If It Is Supposed to Happen, It Will
1 I'm Still Alive
Notas iniciais
As duas irmãs saíram correndo de dentro da casa em chamas, Malia, com seus longos cabelos pretos presos em um coque mal feito e os olhos verdes arregalados de pavor, e Robin, seus cabelos loiros soltos, os olhos igualmente verdes apavorados. Lagrimas escorriam por seus rostos enquanto se afastavam do lugar que puderam realmente chamar de lar, onde brincaram e choraram durante toda sua infância.
Uma semana depois do ocorrido, voltaram para ver o estrago que o fogo fez em sua antiga moradia. Andavam pelos destroços contendo lágrimas que queimavam seus olhos. Robin, não aguentando mais tamanha destruição, senta-se em um pedaço de madeira que outrora fazia parte da escada.
– Você está bem? – Malia pergunta, realmente preocupada com a irmã.
– Como se estivesse no olho de um furacão. – Robin se levantou, xingando baixinho ao se apoiar em um caco de vidro. Malia retirou o vidro e a ajudou a se levantar.
– Bobby. Vamos estar seguras lá, podemos ficar um tempo até decidirmos o que fazer. – diz a mais velha, olhando em volta. Não imaginou que alguns demônios fariam todo esse estrago. As duas começaram a procurar algo que as ajudasse durante a viajem, Robin mandou uma mensagem para o padrinho avisando que logo estariam com ele. Depois de vasculharem os escombros, as irmãs pegam suas coisas e caminham em direção ao ponto de ônibus.
Ficaram em silêncio durante toda viajem, não tinham coragem de se encarar e ver a dor e a perda nos olhos uma da outra. Levantaram-se e pegaram o que sobrou de suas coisas. Ignoraram o olhar do motorista, que claramente desaprovava que as duas descessem em um lugar tão isolado naquele horário. Malia olhou para a irmã, que ia a sua frente. Não fazia nem duas semanas que a mãe delas havia morrido, e quando tocava no assunto, Robin agia friamente e se culpava pelo ocorrido. Ouviu a irmã fungando.
– Robin...? – chamou a mais velha.
– Hm? – respondeu, sem olhar para trás.
– Não foi culpa sua. – tentou reconfortar a irmã.
As duas chegaram ao ferro velho.
– Será que o Bobby vai deixar a gente ficar com um desses? – Robin apontou para os carros. Malia estava ao seu lado e via, pela luz que batia no rosto da mais nova, que a irmã havia deixado uma lágrima escapar.
– Não mude de assunto, Robin.
– Então não toque nele, Malia. – a loira respondeu, parando de andar. – 1) Eu sabia que isso ia acontecer e 2) eu fugi – ela balançou a cabeça, sorrindo triste. – Não acha que eu tenho motivo?
– Não, todo mundo teria feito a mesma coisa, Bin – Malia usou o apelido que a irmã mais odiava para acabar com o clima tenso.
–Ok, Mal. – Robin retribuiu da mesma forma. A mais nova correu até chegar à porta do padrinho. Bobby abriu a porta antes mesmo que elas batessem e abraçou-as, derrubando um pouco de água da garrafa que estava em sua mão.
– Bobby! Que saudades! Quem limpou es...- Robin foi interrompida quando se engasgou com um pouco de água benta que seu padrinho havia jogado em seu rosto. – Mas que porra...? – Malia pegou a garrafa do velho caçador e deu um gole. Não iria ficar toda molhada.
– Antes que vocês nos corte – a mais nova tirou o cabelo do rosto e mostrou um piercing em forma de flecha atravessado na orelha, enquanto Malia mostrava a língua para Bobby revelando, também, um piercing.
– Ferro – as duas disseram em uníssono.
– Vocês tem um piercing?! – Robin riu da reação do padrinho, enquanto Malia revirava os olhos e sorria.
– E uma tatuagem – disse a mais velha se virando e levantando a blusa, revelando um símbolo contra possessão demoníaca no cóccix, enquanto Robin também se virou e tirou o cabelo da nuca deixando à mostra o mesmo símbolo.
– Era só o que faltava... — Bobby sorriu – Desculpe, meninas – ele entregou uma toalha para Robin e passou o braço pelo pescoço da mais velha. – Achei estranho vocês terem escapado. Digo, fiquei sabendo que foram muitos demônios.
– Também achei – disse Malia, enquanto Robin estendia a toalha em uma das cadeiras. – Eles não tentaram machucar Robin durante o ataque, eles iriam me matar, então ela pulou em cima de um deles, mas ele só a empurrou.
– Eles então devem ter deixado vocês escaparem, certo? – as duas deram de ombros – Ótimo. – resmungou o velho.
– Depois disso, nós pegamos o que deu e fomos para um motel. – Robin foi se sentar no sofá, a irmã logo atrás. – Fomos atacadas lá também. Foi só um, mas também tentou matar Mally. Me amarraram, acho que para não tentar salvá-la.
