If It Is Supposed to Happen, It Will
5 Hunting - Fights

— Aconteceu há uns dois anos... – Robin continuou. – Nós duas estávamos caçando vampiros com nossa mãe e Josh quando...
— Ei! – Dean a interrompeu, olhando para Robin pelo retrovisor. – Quem é Josh?
— Um amigo meu de faculdade que virou namorado da Mally. Não sabia nada sobre essa realidade de caçador. Continuou sem saber por um bom tempo, mas quando ele e Malia noivaram, a gente contou. Ficou em choque por um tempo, é claro, mas depois quis começar a ir com a gente.
Os irmãos reviraram os olhos e Robin teve que se segurar para não fazer o mesmo. Amara Josh como um irmão, mas ainda tinha raiva dele por ser tão curioso.
— Nós desaprovamos, só para constar. – Robby contou.
— Hm. – Dean resmungou. Sam sorriu minimamente pela cara de nojo do irmão.
— Continuando... – a loira batia os dedos nervosamente na calça jeans. – Estávamos atrás de vampiros, nós quatro quando um deles fez Josh beber seu sangue. Ele começou a se transformar, nós não sabíamos...
Robin parou de falar e Sam olhou para ela pelo retrovisor, preocupado. A loira engoliu em seco, se lembrando da cena completamente, como se estivesse acontecendo na sua frente.
— Hm... – ela continuou, com a voz embargada, mas se recompôs. – Não sei como conseguiu esconder... Nós localizamos o covil deles e quando chegamos, havia mais deles do que imaginamos. Josh perdeu o controle e atacou a primeira pessoa que viu, a Mally.
Os irmãos prenderam a respiração sem perceber.
— Eu e nossa mãe estávamos lutando com vários vampiros, mas estávamos próximas dos dois. Mally não se mexia e Josh só a encarava, tentando ao máximo se controlar. – Robin olhou para o lado e foi quando viu que haviam chegado à cafeteria. – Finalmente! Você dirige igual uma lesma, Winchester.
A loira saiu do carro e entrou no estabelecimento, já tirando as notas do bolso. A garota tomava tanto café que Malia se perguntava como a irmã dormia.
Sam e Dean se entreolharam, preocupados com a loira, indo atrás dela.
~*~
Robin, já com o copo de café na mão, olhava pela janela no banco de trás do Impala. Outro copo vazio estava jogado ao seu lado. A loira ficou a metade do trajeto sem falar, até que respirou fundo e continuou:
— Não sei quanto tempo Mally ficou parada, mas eu não aguentava ver aquela situação. – falou com uma voz baixa. – Josh já estava andando até ela. Ele iria tomar o sangue da minha irmã, a vontade estava ficando cada vez mais intensa e... Eu matei os vampiros que estávamos lutando e, com o facão que a Mally segurava, eu... Vocês sabem.
— Na verdade não, Robin... – Dean abaixou o olhar rapidamente.
— Eu matei Josh. – ela falou rapidamente, seu tom claramente irritado. – Eu tive...! Ele iria matar Mally...!
— Robin. – Dean parou o carro no acostamento e foi quando viu que ela e Sam se olhavam pelo retrovisor, ele com um olhar carinhoso e um pequeno sorriso, Robin apenas analisando o rosto dele, um sorriso ameaçando a se formar no rosto da loira. Dean ignorou. – Não estava lutando com outros vampiros?
— Eu disse, Dean. – Robin demorou para desviar o olhar de Sam e se virou para o loiro. – Os matei e depois foi Josh, com o facão da Mally.
— Arrancou da mão dela e...? – Dean continuou.
— E matei o namorado da minha irmã. – Robin estava claramente irritada. – Quer que eu grave pra você ficar ouvindo?
Os dois sorriram.
— Sou mais rápida e forte do que pensam, Winchesters. – ela tomou um gole do café. O sorriso de Dean diminuiu, mas o de Sam continuou.
