If It Was Diferent...

15 O fim dessa história...e o começo de muitas outras


Notas iniciais
Último capítulo de if, gente! Vou começar a fazer a continuação depois que reler A viagem do peregrino da alvorada... fiquem de olho, não sei se vou conseguir avisar quando postar a continuação. Novamente, obrigada por tudo, gente! Sem vocês, if it was diferent não seria nada!

beeijos:*
bellafurtado (:

Tudo corria bem. Os fogos estouravam no céu, à medida que passávamos pelas ruas lotadas de súditos. Caspian e eu íamos à frente, enquanto Pedro e Susana iam atrás, e logo depois deles Lúcia e Edmundo. A ordem de sempre. Banqueteamos no castelo. Susana e Lúcia dormiriam comigo hoje, como numa despedida. Pedro não me dirigiu a palavra.

Ed e Casp estavam passando por nós quando íamos para o quarto.

-Boa-noite, Ed. Boa-noite, Casp – falei.

-Boa-noite, True – Ed disse.

-Boa-noite, Trudy – Caspian disse.

Continuamos andando, até que me virei e pedi:

-Ed! — ele me olhou e eu acrescentei: — Diga ao Pedro que eu sinto muito. E que eu irei morrer de saudades dele.

Ed assentiu rindo e saiu com Caspian. Eu e as garotas estávamos já no quarto. Elas estavam muito magoadas porque eu ficaria em Nárnia. Sempre quando eles voltam, eles chegam na hora que saíram, coisa que não acontece comigo. Porque, sempre que um dos que veio de lá para Nárnia voltasse para lá, o tempo passa a transcorrer normalmente. Por exemplo, se só Sup voltasse, o tempo transcorreria normalmente, e quando os outros fossem, chegariam no tempo e lugar onde Sup estivesse. Então o tempo passaria em ambos os lugares, até que eu pudesse voltar para o meu mundo. E, quando chegasse, estaria no tempo e lugar onde eles estavam.

Anoiteceu e tivemos que dormir. Nossos vestidos já estavam prontos no dia seguinte. Eu vesti um dourado tomara-que-caia, Susana vestiu um azul com branco e Lúcia vestiu um .... . Descemos para comer.

Nosso dia transcorria normalmente. Seria assim até que chegasse ao meio-dia, quando eu e Caspian faríamos o nosso discurso e e nos despediríamos dos antigos reis e rainhas. Eu, Susana e Lúcia aproveitávamos nosso tempo juntas no jardim, rindo e contando casos enquanto comíamos frutas deliciosas. E então aquela calmaria chegou: Aslam. Ele estava ali, com Pedro. Ambos me encararam e Pedro sorriu de canto.

-Minhas desculpas, rainha Trudy, mas tenho que pegar Susana Pevensie emprestada.

Eu ri.

-Tudo bem, Aslam.

Susana saiu meio aturdida, como se pensasse que fez algo errado. Então os três saíram e eu fiquei ali com Lúcia.

-O que acha que Aslam quer com eles? — Lúcia deu de ombros.

-Eu não tenho a mínima ideia. Mas eu bem que gostaria que ele desse um cascudo em Pedro por causa do que ele fez com você.

Eu sorri fracamente.

-Não pense isso do seu irmão, Lu. Ele foi muito idiota, com certeza – ela riu. — mas não é como se ele não tivesse motivo, é?

Ela deu de ombros.

-Você também tem seus motivos, Trudy. E ele tem que entender que não pode decidir o rumo que você vai tomar.

Arregalei os olhos.

-Pela juba do leão, você tem MESMO nove anos, Lúcia? Ou isso é só um disfarce?

Ela riu.

-Pense o que quiser!

Começamos a rir.

-Bem, temos um pouco de tempo, se quiser brincar de pega-pega – falei sorrindo. Lúcia se animou. — Está comigo! Corra enquanto pode, Lu Pevensie!

Ela saiu correndo e eu fui atrás dela. Ficamos brincando por aproximadamente 2 horas, quando Casp passou por ali. Ele nos olhou, deu um sorriso e murmurou:

-Estamos prontos. Vão para lá enquanto chamo Aslam e os outros dois.

Assenti.

-Só tente não parece hipnotizado quando olhar para a Sup, ok? — ironizei. Ele rolou os olhos.

É, talvez fosse ser difícil comandar tudo com Caspian. Eu e Lúcia corremos para o local indicado. Lá tinha muita gente, possivelmente todo o povo telmarino. Ficamos lá em silêncio absoluto, até que Caspian chegou com Aslam, Pedro e Susana. Casp se posicionou no centro do palco e estendeu a mão, para que eu fosse com ele. Fui até lá, e ele começou:

-Nárnia pertence aos narnianos, assim como aos homens. Todo o telmarino que quiser ficar e viver em paz é bem-vindo.

