O meu casamento foi lindo. Um verdadeiro sonho. Um casamento perto de um lago onde todos tinham que ir vestidos com trajes brancos. O Yoh fez questão de fazer uma festa divina, acho que toda mulher desejava isso, mas eu não. Eu só desejava o homem que estava ao lado de Tamao no altar. Eu só desejava você, Hao.Eu tentava nunca olhar para você. Tentava simplesmente ignorar a sua presença. Na hora de dizer sim, eu senti que suas mãos estavam cerradas. Eu senti a sua vontade de pular no pescoço daquele padre. Sim, eu também queria fazer isso, mas acabei com tudo dizendo um simples sim.

Durante a festa, eu procurava te evitar. Eu ficava com os convidados, conversava com as garotas na maior parte do tempo. Eu me casei aos dezessete anos e elas se perguntavam se eu conseguiria ser feliz. Claro que não. Eu só seria feliz se estivesse com você.

Te evitar parecia cada vez mais difícil, porque você fazia ser difícil. Foi numa dessas horas, em que eu resolvi me afastar para tomar um ar que você se aproximou de mim sem ninguém perceber.

“Está se divertindo, Anna?” Você perguntou em tom irônico. Estava com uma taça de champagne nas mãos.

“Você sabe a resposta.” Eu retruquei e você sorriu.

“Eu achei que pudéssemos ser felizes para sempre daquele jeito, Anna.” Você disse sem me olhar. Fez isso para eu não enxergar as lágrimas nos seus olhos, não é? Mas eu as enxerguei mesmo assim.

“A vida não é um conto de fadas, Hao.” Eu respondi para você. Seria muito melhor que nós tivéssemos nos afastado naquele instante.

“Ah! Aí estão vocês!” Aquela voz doce e gentil não deixou que eu me enganasse sequer por um instante. “Achei que não fosse encontra-los mais.” Yoh sentou-se entre nós com um sorriso calmo e eu sequer conseguia olha-lo sem ver você.

“Espero que você não se importe de eu ter roubado sua noiva por alguns instantes.” O seu sorriso sarcástico nunca deixava a desejar, Hao. Aquelas suas palavras tinham um ar zombeteiro, mas eu entendi bem o recado.

“Nós estávamos apenas conversando, Yoh.” Eu disse com tranqüilidade e meu olhar se manteve impassível. “Conversando sobre música.” Eu completei com a primeira coisa que me veio a cabeça. Me arrependi profundamente de ter dito ‘música’.

“Música, é? Então acho que você já descobriu que o meu irmão é músico, né?” O sorriso de Yoh era lindo, sabe? Acho que o sorriso dele é do que mais vou sentir falta. “Ah! Eu tive uma idéia! Por que você não toca uma das suas músicas pra nós, Hao?” A inocência naquelas palavras sempre te desarmavam, não é? Você não sabia dizer não a um pedido tão sincero.

“Bom, eu...” Você tentou argumentar, mas não resistiu ao olhar de cachorro sem dono do seu irmão.

“Ele acha que seria uma ótima idéia, Yoh. Eu também adoraria ouvir uma canção do seu irmão.” Eu respondi. Se eu não tivesse feito isso, você podia ter dito alguma besteira.

E você cantou, Hao. Existiam diversas músicas que você podia ter escolhido. Sempre existiam músicas alegres, músicas de farra, qualquer tipo. Mas acho que você escolheu aquela, justamente, para me provocar. If you still believe. Eu jamais vou me esquecer dessa canção.

“Mamãe, eu vou sair com a Sophie.” Hana disse com calma.

“Tudo bem, Hana. Só não volte muito tarde.” Anna respondeu, olhando pela janela, e viu Hana se aproximar pelo reflexo do vidro.

“O que há de errado? Você sempre está olhando por essa janela. As vezes eu sinto que você quer me dizer algo.” Hana deu um longo suspiro, agachando-se na frente dela.Anna parou o olhar no filho, olhando-o fixamente. Assustou-se, porém, ao ver outra pessoa ali. Não pôde deixar de sorrir. Um sorriso irônico.

“Você é a cara do seu pai, Hana.” Ela disse e ele sorriu.

“Eu fico feliz por isso. Eu gostaria de tê-lo conhecido melhor.” Hana ergueu-se. “Eu vou ir ou iremos perder a sessão do cinema.”

“Leve um agasalho.” Foram as últimas palavras de Anna antes daquele jovem de doze anos sair pela porta. Já faziam nove anos... “Um dia você saberá da verdade, Hana.” Anna deu um longo suspiro a olhar pela janela.

