Notas iniciais
Olá ~ Eu deveria estar escrevendo minhas atuais fanfics, sendo uma boa autora pontual, mas estou aqui escrevendo uma fanfic de terror clichê *rindo de nervoso* Boa leitura.

Capítulo I

A tempestade I

Ele cresceu em Majo.

No verão ia até o lago no centro da cidade, para brincar com as outras crianças, que um dia também seriam seus colegas de classe. Cresceu ao lado delas, sabia cada mínimo detalhe sobre elas sem sequer desejar isso. E logo era inverno, quando todos usavam gorros parecidos e cachecóis coloridos, de narizes vermelhos por culpa do frio excruciante.

Uma dádiva viver em uma cidade tão minúscula, rodeado de conhecidos, de sua família e junto seus maiores medos e (ou inexistentes) sonhos. Ele gostava dali, não amava, não poderia conhecer um sentimento de significado tão forte para um lugar daqueles, afinal, ele tinha uma história para contar-lhes.

— Você deveria acreditar em mim, Akaashi! – O garoto de cabelos arrepiados exclamou.

— Não é algo que eu vá acreditar.

E ninguém acreditaria.

— Eu já menti para você, Akaashi?

— Sim, já mentiu. – Retrucou. — Inclusive disse que iria chegar aqui às 7:30hs, são 8:30hs.

— Atrasos acontecem.

— Cinco minutos é atraso, talvez uns quinze. Já uma hora... Devo frisar que na sua situação é descaso.

— Akaashi! – Gritou em protesto.

Raramente Akaashi levava as palavras de Bokuto a sério. Eram amigos desde o fundamental, porém era impossível confiar em certas coisas que ele dizia. Sua nova “mentirinha” era simplesmente que Koutarou jurava – ou queria jurar – que havia tido uma visão muito estranha, de uma pessoa cujo ele também não conhecia e uma tempestade de espíritos. O cúmulo das esquisitices que o garoto poderia pensar! Entretanto, era essa a mentira que ele havia lhe contado depois de uma hora de atraso, um descaso total com suas responsabilidades. E agora, também estava atrasado para o colégio.

— Vamos perder o início das aulas, espero que goste de ouvir sermões.

— Eu já estou escutando os seus, não é? Posso aguentar um pouco mais.

— Por favor não cite esse seu sonho ou visão, seja lá o que for para mais ninguém – Pediu. — Você sabe o que eles dizem sobre isso.

— Eu sei.

Akaashi iria lhe dizer algo de conforto, tinha sido muito duro no sermão da manhã, logo seria desanimador ao outro garoto, entretanto na mesma hora um homem passou correndo praticamente esbarrando contra si. Gritando desesperado, doeu seus ouvidos por um instante

— Corram para longe! Vem uma tempestade aí! Protejam-se… – E ele já estava indo para outra rua.

Akaashi encarou estático Bokuto, que parecia tão assustado quanto. Foi como um flash, o homem estava ali e de repente já tinha ido embora.

— O que foi isso? – Bokuto cortou o silêncio finalmente.

— Eu não sei – Respondeu. — Ao que parece hoje vai chover. Talvez eu deva voltar e pegar um guarda-chuva para espíritos.

— Boa piada.

Descobriram mais tarde que aquele homem se tratava de um paciente do hospital principal da cidade, especificamente da ala psiquiátrica. Foi como contar algo muito engraçado para todos os moradores da cidade, que gargalhavam como se o tal homem fosse um palhaço de circo que fazia trapalhadas imbecis.

Akaashi sentiu-se mal por isso, não havia visto Bokuto depois do ocorrido pois eram de turmas diferentes. Estranhamente, ele acreditava naquele homem que quase esbarrou em si. Quiçá estivesse errado ou realmente haveria uma tempestade, teria um furacão ou espíritos roubando roupas dos varais?

Encontrou-se com Bokuto novamente só no final do dia, eles não eram integrantes de nenhum dos clubes, então iam embora mais cedo que grande maioria. Desde o término do clube de vôlei, eles nunca mais participaram de outro. Akaashi às vezes sentia falta de levantar bolas para Bokuto cortar, ou só de estar na quadra ouvindo os tênis baterem no chão, escorregarem e baterem no chão novamente. Koutarou provavelmente sentia falta disso também, porém ainda o via com uma bola de vôlei nas mãos, algumas vezes, mas nunca aceitava jogar quando era convidado.

— Ei, ei, Akaashi! – Bokuto gritou, assim que o viu saindo do prédio do colégio.

