Notas iniciais
Nossa primeira fanfic! Esperamos que gostem, boa leitura!

As duas irmãs saíram correndo de dentro da casa em chamas, Malia, com seus longos cabelos pretos presos em um coque mal feito e os olhos verdes arregalados de pavor, e Robin, seus cabelos loiros soltos, os olhos igualmente verdes apavorados. Lagrimas escorriam por seus rostos enquanto se afastavam do lugar que puderam realmente chamar de lar, onde brincaram e choraram durante toda sua infância.

Uma semana depois do ocorrido, voltaram para ver o estrago que o fogo fez em sua antiga moradia. Andavam pelos destroços contendo lágrimas que queimavam seus olhos. Robin, não aguentando mais tamanha destruição, senta-se em um pedaço de madeira que outrora fazia parte da escada.

– Você está bem? – Malia pergunta, realmente preocupada com a irmã.

– Como se estivesse no olho de um furacão. – Robin se levantou, xingando baixinho ao se apoiar em um caco de vidro. Malia retirou o vidro e a ajudou a se levantar.

– Bobby. Vamos estar seguras lá, podemos ficar um tempo até decidirmos o que fazer. – diz a mais velha, olhando em volta. Não imaginou que alguns demônios fariam todo esse estrago. As duas começaram a procurar algo que as ajudasse durante a viajem, Robin mandou uma mensagem para o padrinho avisando que logo estariam com ele. Depois de vasculharem os escombros, as irmãs pegam suas coisas e caminham em direção ao ponto de ônibus.

Ficaram em silêncio durante toda viajem, não tinham coragem de se encarar e ver a dor e a perda nos olhos uma da outra. Levantaram-se e pegaram o que sobrou de suas coisas. Ignoraram o olhar do motorista, que claramente desaprovava que as duas descessem em um lugar tão isolado naquele horário. Malia olhou para a irmã, que ia a sua frente. Não fazia nem duas semanas que a mãe delas havia morrido, e quando tocava no assunto, Robin agia friamente e se culpava pelo ocorrido. Ouviu a irmã fungando.

– Robin...? – chamou a mais velha.

– Hm? – respondeu, sem olhar para trás.

– Não foi culpa sua. – tentou reconfortar a irmã.

As duas chegaram ao ferro velho.

– Será que o Bobby vai deixar a gente ficar com um desses? – Robin apontou para os carros. Malia estava ao seu lado e via, pela luz que batia no rosto da mais nova, que a irmã havia deixado uma lágrima escapar.

– Não mude de assunto, Robin.

– Então não toque nele, Malia. – a loira respondeu, parando de andar. – 1) Eu sabia que isso ia acontecer e 2) eu fugi – ela balançou a cabeça, sorrindo triste. – Não acha que eu tenho motivo?

– Não, todo mundo teria feito a mesma coisa, Bin – Malia usou o apelido que a irmã mais odiava para acabar com o clima tenso.

–Ok, Mal. – Robin retribuiu da mesma forma. A mais nova correu até chegar à porta do padrinho. Bobby abriu a porta antes mesmo que elas batessem e abraçou-as, derrubando um pouco de água da garrafa que estava em sua mão.

– Bobby! Que saudades! Quem limpou es...- Robin foi interrompida quando se engasgou com um pouco de água benta que seu padrinho havia jogado em seu rosto. – Mas que porra...? – Malia pegou a garrafa do velho caçador e deu um gole. Não iria ficar toda molhada.

– Antes que vocês nos corte – a mais nova tirou o cabelo do rosto e mostrou um piercing em forma de flecha atravessado na orelha, enquanto Malia mostrava a língua para Bobby revelando, também, um piercing.

– Ferro – as duas disseram em uníssono.

– Vocês tem um piercing?! – Robin riu da reação do padrinho, enquanto Malia revirava os olhos e sorria.

– E uma tatuagem – disse a mais velha se virando e levantando a blusa, revelando um símbolo contra possessão demoníaca no cóccix, enquanto Robin também se virou e tirou o cabelo da nuca deixando à mostra o mesmo símbolo.

– Era só o que faltava... — Bobby sorriu – Desculpe, meninas – ele entregou uma toalha para Robin e passou o braço pelo pescoço da mais velha. – Achei estranho vocês terem escapado. Digo, fiquei sabendo que foram muitos demônios.

– Também achei – disse Malia, enquanto Robin estendia a toalha em uma das cadeiras. – Eles não tentaram machucar Robin durante o ataque, eles iriam me matar, então ela pulou em cima de um deles, mas ele só a empurrou.

– Eles então devem ter deixado vocês escaparem, certo? – as duas deram de ombros – Ótimo. – resmungou o velho.

– Depois disso, nós pegamos o que deu e fomos para um motel. – Robin foi se sentar no sofá, a irmã logo atrás. – Fomos atacadas lá também. Foi só um, mas também tentou matar Mally. Me amarraram, acho que para não tentar salvá-la.