X

Nunca me pareceu certo mentir para estar com você, Hao. Yoh era um jovem promissor que cuidava muito bem dos negócios da família. Eu também tinha muito trabalho a fazer e por isso sempre viajava. Bem, quase sempre.

Quantas vezes eu disse que viajaria somente para ficar com você, aqui, nesta casa? Eu sentia tanto pelo Yoh...mas eu simplesmente não conseguia dormir com ele sem pensar que era você.

Vocês eram extremamente diferentes, Hao. Na cama, no jeito de ser, em tudo. Claro que, como gêmeos, vocês tinham muito em comum. A tranqüilidade de vocês chegava a dar raiva. Mas você era uma pessoa extremamente arrogante e orgulhosa, enquanto que, seu irmão era simples e humilde. Chegava a ser engraçado comparar vocês dois.

Não foi muito tempo depois de ter me casado com o Yoh que eu descobri que estava grávida. Eu quase entrei em desespero porque eu sabia que o pai não era o Yoh. Não tinha como ser.

Você quase deu pulos de alegria ao receber essa notícia, não é?

Você finalmente teria o filho que tanto sonhou. Uma pena você ter esquecido do mero detalhe de que eu era casada. Casada com o seu irmão.

Vamos fugir. Você disse. Mas claro que não daria certo, Hao. Eles nos perseguiriam até o inferno se fosse necessário e você sabia disso.

Eu decidi que seria melhor não nos vermos mais. Claro que a decisão nunca durava mais que uma semana. Se eu não te procurava, você fazia visitas inesperadas na minha casa. O Yoh sempre te recebia de braços abertos e éramos obrigados a manter uma encenação enquanto conversávamos.

“Eu estou grávida.” Eu disse um dia desses para o Yoh. A cara de espanto dele foi surpreendente. Ele disse que já vinha desconfiando por ter ouvido eu me levantar diversas vezes durante a noite.A felicidade dele era algo que eu não conseguia ver sem sentir remorso. Aquele filho não era dele. Era seu, Hao. Yoh passou a me tratar como uma verdadeira rainha quando descobriu que eu estava grávida. Ele sempre me perguntava sobre nomes, eu nunca dava uma resposta a ele.

“Senhorita Anna?” Aquela mesma voz de anos atrás continuava a despertá-la de seu mundo de sonhos.

“Sim, Jun?” Anna olhou para ela com tranqüilidade.

“O senhor Hana perguntou se poderia viajar até Londres com os Diethel. Ele disse que a menina Sophie o convidou.” Jun respondeu.

“Ele está na linha?” Anna perguntou, sem muito interesse.

“Está sim, gostaria de falar com ele?”

“Não. Apenas diga que ele pode ir e que conversaremos assim que ele voltar.” Anna respondeu dando um longo suspiro.

“E quanto ao jantar de comemoração pelos seus vinte e nove anos?” Jun perguntou.

“Diga que estarei em reunião.” Anna respondeu.

X

Hana foi o nome que eu escolhi para fazer uma espécie de jogo com vocês dois. O kanji “Ha” que podia ser de Yoh ou Hao mais “na” do meu próprio nome. Acho que você gostou da minha brincadeira, Hao.

Quando o Hana nasceu, vocês dois estavam lá. Você tentava acalmar o Yoh, dizendo que ficaria tudo bem. Mas eu sentia que você estava tão nervoso quanto ele quando viu o bebê nos meus braços.

Segundo as regras, apenas o pai pode entrar para ver o bebê depois do parto. Yoh insistiu para que você entrasse também e você foi a segunda pessoa a segurar o bebê. Até mesmo antes do Yoh.

Todos diziam que o Hana era a cara do pai e, de fato, era mesmo. Apesar de serem gêmeos univitelinos, você e Yoh tinham algumas diferenças. O seu traço é muito mais sensual que o dele. Eu, pelo menos, achava isso.

O tempo foi passando e Yoh parecia não desconfiar de nada. Ele tratava Hana como um verdadeiro filho e amava contar histórias para ele, antes que pegasse no sono.

Você sempre estava lá em casa, para ver como o Hana estava. Eu dizia que era arriscado você aparecer tanto. Você nem se importava.

As vezes eu acho que o Yoh sabia da verdade. Hana era um menino esperto e começou a andar cedo. Eu me lembro bem que o Yoh disse que ele andava como você.

“Isso não pode continuar, Anna.” Você me disse depois de Hana completar três anos. Eu havia deixado ele com Yoh e saí a ‘negócios’.

