “pandora”, onde deveria ir preenchendo com pingentes aos poucos, mas o primeiro já estava, e era um coração realista, em pedra vermelha e ouro.
— Hidan... – fungou, pegando-a.
— Nada que uma mulher goste mais do que joias – Kisame ironizou.
— Eu adorei, Kisame você deve estar mesmo na pior, mas eu gosto de balas — ela rebateu. E ele pôs a mão no peito, ofendido.
— Outch.
— Idiota. – ela riu, Hidan ajeitando a pulseira em seu pulso e toda hora lançando um olhar zombeteiro para Sasuke. Sakura sentia que isso seria costumeiro dali em diante. – Obrigada.
— Disponha sempre, neném.
— Ah, seu filho da puta. – Sasuke rosnou uma risada na direção dele. Sakura empurrou seu peito e afastou.
— Tudo bem, campeão, porque não me ajuda a guardar meus presentes?
— Vai lá, baby.
— Hidan, só para. – Sakura pediu enquanto Sasuke falava seu tradicional “vou chutar a merda fora de você”.
Eles seguiram para o escritório de Chris, Sakura colocou tudo o que havia ganho até então numa caixa que estava no canto da sala e deixou sobre a mesa.
— Agora sabe porquê eu nunca ficava com eles. – Sasuke resmungou.
— É? Achei que estivesse correndo de mim. – Ele fez uma careta emburrada, e se sentou na beira da mesa.
— Vocês vão esfregar isso na minha cara pra sempre, não é?
— Talvez – ela riu, passando os braços em volta de seu pescoço. Sasuke inspirou, afagando suas costas, lhe deu um sorriso pequeno e afável.
— Então? Está feliz?
— Estou – Sakura declarou, e saiu tão naturalmente que ficou surpresa, ela não sabia se já havia reagido assim em algum momento. Mas sabia que era totalmente real.
Sasuke beijou sua testa, talvez ela tivesse demonstrado suas dúvidas, apenas apreciou.
— Fico feliz. Mas... tenho que confessar.
— Hum?
— Vou queimar alguns desses presentes.
— Sasuke.
— Inclusive essa pulseira.
— Argh.
— Você gostou muito dela, eu vi.
— Sim, gostei. Porque gosto do Hidan. Mas gosto de uma forma diferente, ele é um amigo muito legal.
— Humpf.
— Ele já vacilou, sim? Eu sei.- Sakura beijou seu maxilar e suspirou. – Você também, e eu estou aqui. – ele a trouxe mais perto.
— Não está onde eu quero.
— Eu sei...
— Quero falar sobre isso depois da festa. – Ela se afastou um pouco, e o encarou firmemente.
— Eu também.
Sasuke se sentiu nervoso, talvez muito nervoso, ao perceber tanta segurança em seu olhar e voz, ele ainda esperava relutância vindo dela, e não a culpava, esperava até mesmo que lhe dissesse que a estava pressionando.
Agora ela parecia tão segura quanto ele e era sim assustador, porque já não sabia mais o que esperar da parte dela, e nem de si mesmo.
Sakura beijou seu rosto e saiu ali tão alegre e leve, que ele só podia pensar que era essa garota que tinha seu coração na mão, e sentir um frio na espinha.
Ele estava fodido.
Porque enquanto ele sabia se fechar por fora, Sakura se fechava por dentro.
Deslizou os dedos pelos cabelos num puxão que exigia concentração e paciência, devia isso a ela. Devia andar no ritmo dela até que os dois pudessem construir um próprio.
Ou que ela decidisse seguir em frente sozinha. Bem, agora só podia esperar.
Voltou para a festa onde Sakura já estava cercada de pessoas, percebia o quanto ela parecia surpresa com isso, até desconfortável, ela não fazia ideia de que tanta gente viria. Embora fosse óbvio que boa parte do motivo fosse o acidente e tudo o que levou a ele, graças ao velho fato de que em cidade pequena sempre se buscam novidades e fofocas, ela não esperava que, seja por qualquer motivo, houvesse tanta gente ali por ela.
Bem como não fazia ideia do quão encantadora era, ela não fazia ideia do quão adorada era.
Hinata logo a arrastou rumo ao balcão, pondo-a diante do bolo e enfiando um microfone em suas mãos. Sakura o empurrou de volta como se pegasse fogo, mas nada como um bar cheio de gente gritando: Dis-cur-so! Dis-cur-so! Para obriga-la a seguir a dança.
— Erm... Ah, enfim, eu não sei o que dizer... Quer dizer... Eu nunca esperei por isso, ou metade disso, minha vida toda... Mas agora... pensando melhor, acho que não cabe uma comparação, por que de certa forma... Esta é uma vida nova. — ela inspirou enquanto silenciosamente era ouvida – E nesta vida nova, eu descobri tantas outras coisas as quais havia evitado conhecer, literalmente fugido, que eu não vejo isso apenas como uma segunda vida, ou um renascimento, é uma benção. É uma benção estar aqui de novo, uma benção vocês estarem aqui por mim, é uma benção eu poder enxergar isso agora.
"É uma benção e eu só posso agradecer, obrigada a esta nova vida, a esta nova chance, e a este novo olhar que vai me permitir enxergar melhor, ouvir melhor, sentir melhor sobre mim e sobre as pessoas a minha volta, pessoas que eu afastei, pessoas que julguei, pessoas que eu dei o mínimo de mim porque tinha medo de perder e, principalmente, pessoas que eu afastei porque menosprezei seus sentimentos em relação a mim, pelo simples fato de que eu não sabia como reagir a isso, então eu também peço desculpas."
Ela fungou e encarou Hinata com um sorriso sincero e cheio de gratidão.
— Obrigada. Obrigada por continuar aqui e por chorar e por sorrir, e tudo por mim, obrigada por ter sido a primeira pessoa a me mostrar que, pra se ter uma família, não se precisa ter ligações sanguíneas, você foi muito mais que uma amiga, desde o primeiro momento em que nos falamos, ainda assim, eu fui burra com você em vários momentos, agindo como se não te devesse nada por sermos colegas de trabalho apenas. Obrigada por não desistir de mim, e por ser a primeira a tentar mostrar que eu era querida. E que eu mereço ser amada independente de tudo, que eu nasci para ser amada como qualquer outra pessoa.
— Oh, desgraçada — Hinata fungou, abanando o rosto vermelho, Hanabi ria dela e lhe ofereceu um lenço.
