If I die young
9 Capítulo final: The Last Song
Notas iniciais
A felicidade está no andar calmo, num sorriso espontâneo, no selar rápido dos lábios? A felicidade também está nas vitrines das lojas, do outro lado da TV? Não importa, a felicidade está dentro de você. Até a ultima canção ser cantada, esse sentimento não irá escapar. Não deixarei que as nuvens de chuva pareçam menos belas do que o céu azul, nem mesmo que lágrimas me prendam a escuridão; tudo será vento, vento para minhas asas ganharem o infinito.
Conheci certa vez, um idiota que dizia o tempo todo que nada era impossível, que penas devemos quebrar com a realidade.
E... não é que ele tinha razão afinal? Não me espanta ter sido chamado de ‘rei do céu’¹.
– Matt, como está se sentindo?
A pergunta simples fez o ruivo sorrir, quem deveria estar perguntando era ele visto que Mello era amparado por Near, pálido e trêmulo.
– Ca... cala boca, Mels.
– O índice de erros do Dr. Beyond é quase 30%, tem certeza que ele é apto para ser um cirurgião?! _o loiro se agarrou no jaleco do amigo de profissão.
– Ah isso... _Near respondeu empurrando o mesmo _ele erra de propósito, Dr. Birthday não se importa em matar bandidos. Oh, ética _completou como se acabasse de lembrar-se da existência de tal palavra _ele gosta do Jeevas.
– Uh, isso não está certo, isso nunca é algo bom! _a voz desesperada atravessou paredes. O ruivo queria acalmar seu amado e dizer palavras de conforto como sempre faria, mas a dificuldade na fala lhe dava preguiça. “Está na hora dele ser desmamado e crescer como um adulto responsável” pensou soltando um longo suspiro.
O motivo de tanta agitação era único: os gêmeos resolveram fazer uma cirurgia – quase de emergência, afinal fora decidido de uma noite para a outra – em Matt. A princípio seria algo rotineiro como cortar, serrar e costurar para Beyond e algo simples como ligar nervos e provocar estímulos para Lawliet. Então o que poderia dar errado? Apenas na cabeça de Mello aquilo era loucura.
Já com as roupas brancas, Matt ria do outro entrando em quase estado de choque; ainda não tinha visto aquele lado descontrolado do mesmo. Fofo se não fosse trágico.
– Vou te dopar, deita ai Jeevas _balançou de leve a seringa nada convidativa.
– Obrigado Near, se não fosse você eu realmente... eita caralho _riu de si mesmo, conseguira falar sem dificuldades e ele só reparou já no meio da frase _vamos acabar com isso logo, Mello te amo.
– Matt _choramingou _vai dar tudo certo, vai dar sim, você ainda vai dar muito, vai ver só.
O albino terminou o procedimento – em ambos – deixaria Mello dormir por alguns minutos até começar a cirurgia. Nada melhor do que uma dose controlada de anestésico.
Mail parecia estar tendo um sonho bom, mesmo com duas pessoas fungando sobre seu cérebro, ainda era possível ver um sorriso pequeno em seus lábios finos. O ruivo andava de mãos dadas com Rosa no salão de festa, era aniversário de 16 anos da menor – quanta delicadeza, parecia uma princesa, não... era o seu sonho, então ela realmente era uma princesa. O vestido azul bebê com brilhantes entrava em harmonia com os cachos dourados de seu cabelo longo, os lábios não estavam melecados de gloss ou batom, eram de um vermelho natural esplendoroso; poderia admira-la por horas sem se cansar.
Mas ela ainda não era seu alvo naquele espaço, esperava por outra pessoa quase como a Cinderela – bom, infelizmente de princesa esse ser não tinha nada. Mello era um pouco sem educação as vezes, é... as vezes. Alem disso nada de vestidos, ah, uma lingerie quem sabe! Uh, não, que bizarro.
E logo já não estava mais no salão, subia um morro inclinado, tão inclinado que quase tocava o chão. Seu cigarro tinha gosto de menta, era tão bom sentir a fumaça entrar e sair, entretanto não tinha tempo a perder, Mello estava esperando em casa. Sim! Tinha que voltar para casa logo, se não o loiro choraria, ele pediu muito para que não o deixasse sozinho. E onde ele tinha ido mesmo? Não se lembrava de nada, só que por alguma razão deveria voltar logo.
– Pressão está subindo! Mas que droga!!
– Morfina.
– Vamos, Matt... vai ruivo idiota, REAGE!