-Mas os que desejarem – comecei, dando um passo à frente. — Aslam os enviará ao lar dos nossos pais.

-Há muitas gerações nós partimos de Telmar – um homem disse dentre o povo.

-Não estamos nos referindo a Telmar – Aslam corrigiu suavemente. — Seus pais eram marinheiros errantes. Piratas que aportaram numa ilha. E acharam uma caverna, uma rara fenda que os trouxe para cá. O mesmo mundo de nossos reis e rainhas.

O burburinho começou. Todos cochichavam entre si, como se quisessem saber se era realmente seguro. Respirei fundo para não perder a paciência, enquanto repetia para mim mesma que eu devia ter paciência com meus súditos. Os Pevensie se entreolharam também.

-É para essa ilha que posso enviá-los – Aslam concluiu.- É um bom lugar para os que desejam recomeçar.

Eu e Caspian olhamos para os súditos à nossa volta, na esperança de acharmos algum voluntário. E então, o general das tropas de Miraz disse:

-Eu vou – todos o encararam, inclusive eu e Caspian. — Eu vou aceitar a oferta.

Casp e eu fizemos uma rápida reverência, e o comandante retribuiu-a. Logo ele já estava vindo até aqui.

-Nós também vamos – disse tia Prunaprismia com seu bebê no colo. Eu abri um enorme sorriso quando ela subiu até ali com um dos lordes do conselho.

-Vocês tem as bençãos dos reis e rainhas aqui presentes – eu disse.

Todos nós sorrimos.

-Por terem aceitado primeiro, seu futuro naquele mundo será bom – Aslam comunicou e eu pude perceber uma pontada de alegria escondida em sua voz.

E então o grande leão soprou sobre eles o esquecimento. Atrás de nós, uma árvore se dividiu ao meio, formando uma passagem entre seus troncos. Os três telmarinos se dirigiram para lá e atravessaram a fenda, mas não saíram do outro lado. Fiquei boquiaberta.

-Como saberemos que ele não está nos levando para a morte? — um telmarino gritou. Tive vontade de dar um soco na cara dele, mas tive que me controlar para não fazer besteira.

-Alteza – Ripchip se adiantou um passo. — Se meu exemplo pode servir para alguma coisa, passarei com onze ratos agora mesmo. Novamente, os Pevensie se entreolharam, e Aslam os encarou.

-Nós vamos – Pedro falou, e sua voz estava rouca. Meu coração saltou ao ouví-lo.

-Nós vamos? — Ed perguntou erguendo uma sobrancelha.

-Vamos. Nosso tempo acabou – sua voz tinha uma entonação triste. Pedro olhou-me de esguelha e eu senti meu coração se descompassar. Ele veio andando na minha direção e na de Caspian. — Afinal, não somos mais necessários aqui.

E, dizendo isso, entregou sua espada a Caspian.Caspian pegou-a a prometeu:

-Eu cuidarei dela até a sua volta.

-O problema é esse – Susana disse. — Nós não voltaremos.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas e encarei Pedro.

-O quê? — perguntei. Ele me encarou e pude perceber que seus olhos também estavam molhados. Eu tinha que resistir, mas não consegui:abracei-o com força e comecei a chorar em seu ombro. Ele me apertava com força, como se nunca mais fosse me ver. E talvez não fosse.

-Não vamos voltar? — Lúcia perguntou triste.

-Vocês dois vão voltar – Pedro disse, se afastando de mim. Senti a mágoa chegando mais forte quando perdi seu calor. — Pelo menos eu acho que ele quis dizer vocês dois.

-Mas por quê? — Lúcia perguntou, um pouco ultrajada. — Eles fizeram algo errado?

-Muito pelo contrário, minha cara – Aslam disse. — Mas tudo tem seu tempo. Seus irmão e irmã aprenderam o que podiam nesse mundo. Agora é hora de viverem por conta própria.

-Está tudo bem, Lu – Pedro falou daquele jeito fofo que sempre me fez derreter. — Não foi assim que pensei que seria – e me olhou de esguelha de novo. — mas tudo bem. Um dia você também vai ver. Venha.

Ele pegou a mão de Lúcia e os quatro se dirigiram para uma fila em que estavam Cornellius, Trumpkin, Ripchip, Caça-Trufas e o chefe centauro, respectivamente. Os rei e rainhas paravam na frente de cada um e faziam uma reverência.

Olhei para Caspian. Ele ficou meio hesitante, mas me abraçou sem jeito e murmurou:

-Vai ficar tudo bem, True – eu me senti diferente por ouví-lo me chamar de True pela primeira vez. — Sh, sh, vai ficar tudo bem.