— Obrigada, as pessoas que vieram depois de você, você foi um marco na vida, talvez mais do que essa cirurgia, Obrigada a você Mikoto, você é a pessoa mais gentil que eu já conheci, e se hoje eu sei o que é benevolência, caridade e compaixão de verdade, eu aprendi com você, e também... E também acho que aprendi o que é ter uma mãe. — Sakura disse, corando de vergonha e emoção.
— E eu achava que sabia jogar baixo – Itachi comentou, Sasuke só então o reparou ao lado e o encarou, sem entender.
— O que quer dizer? — Itachi o encarou como se ele fosse um retardado, e que sentia um pouco de pena.
— Que depois dessa, se Sakura não te amarrar, Mikoto te amarra nela.
Sasuke volteou o olhar direto para a mãe, sentada junto de Kakashi numa das mesas de frente para o bolo, ela estava tão rubra quanto Sakura, e seus olhos brilhavam tanto encarando a garota, que parecia que a havia acabado de dar a luz, com uma mãe após o parto, naqueles filmes melosos.
Que sua mãe já adorava não era novidade, Mikoto tinha Izumi como uma amiga preferida, e nora dos sonhos, dada a forma como ela domou Itachi. Mas com Sakura, a coisa era bem mais maternal, ela era como uma filha caçula.
— Melhor pra mim, não? — Gabou-se. Itachi lhe mandou um olhar de desdém e se afastou da parede.
— Melhor? Pra mim significa que se você fizer merda, a mãe te entrega pra adoção e fica com a Sakura. Você tá é fodido, irmãozinho.
O sorriso de Sasuke se desfez e ele cruzou os braços, ignorando ao máximo o frio na espinha que a risada rara de seu irmão causou naquele momento.
— Obrigada a todos que me acompanharam durante esse tempo, seja direta ou indiretamente, e toda a força que mandaram, hoje eu sinto que valeu muito e ainda vale, por que estou só reiniciando minha nova vida, e muitos obstáculos ainda estão por vir, e é graças a vocês que posso ter força pra seguir em frente porque... Bem, vocês são minha família. — Sakura concluiu segurando o microfone com força, Hidan bateu palmas e assoviou fazendo o resto se levantar e fazer o mesmo. Hinata tomou-lhe o microfone a abraçou enquanto Hanabi emendou logo a canção de parabéns.
Sakura tentou enxugar o rosto e rindo, se curvou e assoprou uma vela que soltava faíscas, soprou pelo menos três vezes porque sempre ascendia de novo. Como não entendia muito destas tradições, ela só torceu que significasse algo bom.
Agora sabia porque Mikoto estivera fora a tarde inteira, já reconhecia o sabor de seu recheio de creme limão e a fofura da massa de chocolate. Sasuke finalmente, apareceu, ele não apreciava tanto ficar na frente de tanta gente, e embora se o tivesse visto, ela lhe dirigiria algumas palavras também, resolveu que poderia guarda-las para mais tarde.
— Está ótimo, eu amo sua mãe — ela cantarolou, lambendo os dedos, ele sorriu meneando a cabeça;
— Eu não sei como me sentir sobre isso, quer dizer, como um cara deve reagir quando sua garota diz que ama a mãe dele?
— Torcer para que a mãe ame a garota dele também — Mikoto comentou enquanto passava. Sakura riu, e ele viu que ela não estava nada insegura quanto a isso.
No fim, só ele estava pendurado enquanto Mikoto, Izumi e até mesmo seu irmão idiota gozavam de ótimo afeto com Sakura.
E ele só gozava no chuveiro.
— Toma – Sakura lhe ofereceu um prato com uma fatia, e ele suspirou.
— Erm... Doces não são minha praia, neném — ela fez um muxoxo.
— Mas nem de festa? Caramba – Sabia que ele não gostava, mas esperava que ao menos de vez em quando.
— Não, valeu – ele sorriu – Mas aceito outra coisa.
— Tudo bem, então você fica com os salgados...
— Valeu.
— E eu levo esse pedaço para o Hidan, porque ele sim adora doces, volto já.
— Valeu – ela acenou, sumindo entre o bolo de pessoas que rodeava o bolo. Sasuke franziu a testa e xingou, imediatamente seguindo-a – Sakura? Sakura? Devolve meu pedaço.
***
As gargalhadas dos dois soaram pela calçada vazia e mal iluminada, Sakura tinha certeza que teria medo de sair de noite e andar um por um local ermo assim, sozinha, por muito tempo. Mas a presença de Sasuke não era só calor, ela o sentia como uma muralha, uma fortaleza constantemente próxima, protegendo-a, pronto para envolvê-la a qualquer momento.
O outono estava esfriando cada vez mais, e ela admitia que não estava em roupas muito adequadas para enfrenta-lo mesmo a jaqueta de Sasuke sendo tão útil. Haviam deixado o bar já pelas duas da manhã e Sakura não se lembrava de já ter se divertido tanto ainda mais após um bom cover de Jonny Cash interpretado por Mikoto e o irmão dela, Kakashi, dois asiáticos nativos também do Arkansas e ainda por cima, dançaram quadrilha. Sakura tinha certeza que os dois se arrependeriam muito daquilo amanhã, e ela e Sasuke tinha vídeos para futuras chantagens já garantidos.
— Quem diria que você também tem Quadrilha no seu sangue.
— Se por acaso tem pretensões de me ver dançando algum dia, vai se decepcionar – ele avisou.
— Chatooo.
— Mas eu não me importaria de te ver numa daquelas roupas, como chamam? Ah, kimonos.
— O quê? Vai sonhando! Nunca vesti algo assim na vida.
— Nem no Hallowen? — ele propôs e ela negou – Droga, agora estou indeciso, porque também queria te ver de enfermeira, sabe?
— Que pervertido! — Sakura acusou, andando mais rápido a sua frente ele riu e a puxou para perto de novo, fazendo-a seguir seu passo.
— O que? É normal, ora. Qualquer cara que esteja saindo com uma futura médica já fantasiou algo do tipo.
— Oh? E estamos saindo? Não fui informada.
— Não foi? Eu pensei ter claramente te ligado de tarde e dito que poderíamos ir ao bar hoje, você não lembra? — Sakura revirou os olhos e deu de ombros.
— Eu aceitei mas que eu me lembro, você disse que iriamos sair com todos os nossos amigos, ou seja, não foi um encontro, aliás, acho que nunca tivemos um encontro de verdade...