“O que não pode continuar é essa traição, Hao. Eu não consigo mais dormir ao lado do seu irmão sem imaginar as coisas terríveis que fiz a ele.” Eu fui até a janela e você me seguiu.

“Vamos fugir, Anna. Nós podemos tentar a vida em outro país.” Você insistia nesses planos de fuga, mas nunca daria certo.

“Não, Hao. É melhor pararmos com isso. É melhor você não ir mais ver o Hana e é melhor eu não vir mais te ver.” Eu disse com convicção e não esperei uma resposta sua. Apenas saí dali.

“Está acordada, mamãe?” A voz de Hana soou baixa da porta do quarto. Hana já era um rapaz e, em seus dezoito anos, só não se parecia mais com Hao pelo fato de ser loiro.

“Sim, eu estou.” Anna respondeu com certo pesar e sentou-se ali na cama. “Venha até aqui, meu filho.” O pesar em suas palavras fez Hana recuar alguns passos.

“O que houve?” O rapaz tratou de aproximar-se devagar.

“Acho que agora você já está preparado para saber da verdade. Ouça com atenção tudo o que vou te dizer e fique sabendo que não te culparei se me odiar depois disso.” Anna esboçou um sorriso triste e afagou o rosto de Hana com cuidado.

“Está me assustando, mamãe...” O rapaz disse apreensivo.

“Apenas ouça minha história.” Ela disse com firmeza e ele se calou.

Você decidiu tudo por conta própria não é, Hao? Eu sabia que você era capaz de muita coisa, mas não disso.

Foi numa noite, quando realmente viajei a negócios. Eu resolvi levar o Hana comigo desta vez e o Yoh não contestou. O que houve naquele dia, eu realmente não sei.

Dizem que notícia ruim chega logo, isso eu aprendi com você. Ouvi o meu celular tocar as onze da noite. Era você. Quantas vezes eu já tinha dito para não me procurar mais? Hana dormia e eu resolvi atender.

“O que você quer? Já não te disse que seria melhor não me procurar mais?” Eu disse com seriedade, com frieza. Precisava acabar logo com isso.

“Estamos livres agora, Anna. Finalmente poderemos ficar juntos...” A sua voz soou trêmula demais e chorosa demais para mim. Naquele instante, eu já sabia o que você tinha feito, Hao. Mesmo assim, eu não quis acreditar.

“Eu estou indo aí.” Foi a minha resposta antes de desligar o celular. Eu não esperei amanhecer para sair com Hana daquele hotel. Aluguei um jatinho e arranjei um piloto que me levasse até o Japão pelo dobro do preço.

Quando cheguei na casa, não havia cheiro de sangue. Eu estava trêmula demais para acertar a fechadura de primeira. Depois de muito esforço eu consegui abrir a porta que dava para a entrada principal da casa. Eu me obriguei a vasculhar cada cômodo daquela casa antes de chegar até a sala de música onde vocês estavam.

“O que você fez...?” A minha pergunta soou demasiado assustada quando vi o corpo de Yoh estirado no chão e o copo quebrado ao seu lado. Você estava sentado no banco do piano, apenas olhando para ele. Seus olhos estavam vermelhos e você ainda chorava.

“Esse era o único jeito de ficarmos juntos, Anna...” Você disse com uma voz fraca. Eu não precisei medir o pulso de Yoh para saber que estava morto.

“Ele era seu irmão, Hao...” Eu murmurei baixo. O único jeito de ficarmos juntos...as lágrimas brotaram em meus olhos ao pensar que você estava certo.

“E eu o amava, Anna.” Você afirmou com uma convicção que eu não achei que teria depois do que fez. “Mas o amor que eu sinto por ele é pequeno comparado ao amor que sinto por vocês dois.” Confesso que o seu olhar, naquele instante, me assustou Hao. Eu tentei me recompor sem sucesso e não foi muito depois que os empregados da casa perceberam o alvoroço que estava acontecendo ali.

“Ele não merecia...” Eu murmurei baixo. Yoh realmente não merecia um destino como esse. Mas ele sorria. Mesmo depois de morto, ele sorria.

A polícia chegou pouco tempo depois. Você não resistiu e nem tentou fugir. Você simplesmente aceitou e foi para a cadeia. Eu fui interrogada sobre o que havia acontecido, mas não consegui dizer uma palavra. Naquela noite, o Hana não parou de chorar.

Você se pronunciou culpado no julgamento. Acho que foi uma forma de se redimir com seu irmão, mas isso nos separou, Hao. O destino sempre brincou conosco.

