If You Say So
1 Capúnico – Se você diz...
A risada ecoou pelo escritório. Era uma das muitas vezes que Melinda May ria durante aquela ligação.
Era prazeroso e estonteante ouvir seu noivo lhe contando sobre algumas coisas que aconteceram na base da SHIELD nos últimos dias. Claro, tinha um Deus Nórdico maluco, — irmão de outro Deus Nórdico -, com planos diabólicos de dominar a Terra, — ou que o mesmo Deus chamava de Midgard -, mas Phil sempre via o lado bom das coisas, ou pelo menos, tentava.
- Você sabe que vou dizer pra tomar cuidado, certo? – Melinda disse ao telefone enquanto procurava algum documento aleatório em sua mesa.
- Eu sei... – ela o ouviu suspirar. – e eu vou dizer que sempre volto pra casa por você! – ele comentou e ela sabia que ele tinha dado de ombros e estava sorrindo.
Melinda ouviu alguém o chamar do outro lado da linha. Ela abaixou o olhar, sabendo que ele desligaria a seguir.
- Melinda...
- Eu sei... você tem que ir! – ela deu um sorriso fraco. – meu noivo é importante afinal – ela o ouviu soltar uma risadinha do outro lado.
- Eu te amo. – ele disse.
- Eu te amo mais. – ela respondeu. Isso era como um ritual pra eles e por um instante May sentiu como se aquelas palavras nunca mais fossem ser ditas novamente. Houve uma pausa, Phil respirou fundo e quando ela achou eu ele iria desligar, ela pode ouvir.
- Se você diz isso... – ele comentou e ela sorriu, logo depois depositou o aparelho na base novamente.
***
It’s been seven whole days
Seven whole days
Since you paralyzed me
Seven whole days
Seven whole days
Since you lost ya fight
Foram 7 dias inteiros
7 dias inteiros
Desde que você me paralisou
7 dias inteiros
7 dias inteiros
Desde que você perdeu sua luta
O sorriso já não mais fazia parte do rosto bem desenhado de Melinda.
Talvez ela o fizesse vez ou outra quando se lembrava de algum momento com ele, mas logo a verdade caia sobre ela, tão forte quanto a gravidade que nos puxa pro chão. E isso a estava puxando pro fundo também.
Sete longos dias tinham se passado, mas parecia tanto tempo...
Ela não compareceu à missa de sétimo dia. Porém ela tinha ficado quase um dia inteiro encarando o túmulo. As lágrimas vieram somente no segundo dia, quando algo bateu forte na sua cabeça e a acordou do pesadelo terrível que ela pensou estar vivendo.
Antes fosse o pior dos sonhos. Aquilo era a vida real. A vida de um Agente da SHIELD.
No terceiro dia, quando ela decidiu que precisava comer. Enquanto fazia o café ela ficou indagando internamente “e se...”
E se ela estivesse no lugar dele? Ela faria de tudo pra que pudesse trocar
E se ela estivesse lá, pra vê-lo vivo uma última vez? Ela daria a própria vida por isso agora.
E se...
Quando ela sentiu o aroma do líquido escuro no ambiente, ela também deixou ema lágrima escorrer. Melinda May nunca gostou de café, mas Phil Coulson sim.
And I can’t get the last words that you said
I can’t get those words out of my head
Seven whole days
Seven whole days
And four words
E eu não posso esquecer as últimas palavras que você disse
Não posso tirar essas palavras da minha cabeça
7 dias inteiros
7 dias inteiros
E 4 palavras
As palavras ficavam ecoando na cabeça dela. Melinda ficava pelos cantos do apartamento que um dia fora deles pensando no que ele disse por último. Pensava na respiração dele, nos movimentos que seu peito fazia, que sempre a acalmavam, imaginava ele chegando e passando por aquela porta há qualquer minuto, lembrava do timbre da voz dele lhe dizendo sempre o que precisava ouvir...
Ela não queria mias chorar, não queria mais lamentar-se, porém o luto e a dor que consumiam seu peito eram fortes demais. Eram mais fortes que ela, eram mais resistentes do que qualquer coisa. E a fraqueza em si mesma a deprimia tanto quanto a dor da perda dele.
And I can’t get away from the burning pain I lie awake
And the fallen hero haunts my thoughts
How could you leave me this way?
E eu não posso fugir da dor em queimação
Eu fico acordada
E o herói caído assombra meus pensamentos
Como você pôde me deixar assim?
No quarto ou quinto dia ela começou a culpá-lo.
Culpar Phil Coulson por ter sido tão corajoso; mesmo que ela não tivesse visto, ela sabia que ele fora.
Queria gritar com ele por ter sido tão inconsequente e tentado enfrentar um Deus Nórdico sozinho; Maria tinha dito à ela isso, e às vezes, ela preferia que não tivesse.
I can’t believe it’s true
I keep looking for you
I check my phone
And wait to hear from you
In a crowded room
The joker is so cruel
Eu não acredito que é verdade
Eu sigo procurando por você
Eu olho meu telefone
E espero ter notícias suas
Em uma sala lotada
A piada é tão cruel
No sexto dia ela decidiu que precisava trabalhar novamente. Com o rosto inchado e as feições abatidas ela entrou em sua sala numa das bases da S.H.I.L.E.D.