~*~
Quando os três voltaram para o quarto, encontraram Malia jogada na cama, com o notebook no colo, e qualquer vestígio do que acontecera antes havia sido apagado. Ela tinha tomado banho e limpado a maquiagem escorrida. Era a mesma Malia de sempre, os cabelos pretos soltos, os olhos com uma camada excessiva de maquiagem e os lábios com um batom tão escuro que parecia preto.
Dean notara tudo isso e teve que afastar esses pensamentos. Agora. Ele se jogou na outra cama, onde as roupas de Robin estavam jogadas. Dean afastou as roupas intimas da loira, segurando um sorriso e se deitou. Malia revirou os olhos, sorrindo sem perceber pela infantilidade dele.
Robin e Sam se sentaram nas cadeiras.
— Achou alguma coisa? – Robin perguntou à irmã.
— Não. – respondeu irônica. – Estava aqui pesquisando pornô lésbico enquanto vocês estavam fora.
— É só entrar no histórico do meu computador. – Robin revirou os olhos. Os irmãos se perguntaram se era verdade, sem fazer ideia de que era. – Assim não perde tempo pesquisando.
— Nah! Você só vê os podres. – Malia soltou um sorriso, sabendo que a irmã não brincava sobre os vídeos.
— Tenho na vida real, não preciso ver os outros. – falou enquanto digitava algo no celular, com um pequeno sorriso.
Sam e Dean seguraram o riso enquanto Malia revirava os olhos e fechava o notebook.
— Enfim, acho que sei onde é o covil.
~*~
— A próxima à esquerda. – Malia e Dean estavam nos bancos da frente da van que haviam arrumado, Mally olhando o GPS em seu celular. Sam e Robin estavam no banco de trás, dividindo um fone e escutando Another Brick In The Wall. – É aqui!
Mally bloqueou o celular e o colocou no bolso de sua jaqueta de couro, fechando o zíper em seguida, checando se o aparelho não iria cair. Dean estacionou e olhou para o prédio abandonado.
— Certeza?
— Não! – respondeu irônica. – Trouxemos vocês porque somos psicopatas e iremos torturá-los até pedirem para morrer! Ah! E depois te fazer de escravo, é claro.
Dean bufou e saiu do carro, seguido por Sam que segurava o riso.
— Saiba que faríamos isso mesmo, Dean. – falou Robin parando na frente do portão enferrujado do prédio antigo. – Sam seria outro tipo de escravo.
E com isso a loira abriu a porta com o facão na mão, deixando um Dean perplexo, um Sam confuso e uma Malia tentando segurar os risos.
~*~
Eles entraram em silêncio, com os facões a postos e atentos.
Estava escuro, apesar de não ter anoitecido ainda. Quando mais longe iam no edifício, mais tinham certeza de que Malia estava certa. Robin ia na frente, seguida de Sam e Mally.
Dean ficou na retaguarda, já que Malia poderia surtar a qualquer momento. Robin praticamente ameaçou os Winchester a não tirarem os olhos da irmã.
O loiro ouviu um barulho à sua esquerda e tocou o braço de Malia, que se virou no mesmo instante. Ele apontou a lanterna para a direção do Som e avançou com Mally perto. Conforme se aproximavam, ele escutou o barulho de novo. Parou quando viu uma porta e olhou para os lados, conferindo se havia outro caminho.
— Tem certeza de que não é uma armadilha? – Malia perguntou baixinho. Dean se virou para ela, percebendo que ela parecia mais pálida que o normal. Ele notou algumas gotas de suor escorrendo pelo rosto dela e que seu lábio inferior tremia.
— Não, mas não tem outro caminho. Por isso eu acho que você deveria ter escutado Robin.
— Ela se preocupada demais, Dean. – Malia se virou para a porta, esperando Dean abri-la, e quando o fez, ele entrou segurando com força extrema o facão.
As quatro crianças desaparecidas estavam na sala, com seus bichinhos de pelúcia e com expressões apavoradas e cansadas ao mesmo tempo. Dean ficou sem saber o que fazer e agradeceu mentalmente Malia por tomar uma iniciativa e falar com as crianças. Poucos minutos depois, elas todas estavam em pé, numa fila, ouvindo a garota falar calmamente. A luz da lanterna refletida nos olhos dela, os deixavam cada vez mais verde.