Ele abraçou-a e sorriu torto e até empolgado.
— Sem problemas, podemos fazer isso amanhã, ou mesmo hoje, sei lá, que tal irmos... Ao parque?
— Parque? Essa hora?!
— Bem, é o único lugar aberto agora, a gente pode sentar num balanço e ter altos papos, até mesmo rolar na areia, se não tiver caca de cachorro...
A essa altura ela já gargalhava, e estava vermelha, apreciou que estivesse tão tarde e não tivesse mais ninguém na rua.
— Estou brincando – Sasuke riu – Mas podemos começar por aqui – ele declarou, soltando-a e seguindo para duas portas de vidro num prédio, Sakura olhou em volta, tentando reconhecer a rua. Estavam a pé porque ele havia devolvido a moto que aliás, era de Naruto, e que aliás, passara a festa inteira no pé de Hinata, que aliás, Sakura percebeu não estar tão mais incomodada com o cara novo. Ela até havia trocado olhares com Hanabi que lhe indicara que, embora estivesse sendo dura como sempre era, Hinata estava mais balançada pelo runningback de Konoha três anos mais novo, do que admitia.
— Que lugar é esse?
— Você sempre me magoa assim de propósito ou é seu talento natural? — Sasuke indagou, embora seu tom tenha sido leve e brincalhão ela até se aturdiu um pouco e se esforçou para lembrar, ele riu e abriu a porta, chamando-a para dentro e ascendendo a luz.
Sakura entrou deparando-se com um ambiente meio desconstruído ou em construção, talvez reforma. As paredes estavam com uma camada nova de tinta branca, pois ainda sentia o cheiro forte dela, haviam tábuas e escadas pelos cantos, muito jornal velho e um balcão no canto além de molduras deixadas ao pé das paredes.
— Esse é...?
— O meu antigo estúdio — Sasuke respondeu, enfiando as chaves no bolso – Bem como eu estou no outro que é maior e mais maneiro, esse vai ser alugado pra outra coisa.
— Entendi! O que vai ser? — ele lhe sorriu de matreiro e se aproximou, encostando o indicador nos lábios dela.
— Promete que faz segredo?
— Nossa, claro, 007. — ele revirou os olhos e prosseguiu.
— Antes do babaca do meu avô Madara pirar e ameaçar nossa mãe e nossa família, ela tinha uma lojinha de doces, uma confeitaria, sabe? Foi por meio dela que meus pais se conheceram.
— Seu pai gostava de doces? Que desgosto de você — ela provocou, mas estava mesmo era encantada com a história dos pais de Sasuke mesmo com a sombria intromissão de Madara Uchiha. Sasuke lhe sorriu ainda mais traquinas, e também, sedutor, acariciando seu queixo lentamente e observando seus lábios com desejo explícito.
— Eu puxei o desgosto por doces do meu pai – ela piscou confusamente – Ele ia comprar os doces e bolos apenas pra ver e falar com ela, Sakura.
Sakura sentiu o queixo cair, e ele beijou sua bochecha.
— Ele até mesmo os comia na frente dela pra impressioná-la, ela só foi descobrir quando estavam noivos e ele ficou enjoado de tanto se forçar a comer bolo de ameixa.
— Meu deus.
— Como ele dizia que gostava e ela também queria impressioná-lo, ele se tornou sua cobaia para comer novas receitas. Ela ficou bem zangada no começo mas depois eles apressaram o casamento.
— Nossa, isso foi tão fofo, você com certeza puxou seu pai.
— Tsc, não acredito que te contei pra ouvir isso – Sasuke resmungou, se afastando e mexendo no cabelo, emburrado, Sakura o seguiu para a porta, ainda maravilhada com os pais de Sasuke, eles eram como um casal de conto de fadas da vida real.
— Então esse lugar vai ser?
— Itachi resolveu que ela merecia mexer com algo só dela em vez de tentar entender tanto de finanças ou dos processos que manipulação da borracha, meu tio ajudou bastante mas ele é apenas um advogado e gosta de sossego até demais. Sei que parece estranho enfiar um trabalho nela, mas Mikoto Uchiha não fica parada nunca, ela vivia fazendo bolos e doces pra todo mundo, pelo menos merece ganhar um dinheiro só dela pra isso.
— Entendo, vai ser lindo, e uma surpresa, sim?
— Sim, ela pensa que alugamos pra um dentista, então beicinho fechado, neném. — Sasuke abriu a outra porta e ela viu que quase tudo ali estava mudando também, as paredes ainda não tinham sido pintadas, e da sala de tatuagem ainda restavam a cadeira e um carrinho com alguns materiais como tintas, luvas e canetas.
— Espera, você também não morava aqui? — ela corou ao lembrar do dia que acordou no quarto dele, fazia quase um ano, mas ainda lembrava vividamente disso e de alguns detalhes nada pueris.
— Sim, por enquanto – ele suspirou, se recostando na ampla cadeira de estofamento escuro, Sakura notou seu tom sério e se sentou na beira da cadeira, o fitando.
— Não vai mais?
— Como sem uma segunda entrada, dá pra facilmente fechar a outra que tem aqui, e também alugar sem incomodar Sra. Mikoto e seus bolos, eu vou para um apartamento maior e só meu, esse o Jiraya invadia toda hora, não era muito confortável...
— Jiraya é a pessoa mais inconveniente do mundo – ela acusou, lembrando perfeitamente do badboy da terceira idade pedindo em meio a festa que ela o deixasse ver como a tatuagem ficou.
Agora todo mundo sabia que ela tinha uma tatuagem, e pelo menos metade deles não a deixariam em paz enquanto não vissem.
— Mesma opinião — Sasuke inspirou, olhando em volta, ela imaginou que ele tinha boas lembranças dali, ainda assim e fosse meio depressivo deixar o lugar.
— Você já decidiu pra onde vai? — ela indagou, talvez pudessem se ajudar, ela também procuraria uma apartamento assim que voltasse a trabalhar direito.
Sasuke voltou os olhos para ela e observou-a atentamente.
— Tenho uma ideia, mas só posso decidir com uma condição.
— Que é?
— Preciso saber sua resposta, neném. — Sakura soltou o ar pela boca, rapidamente enervada – Temos que conversar – ele reforçou, suavemente.
— Eu... Nossa, odeio quando você é direto.
— O que? Não fode, sério garota, escolha como quer, huh? — ele reclamou. Sakura sacudiu a cabeça, rindo de nervoso.