— Desculpe demorar tanto.

— Que nada! Acabei de chegar – Admitiu. — Eu estava com o clube de futebol.

— De novo? Você deveria entrar nele antes que te peguem lá.

— Futebol não é a mesma coisa que vôlei. – Resmungou. — Eu não iria gostar de ficar lá como membro do time, nem entendo aquelas regras direito.

— Então por que continua jogando? – Perguntou, desferindo um peteleco na testa de Bokuto, que não respondeu a pergunta com palavras, apenas com um dar de ombros e uma expressão chorosa, mal fingida.

Seguiram para suas casas. Vinham juntos e iam embora juntos, de certa forma eram inseparáveis em momentos como esse. Um costume que nenhum dos dois tinha interesse de quebrar tão cedo.

— Ei… Não está ventando demais agora? – Bokuto perguntou, quando estavam na frente da rua de Akaashi.

— Agora que você disse – Ele também tinha notado, poderia ouvir o vento assobiar por aí. E seus cabelos também estavam livres na ventania. — É bem forte, talvez esfrie durante a noite ou comece a chover. Acho bom você apressar-se para chegar em casa seco. O gel do seu cabelo vai se desfazer.

— Eu irei! – Garantiu. — Até amanhã, Akaashi!

— Até.

E desceu a rua até chegar na sua casa.

Durante dois dias uma tempestade incessantemente veio alojar-se em Majo. Chovia e chovia, sem trégua, tornou-se incômodo ir para a aula naquela chuva, todavia Bokuto sabia ser engraçado – ou idiota – o suficiente com seu guarda-chuva para animar Akaashi.

Na manhã do terceiro dia, a cidade fôra agraciada com um sol lindo e calor, porém os vestígios da tempestade ainda estavam ali, nos galhos quebrados e poças d'água, não era incomum e logo, com um sol bonito daqueles, tudo iria secar e voltar ao normal rapidamente.

Encontrou-se com Bokuto no caminho para o colégio. O novo assunto do momento era sobre a lenda da bruxa, de novo, Koutarou até fez graça sobre, entretanto não era um bom assunto a se dizer. Aquilo é um tabu de Majo, não diga nada sobre a lenda – mesmo que você ache-a idiota. Akaashi era um dos céticos sobre tudo isso, mas não dizia nada, a lenda por si só já era banal e demasiada fantasiosa, contava sobre uma jovem mulher que nos primórdios de Majo, antes mesmo dela se chamar assim, foi condenada à morte por cometer crimes de feitiçaria, seus motivos são muitos, muda sempre que é recontada, enfim, ela foi enforcada aonde atualmente é o centro da cidade, especificamente na frente de onde é o lago de Majo. Alguns afirmam, ainda, que em suas últimas palavras a mulher amaldiçoou a cidade, que veio a existir anos após, outros negam tudo, dizem que tudo aconteceu mesmo foi na floresta da bruxa! Ninguém sabia ao certo o que estava errado e o que estava certo, de toda forma, Majo e a floresta da bruxa estavam ali, mesmo que ninguém tivesse coragem de entrar no fundo daquela floresta medonha.

A tempestade serviu apenas como combustível aos anciãos, que já deveriam ter recontado a lenda milhares de vezes, modificando-a da maneira que lhes era agradável, assombrar crianças e outros de mentes ingênuas o suficiente para acreditar naquelas lorotas velhas.

Durante o trajeto para a aula, os dois foram interrompidos algumas vezes, pelas boas mães que estavam ali fazendo seu trabalho doméstico ou alguns alunos também, a cada pessoa o tom da pergunta mudava, alguns pareciam verdadeiramente assustados, outros faziam chacota e usavam tons grotescos carregados de ironia, estranhamente, questionavam se os dois haviam visto durante a tempestade espíritos! Se a lenda da bruxa estava os afetando ou só estavam sufocados do aguaceiro que caiu anteriormente, Akaashi não sabia, porém aquilo tudo era o cúmulo! Agora todos pareciam jurar que viam espíritos, o que viria a seguir? A falecida bruxa andando por aí com a corda podre no pescoço? Uma morte? Um feitiço misterioso na cidade?

E não tardou a vir o que ele tanto suspeitou.

