Notas iniciais
Aí está o primeiro capítulo. Estou postando logo, porque o prólogo foi bem curtinho. Ah e os dois tracinhos que vocês encontrarem no meio do texto (esses aqui: --) significam algo como uma mudança de cena. Bem, espero que gostem.

Tudo começou naquela terça-feira aparentemente normal. Eram, mais ou menos, 7h da manhã e minha mãe andava de um lado para o outro, atrasada para o trabalho. Enquanto eu, já pronta para a escola, tomava meu café-da-manhã calmamente.

— Miley, você viu minha bolsa? — minha mãe finalmente parou de andar e se estabeleceu por certo tempo ao meu lado.

— Está ali. — apontei na direção do objeto, que estava sobre a mesa, a poucos centímetros de distância de nós duas.

Rimos juntas da situação, enquanto ela pegava sua bolsa e colocava-a sobre um de seus ombros. Por fim, a mulher deu um leve beijo em minha testa e começou a andar em direção a entrada da casa.

— Não vá se atrasar para a escola. — falou ela, destrancando a porta e me olhando fixamente.

— Esta bem mãe. — rolei os olhos, porém mantive um sorriso bobo no rosto.

— Eu amo você. — ela sorriu igualmente.

— Também te amo.

Ela, enfim, saiu e fechou novamente a porta. Isso tudo já era rotina, minha mãe trabalhava em um escritório de contabilidade e saia sempre bem cedo e voltava tarde. Morávamos apenas nós duas naquela casa, isso quer dizer que, sim, meus pais eram divorciados. Meu pai abandonou minha mãe quando eu tinha apenas 6 anos e, naquele momento, com 16, eu o odiava totalmente por ter deixado eu e minha mãe friamente e como se não sentisse culpa. A propósito, me chamo Miley Ray Cyrus e moro em Los Angeles, na Califórnia.

Bem, algum tempo depois eu já havia terminado de tomar meu café e me apressei para escovar meus dentes. Após ter feito isso, voltei até a cozinha e, espiando pela janela, notei que o ônibus escolar já estava em frente à minha casa. Peguei minhas chaves, minha mochila e rapidamente saí de casa, trancando a porta assim que a fechei. Corri na direção do ônibus amarelo que buzinava perto da calçada e logo entrei nele. Como sempre todos me encararam, eu não falava com quase ninguém, confesso que eu não era muito sociável.

Apressei-me em sentar em um lugar vago, logo na frente, perto da janela. Tirei a mochila das costas e a coloquei em meu colo, enquanto ouvia todos conversarem e rirem, eu nem ligava, desde que não estivessem rindo de mim. Até que, alguns minutos depois, o ônibus fez mais uma parada e uma menina loura, com olhos cor de mel subiu as escadas do veículo. Era Leslie, minha melhor amiga, a única pessoa naquele lugar em quem eu confiava.

— Oi Miley. — ela sentou-se ao meu lado.

— Oi Leslie. — mostrei-lhe um sorriso tênue.

— Ué, por que sentou tão na frente hoje? — a loira ajeitava-se no assento enquanto falava.

— Preguiça de ir mais pra trás. — soltei um longo suspiro, o que fez a garota ao meu lado sorrir de forma doce.

— Eu já deveria imaginar. — ela comentou, ainda com aquele sorriso nos lábios.

Dei uma curta risada e então notei que tudo estava em silêncio. O motivo eu não sabia. Olhei para trás e percebi que todos me encaravam como se eu fosse uma aberração. Ouvi alguns sussurros vindos dos fundos do ônibus, onde ficavam os “populares”, e tornei a me virar para frente, encolhendo-me naquele banco, sabendo que eles falavam sobre mim. Como eu odiava aquilo. Como eu odiava aqueles que julgam pela aparência.

— Ignore-os, Miley. Eles são só um bando de idiotas que não têm mais o que fazer. — Leslie pareceu ler minha mente.

— Eu sei, mas não tem como não ligar. Eles me tratam como se eu fosse anormal, ficam me olhando, rindo e cochichando o tempo todo. — eu continuava encolhida.