— Desculpe, mas convenhamos que você não sabe dosar, ou enrola demais ou é direto demais...
— Não puxei mão boa para dosar as coisas como a minha mãe, eu já sei, vou te fazer um bolo pra eu você entenda.
— Obrigada, mas não preciso de uma intoxicação alimentar logo agora.
— Agora eu to ofendido...
— Eu te quero – ela cuspiu, e de repente se sentiu idiota, ela realmente esperara tanto pra dizer isso assim? Ela com certeza era tão ruim como declarações como Sasuke deveria ser com bolos.
Ele a encarou com a boca aberta e um olhar embasbacado, tão perdido quanto ela, os dois ficaram apenas se observando enrubescer gradativamente, e Sakura decidiu não estragar mais nada por pelo menos uns cinco minutos.
— Porra...- ele balbuciou – E eu que não sei dosar? — ela se encolheu, timidamente. — Garota você quer me matar?
— Desculp-..- Ele a beijou, e ela decidiu que se ele estava revidando, não reclamaria.
Sasuke quase a deitou contra a cadeira, sua língua queimava a dela com tanta energia passando entre eles, como se fossem água e uma superfície super aquecida se encontrando, o vapor subindo como uma névoa de desejo maçante praticamente cegando os dois.
Ele se afastou encarando-a com o peito subindo e descendo muito rápido.
— Vem morar comigo. — Sakura se sentou, fitando assustada.
— Oi? Morar?
— No apartamento, nós dois, eu já escolhi, é perfeito, mas se for pra nós dois.
— Mas você quer dizer morar junto? Isso é muito rápido, mal começamos a namorar. Nós acabamos de começar.
— Você mora com a minha mãe, e eu dormi lá em casa quase todo esse tempo, foi basicamente a mesma coisa.
— Mas tinha a sua mãe morando com a gente!
— E não podiamos fazer sexo por todos os cantos, agora vamos poder – ela arfou quente e desconcertada, de certa forma ele tinha razão, Sakura sabia que não era só o trato que fizeram que os impedia de ficarem se amassando, ela se sentiria muito abusada de fazer algo assim sob o teto de Mikoto que já lhe cuidava tão bem. Também seria esquisito mesmo que Mikoto nunca se importasse.
— Mas eu não quero depender de você! — ela reclamou, ou gaguejou porque ele estava pendurado em seu pescoço, as mãos grandes alisando suas pernas, não era muito fácil raciocinar assim, e queria bater nele por ser tão trapaceiro.
— A gente racha numa boa. — Sasuke ronronou – E podemos testar numa boa também, três meses, sim?
— E-eu não sei... Sinto como se você estivesse me prendendo – Sakura resmungou, ou gemeu.
— Eu só quero a minha garota por perto o tempo todo, sentir esse perfume gostoso... Essa pele macia... E estar a disposição o tempo todo pra deixar ela feliz.
Ela sorriu um pouco.
— Feliz?
— Muito feliz. — Sakura tinha que admitir que era uma proposta tentadora, e que muitas garotas a estariam espancando por deixar passar.
Mas ela queria andar com as próprias pernas e Sasuke já estava querendo enfia-la num ninho para protegê-la e mima-la.
Ou talvez... Um ninho só deles.
Ela se perguntou se não estava era se cegando novamente, passara anos agindo como se só devesse depender de si mesma até aprender que merecia se escorar em um ombro amigo de vez em quando, aí conhecera Sasuke temia mais que tudo se tornar uma espécie de Ino, ficando dependente de Sasuke e do apoio que a família dele lhe deu para passar pelo transplante e recuperação. Talvez estivesse voltando a ser a Sakura lobo solitário e autosuficiente demais outra vez. Alguém que de tanto tentar se virar sozinha, se tornava ainda mais sozinha.
Ela o abraçou e suspirou, sentindo o perfume dele e o calor todo contra si, não podia negar que ainda mais tentador aceitar. Levantou a cabeça e o encarou.
— Tudo bem, mas só três meses, de teste.
— Eu não sei você, mas vou estar no paraíso, e não vou querer sair dele – ela bufou envergonhada, e ele a beijou, acariando-a toda, e ela se sentia quente e vergonhosamente pronta.
— Hum, então... esse era seu presente pra mim...? — Não que ela estivesse sendo burra o bastante de reclamar.
Sasuke retesou, e se afastou, encarando-a rubro.
— É-é claro que não! Eu sou o quê? Um gigolô?
— Hã? — ele se afastou puxando-a e pondo-a de pé, ainda constrangido a puxou para a porta que ela sabia que daria acesso ao apartamento antigo dele.
— Vem, foi por isso que eu te trouxe. — ele disse, evitando até encara-la. Sakura o acompanhou até o quarto, que lhe trouxe uma enxurrada de lembranças que ainda a faziam corar e esperar que Izumi estivesse certa quando disse que lá pelos cinquenta anos, Sakura riria desta história toda e até contaria aos netos.
Como se fosse aceitável dizer aos netos que conheceu um cara ao acordar ao lado dele todo pelado e ainda com o nome dele tatuado no traseiro.
O quarto estava bem mais desarrumado e vazio, só restavam a cama, um armário de solteiro e roupas num cesto comprovando que Sasuke estava praticamente de mudança.
— Hn... Seu presente está ali..- ele indicou a ponta da cama. Havia uma cestinha cheia de babados e com a alça enrolada em fitas brancas e laços.
— Mentira! — ela exclamou, o surpreendendo — Você vai me dar chocolates? — Sakura praticamente correu até a cama, mesmo que houvesse comido muito doce e chocolate na festa e Mikoto a tenha agraciado com um bolo vez ou outra, sua dieta rígida a impediu de comer tanto como gostava, era o tipo que sempre tinha uma barrinha dentro da bolsa.
Ela parou diante da cesta e encarou o conteúdo dela, alarmada e confusa, enquanto Sasuke se curvou cuspindo uma gargalhada alta que fez a coisa dentro da cesta se esticar preguiçosamente, e encara-la com olhos de um azul ainda escuro e levantar as orelhas com interesse, ao nota-la.
— U-um gato...? — ela ciciou surpresa. E Sasuke enxugou o canto dos olhos ao se aproximar, ele estava vermelho de muito rir agora e ela bateu em seu peito.
— Desculpe, mas eu pensei que você abocanharia ele antes de ver o que é.
— Idiota! Seu presente é um gato? Nossa...