Mello e Near trabalhavam juntos no controle da pressão e pedidos desesperados dos médicos. As chances do procedimento não dar certo era de menos 0,1% (o resultado após disso que era o verdadeiro desafio), porém ainda não era nulo. Apesar de Beyond acreditar que não era nada seus 0,1% ele ainda não sabia exatamente o que fazer naquela situação de risco. Médicos não eram Deus afinal.
Lawliet mordeu os lábios, ainda faltava muito para terminarem aquela tortura, olhou de canto para Beyond pedindo mais alguns minutos. O irmão suspirou.
– Matt, você terá que sonhar mais um pouquinho, sim? _disse o moreno de olhos vermelhos como se ninasse uma criança.
Matt continuava a caminhar, logo havia se esquecido do que estava pensando em fazer. “Onde era para ir mesmo?” Se perguntou, olhou ao redor, nada. Nada? A comunidade tinha se tornado apenas um espaço vazio, sem morros ou casas. Respirou fundo, não podia ouvir nenhum som... ou melhor, não era emitido nenhum som, nem mesmo vento, não sabia dizer se estava frio ou calor. “Entendo, então aqui é o final de tudo?” De repente sua consciência o trouxe para a realidade, mesmo que ainda preso num sonho, agora se lembrava do que realmente estava acontecendo: tinha entrado para uma cirurgia de ultima hora. “E o que eu deveria fazer? Quero mesmo acordar... quero mesmo ficar bem” Mas ao seu redor, apenas o vazio. Para onde deveria correr? Norte, sul? E se ficasse preso ali para sempre?
Matt abriu os olhos, assustado, sua visão estava embaçada, seu corpo pesado, não conseguiu se mover de imediato resolvendo assim se acalmar e respirar fundo. Aos seus ouvidos, uma melodia calma e triste, reconheceu como Nearer, My God, to Thee, não pode deixar de sorrir, sua audição parecia normal. “Quem está assistindo Titanic?” Foi aos poucos percebendo os estímulos a sua volta. Conseguiu virar o pescoço para o lado, viu Mello adormecido numa poltrona do outro lado da sala, a tv ligada exibia para o nada o filme de 1987, dirigido por James Cameron. Oh, sua memória também estava normal!
– Me...Mello?
Voz rouca chegou ao ouvido do homem adormecido que abriu os olhos lentamente ainda embargado pelo sono e pela musica.
– Matt? Matt!
O loiro correu em sua direção, tocou de leve seu ombro tentando a todo custo conter a ansiedade.
– ...nearer, my God, to Thee... even thought it be a cross… _sorriu fraco, alcançando a mão magra de seu amado _gosto dessa musica. Quero aprender a tocar violino, me ensina?... um dia eu... encontrei seu violino guardado no armário da sala... hey Mello, não chore.
– ...con... continua falando... por favor _balbuciou em meio a lágrimas.
– Eu te amo, te amo tanto, mais do que tudo nesse mundo.
O ruivo se deixou levar pelos sentimentos e fechou os olhos sentindo suas próprias lágrimas escorrem.
Horas mais tarde, já totalmente desperto e sem o efeito de qualquer remédio, Matt era cercado por seus médicos, que sorriam um para o outro, e Mello implorando para lhe deixarem abrir uma garrafa de champanhe.
O motivo daquela celebração não era algo tão simples, quando o ruivo ouviu a história contada aos tropeços pelas três pessoas afobadas sentiu o ar esvair de seus pulmões. Era como se tivesse entrado num filme de ficção científica ou que simplesmente estava participando de alguma pegadinha.
Matt entrara em coma após a cirurgia, Beyond e Lawliet se culparam por não terem conseguido obter o sucesso desejado e se aposentaram. Usaram como justificativa que não tinha sentido eles trabalharem a vida toda e quando realmente tinham vontade de salvar alguém, isso não se tornava possível.
Mello sofreu, chegou a cogitar desligar os aparelhos e morrer junto daquele que lhe fazia tanta falta. Lembrou-se então do seu singelo sorriso, Mail Jeevas nunca fora uma pessoa fraca, nunca deixou de sorrir, nunca deixou de acreditar que aquilo poderia ser superado, e reunindo todas as suas forças, continuou a cuidar dos pacientes do hospital onde trabalhava, convenceu os gêmeos a voltarem – conseguiu. Eles simplesmente não podiam ver seu aprendiz se esforçar tanto para nada, salvaram inúmeras vidas nesse espaço de tempo, tantas que foram condecorados heróis.