Nós nos separamos pouco tempo depois. Susana estava indo na direção de Caspian. Pus a mão no ombro dele e murmurei um “vai que é sua!”. Parei ao lado do tronco dividido e fiquei olhando enquanto Susana falava:

-Estou feliz de ter voltado.

-Queria que tivéssemos tido maistempo juntos – Caspian murmurou. Oin, que fofo!

-Nunca teria dado certo mesmo.

-Por que não? — Caspian pareceu triste.

Senti uma mão no meu ombro e olhei para o lado: Pedro. Sorri e pus minha mão sobre a dele, e continuei olhando o casalzinho de ouro.

-Sou 1300 anos mais velha que você – Susana respondeu divertida.

Olhei para Pedro e nós rimos baixinho, enquanto repetíamos a cantada furada de Susana com diferentes entonações. Ed logo entrou na brincadeira. Caspian deu um risadinha. Sup veio na nossa direção, mas voltou na última hora, selando seus lábios nos de Caspian. Abracei Pedro pela cintura e ele fez o mesmo comigo. Deitei minha cabeça em seu ombro enquanto espíavamos os dois se abraçando.

-Tenho certeza que vou entender quando crescer – Lúcia murmurou envergonhada.

-Eu já cresci, e não pense que quero entender – Ed soltou sem pensar. Nós rimos.

Susana se soltou de Caspian e os dois murmuraram um “eu te amo”. Ela veio na nossa direção. Fui para a frente de Pedro e disse:

-Então... parece que é a nossa despedida.

-É, parece que é.

Ficamos nos olhando e eu pedi:

-Me desculpe por não ter te contado antes. Eu devia ter dito, assim você pelo menos ficava preparado e... desculpe. Mesmo. Então nós... hmm... amigos?

Eu lhe estendi a mão. Ele a encarou e depois olhou nos meus olhos.

-Não – respondeu. — Não somos amigos. Desculpe, Trudy, mas depois de tudo não PODEMOS ser amigos.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas e me virei para sair dali, mas a mão de Pedro agarrou meu braço. Ele me puxou, me fazendo ficar de frente para ele. Secou minhas lágrimas com o polegar e murmurou sorrindo:

-Não posso ser seu amigo porque quero ser muito mais do que isso.

E então ele agarrou minha cintura, me puxando para mais perto dele. E aí, ele me beijou, daquele jeito que fez na cachoeira. Foi simplesmente perfeito. Nos separamos em busca de ar e ele me abraçou com força. Deitei minha cabeça em seu ombro e ele fez o mesmo, beijando o topo da minha cabeça.

-Você vai me esperar? — perguntei secando as lágrimas.

-Tanto tempo quanto precisar. Para sempre, se necessário.

Sorri.

-Eu te amo.

-Eu te amo. — ele repetiu.

Abracei os outros Pevensie. E então, eles se viraram para o tronco. Senti um imenso vazio dentro de mim. Lúcia já estava entrando na fenda. Olhei para Aslam suplicante, tentando conter as lágrimas. Ele assentiu com seu sorriso de leão e repetiu algo da nossa conversa:

-Às vezes temos que enxergar nossas prioridades também.

Sorri ao finalmente entender: ele estava me deixando ir.

-Muito obrigada – eu disse sorrindo. Abracei Caspian rapidamente e corri para a fenda.

De repente, eu estava em Londres novamente, com o uniforme do colégio. Ao longe, estavam os Pevensie. Pedro olhou na minha direção e cerrou os olhos, como se visse uma miragem. Saí correndo até lá e pulei no pescoço dele dando-o um beijo.

-Aslam me deixou voltar – murmurei.

-Graças aos céus!

-Depois de um ano ter se passado, já estava na hora – Ed murmurou.

Olhei desconfiada para ele.

-Já se passou um ano?! — perguntei assombrada.

Ele começou a rir.

-Pegadinha!

Dei um soco fraco no braço dele e todos rimos.

Eu abracei todos. Estávamos perfeitamente felizes. Sup parecia triste por ter deixado Caspian, mas isso provavelmente mudaria com o tempo.

Um garoto nerd que estava no trem perguntou:

-Você não vem, Phyllis?

-Mentiu seu nome de novo? — sussurrei no ouvido de Susana. Ela assentiu sorrindo.

Pegamos nossa bagagem e entramos no trem. Eu estava abraçada com Pedro.

-Vocês acham que há um jeito de voltar? — Ed perguntou.

Todos olhamos para ele, e eu perguntei:

-Por quê?

-Deixei minha lanterna nova em Nárnia.

Todos começamos a rir. Tudo estava perfeito. O trem se fechou e começou a andar. Nunca esqueceríamos aqueles dias. Ao longe, pudemos ter certeza que ouvimos um rugido de leão ali dentro do trem. Olhei para pedro sorrindo e ele retribuiu o sorriso. Foi o fim dessa história... mas o começo de muitas outras.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!