— Não gostou? Você sempre brincava com o da vizinha, e eu achei que iria querer mais alguém caso enjoasse da minha cara no apartamento, sorte que você não tem alergia.
— Não é isso – ela se apressou e pegou o filhote, ele era todo branco apesar das orelhas suavemente escuras e seu pelo todo ouriçado o fazia parecer um floco de neve – Ownt, que lindo, Sasuke.
— Não é o tipo comestível mas...
— Chato! Eu pensei que fosse uma cesta de doces, ué.
— Aham...
— Humpf – ela abraçou o gato e beijou a cabeça, adorava gatos e não podia ver que estava alimentando e acarinhando, motivo pelo qual o da vizinha passou a gostar tanto da casa deles. Nunca se vira tendo um filhote nem mesmo de cachorro, mas a perspectiva disso e de uma casa nova a empolgou e emocionou. — É tão lindo, obrigada – fungou, Sasuke deu de ombros.
— Já está vacinado e tudo mais, pegamos de uma ninhada de abrigo, se não se importa.
— Claro que não, ele é lindo.
— Eu acho que é ela...
— Jura?
— Acho que sim, veja na coleira, eu pedi pro cara da petshop facilitar...- Sakura rapidamente afagou o pelo espesso do gato e encontrou a coleira que era cor de rosa.
— É uma garota!
— Legal... Já tem a medalha de identificação só falta gravarem o nome e...
— Meu deus – ela gemeu, e o encarou — Você... Você é maluco – Sasuke não se sentiu ofendido, apenas a ajudou a tirar da coleira da gata, um pequeno anel prateado, não era uma aliança, era tão pequeno que cabia apenas no mindinho dela. Mas ela notou que havia um anel no mindinho dele também, de aro mais grosso e desenho mais rústico, não disse nada sobre isso.
Não precisava, as coisas ficaram bem claras entre eles agora, sem palavras, sem ações, apenas dois arcos de prata indicando que estavam oficialmente juntos num nível ainda inicial, mas juntos.
— Que-que nome eu dou pra ela? — ela indagou, ainda nervosa, não foi como se ele tivesse ficado de joelhos e fosse um diamante, mas ela nunca recebeu presentes de namorados, ou teve namorados. Agora tinha um anel de namoro e um namorado.
Uau.
— Talvez Chocolate? — Sasuke brincou, e Sakura bufou, no entanto, decidiu que mesmo sendo uma forma do filhote ter uma história, algo a dizer sobre sua existência, algo para lembrarem dela e ela nunca sair das mentes deles e da vida deles. Uma forma de ela ter seu lugar garantido.
E Sakura sabia o quanto isso era importante, ela nunca teve uma história, teve que fazer a própria sozinha como se fosse um castelo de cartas que temia que outras pessoas desmanchassem, sendo que, eram elas que a ajudariam a fortifica-la e tornar pedra sólida. Porque se você não se une a ninguém, se você não se deixa ser conhecido e lembrado, você simplesmente é deixado para trás até sumir e ser esquecido, você passa pela vida sem deixar marcas nas das pessoas.
Talvez por isso ela e Sasuke estivessem juntos, ele era a pessoa que empregava marcas nas outras, marcas que se tornariam parte da história delas, e ela era alguém apenas querendo passar despercebida, ameaçando a própria existência ao vagar sozinha.
Então ele apareceu e a marcou e não deixou-a sair sozinha de novo, marcou, acalentou e aqueceu.
— Vai ser Chocolate – afirmou, convicta e empolgada e a gata miou manhosamente. Sasuke piscou surpreso e sorriu, afagando suavemente atrás das orelhas de Chocolate.
— Chocolate, espero que sua dona não volte a te encarar como encarou antes, deve ser assustador ter uma garota querendo te devorar.
— Que chato, Sasuke. — Sakura resmugou, e ele lhe mandou um olhar quente, aquecendo-a de novo.
— Já eu, não me importaria.
Sakura deixou Chocolate repousar de volta em sua cesta enfeitada, e seu olhar provavelmente estava em Sasuke como ele queria, ele puxou sua mão e em silêncio, seguiram de volta para a a sala de tatuagem.
— Espera, deixamos mesmo o quarto pra gata? — ela disse, chocada. Sasuke a puxou com força contra o corpo, e apertou suas cochas, erguendo-a e sentando-a sobre a cadeira Sakura se deitou arquejando de ansiedade e ele subiu, sobre ela, os olhos negros ardentes pregados nos dela enquanto as mãos apertaram suas pernas e quadril.
— Não faço questão da cama – Grunhiu, e ela descobriu que também não.
Era orgulhosa, rancorosa, ciumenta e parece que pervertida também.
— Que se dane – gemeu, e ele chupou seu lábio longamente, fazendo-a estremecer por inteiro.
— Assim mesmo, neném — ciciou – Que se dane, começando por esse fodido vestido, você está tão quente, espero que esteja sem sutiã também.
— Estou...? — ela já nem lembrava, mas esperava que sim.
— Vamos descobrir? – Sasuke ofertou, tentadoramente e enviou as mãos para as costas dela, o som do zíper a encheu de arrepios gostosos. Ele abriu até a base de sua coluna e foi lá que Sasuke tocou, sobre a tatuagem e subiu por sua coluna e os dois não sentiram outra peça em torno dela.
Sasuke grunhiu deliciado, e puxou o vestido do colo dela, onde colou os lábios e chupou, Sakura se retorceu, enroscando as pernas nas dele, tão fortes e grossas. Ele apertou suas cochas empurrando-a mais para o encosto da cadeira, deixando-a a sua altura.
— Vamos tirar isso, neném, pode estar frio mas eu esquento você. – Sakura apenas abraçou seu pescoço e sentiu suas mãos deslizarem para baixo, livrando-a do vestido aos poucos.
Sasuke o largou no chão e apertou seu quadril com o olhar fumegando de tesão e os lábios mordicando-se de satisfação e fascínio.
— Porra, você é muito... Puta merda.
— E isso é bom? – Ela indagou, com uma pitada de bom humor e de insegurança, os braços recolhidos contra o colo, não para ocultar os seios, mas a cicatriz entre eles. Sasuke firmou o olhar no dela e sorriu sensualmente.
— Bom demais.
Sakura arquejou e o puxou pela camisa, dando início a uma nova sessão de beijos. Sasuke abarcou seus seios e chupou o pescoço dela com um gemido de prazer.
— Delícia.