Cinco meses e a esperança cada vez mais distante, Mello entrava e saia do quarto numero 45 todos os dias levando consigo flores, lágrimas e sorrisos. Fez da suíte sua casa, tocava violão e lia livros sempre que o cansaço do trabalho não tomava conta de si, não deixou Matt sozinho um dia apenas. E naquele entardecer de quarta-feira, em meio ao sono costumeiro, ouviu seu nome.
Mail finalmente acordara. Os cabelos já haviam crescido novamente, as cicatrizes não mais eram visíveis e sua doença, curada.
Eu ouvi a canção do amor.
É um som carinhoso, como se um pequeno amor
Chegasse perto de um sorriso.
O tempo passa,
Os sonhos passam.
E mesmo que muitas coisas mudem,
Só preciso que você esteja aqui.
2 semanas depois.
– Bom dia, Mail!
– Bom dia, jovem Jeevas, está com uma boa aparência.
– Ai ruivinho, bom dia, espero que demore a voltar, mas ainda venha nos visitar!
– Bom dia, Sr. Jeevas.
E a cada cumprimento, um sorriso tímido. Durante todo o trajeto de seu antigo quarto até a saída, ia recebendo presentes, cumprimentos de pessoas que nunca vira na vida, mas que todas o conheciam muito bem. Antigos enfermeiros e médicos que ajudaram em sua causa. Pessoas que passaram o amar pelas bravuras contadas por Mello durante aqueles cinco meses.
– ...acordei graças aos cuidados de todos, muito obrigado _fez uma demorada reverencia _as vezes a sua vida tira tudo o que você tem deixando somente o suficiente para sobreviver... _olhou para Mello agora sem conseguir conter as lágrimas _mas no final, ela te devolve tudo em dobro. Perdi minha família quando criança, fugi do internato para morar na comunidade ‘fé e esperança’. Eu pensava: que nome idiota! Do que adianta batizar um lugar como esse com um significado tão grande? Mas o idiota era eu, foi lá que encontrei a pessoa que me salvou, que me salvou de todas as formas possíveis e que amou o garoto pobre do passado clichê. E que continuou me amando mesmo depois de tudo dar errado... _abriu um sorriso tímido _e hoje, depois de passar por uma doença horrível, de ficar em coma por 5 meses, mesmo eu não tendo consciência disso _riu sozinho _ tenho tudo de volta! Meu namorado, amigos e um lar... e é isso, obrigado.
Terminou seu discurso para as pessoas que o acompanharam até a saída, agradecendo pela última vez. Os aplausos vieram de surpresa o fazendo arrepiar e tapar o rosto com as mãos; era demais para o pequeno Jeevas.
A noite, depois de toda a agitação ter passado, depois de um banho refrescante, depois de sentarem na cama lado a lado e depois de terem entrelaçados os dedos, o casal finalmente começou a rir como se tudo não tivesse passado de um sonho louco. Seres humanos.
– Como foram esses cinco meses? _perguntou Matt por fim, ainda com dores nas costas pela longa gargalhada.
– Descobri que sou foda demais para entrar em depressão _comentou levando um soquinho no ombro _é sério, não quero pensar nisso.
– Me conte, vou me sentir melhor... afinal _olhou para o teto adornado com um lustre de cristal _eu realmente não me lembro de ter morado numa mansão antes da cirurgia. Sinceramente, que porra aconteceu?! Entrou pra máfia?
– Ahan, máfia dos órgãos _acenou com a cabeça num gesto positivo.
– Mihael!
– Ok, ok eu conto, saco. To rico, pra que ficar lembrando dessas coisas? Deixo você gastar com o que quiser para se sentir melhor _recebeu um olhar de tédio e desistiu de persuadi-lo _Matt, quando você não acordou, eu quis morrer. Não só eu, mas os gêmeos também. Ficamos muito desesperados, com remorso, com raiva, com tudo! Eles desistiram da medicina, mas veja... _acariciou seu rosto _você sempre sorriu para nós mesmo tendo todos os motivos do mundo para desistir da vida e chorar. Entende como isso nos deu força? Não podíamos simplesmente jogar tudo para o alto... então nos dedicamos a salvar todas as vidas que nos fossem entregues. Beyond parou de matar os bandidos _fez uma careta cômica _sério, ele é um monstro quando se trata de serrar e costurar. Depois de três semanas, curamos mais gente do que faríamos em 1 ano. O Lawliet e o Beyond começaram a ter amor pela medicina _sorriu _graças a você. Se reencontraram na vida e até se tornaram menos estranhos um com outro.
– ...mas e você?