— Podemos ir, Dean! – Malia se virou. – Eles sabem o que fazer.
O loiro assentiu, tinha mandado uma mensagem para Sam, pedindo para buscarem a van o mais rápido possível. Apesar dos próprios problemas que enfrentaram – Robin e Sam já tinham três cabeças para a coleção, mandaram uma resposta para Dean, avisando que estavam prontos.
Ele abriu a porta e saiu, olhando em volta, chamando Malia para fazer o mesmo. Avançando em silêncio, os dois guiaram as crianças. Andaram mais alguns metros com extremo cuidado e quando Dean avistou o portão, percebeu que haviam ficado tempo demais lá, já que o sol já tinha ido embora há muito tempo.
— Mais rápido, Mally. – ele sussurrou, ajudando o grupo a ir mais rápido.
Assim que passaram do portão, Robin ajudava as crianças a subir na parte de trás da van quando o primeiro vampiro apareceu: veio por trás de Sam, nenhum dos quatro perceberam a aproximação, até que a criatura jogou Sam para longe. As crianças se agitaram dentro do carro e Robin correu em direção ao vampiro que parecia um adolescente. O monstro se aproximava de Sam, que tentava se levantar com dificuldade. A loira se aproximou por trás e arrancou a cabeça do vampiro, de forma tão rápida que a única coisa que conseguiu ver foi o sangue escorrendo de seu facão.
— Você está bem? – ela afastou a cabeça caída no chão com certa agressividade, usando os pés, e perguntou a Sam.
Ele assentiu e pegou sua faca do chão, segurando o braço que fora chocado contra o chão. E foi quando se viraram e viram cerca de quinze vampiros andando em direção à Malia e Dean. As criaturas olhavam os caçadores de modo divertido, brincando com a comida.
— Puta merda... – Robin saiu correndo em direção ao circulo que os vampiros formavam em volta dos dois. Dean tinha seu facão na mão, mas Malia começava a respirar com dificuldade.
— Robin...! Você é louca, só pode...! – Sam suspirou e correu atrás dela, ainda segurando o braço extremamente dolorido.
A loira agarrou o cabelo da primeira vampira que viu e puxou a cabeça dela para trás, a cortando. Dean aproveitou o susto das outras criaturas e atacou dois vampiros, conseguindo matá-los também. Robin entrou na rodinha e percebeu que Malia segurava seu facão com força, as juntas de seus dedos praticamente brancas, mas a morena ainda estava paralisada.
— Malia! – Robin parou em frente a irmã, olhando para trás o tempo inteiro, mas Dean e Sam tomavam conta dos vampiros. – Malia entre no carro!
A loira gritou, mas era como se Malia não escutasse, mas olhou para a irmã com um olhar apavorado.
— Robby... – murmurou. Robin queria abraçá-la, mas ouviu Dean gemendo de dor e percebeu que a situação estava pior atrás dela.
— Mally, entra no carro! – Robin abriu a porta do carro e beijou a testa da irmã rapidamente antes de fechar a porta. Se virou e se viu no meio de Sam e Dean, ambos usando toda a força que tinham para socar, bater e cortar cabeças. Como um reflexo, Robin correu para perto dos outros vampiros e cortou a cabeça de dois, seus movimentos rápidos a confundindo.
— Robin! Volte aqui! – Dean gritou depois de chutar uma criatura para longe, mas ela o ignorou e apenas sorriu para os vampiros que a olhavam. Ela andava de costas e sorria cada vez mais quando um se aproximava rapidamente e logo depois havia uma cabeça rolando.
Ela nunca lutara como dessa vez, a preocupação com Mally e as crianças a deu mais motivação. Não podia deixar aquelas crianças morrerem. Não conseguiria viver sem Mally. Robin fazia movimentos que nem ela sabia que era capaz, mas acabou encurralada em um beco logo ao lado do prédio abandonado, com três vampiros a sua frente.