— Isso é porque eles têm inveja. — a garota ao meu lado me olhava nos olhos e assentia aquilo com muita segurança.

— Inveja de mim? — eu dei um riso sarcástico. — Ok Leslie. Eles podem sentir tudo, menos inveja de uma pessoa como eu. E, aliás, o que te faz pensar nisso?

— Ora, você é bonita, divertida, tem um cabelo que causa inveja em qualquer uma, sabe se vestir e, ainda por cima, toca e canta super bem. Ah e as músicas que você escreve são as melhores. — retrucou.

Os elogios que a menina havia feito a mim de nada valeram. De fato, Leslie era a única que sabia daquele meu... Talento. Eu amava cantar e tocar, compor então, era o que eu sempre fazia quando estava sozinha em meu quarto e passava por coisas difíceis de lidar. Mas aquilo não era argumento. Olhei para minha amiga, séria, e então contestei:

— O que minha voz tem a ver com isso? Eles nunca me ouviram cantar, muito menos uma de minhas músicas, como eles teriam inveja de mim por uma coisa dessas?

— Eu sei que eles nunca te ouviram cantar, mas, se ouvissem, seria mais um motivo para sentir inveja de você. — ela sorriu confiante. — Agora, anda, para de se encolher nesse banco.

Suspirei, derrotada. Ergui meu corpo e me ajeitei no banco do ônibus que, por sinal, havia feito outra pausa naquele minuto. Direcionei o olhar para a porta daquele veículo amarelo e vi que quem entrara era Jonathan, capitão do time de futebol americano da escola e lindo aos olhos de todas as garotas. Ele era alto, possuía cabelos castanhos claros, lisos e olhos azuis. Era bem o típico garoto popular da escola e eu odiava esse tipo de garoto. Odiava com todas as minhas forças, pois eles não passavam de metidos e arrogantes que tiram proveito de terem uma boa aparência para conseguirem o que querem e quando querem.

— Ai meu Deus, é o Jonathan. — Leslie cochichou para mim, animada.

— Eu percebi. — resmunguei enquanto fuzilava o garoto com o olhar, fria e descaradamente.

— Sua louca, para de encará-lo assim. — a loira que estava ao meu lado chamou minha atenção.

— Ué, os olhos são meus, eu encaro quem eu quiser do jeito que eu quiser. — rebati, dando de ombros.

— Dá para parar. Ai meu Deus, ele tá olhando pra cá. — minha amiga passou a mão pelos cabelos, apenas para ajeitá-los e logo cruzou as pernas, fingindo ter uma postura exemplar.

Eu rolei os olhos e nem liguei para o garoto que passava naquele momento por nosso banco e arrancava suspiros de todas as outras garotas presentes. Ele era bonito, mas idiota demais e parecia que apenas eu podia enxergá-lo como ele realmente era.

— Eu mereço... — murmurei para mim mesma.

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O caminho para a escola durou apenas mais alguns minutos e, logo, o ônibus parou no pátio daquele prédio enorme, por onde vários jovens circulavam. Como estávamos na frente, eu e Leslie fomos umas das primeiras a sair do automóvel que nos conduzira até ali. Olhei em meu relógio e ainda faltavam uns quinze minutos para que o sinal tocasse e, aproveitando a situação, adentrei no colégio, indo em direção ao meu armário.

Minha melhor amiga me acompanhava, já que nossos armários ficavam lado a lado. Enquanto nós andávamos, eu reparava que todos ficavam com seus devidos grupos, conversando, rindo e brincando uns com os outros. Como eu detestava o fato de a escola se dividir em grupinhos, eu preferia que ficassem todos juntos, sendo amigos de todos, como eram nos tempos da pré-escola.

Finalmente chegamos aos armários, coloquei a senha do meu e o abri, pegando os livros e cadernos que precisaria para as duas próximas aulas e os colocando em minha mochila. Depois disso fechei o armário e esperei por Leslie, para irmos juntas até a sala. As aulas ainda não tinham começado, mas gostávamos de ir até a sala antes, assim não precisaríamos correr quando o sinal tocasse. Tínhamos a sorte de ficar juntas na maioria das aulas. Mas nas que seguiriam naquele momento, estaríamos separadas.