Os três ficaram em silêncio por um tempo. Bobby foi até a cozinha, entregou um remédio para dormir para Robin, e uma cerveja à Malia. A loira sorriu para seu padrinho e tomou o remédio sem água, deu boa noite a Bobby e a irmã e subiu, passando a mão em uma lasca do corrimão onde Mally havia quebrado o braço uma vez, brincando de escorregar. Assim que chegou ao quarto, que dividira com a irmã anos atrás, se lembrou que sua mochila que usava na escola estava lá em baixo, porém, ao invés de livros e cadernos, tinham armas e facas. Tomou um banho rápido e deitou. Sua boneca favorita quando criança ainda estava sentada no criado-mudo, no mesmo lugar onde havia deixado quando saiu pela ultima vez daquela casa. Sorriu, mas mesmo assim, guardou-a em uma das gavetas. Virou, encarando a porta e em pouco tempo já estava dormindo.
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Malia acordou com sua irmã a chamando. Jogou um travesseiro nela e se virou, porém Robin insistia, então a mais velha perguntou o que estava acontecendo, irritada.
– Tem alguém lá embaixo – a loira sussurrou. Malia pulou da cama, desperta. Pegou uma pistola 45mm e deu uma faca benzida para a irmã. As duas desceram fazendo o mínimo de barulho possível, mas sempre tem um degrau que decide ranger. Mally, silenciosamente, mandou a irmã calar a boca, colocando o indicador nos lábios. Robin arregalou os olhos como que dizendo “A culpa não é minha!”.
Uma mulher de cabelos negros e perfeitamente penteados estava sentada no sofá, de costas para as duas. As irmãs se olharam sem saber o que fazer. Malia tentou destravar a arma sem fazer barulho e Robin apertou mais a faca. A loira acenou com a cabeça para a irmã, que falou, ameaçadoramente:
–Quem é você? – a moça olhou para trás com um sorriso delicado. Era tão e bela e calma que poderia ser um anjo.
– Olá, meus doces. Sentem-se – ela apontou para o sofá em sua frente -, vou contar-lhes uma coisa. – nenhuma das meninas se mexeu. – Ah, então tudo bem. – a moça gesticulou como se tivesse pegando as duas e as jogando no sofá. E foi isso que aconteceu — Sabe...? Quando penso que Sam Winchester realmente achou que havia me matado, é que chego à conclusão que já não tenho esperança na inteligência humana. – ela soltou uma gargalhada que fez Robin se arrepiar.
–Lilith? – perguntou Malia, ainda sem conseguir se mexer dos ombros para baixo.
– Parabéns Malia, você é uma esperança para a humanidade! Mas, convenhamos, um viciado tentar matar o primeiro demônio do mundo? É muita burrice acreditar que isso funcionaria.
– Então como o selo foi quebrado? – Malia não olhava diretamente para Lilith, ao contrário de Robin, que praticamente a estudava. – A morte do primeiro demônio quebraria o ultimo selo.
– Sempre soube que as fofocas se modificam, mas não achei que fosse tanto! – ela disse, fingindo surpresa.
– Então era outro selo? – Robin quis saber.
– Exatamente, querida. Ah, vocês querem saber qual é o ultimo! A morte de uma traidora. – As duas irmãs de olharam, sem saber o que pensar. – Ruby... – Robin quase revirou os olhos, mas se conteve.
– E por que está aqui? – desafiou-a Malia, antes mesmo de ouvir o resto da resposta.
– Vim dar uma dica à sua irmã, Mal. – a raiva de Mally aumentou ao ouvir o apelido que tanto odiava. E olhando para Robin, disse: — Se alimente, docinho, não tem mal nisso e eu vou precisar.
Robin, assim que conseguiu se mexer, pegou sua faca e tentou acertar Lilith, mas só quebrou um copo que estava atrás dela, o demônio já havia desaparecido.
Todas as lágrimas que Robin guardara desde a morte de sua mãe ameaçaram cair, e olhar para a irmã só fez com que a vontade de chorar aumentasse.
– Você esta bem? – Mally perguntou para a irmã, que afirmou com a cabeça.
– E você? – Robin caminhou até a mais velha e a abraçou.
– Sim. – a mais velha olhou nos olhos da loira – Robby – Malia usou um tom maternal, que fez o coração de Robin doer -, o que ela quis dizer com “se alimente”?
–Não sei, Mally – mentiu a mais nova. – De verdade.
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As duas acordaram ao mesmo tempo, suando e com muita dor de cabeça. Se olharam, cada uma em sua cama, estava tudo igual. Malia apontou com a cabeça para a porta e perguntou para a irmã se ela queria descer, só para ver se estava tudo certo. Robin deu a pistola pra a morena e pegou a faca benzida.
A escada rangeu no mesmo lugar que o sonho, mas elas tentaram não demonstrar medo. Tudo estava igual como haviam deixado antes de dormir: a mochila cheia de armas de Robin, alguns livros de Malia e o controle ao lado da TV.
– Mally...? — chamou Robin. A mais velha saiu da cozinha e foi ao encontro da irmã, que apontou para o chão. – Esse copo já estava quebrado quando fomos dormir, né?
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