Sakura respirou fundo, e puxou a camisa dele, alguns botões romperam, mas não todos, infelizmente.
— Ainda falta mais. – disse, arfando. Sasuke sorriu de maneira pretenciosa e ficou sobre os joelhos encarando-a, ele puxou a camisa para cima. Sakura sentiu que teria sua primeira parada cardíaca com o coração novo.
A última vez que o viu seminu, foi enquanto ele concertava a cerca dos fundos da casa. E não só ela apreciou a visão daquelas tatuagens brilhando ao sol.
Agora ele parecia de novo um Ares, um deus implacável sobre ela, esculpido para prazeres tórridos. Ele jogou a roupa no chão e apoiou uma das mãos sobre o encosto ao lado da cabeça dela, se curvou e a beijou, com a outra mão afastou as dela do colo e, enfeitiçada pelo sabor da língua dele, ela as afastou pousando-as em sua perna e quadril. Sasuke afastou os lábios e com os dedos, tocou a fina linha de um tom rosado que cortava a caixa torácica de Sakura, e ela se empertigou, automaticamente voltando a querer escondê-la.
— Eu não me importo, sabe? — Ele ciciou, calmamente.
— Ela é horrível. — Ela resmungou, emburrada.
Sasuke sorriu suavemente e beijou a cicatriz.
— Confesso que não fico muito tempo olhando – brincou, e em seguida beijou seu seio direito, ela riu um pouco, ainda nervosa. Ele provavelmente desistiu de convencê-la com palavras e chupou seu mamilo com força, fazendo-a decidir que era o melhor caminho.
Abraçou os ombros dele, empurrando o colo para seu rosto e gemendo longamente a cada chupão que ele demorava em sua pele.
— Aposto que está pronta pra mim – Ele disse, mais para si mesmo, as mãos separando as cochas dela em apertões firmes, marcando com os dedos até chegar a calcinha preta, passou a palma por cima da fenda dela suavemente fazendo-a jogar o quadril para ele, e então seus dedos entraram sob o tecido, e Sakura o encarou com os lábios abertos tremendo de desejo. Sasuke a assistiu admirado e excitado. — Eu sabia, minha garota está louca por mim, hn? Está cheia de vontade – Provocou e ela tremeu com seus dedos brincando dentro dela e sobre o clitóris — Molhada de vontade.
— Eu não vou dar conta assim – Sakura ciciou, sentindo as pernas espasmarem como a vez que ele a atacou daquele jeito, ela sabia como ele faria, sabia o que viria, e nem mesmo isso a fazia menos necessitada de liberar-se nos dedos dele, ela nunca achou que sentiria isso tão bem, mas gostava, ele sabia que ela gostava, e ele iria acostumá-la com isso, porque ele não mediria esforços pra se marcar na pele dela.
— Não segure, neném, solte pra mim, vem pra mim, Sakura.
— Meu deus – Sasuke apanhou seu seio entre os dentes com maldade, ele afundou o dedo maior dentro dela, o polegar esfregou seu botão de nervos com tanta habilidade que ela enxergava pontos de luz na escuridão dos olhos fechados mesmo antes de gozar, quando ele pôs mais um dedo ela sabia que estava perdida, e ele consolou-a beijando seu pescoço e sussurrando carinhosamente como ela era linda gozando em seus dedos, e que seria ainda mais linda gozando em seu pau.
Ela estava mais preocupada em estar viva depois de gozar com ele dentro, finalmente. Sasuke desceu da cadeira, e a puxou pelas pernas para a beira novamente, a calcinha deslizou por suas pernas tão rápido quanto o vestido e ele pousou a mão grande contra o ventre dela, impelindo-a a deitar, ela o fez ainda tonta, e gritou abafadamente, quando ele puxou sua cocha aberta e lambeu a fenda ensopada com um grunhido de êxtase.
Agarrou os cabelos dele e gemeu languidamente sentindo cada pincelada de sua língua, os dentes mordiscando as cochas e a barriga, Sakura se apoiou e se sentou, o deixando ir com a boca, subir até encontrar a dela e quando ele fez isso, levou as mãos até a calça dele, e apertou suavemente o volume que empurrava contra o jeans.
— Além de dormir pelado você também não usa cueca? — ele riu abafado em seu pescoço e ela abriu o botão da calça, quando puxou o zíper, sentiu seu falo saltar para fora, e confirmou sua teoria. — Você é um garoto bem rebelde, sim? – ironizou beijando seu queixo, ele tremeu quando ela deslizou a mão por sua extensão pulsante, ela não sentiu necessidade de olhar, ela ainda lembrava como ele era, e ainda sentia. Longo, a cabeça suavemente menor e corada, apontado para o estomago, e o cabo grosso enterrado num ninho de pelos escuros.
— Difícil ser desobediente assim – Sasuke respondeu, engolindo duro.
— Eu posso chupar? — ela perguntou, ele soltou o ar quase desesperado, e gemeu quando ela deu atenção a cabeça, empurrou o quadril para ela e Sakura o encarou, sua expressão suplicante, a pele vermelha e suada e a deixaram insana, e ela acabou o obrigando a respondeu logo, bombeando com mais força.
— Pelo amor de deus, não, eu não vou dar conta.
— Jura? Eu não acho que seria tão boa... — foi sincera, ela não chegou a tanto com Hidan, nunca se ofereceu e ele embora, tivesse certeza que seria um gentil e paciente professor, não ofereceu ou tentou impeli-la durante as vezes em que ficaram.
Mas Sasuke, ela queria, queria experimentar, queria agradar, e queria descobrir que gostava.
Sasuke segurou seu rosto e a encarou.
— Se você usar essa boquinha linda agora, eu vou gozar muito forte, neném, eu venho sonhando com isso a tempo demais pra lidar. Eu quero foder você mais que tudo antes disso. Nós dois vamos sair daqui com as pernas bambas de tanto foder, sim?
— Não vejo porque não tentar – ela disse, arquejando de novo de antecipação, Sasuke abocanhou-a e segurou suas pernas abertas empurrou o quadril encaixando no dela e finalmente pôs a camisinha, Sakura largou os óculos já mais do que embaçados sobre o carrinho e ele a abraçou empurrando a ponta do pênis contra a abertura dela, Sakura tremeu e choramingou quando ele maldosamente esfregou em seu clitóris e Sasuke a jogou para trás, se curvando sobre ela e adentrando-a aos poucos.