Os três ficaram em silêncio por um tempo. Bobby foi até a cozinha, entregou um remédio para dormir para Robin, e uma cerveja à Malia. A loira sorriu para seu padrinho e tomou o remédio sem água, deu boa noite a Bobby e a irmã e subiu, passando a mão em uma lasca do corrimão onde Mally havia quebrado o braço uma vez, brincando de escorregar. Assim que chegou ao quarto, que dividira com a irmã anos atrás, se lembrou que sua mochila que usava na escola estava lá em baixo, porém, ao invés de livros e cadernos, tinham armas e facas. Tomou um banho rápido e deitou. Sua boneca favorita quando criança ainda estava sentada no criado-mudo, no mesmo lugar onde havia deixado quando saiu pela ultima vez daquela casa. Sorriu, mas mesmo assim, guardou-a em uma das gavetas. Virou, encarando a porta e em pouco tempo já estava dormindo.


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Malia acordou com sua irmã a chamando. Jogou um travesseiro nela e se virou, porém Robin insistia, então a mais velha perguntou o que estava acontecendo, irritada.

– Tem alguém lá embaixo – a loira sussurrou. Malia pulou da cama, desperta. Pegou uma pistola 45mm e deu uma faca benzida para a irmã. As duas desceram fazendo o mínimo de barulho possível, mas sempre tem um degrau que decide ranger. Mally, silenciosamente, mandou a irmã calar a boca, colocando o indicador nos lábios. Robin arregalou os olhos como que dizendo “A culpa não é minha!”.

Uma mulher de cabelos negros e perfeitamente penteados estava sentada no sofá, de costas para as duas. As irmãs se olharam sem saber o que fazer. Malia tentou destravar a arma sem fazer barulho e Robin apertou mais a faca. A loira acenou com a cabeça para a irmã, que falou, ameaçadoramente:

–Quem é você? – a moça olhou para trás com um sorriso delicado. Era tão e bela e calma que poderia ser um anjo.

– Olá, meus doces. Sentem-se – ela apontou para o sofá em sua frente -, vou contar-lhes uma coisa. – nenhuma das meninas se mexeu. – Ah, então tudo bem. – a moça gesticulou como se tivesse pegando as duas e as jogando no sofá. E foi isso que aconteceu — Sabe...? Quando penso que Sam Winchester realmente achou que havia me matado, é que chego à conclusão que já não tenho esperança na inteligência humana. – ela soltou uma gargalhada que fez Robin se arrepiar.

–Lilith? – perguntou Malia, ainda sem conseguir se mexer dos ombros para baixo.

– Parabéns Malia, você é uma esperança para a humanidade! Mas, convenhamos, um viciado tentar matar o primeiro demônio do mundo? É muita burrice acreditar que isso funcionaria.

– Então como o selo foi quebrado? – Malia não olhava diretamente para Lilith, ao contrário de Robin, que praticamente a estudava. – A morte do primeiro demônio quebraria o ultimo selo.

– Sempre soube que as fofocas se modificam, mas não achei que fosse tanto! – ela disse, fingindo surpresa.

– Então era outro selo? – Robin quis saber.

– Exatamente, querida. Ah, vocês querem saber qual é o ultimo! A morte de uma traidora. – As duas irmãs de olharam, sem saber o que pensar. – Ruby... – Robin quase revirou os olhos, mas se conteve.

– E por que está aqui? – desafiou-a Malia, antes mesmo de ouvir o resto da resposta.

– Vim dar uma dica à sua irmã, Mal. – a raiva de Mally aumentou ao ouvir o apelido que tanto odiava. E olhando para Robin, disse: — Se alimente, docinho, não tem mal nisso e eu vou precisar.

Robin, assim que conseguiu se mexer, pegou sua faca e tentou acertar Lilith, mas só quebrou um copo que estava atrás dela, o demônio já havia desaparecido.

Todas as lágrimas que Robin guardara desde a morte de sua mãe ameaçaram cair, e olhar para a irmã só fez com que a vontade de chorar aumentasse.

– Você esta bem? – Mally perguntou para a irmã, que afirmou com a cabeça.

– E você? – Robin caminhou até a mais velha e a abraçou.

– Sim. – a mais velha olhou nos olhos da loira – Robby – Malia usou um tom maternal, que fez o coração de Robin doer -, o que ela quis dizer com “se alimente”?

–Não sei, Mally – mentiu a mais nova. – De verdade.


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As duas acordaram ao mesmo tempo, suando e com muita dor de cabeça. Se olharam, cada uma em sua cama, estava tudo igual. Malia apontou com a cabeça para a porta e perguntou para a irmã se ela queria descer, só para ver se estava tudo certo. Robin deu a pistola pra a morena e pegou a faca benzida.

A escada rangeu no mesmo lugar que o sonho, mas elas tentaram não demonstrar medo. Tudo estava igual como haviam deixado antes de dormir: a mochila cheia de armas de Robin, alguns livros de Malia e o controle ao lado da TV.

– Mally...? — chamou Robin. A mais velha saiu da cozinha e foi ao encontro da irmã, que apontou para o chão. – Esse copo já estava quebrado quando fomos dormir, né?

Notas finais
Gostaram? Deixem sugestões! Até o próximo, bjss