Melinda conseguiu manter o ritmo com a papelada, que duraria mais do que ela esperava, porém ao mesmo tempo se sentiu aliviada por isso, não achava que conseguiria encarar uma missão em campo tão cedo.
Em determinado instante ela sentiu-se tão incomodada com o silêncio em volta, com a solidão, que sacou o celular do bolso da calça e apertou o número 1 na discagem rápida.
Foi quando lembrou-se que ele jamais iria atender novamente...
And now I’ll never know
If all that I’ve been told
Was just a lie so bold
I thought we would grow old
The mirrors and the smoke
Left me here to choque
E agora eu nunca saberei
Se tudo o que eu tenho dito
Foi uma mentira audaciosa
Achei que iríamos envelhecer juntos
Os espelhos e a fumaça
Me deixaram aqui para sufocar
No final do sexto dia Melinda ainda estava no escritório, mas não redigia nada, não se movia, também não tinha comido. Estava somente analisando. Era quase trágico como seu mundo tinha desabado num minuto, ela não conseguia acreditar, seu cérebro já estava de certa forma conformado, ela sempre fora uma pessoa bem resolvida, porém seu coração, o mesmo bobo coração que tinha conversado e amado Phil há poucos dias, lhe mandava mensagens de pura melancolia.
Em determinado momento ela indagava-se; questões como: “será que ele levou a sério todas as palavras que eu disse?”, “quando ele deu seu último suspiro, era em mim que ele pensava?”...
Ela desejou estar com ele, desejou que ele estivesse ao lado ela agora, por que ele saberia o que dizer à ela. Melinda quis estar no lugar dele, por que o amava de tal forma, que daria sua vida em troca.
It’s been seven whole days
Without your embrace
I wanna see your face
I've got some things to say
T'was just a week ago
You said "I love you, girl"
I said "I love you more"
Foram 7 dias inteiros
Sem o seu abraço
Eu quero ver seu rosto
Eu tenho algumas coisas a dizer
Foi há apenas uma semana
Você disse "eu te amo, garota"
Eu disse "eu te amo mais"
Then a breath
A pause
You said "if you say so"
If you say so
If you say so
If you say so
Em seguida, um suspiro
Uma pausa
Você disse "se você diz"
Se você diz
Se você diz
Se você diz
Meses depois...
Melinda olhava o horizonte da cabine no denominado BUS. Uma vez Ward lhe perguntou* o que mais gostava dali e ela disse: “a solidão”. No fim ela não estava mentindo, ela sempre foi o tipo de pessoa que se dá melhor sozinha, porém, uma única pessoa conseguiu amenizar esse lado nela.
Ao contrário do que ela um dia viveu, essa pessoa estava bem viva agora.
Sejamos sinceros, vocês sabem que estou falando de Phil Coulson, não sabem?
May resolveu que depois de oito horas seguidas plotando, ela precisava de uma pausa, claro que ela já tinha pilotado por muito mais tempo, mas decidiu aproveitar-se da regalia enquanto ainda a possuía. Apertou o piloto automático, a aliança bem visível quando o fez. Sorriu de canto e tirou os óculos estilo aviador, logo em seguida deixando a cabine.
Subiu as escadas caracol, e viu a porta do escritório aberta, como de costume, não bateu e só esperou que ele a notasse enquanto ficava parada o vendo fazer anotações e depois passá-las pro notebook.
- Não é mais fácil só escrevê-las no laptop? – inquiriu a mulher quando resolveu adentrar à sala.
- Sabe, como é, sou à moda antiga... – ele comentou, mas sem encará-la.
- Então deveria fazer os relatórios com aquelas folhas de lacunas! – ela disse e apoiou-se ao lado dele na mesa, o encarava, mas a atenção dele permanecia no notebook.
- Não exagere Mel... – ele sorriu e finalmente a olhou nos olhos. – oi! – ele pegou a mão dela.
- Oi. – ela revirou os olhos com a atitude dele, mas não deixou de responde-lo.
- Você bem que poderia me ajudar aqui sabe... – ele quase a tinha sentada em seu colo.
- Com papelada? Não, eu tenho um avião pra pilotar! – ela quase foi cômica.
- Não era com a papelada, mas... – ele ia continuar, porém foi cortado quando sentiu os lábios dela pressionando os seus, além dela estar sentada de lado no colo dele. – era exatamente desse tipo de ajuda que eu falava... – ele sorriu e deu um selinho nela.
- Estranho eu saber, não é mesmo? – ela foi sarcástica.
- Você me conhece muito bem, afinal de contas, não foi por isso que nos casamos? – ele inquiriu e colocou uma mecha do cabelo dela pra trás.
- Por isso, e por que eu sou extremamente incrível e você não poderia viver sem mim! – ele sorriu de olhos fechados.
- Não podemos esquecer do Deus Nórdico maluco que me matou também! – ele lembrou.
Ela o encarou com olhos semicerrados.
- Provamos afinal que nem a morte nos separa... – Coulson lhe disse e se aproximou para outro beijo.
- Brega, mas meigo... – Melinda falou antes de terminar com a distância entre eles.
Notas finais
Ia fazer só drama, mas tive que colocar um fluffy no final e.e (agradeçam à minha inspiração por isso uvu)
That’s it folks!
XOXO
Fale com o autor