– Não quis sair do seu lado por um momento que fosse, passou sim pela minha cabeça desligar os aparelhos e morrer contigo, mas... isso mesmo, imaginei exatamente essa sua cara de indignação e logo desisti. Me mudei para o seu quarto, fiz do hospital nosso lar. Aliás, vendi aquele apartamento. Mas isso me trouxe coisas boas também _afagou os cabelos ruivos _aprendi muita coisa, fiz amigos, muita gente te ama só por ouvir suas antigas histórias. Ganhei mais dinheiro do que qualquer um, pois trabalhei por cinco meses 24 horas por dia, 7 dias por semana.
– Mello, não saiu um dia sequer? _sua voz tinha um tom de culpa.
– Não me arrependo. Não quero que fique com paranoias, ok? Foi uma escolha minha. Acho que assisti Titanic umas... 50 vezes, pois é um filme que você gosta e tinha a esperança de trazer a sua consciência. Também ouvi só as musicas que você ouvia... e lia Hermann Hesse sempre que a preguiça deixava, tenho um ciúme incontrolável do seu Demian _confessou arrancando um riso do outro _e foi assim.
– Sinto muito, não queria que tivesse sido dessa forma, vocês todos sofreram tanto!
– Não pense nas coisas ruins, Mail, nem parece você. Tiramos boas lições e eu até fiquei rico. Vamos só pensar nos sorrisos que trouxemos.
O ruivo abraçou seu amado afagando suas costas, naquele gesto pequeno tentou transmitir toda sua gratidão e amor. Ainda era pequeno diante seus sentimentos, diante tudo o que o loiro tinha feito por si, mas no momento, era o gesto mais sincero que poderia fazer.
– Eu te amo, Mihael.
– Eu te amo, Mail.
– ...meu caralho, preciso fazer alguma piada para quebrar esse clima _coçou a nuca _posso mesmo torrar sua grana em games?
– As u wish, Darling.
– E... podemos transar agora também?
– Aleluia, achei que não ia dizer isso nunca!!
Eles riram, a felicidade afinal está em tudo na vida.
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– Matt! Ah, Matt querido _a pequena abraçou sua cintura e escondeu o rosto em sua barriga fazendo o ruivo sentir cócegas _finalmente! Senti tanta saudade.
A voz abafada de Rosa era cheia de alívio, Matt queria chorar e rir ao mesmo tempo tamanha a felicidade em poder encontrar sua melhor amiga. A levantou do chão alguns centímetros sentindo os músculos falharem.
– Uh-uh preciso melhorar meu condicionamento físico antes, fiquei muito tempo parado _se desculpou optando por ficar de joelhos e depositando um leve beijo em sua testa _como passou esse tempo, meu anjinho?
– Fiz aniversário _comentou a esmo, sem saber direito o que dizer _e fui te visitar todo mês, minha mãe ajudou a cortar seu cabelo, ficou torto.
Eles riram, ‘tá certo, mas por mais torto que estivesse, estranhamente tinha ficado ótimo.
– Feliz aniversário, acho que te devo um presente.
– Tenho certeza disso _disse ainda entre soluços _eu te amo, Matt.
– Também te amo princesa... oh, temos uma outra princesa ali com ciúme. Vamos convidá-lo para tomar sorvete com a gente?
– Claro! Aquele loiro aguado _suspirou arrancando novas gargalhadas do ruivo _vou ter que aceitá-lo na nossa relação, não é?
– Sim... _disse com falso tom de lamento.
– Senhor Keehl, já disse que não posso aceitar! _o homem de meia idade empurrou de volta o cheque que tinha em mãos _pelo amor de Deus, é muito dinheiro!
– Rosa, fala pra ele pegar _Matt pediu soltando a mão da menina _o que vocês fizeram por mim não tem preço, me deixe ajudá-los. Por favor.
Edgar olhou para o valor no canhoto, era o suficiente para comprar uma boa casa do centro, um carro e ainda sustentar sua pequena família por três meses. Um completo absurdo.
– Fizemos por amizade.
– Esse país está todo errado, sabe, minha melhor amiga levou um tiro e até hoje não sabemos o motivo ou quem foi _olhou de canto para Mello que manteve os olhos fixos em seus próprios pés _nós trabalhamos naquela serralheria por anos e até hoje não foi o suficiente para se quer trocar de carro. E não foi trabalhar pouco, foi acordar de manhã, almoçar restos do jantar e fechar quando o sol estava indo embora... não teve churrasquinho do final de semana, nem viagens, muito menos roupa de marca ou eletrônicos. Tudo a mercê de um país onde os impostos valem mais do que o bem estar de seus cidadãos. E o lugar onde moramos? Caramba, eu já levei um tiro de bala perdida quando era moleque, na perna, o senhor lembra né? Não podemos levar as crianças na escola, por que temos medo da comida estar estragada e a água contaminada. Não dá nem pra ver os fogos no ano novo, porque a rajada de tiros pode acertar alguém. Mello lutou contra tudo isso e... _deu os ombros _teve a sorte de ter um pouco mais do que nós, então, por favor aceite. Não nos fará diferença e só assim posso dormir tranquilo, pois as pessoas que amo estarão mais seguras e confortáveis.