Sam e Dean estavam ocupados com seus próprios adversários e não podiam ajudá-la sem por em risco Malia e as crianças.
Robin tinha que pensar em alguma coisa. Seus músculos começavam a doer, mas ela tinha que ignorar, mesmo que ela sentisse como se seus braços e pernas estivessem pegando fogo. Se ela atacasse três vampiros, a terceira a mataria por trás e Robin não estava pronta para morrer.
De repente se viu com um plano. Robby correu para a vampira mais próxima e a matou com um único golpe, o terceiro vampiro avançou, porém Robin se abaixou e desviou do golpe, jogando a criatura contra a parede. Aproveitou o momento de confusão para cortar-lhe a cabeça.
A loira se virou a tempo de ver a terceira vampira se aproximando. Robin recuou até bater na parede e notou os Winchesters a olhando enquanto lutavam. A vampira ruiva sorriu, gostando de brincar com a comida. Com um sorriso psicótico nos lábios, a ruiva arrancou o facão da mão de Robin e jogou ao seu lado.
— Você vai ser a melhor, loirinha... – a criatura sussurrou, analisando o corpo de Robin, que pegou o canivete que guardava em seu bolso e levantou a manga da jaqueta. Fez um pequeno corte no antebraço, fundo o bastante para uma fina linha de sangue escorrer pelo seu braço e cair no chão. A vampira ficou imóvel encarando o sangue. Robin sorriu e então notou os olhares perplexos de Sam e Dean, que sempre que podiam, desviavam o olhar de seus adversários.
— Pareço melhor agora, não? – Robin sussurrou. – Vai ficar parada? Eu sou deliciosa, ruiva.
Então Robin avançou e fincou o canivete no pescoço dela. Aproveitando a confusão momentânea da vampira, a loira pegou o facão do chão, tirou seu canivete do pescoço del e matou a criatura. Robin estava tão nervosa em relação a Malia que não percebeu que um pouco de sangue respingou em seu rosto.
Correu até os meninos e o carro. Sam havia acabado de matar uma vampira que usava uma saia e blazer vermelhos.
— Vocês estão bem? – ela perguntou ofegante.
— Acho que desloquei o ombro, mas... Estou bem. – Sam disse, sem disfarçar o quão surpreso estava com Robin.
— Vem cá. – Sam se aproximou da loira quando ela pediu. Robin colocou o ombro dele no lugar com um único movimento. Ele abafou um gemido de dor e Dean apenas a observava com as sobrancelhas erguidas, e foi quando Robin viu Malia no banco do carro, de olhos fechados, curvada como um bebê.
— Eu a acalmei. – Dean contou. Robin foi até a irmã e a puxou para um abraço, afastando Dean dali.
— Você está bem? – a morena perguntou.
— Pare com isso! Quem deveria estar perguntando sou eu! – Robin apertou o abraço mais, extremamente preocupada com a irmã, principalmente por ter achado que não conseguiria sobreviver à tantos vampiros para salvar Mally. A mais velha riu e se afastou um pouco do abraço, olhando no fundo dos olhos da irmã.
— To falando sério, Robby! Você tá legal?
— Sim, mamãe. – Robin revirou os olhos. Malia iria comentar do corte no braço da irmã quando ouviu a voz de Sam.
— A policia vai aparecer a qualquer momento. – Dean estava logo atrás dele. – Não acho que conseguiríamos nos livrar.
As irmãs assentiram e subiram na van. Começaram a distrair as crianças enquanto Sam e Dean iam na frente. Não falaram entre si durante o trajeto para a casa das crianças. Sam olhava pela janela e mexia no ombro de vez em quando, Dean prestava atenção no caminho e Robin ouvia música de olhos fechados – brincara com as crianças por um tempo mas já estava irritada. Os meninos e meninas não estavam tão assustados quanto antes. Malia tinha inventado um jogo para mantê-los distraídos.
Dean parou na frente da casa da última criança. Malia levou a garotinha até a porta e a abraçou. Todos perceberam o quão vulnerável ela estava, mesmo que tentasse ao máximo disfarçar.