— Porra, foda-se, eu amo você. — Sasuke bateu dentro dela, e ela repetiu o mesmo que ele disse, eles só estavam sendo idiotas e lentos um com o outro de novo. Não havia porque omitir isso mais.
— Você é tão quente – Ela apreciou, e ele empurrou dentro dela depois de sair devagar e cruelmente. — Achei que estava com pressa – alfinetou, quase sem ar. Sasuke puxou sua perna e levantou contra o próprio quadril e então ele empurrou de novo, e voltou, e não parou mais.
— Vamos ver quem aguenta mais, neném, você não sabe o que te espera.
— Merda, que grande...- ela gemeu, tremendo completamente, Sasuke riu contra seus seios, chupou os dois com fome, enquanto martelava dentro dela com todo gás acumulado. — Não pare agora, por favor.
Ele poderia ter rido disso, mas sequer respirava direito, ela era tão quente por dentro que se calor praticamente o puxava de volta, como um imã. Sakura o abraçou e ele se afastou da cadeira completamente, com suas pernas em volta de si, abraçou seu quadril e arremeteu dentro dela. Sakura jogou o rosto para trás, sentindo o corpo deslizar no dele graças ao suor e o encontro se seus sexos molhado o bastante para aumentar a fricção.
— Você vai me matar – Implorou, embora essa morte fosse mais que bem vinda.
— Sabe o que vou fazer? – Ele ameaçou — Vou te fazer gozar empinada pra mim – Sentou-a na cadeira e ela gemeu em desagrado quando ele saiu de dentro dela. Sasuke a puxou para o chão, e abraçou, vertiginosamente ela girou para dar-lhe as costas quando ele puxou seu braço com uma mão e com a outra a tocou novamente entre as pernas. Era tortura demais para ela lidar, ele a tirara fora muito perto do orgasmo, sequer podia raciocinar algo, seu corpo só precisava dele dentro dela, e absolutamente não se revoltou quando ele praticamente a deitou sobre a cadeira, contra o estomago.
Sasuke beijou suas costas, empurrando o cabelo para o lado e desceu para baixo até o encontro de suas nádegas, ele as apertou e amassou deliciado.
— Que lindo traseiro, e pensar que eu achei que tinha imaginado ele direitinho quando bati uma pra ele.
— Sasuke...
— Uau, meu nome fica realmente bem aqui, neném — ele afagou sobre a tatuagem – Entre essas covinhas deliciosas – acertou uma suave palmada em seu traseiro, e ela choramingou quando ele a empinou e empurrou dentro dela de novo.
Sakura apertou o couro da cadeira e gritou alto, Sasuke bateu dentro dela sem parar, um dos dedos tocando suavemente seu clitóris a enviou de volta ao caminho de um orgasmo fulminante. A cadeira rangia levemente mas o som parecia uma melodia sexual embalando o corpo dele e o dela, o ar ficou abafado, e seus seios roçaram repetidamente no material da cadeira causando outra sensação nova e intensa. Ela não o via porque estava ocupada demais balançando embriagada a cada investida dele, apertando a cadeira e se empurrando para o quadril dele. Mas podia imagina-lo, nu, suado, e devorando-a com o olhar pegando fogo. Ela ia gozar logo.
Se embalou na direção dele, mexendo os quadris, empinando-se tanto que seus pés mal tocavam o chão, Sasuke grunhiu e moveu-se dentro dela, fazendo questão de ficar dentro ao máximo, passou a palma por sua coluna e ela gemeu com a carícia até onde ele foi, em sua nuca, apertou lá suavemente, bem como a lateral do quadril dela e o traseiro.
— Está tão gostoso pra você quanto pra mim, neném? — ciciou entre dentes, ela jogou a cabeça para trás e Sasuke pegou seu cabelo, cheirando o perfume de flores e de sexo empreguinado nele.
— Eu vou gozar – Sakura avisou, quase sem respirar. Sasuke apertou mais seu cabelo macio, e bombeou dentro dela até ela tremer completamente quase como se convulsionasse, suas cochas e pernas tremularam completamente, ele apertou um seio dela entre os dedos da mão livre, e ela soltou um gritinho lindo e choroso, e ele se inclinou para ela, beijando seu ombro e prolongando o barulho dela, com o som que veio de sua própria garganta ao gozar.
Sasuke soltou o ar que ainda havia preso, e beijou o rosto dela lentamente, úmido e com fios de cabelo espalhado entre eles.
— Eu ainda estou viva...? — ela disse, baixinho, talvez achando que fora mentalmente, talvez só não querendo inflar o ego dele.
Mas era ele que inflaria o dela se fosse capaz de dizer como aquilo foi para ele. Os dois se deitaram na cadeira, e riram de si mesmos por realmente terem dado a cama e o quarto para Chocolate, mas principalmente, por Sasuke decidir que não era capaz de se livrar cadeira, depois que Sakura ajudou a comprovar a qualidade dela mais uma vez, montando-o sobre o móvel sem nenhuma delicadeza.
Quando Sasori e Deidara fizeram a palhaçada e enfiar uma longa linha de preservativos em seus bolsos antes de saírem da festa, ele ficara realmente puto. Parecia que todo mundo sabia e praticamente torcia pra Sakura tira-lo da seca. Como se ele andasse por aí reclamando disso.
Talvez estivesse um pouco mau humorado, apenas.
Agora estava meio agradecido, Sakura com certeza o faria usar aquilo tudo seja agora, ou nos próximo dias.
E ele já sabia que não poderia faltar no apartamento deles pelos próximos três meses, ou, anos.
***
— Chocolate! — Sakura exclamou de susto, quando a gatinha saltou sobre o balcão, rapidamente deixou a pequena pilha de correspondência de lado, e agradecendo que não havia ninguém na recepção, pegou a gata no colo. — Menininha, que susto – resmungou, acariciando em torno de suas orelhas.
Embora o apartamento fosse o melhor lugar, era meio solitário, desde que os pais de Chocolate ficavam mais tempo no estúdio ou na faculdade, Sakura trazia a gatinha e ela já estava mais que habituada ao ritmo do lugar, vivia passeando, entrava dentro da sala onde Sasuke trabalhava, fazia amizade com os clientes e perturbava-o arranhando suas pernas e tentando subir pelo jeans dele, como fazia quando estavam na cozinha e ela queria atacar o que quer que ele estivesse comendo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ela também subia para o andar de cima e ia azucrinar Izumi, enrolando-se no fio do telefone dela ou cochilar no colo de Itachi, enquanto ele lia alguma planilha.