Um homem tinha sumido no meio da tempestade, sem família, demorou aos vizinhos e amigos notarem seu sumiço. Agora todos estavam sabendo que alguém sumiu ali, uma cidade tão pequena, como alguém conseguia sumir sem que ninguém soubesse? No máximo, quinze minutos depois que alguém sumia já havia outro alguém fazendo fofocas concretas, eram fofocas, mas algo que você poderia confiar no paradeiro do sumido. Todavia, ninguém sabia o que diabos tinha acontecido com esse tal homem, depois de buscas e buscas pela cidade; todos presumiram sua morte, não tardaria para alguém achar o corpo por alguma ruela aí.

O escândalo abaixou rápido, e alguns dias depois, a naturalidade havia se restaurado, ninguém mais parecia interessado na lenda da bruxa, nem havia alguém assustado ou para zombar da história de Majo. Ninguém mais sussurrava sobre o homem desaparecido, e provavelmente morto.

Akaashi passava sermões em Bokuto sobre atrasos ou ele esquecer suas atividades escolares, e Bokuto continuava andando por aí com sua bola de vôlei e um largo sorriso no rosto.

— Ei, ei, ei, Akaashi!

— O que foi? Esqueceu de responder seu dever de inglês de novo?

— Sim, mas não é isso – Bokuto não tirou o sorriso do rosto, nem mesmo quando Akaashi o encarou sério. — Você acha que irão achar o corpo daquele homem?

— Se estiver morto? Acho que sim, ele também pode ter fugido daqui, eu também iria embora daqui se pudesse. — Respondeu. — Ou ele pode ter sido levado pelo vento para dentro da floresta, ninguém entrará lá, então ele nunca será resgatado.

— Você iria comigo?

— A floresta?

— Não! Fugir comigo. Vamos juntos, iremos embora de Majo!

— Você está louco? E nossas famílias? E o colégio? E tudo? – Quase riu descrente da proposta precipitada. — Não podemos simplesmente pegar o primeiro trem da estação e fugir, mesmo se quiséssemos.

— Se quiséssemos, iríamos no primeiro trem que passasse na estação.

Bokuto estava certo, Akaashi sabia, e inconscientemente, xingou-se por nunca aceitar ir embora daquele lugar quando a chance estava em suas mãos, nunca teria essa chance única novamente.

Um corpo fôra achado no finalzinho daquele mesmo dia, era o corpo do mesmo homem que havia sido dado como desaparecido (e morto). Estava próximo das antigas casas que haviam sido destruídas durante a tempestade, como eram casas com alto risco de desabamento, ninguém iria lá então não foi uma grande surpresa demorar tanto para achar o corpo. Alguns curiosos foram lá averiguar o lugar com seus olhares impiedosos e cheios de curiosidade, realmente tudo tinha desabado, um verdadeiro lixão sem dono. O local onde o corpo tinha sido encontrado não possuía sangue ou marcas de alguma crueldade, na autópsia descobriam que ele havia tido um infarto, morreu na hora. Alguns amigos já estavam providenciando seu funeral, não que Akaashi soubesse muito sobre a situação, só sabia sobre o que contaram para ele.

E claro, não tardou a descobrirem um novo corpo. Dessa vez, não havia sido vítima da tempestade ou de um infarto repentino, a vítima em questão era uma mulher de meia idade, ao que foi dito, ela fôra brutalmente assassinada, seu corpo estava todo mutilado, disseram ainda que parecia que ela estava ao avesso! Mórbida, sangrenta, uma cena digna de filme slasher dos anos ‘80, foi algumas descrições que disseram mais tarde. Esse foi o início de todo o tormento que viria a seguir em Majo.

Notas finais
Majo é basicamente "bruxa" em japonês, segundo o meu amiguinho google tradutor, hihi. É uma cidadezinha fictícia, eu espero, ao lado de uma densa floresta apavorante. A ideia original é que ela também estivesse ao lado do mar, eu ainda posso aproveitar-me dela, mas acho que já desisti. Mais explicações, deixe-me pensar, eu busquei bastante inspiração em lendas urbanas, coisas que naturalmente achamos assustadoras, obras do Junji Ito (sim, se você também é fã dele vai notar bastante "inspiração" meh), história misturada sobre bruxas, e coisas que eu inventei antes de dormir. Vamos ter bastante personagens? Sim, vamos, mas o foco aqui é em Bokuaka. Espero que não me enforquem... Ainda. Dêem uma chancezinha para a fic, estou trabalhando nela tem algum tempinho já! ;3 Espero que tenham gostado, não se intimidem para me dizer o que acharam. Também aceito opiniões, críticas (construtivas plz, não sei se sobrevivo com apenas críticas malvadas) e derivados. Beijos ♥