— Dean fecha a boca, não quero me afogar na sua baba... – Robin tirou um dos lados do fone e riu quando ele revirou os olhos.
Malia entrou na van de suspirou.
— Até que enfim!
— Achei que gostava de ficar com elas. – Sam comentou.
— Gosto, mas minha paciência tem limites! – eles riram. – Pelo menos é maior que a da Robin.
Ela cutucou a irmã, que não havia ficado nem dez minutos conversando e rindo com os pequenos.
— Não esquece de devolver sua van roubada, Dean. – a loira sussurrou para ele, como se fosse segredo. No mesmo momento o loiro pisou no freio e deu meia volta, devolvendo o veiculo onde havia achado. Robin revirou os olhos e os quatro andaram duas quadras até achar o Impala.
— Não sabia que lutava daquele jeito, Robin. – Dean disse quando finalmente ligou seu carro. Quando a loira não respondeu, Malia arrancou os fones bruscamente dos ouvidos da irmã. Lithiumficou na mesma altura de Immigrant Song, que Dean cantava loucamente há alguns minutos.
— Como não ficou surda ainda...? – Malia revirou os olhos e repetiu o que o Winchester havia dito.
— Eu sou mais do que pareço, Dean... Já disse isso, lembra-se? – Robin respondeu e voltou a escutar a sua música favorita da sua banda favorita, fechando os olhos em seguida.
~*~
— Vamos fazer alguma coisa. – Dean resmungou, se levantando da cadeira à frente da mesa onde o computador de Robin estava, fechado.
— Dean, você está no nosso quarto porque quer. – Malia se virou na sua cama, ficando de costas para ele.
— Sua irmã está demorando. – resmungou de novo. – Está com o meu carro. Não se demora tanto para comprar uma cerveja.
Assim que ele terminou de falar, a porta se abriu e Robin entrou no quarto, acompanhada de Sam, os dois rindo. A loira entregou para Dean uma garrafa de cerveja e colocou na mesa duas sacolas cheias. Malia viu a garrafa de vodka na mão da irmã e só então viu o corte em seu antebraço.
— Que corte é esse? – ela perguntou, interrompendo a conversa dos dois mais novos.
— Nada, Mally. Não foi nada. – ela respondeu depois de procurar o machucado.
— É claro que foi! – Malia se levantou. Vira a irmã se cortando, mas pensou que fosse coisa da sua cabeça. Saber que Robin tinha se arriscado a esse ponto enlouquecia Mally.
— Malia, pelo amor de... – a loira revirou os olhos e, Dean, percebendo elas começariam a brigar, se levantou.
— Strip poker! – exclamou. – Vamos jogar strip poker!
As duas calaram a boca na hora. Sam sorriu pela expressão de Robin, que apenas levou a garrafa à sua boca, tomando um gole silenciosamente, fazendo uma careta depois.
— Então? – o Winchester mais novo perguntou, gostando de vê-la corar. Robin era a pessoa que falava que via pornô sem ficar envergonhada, mas se calava por conta de um jogo. Ela só o encarou de volta e acabou sorrindo ao ver a expressão de Sam.
— Vamos! – Dean sorriu.
As Wentworth apenas reviraram os olhos, cedendo.
~*~
Dean abaixou seu par de cartas e todos resmungaram com raiva.
— Eu ganho o... – ele olhou para as garotas. Malia sem sua blusa, apenas de shorts e sutiã. Robin, no inicio de sua embriaguez com sua garrafa pela metade, tinha sua camisa xadrez e calcinha branca de renda. Dean sem camisa, assim como Sam. – O shorts de Malia.
Sem reclamar, ela tirou a peça de roupa e jogou para Dean, ficando com a calcinha preta. Robin pegou uma cerveja.
— Vamos logo! – Sam apressou o irmão, que arrumava as cartas lentamente.
— O que quer de Robin, Sam? – Malia riu.
— Escuta, Sammy. – a loira olhou séria para ele. – Me dê sua calça. Eu te dou minha camisa.
— Temos que deixar Robin bêbada mais vezes! – Mally riu.