— Até mais, obrigado – Sasuke disse, saindo da saleta logo atrás de dois garotos muito empolgados com as tatuagens tribais que fizeram.
— Obrigada – Sakura acenou, e Sasuke veio para atrás dela e a beijava na cabeça.
— O que foi aquele grito? Que bom que eu não estava mais com a agulha. — ele brincou e ela corou, envergonhada.
— Foi essa garota, me assustando – resmungou, Sasuke meneou a cabeça, ainda rindo e apenas beijou a cabeça da gata, Sakura a deixou no balcão de novo e pegou as correspondências, sabendo que levaria algumas para o andar de cima, pois eram de competência de Izumi e já planejando levar Choco na viajem para que pudesse ficar por lá e brincar com a paciência de Devine. Como bom sádico que era, Itachi fazia questão da gata vir visita-los. O maior prazer dele era ver Izumi vermelha de raiva.
— Isso é pra você — ela foi separando, e depois de tirar as luvas de latex e não havendo mais presença por perto, atacou seu pescoço com beijos – Isso pra Izumi... Ai, não morde...
— Eu posso morder outra coisa, tipo seu traseiro gostoso – ele apertou-a sob a saia, e Sakura estremeceu lembrando da ultima vez que ele fez isso, no sofá, do apartamento deles.
— Para...- pediu, rindo – E isso é pra você... E pra Izumi...
— Minha sala está desocupada, adoraria fazer aquele S no seu traseiro...- ele ofertou e ela negou veemente. Só porque não lembrava como foi quando fez o nome dele, não significava que queria saber como era quando sóbria.
— Sem tatuagens, engraçadinho.
— Nem nas cochas? — ele ofertou, apertando-as.
— Não.
— Nem no bumbum? — brincou, ela tentou não suspirar quando ele apertou o quadril contra o dela, fazendo-a lembrar que realmente ele não usava cueca.
E que realmente dormia nu, e agora, ela também.
— Não, e saia daqui...
— Hmm, nem entre esses peitinhos lindos?
— Peitinhos?
— Lindos – ele ressaltou logo e ela bufou. Acertando-o uma boa cotovelada, Sasuke se afastou atendendo o telefone que tocou e Sakura ajeitou as duas pilhas de correspondências, parou pegando a última, estranhando o envelope amarelado e meio velho. Virou-o lendo destinatário e sua testa se franziu mais ainda.
— Sim, tenho hora livre na terça, você pode escolher vir de manhã ou a tarde – Sasuke comentou, enquanto observava o movimento através das portas de vidro escuro.
Dois veículos haviam parado do outro lado da rua quase ao mesmo tempo, ele não deu grande atenção embora o contraste dos dois fosse chamativo. O primeiro era um carro preto, um modelo executivo e caro difícil de se ver rodando por Konoha, o segundo, uma motocicleta, provavelmente uma Harley que faria Naruto ter orgasmos só de encarar.
— Tudo bem, obrigado – ele encerrou a chamada, e beijou o rosto de Sakura, muito interessado em voltar a conversa de antes, e aproveitar a meia hora livre que tinha antes do próximo cliente chegar. Não podia fazer nada se ela ficava tão incrível naquelas saias de pregas, e ele era bom em usar qualquer tempo que tivesse pra fazê-la gozar com ele.
— Então nas suas costas? Ombros?
— Não... Entendo...- ela ciciou, e ele notou sua palidez, rapidamente a virou para si e encarou.
— Sakura, o que foi?
— E-eu recebi uma carta... Mas é estranho, uma carta pra mim?
— Como assim, estranho? — ele indagou, encarando o envelope entre seus dedos trêmulos.
— Porque a data parece de quando eu nasci.
— Oi? — Ela virou a carta entre os dedos, com um pouco mais de firmeza, esperando entender o motivo daquilo, mas ao ler o remetente, se sentiu apenas mais confusa, e no mínimo, atordoada.
— É uma carta pra mim... De antes de eu nascer...? — arquejou, encarando Sasuke, e buscando nos olhos dele, um apoio, sabia que encontraria, mas ainda não estava preparada para a queda que sentiu – E é dos meus pais.
Lá fora, duas figuras tão distintas como dia e noite abandonaram os veículos, parados em frente o estúdio, não podiam enxergar o que havia dentro, posto que o reflexo do vidro escuro nas portas de vidro fumê não permitia.
Sobre os saltos scarpin de tom nude, a mulher de cabelos rosa púrpura encarou a construção com certo preconceito formado, mas incapaz de se ater a tais detalhes, quando pensava novamente no que viera fazer.
Olhou para o homem parado ao seu lado, encarando o local até com certa admiração, ela já devia esperar que ele não se importasse, um estúdio de tatuagem era apenas mais um dos muitos lugares que ele estava acostumado a se enfiar nesse mundo afora, onde quer que aquela coisa de duas rodas o levasse.
Ele voltou o olhar para ela, e ela jurou ver desafio e desdém, ele talvez ainda a conhecesse bem para saber que tipo de opinião ela tinha sobre esses lugares.
Mas essa ideia sumiu da mente dos dois, eles sabiam que o que esperava lá dentro ia além de qualquer outra coisa que já fizeram ou sentiram, além de qualquer decisão que pudessem tomar.
Eles não tinha mais como fugir, ou queriam, havia um peso acumulado durante longos vinte anos, que se tornara apenas maior, e embora nenhum dos dois fosse capaz de admitir, um verdadeiro infortúnio.
Não era apenas ir de encontro ao passado que tanto lutaram para deixar para trás, mas ir de encontro ao presente e principalmente, ao futuro, e lidar com todas as consequências ali guardadas, os esperando.
Agora era a vez deles de correrem, lutarem e, provavelmente, amargarem, ter uma chance, de dar uma família para Sakura, logo agora, que ela finalmente conseguira uma.
Por que a vida é assim mesmo, enquanto você a vive, seu final feliz deve ser buscado a cada dia. Suas pendências devem ser pagas hora ou outra, suas segundas chances devem ser galgadas mesmo que virem dez tentativas. É um caminho, e você apenas o segue, e quanto menos sozinho estiver, mais longe você vai.
Só acaba quando você morre, mas algumas marcas você pode deixar nas outras pessoas, nas que mais te importam.
Pois são essas marcas que te diferenciam, te aquecem quando precisa, e, te imortalizam.
Fim.
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