— Tenho aula de Química agora. — bufou Leslie, enquanto andávamos rumo às nossas salas.

— Eu tenho aula de Inglês. — comentei, enquanto dava curtos passos para aproveitar a caminhada ao lado de minha amiga.

Como a escola era bem grande, atravessamos vários corredores até chegar às salas. Adentrei na minha, assim que me despedi da dona daqueles olhos cor de mel, que me eram tão queridos. Eu estava sozinha na sala e me sentei logo em uma das carteiras da frente, deixando meus livros sobre a mesma. Olhei em meu relógio e faltava menos de 5min para que o sinal tocasse.

Suspirei e senti uma sensação estranha me comer por dentro. Uma sensação de que algo muito ruim estava para acontecer, o que me fez sentir vontade de sair correndo daquela sala, porém, ao invés disso, fiquei lá, sentada, olhando para o quadro na parede e a mesa do professor. O tempo se arrastou e eu ainda continuava com a mesma sensação estranha, até que ouvi o sinal bater e um alvoroço surgir nos corredores. Não demorou muito para que a sala se enchesse e o professor entrasse também.

— Bom dia turma. — falou ele, olhando-nos com um sorriso no rosto e todos ficaram em silêncio. — Hoje teremos uma aula muito importante, então quero que todos prestem atenção...

E assim começou mais um dia normal na escola, apaguei dos meus pensamentos qualquer outra coisa que poderia me desconcentrar e foquei-me naquela aula. Mas não custou muito tempo para que algo nada comum acontecesse.

Miley Cyrus, venha agora para a diretoria. — as caixas de som do colégio avisaram.

Eu engoli em seco, juntei todas as minhas coisas e as guardei na mochila. Saí de sala, pedindo licença para o professor e sendo observada por todos os outros alunos que estavam ali presentes. Andei com largos passos até que cheguei ao local onde havia sido chamada, sentindo um medo profundo. Fiquei poucos segundos parada em frente à porta, logo bati na mesma e adentrei, respirando fundo. Não demorei a notar que minha tia Kate, a única que morava em L.A, estava lá dentro.

— O que aconteceu? — perguntei, aproximando-me das mulheres que estavam ali presentes, minha tia e a diretora.

Elas não me responderam, notei que minha tia se levantou da cadeira em que estava sentada e eu, finalmente, pude notar seu rosto, o que me causou espanto. Seus olhos vermelhos não paravam de fazer com que lágrimas e mais lágrimas rolassem por seu rosto pálido, uma após a outra. Uma situação que me preocupou muito e refiz a pergunta anterior:

— O que aconteceu?

— Sua mãe... — a mulher, que continuava em prantos, finalmente se pronunciara e se aproximou de mim um pouco mais.

— O que tem ela? — questionei aflita.

— Ela sofreu um acidente de carro quando estava indo para o trabalho...

— E ela está bem? — questionei, não entendo aquela situação.

O silêncio se estabeleceu novamente naquele recinto, olhei para a diretora e notei que seus olhos estavam fixos em algo no chão. Tornei a olhar para minha tia, mas ela parecia em transe, não conseguindo dar-me uma resposta.

— Me responda. — proferi um pouco alterada, não agüentando aquele clima que estava formado ali.

— Não, Miley. Ligaram do hospital para minha casa, o médico disse que ela não resistiu ao acidente. — finalmente a resposta para aquela minha pergunta idiota.

Minha reação foi, automaticamente, cobrir os lábios com uma das mãos, enquanto via minha visão ficar turva, por culpa das lágrimas que preencheram meus orbes verdes.

— Diga que isso não é verdade, por favor, tia. — após certo tempo, retirei a mão dos meus lábios e articulei com a voz tremula.

A mulher que estava na minha frente, não falou nada, o que me fez deixar que todas aquelas lágrimas rolassem por meu rosto. O choque que aquela situação me causou, fez com que eu caísse nos braços de minha tia, que me confortou enquanto eu gritava e soluçava durante o choro.

— Não!! Por que a minha mãe? Por quê? — eu repetia entre alguns soluços que soltava.

Notas finais
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