Dean riu pelo fato de Sam não desviar os olhos da loira, mas o humor acabou quando ouviram uma voz feminina irônica vindo da porta fechada atrás da dona do som.
— Pelo amor de Deus, não sabia que humanos poderiam ser tãoignorantes assim.
A mulher – pela atitude parecia uma, já que sua aparência não passava de uma adolescente –, tinha o cabelo vermelho comprido solto. Era liso e repicado e estava caído pelos ombros, tampando parte dos detalhes da jaqueta de couro que usava. A calça jeans preta estava por dentro da bota de cano baixo e os pulsos estavam cheios de pulseiras pratas e algumas de couro.
— Se vistam, rápido. – ela respirou rápido, falando apenas com os meninos, já que as Wentworth já estavam vestidas, com as armas apontadas para a desconhecida. – Se quisesse matá-los, já teria feito!
A ruiva se exaltou e levou a mão até o bolso, tirando uma faca prata de lá e fez um pequeno corte em seu antebraço. Era como se uma luz saísse do lugar onde deveria ter sangue.
— Isso me fere. Agora podem confiar em mim. – ela resmungou irritada. Malia andou até ela e pegou a faca, relutante, mas a ruiva puxou a arma e fez que não. – Sua irmã, Malia. – ela sorriu para Robin, cínica. – Também não confio em você, loirinha, só tenho que descobrir o motivo.
— Eu já sei. – Robin avançou e segurou a faca, já que a ruiva não a soltou. – Não acho certo confiar em alguém que entra do nada em um quarto.
A desconhecida revirou os olhos e soltou a faca, que não a cortava.
— Quem é você? – Sam perguntou, não gostando do jeito que a desconhecida olhava para Robin e querendo pedir para a loira parar de encará-la daquele jeito. Estava com medo que a ruiva fizesse algo a Robin. Mas ele vira que ela conseguia se virar sozinha.
— Um anjo. – a ruiva se virou para Sam. Dean olhou para o irmão mais novo, só querendo saber onde Castiel estava.
— O que um anjo gostaria com nós? – Malia segurou a mão da irmã, as duas encarando o aparente anjo, que não demonstrava nenhuma emoção além de irritação.
— Explicar o que aconteceu e o motivo daqueles demônios que mataram sua mãe e queimaram sua casa estavam e estão atrás de vocês duas. – a ruiva explicou depois de respirar fundo.
— Precisamos de pelo menos um nome. – Dean resmungou.
— Clara. – ela mal esperou ele terminar de falar antes de responder. Clara andou até uma das camas e se sentou na ponta.
— Nós sabemos o que aconteceu. – Malia disse. Ela e Robin estavam a frente do anjo, as duas em pé, mas logo a loira se sentou na mesa à frente da cama, brincando com a faca que segurava, encarando o anjo diretamente. – Eles queriam me matar.
— Menos vinte pontos para Malia! – Clara exclamou e examinou Robin por um tempo antes de dar um pequeno sorriso e morder o lábio inferior. Que bom que também gosta da mesma coisa que eu gostava quando era humana, pensou a ruiva. Ela se virou para Malia em seguida. – Você não é o centro do universo, Mally. Na verdade... Era uma pedra no caminho.
— Ent...? – a morena franziu as sobrancelhas, não achando que discutir com ela seria prudente em um momento desse, mas com ódio por conta do apelido que usara. Só Robin a chamava assim.
— Os meus “queridos amigos” queriam você, Robby. – Clara sorriu para a loira, que franziu as sobrancelhas e mordeu o lábio inferior, claramente confusa. Essa confusão se misturando com uma raiva que não sabia de onde vinha. – Tenho uma pequena história para contar...
— Oh, ruivinha! – Dean se intrometeu. – Você não pode chegar aqui achando que vamos confiar em você. Eu ainda não sei como Robin não enfiou essa faca no seu... – ele se interrompeu quando Sam e Robby o mandaram a calar a boca, apenas com o olhar. – Coração! No seu coração e olha que eu vi o que ela faz e, anjo, posso te dizer que...!