Amanhã é o dia em que você sai da prisão. Hoje, eu decidi revelar toda a verdade ao Hana. Não achei que a reação dele seria diferente dessa que estou vendo agora, mas eu já não conseguia mais viver com esse sentimento de culpa dentro de mim.

Eu gostaria muito de acreditar que todos nós poderíamos viver felizes e longe daqui, mas isso jamais acontecerá. Minha pena também está cumprida, Hao.

Dentro de poucos instantes, o veneno fará efeito. Acho que a morte não era o suficiente para apagar este crime que cometemos, por isso, eu resolvi sofrer o mesmo que o Yoh sofreu. Eu deixei uma carta aos cuidados do Hana e eu espero que ele te entregue. O sofrimento dele é inevitável, Hao.

A música que estou ouvindo agora, é a mesma que você cantou pra mim. Eu gostaria muito de poder viver ao seu lado, mas eu jamais conseguiria dormir com você sem enxergar o Yoh. Engraçado, não é?

Essa carta conta toda a nossa história, desde o início. Eu espero que você encontre nela, o mesmo que eu encontrei. Agora eu sinto que tudo está ficando escuro. Mas não se esqueça, Hao: eu esperarei por você enquanto acreditar no amor.

X

Ele segurou a carta em completo silêncio. Estranhou que Anna não fosse entrega-la pessoalmente. Depois de tanto tempo sem ver o mundo lá fora, como tudo estaria?

“Obrigado por ter vindo.” Hao disse enquanto ambos entravam no carro.

“Só obedeci o pedido da minha mãe.” A voz soou fria demais quando o rapaz falou e ele apenas o acompanhou até aquela casa.

Eles não trocaram mais palavras. Hana apenas entregou a chave para ele e virou-se para sair dali, mas parou antes de entrar no carro.

“Você vai encontrar o que procura dentro do armário do banheiro, depois de ler a carta. Mamãe pediu para eu te dar esse recado. Adeus, Hao.” O rapaz entrou no carro e então partiram.

Hao não entendeu ou fingiu não entender o que Hana havia dito. Ele apenas caminhou até a cadeira onde costumava ficar e sentou. Era uma cadeira de frente para a cadeira que Anna costumava ficar e, Hao ficou admirado ao ver que tudo ainda estava no lugar.

A curiosidade de ver as palavras daquela carta. A curiosidade por não saber o motivo de Anna não ter ido vê-lo. Tudo isso o estava matando. Abriu a carta num impulso e começou a lê-la devagar.

Eu não quero que me leve a mal por não ter ido entregar esta carta pessoalmente, Hao. Acontece que eu também estava cumprindo a minha pena por ter deixado você cometer tal crime com o Yoh.Eu não peço para que se arrependa pelo que fez. Peço, apenas, para que leia cada parágrafo desta carta cuidadosamente. Aqui estão todas as nossas lembranças, desde o nosso primeiro encontro. Eu demorei exatos quinze anos para me lembrar de tudo e, um dia antes de você ser solto, eu terminei de escreve-la.

A essa altura você deve estar imaginando porque estou escrevendo estas coisas. Eu só quero que você saiba que eu não te culpo pelo seu ato. Eu gostaria que o Yoh ainda estivesse vivo, mas não havia outro jeito, não é?

O Hana já sabe de toda a verdade e, se você está lendo isso agora, deve compreender porque ele estava com tanto ódio. Depois de terminar de ler, eu quero que você cheque o armário. Aquele é o último presente que eu posso te dar.

Eu te amo, Hao.’

A primeira página de introdução, fez com que o homem sentisse um calafrio lhe percorrer a espinha. Hao deu um longo suspiro e tentou se controlar, antes de começar a ler a carta.

Reler cada uma de suas lembranças junto de Anna o fez debulhar-se em lágrimas. Parecia que só agora ele compreendia o sofrimento a que tinha submetido todos eles.

Muitas vezes, durante a carta, ela confessava como estava se sentindo em cada momento. Aquilo o fez sentir-se mal.

Depois de terminar de lê-la, ele foi até o armário do banheiro. Compreendeu o que ela havia feito.

“Eu sinto muito, Anna.” Hao disse antes de entornar o copo de água com aquela substância. Depois disso, ele apenas se sentou na cadeira de frente para a dela segurando a carta e não se surpreendeu ao ouvir o ‘click’ da porta.

“Eu finalmente compreendi o que houve.” A voz de Lyserg soou séria da porta e ele sentou-se na cadeira que era de Anna. “Adultério. Você e Anna eram amantes, não é?”

“Nós éramos muito mais do que simples amantes.” A carta deslizou de suas mãos e Hao fechou os olhos abrindo um sorrisinho. “Aí há tudo o que você precisa saber. Apenas uma coisa não está contida aí. Você quer saber o que houve naquela noite em que eu fui visitar o Yoh, Lyserg?”

“O que houve?” O inglês perguntou, olhando-o com seriedade, e sem entender porque ele queria lhe revelar aquelas coisas.

“Quando a Anna viajou, eu já havia planejado tudo. O fato de ela ter levado o Hana foi um bônus para mim. Eu fui até a casa do meu irmão e ele me esperava na sala de música.”

“Venha até aqui, Hao. Sente-se.” Ele disse com uma voz calma. Calma como sempre.

“O que você quer? Por que me chamou tão tarde da noite, Yoh?” Eu perguntei, mas não me sentei. Eu fui até o bar e preparei duas bebidas. Na dele eu já havia posto o veneno, mas fiquei segurando ambas por um tempo.

“O Hana é seu filho, não é?” Ele perguntou quase afirmando aquilo e eu me mostrei surpreso.

“De onde tirou essa idéia?” Eu perguntei.

“Eu contratei um detetive. Eu não contratei o Lyserg porque não queria envolver amigos. Ele me disse que você e a Anna vem saindo juntos há um bom tempo.” Yoh disse com um sorriso tranqüilo. Eu não compreendia essa calma dele.

“Eu amo a Anna, Yoh.” Foram as minhas palavras, antes de deixar as bebidas em cima do piano.

“Eu também amo a Anna, Hao.” A resposta dele foi sensata e sincera. Eu vi a sinceridade nos olhos dele, entende? “Mas eu sei que ela te ama também.”

“O que está insinuando, Yoh? Que vai nos deixar livres?” Eu perguntei com um ar irônico.

“Não.” Ele respondeu e caminhou até o piano. Acho que foi minha sorte ele ter pego a bebida certa. “Eu te darei três dias para deixar o país antes de mandar assassinos atrás de você. Eu não vou perder a Anna por nada, Hao. Nem por você.” Ele respondeu com um sorriso. Um sorriso que eu imaginei que ele jamais daria.

“Entendo. Você me surpreendeu, irmãozinho. É uma pena que eu esteja um passo à sua frente.” Eu sorri de volta para ele e não foi muito depois que ele morreu.

“Está mentindo.” Lyserg disse com os olhos arregalados.

“Não estou. A Anna não soube disso, é uma pena que tenha se matado antes.” Hao respondeu com um longo suspiro. “Eu te aconselho a pegar esta carta e deixar a casa, Lyserg. Eu vou morrer dentro de alguns minutos com o efeito do veneno.”

“Você...” Lyserg tentou dizer algo.

“Apesar de tudo, Yoh era meu irmão. Sem a Anna, não há motivos para eu continuar vivendo. Eu só peço a você que cuide do Hana por mim, Lyserg.” E dito isso, Hao fechou os olhos. “É melhor você ir agora.”

Não foi necessário dizer mais nada para que Lyserg saísse dali com a carta nas mãos. Hao apenas esboçou um sorrisinho enquanto esperava pela morte pacientemente.Eu sinto muito por tudo o que aconteceu, Anna. Eu tentarei me redimir de tudo o que aconteceu com você, quando nos vermos novamente. Me espere, Anna, e continue acreditando no amor por nós.

Não foi muito tempo depois que sua respiração começou a falhar. Aos poucos o coração foi parando de bater e a visão ficou turva. Cada sentido começou a ficar dormente, até que finalmente Hao deixou este mundo.

Ninguém nunca compreendeu, ao certo, o que aconteceu. Mas depois de alguns anos, Hana publicou um livro que o fez muito famoso. Um livro que contava a história de seus pais.

Notas finais
Notas Finais: O final dessa fic ficou tão apressado. Eu não sabia o que colocar e, no fim, ficou assim mesmo. Eu queria agradecer à tia Cookie pela betagem mais uma vez o.o

O tema dessa fic é um pouco diferente do que eu costumo publicar. Ela foi baseada na minha inspiração pela música "If you still believe" do jogo The Legend of Dragoon. Vale a pena baixar essa música e ler a letra porque é muito linda. Eu só não vou postar a letra aqui porque me disseram que não pode.

Eu fiquei com dó do que eu fiz com o Yoh, mas eu acho que a idéia da fic em si ficou bem legal xD

Btw, até a próxima =*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!