— Chame Castiel, então! – a ruiva se exaltou, se levantando, e Robin repetiu o movimento, segurando a faca com mais força.
— Dean! – então todos ouviram a voz grossa de Castiel logo após o som de um par de asas. O loiro disfarçou o susto, mas todos perceberam. Clara teve que segurar os lábios para não sorrir. – Me perdoe.
Dean apenas maneou a cabeça.
— Deveríamos ter esperado ele para jogar. – Mally sussurrou para Robin, que assentiu e mordeu o lábio.
— Imagine sem camisa...
— Pense alto, Robin! Imagine sem nada! – Robby riu da expressão da irmã e percebeu que os homens as encaravam, com as sobrancelhas erguidas e franzidas.
— Quem é você? – Cass perguntou sem cerimônia para a ruiva.
— Vamos, anjinho! Você já ouviu falar de mim! – ela resmungou e fez um biquinho, como um bebê.
— Já ouvi falar de muitos anjos. – ele continuava com o tom seco, com a cabeça um pouco inclinada, obrigando-se a tentar se lembrar do anjo a sua frente.
— Então um dos poucos que podem derrotar Lúcifer não chama sua atenção?
— Esther...?
— Tente de novo... – Clara já estava sentada novamente na cama.
— Ablon? – a ruiva bufou.
— Castiel! Eu estou morta? Ablon está! Vamos...!
— Sam tossiu forçadamente.
—- Se vocês pudessem explicar. – disse quando os anjos o olharam.
— Então vamos a história... – Clara separou as pernas levemente e apoiou os braços nos joelhos. – Talvez assim você se lembre, Clarence. Para os mortais, que não sabem um terço do que se passou lá em cima e lá em baixo, cá estão os personagens:
A ruiva falava com convicção e confiança que ninguém interrompia, principalmente Castiel que quase nem se mexia.
— Esther, um anjo que não teve coragem de enfrentar Lúcifer e falhou na tentativa de matar Lilith. – a ruiva respirou. – Lilith, o primeiro demônio, e Lúcifer, que acho que não preciso falar sobre. Ablon, um anjo foda que se ferrou no final. E eu!
Então Castiel arregalou os olhos.
— Clara! Como...? Não estava...?!
Ela revirou os olhos.
— Não seja burro, Castiel!
— Já acabaram a reuniãozinha angelical? – Malia foi para perto de Sam, conseguindo ver os dois anjos melhor. – Adoraria que explicassem de que porra estão falando!
— Esther era muito poderosa. – Castiel começou e Robin sorriu ao ouvir a voz do anjo.
— Muito. – Clara comentou.
— Ela tentou derrotar Lilith, mas... Não conseguiu.
— Por que? – Dean olhou para os dois. – Anjos não deveriam ser mais fortes que demônios?
— Não mais que o primeiro, Winchester. – Clara lhe lançou um olhar mortal. – E... Esther não nos falou algo. Sim, ela deveria ser mais forte e ela era mais forte, só não a derrotou.
— Ela morreu? – Malia se apoiou em Sam.
— Não. Está descansando. – Castiel foi para o lado de Clara. – Lilith precisa de uma casca, assim como Esther. Assim como Lúficer e Miguel.
— Os quatro já têm. – Clara estava séria, mas tinha um com cínico em sua voz. – Winchesters, Lúcifer e Miguel só esperam uma resposta...
A ruiva sorriu para os dois, irônica. As Wentworth olharam para eles ao mesmo tempo. Sabiam sobre tudo o que acontecia, só não faziam ideia de que os dois eram os detalhes mais importantes.
— Nós... – Dean e Sam começaram, mas as duas irmãs ignoraram.
— E quanto Lilith e Esther? – Robin perguntou para os anjos. – Por que estão falando isso para nós?
— Sabe, Robin, o motivo pelo qual não vou com a sua cara é o seguinte: — Clara se levantou e se aproximou de Robin. A loira imediatamente fechou a cara e segurou a faca com mais força. As duas estavam frente a frente. – Lilith é um ser tão, mas tão horrível, que a sua casca só pode ser tão ruim quanto.
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