– Senhor Keehl...
– Me chama de Mello _disse sem graça _ah vamos lá, sou péssimo com essas coisas, apenas aceite!
O homem estendeu a mão e pegou o papel com receio, olhou para sua filha dando um sorriso breve.
– Rosa, agradeça você também ao Matt e ao Mello por isso _pediu para ela afagando seus cabelos _desejo toda a felicidade do mundo, meninos. Comprarei nossa nova casa o mais rápido possível, vou arrumar um trabalho também e assim que tudo estiver acertado, devolverei a quantia que não formos precisar. Só aceitarei com essas condições.
Eles se entreolharam.
– Tudo bem, Senhor Edgar. Rosa querida, vamos à sorveteria agora?
– Sim! Obrigada Matt, por tudo, obrigada você também, Mello... posso te dar um abraço?
Mello sentiu as bochechas pegarem fogo, mas o sorriso em seu rosto foi impagável e logo abriu os braços agarrando a pequena e a levantando no ar.
– Achei que me odiava.
– Já disse para o Matt que te aceito na nossa relação _suspirou _bem vindo a família.
– Hey!
– É brincadeira, bobo _o loiro abriu e fechou a boca sem saber o que dizer.
– Eu disse que ela é esperta... e ela chegou antes de você, Mel, então só posso te amar como segunda opção.
Matt saiu correndo. Run, Matt, run! Ou ficará sem um rim muito em breve.
Algum tempo depois.
– Trás um chocolate quente pra mim, por favor _pediu o ruivo sem tirar os olhos da tv, estava concentrado em matar o chefão do recém lançado final fantasy.
– Demian! Um chocolate quente pra mim também_ disse o loiro a esmo.
– Mello, pare de chamar nossos empregados todos de Demian. Só porque eu comentei que ele devia ser bom de cama _riu pelo nariz.
– Agora ele virou meu escravo, maldito Hermann. Olha, vão passar nosso documentário outra vez na tv... _comentou lendo um e-mail recém enviado _é agora a noite _como não teve resposta fora obrigado a se levantar do sofá para lhe cutucar as costas _o que foi?
– ...nada, só acho meio desconcertante ver minha cara na tv todo final de semana.
– Você odeia tudo isso, não é?
– Não sei, de verdade. É só que... sempre quis viver minha vida da forma mais tranquila possível. De repente um cara como eu, que nunca se esforçou pra nada, virar sinônimo de força e bom exemplo para outras, não me parece certo. Na real, parece bem injusto.
–E daí? Foda-se, primeiramente, qualquer um deveria ser capaz de se erguer na vida sem depender de bons exemplos. E mais uma coisa, é mentira que nunca se esforçou pra nada, estou aqui agora não estou? Não fiquei ao seu lado só porque é um ruivo delícia.
– Você sabe como estragar um discurso _riu enquanto desligava o Playstation para escalar o sofá e se apossar dos três assentos sozinho _que seja. Vou me acostumar com isso.
– Sei que vai!... sabe, Matt, tenho outra curiosidade. Você odeia dinheiro ou algo assim?
– Uh se você me chamar de hippie ou coisa parecida vou te dar um soco. Por que diabos me perguntou isso?
– Bom, desde que eu te conheci e até agora, está sempre usando essa droga de blusa listrada e calça rasgada. Qual é a sua?
– ...ah é? _olhou para suas próprias roupas _mas são novas!
– Que tal uma jaqueta de couro e tal.
– Cale a boca playboyzinho de merda, aliás, comprei um 3DS novo, só pra combinar com a cor da minha camisa ok?
– ...oi?
– Só no luxo e ostentação! Luxo e ostentação!!!
O ruivo saiu correndo, obviamente era mentira, mas adorava irritar o amado com pequenas futilidades. Ele pulou para trás do móvel sentindo seus pés tocarem o chão gelado, deu então passos largos em direção à escada, prestava tanta atenção aos seus movimentos que chegou a controlar a respiração: todos aqueles pequemos detalhes que antes o incomodavam tanto, finalmente estavam em ordem. Após a terrível doença, sua vida tomou um rumo levemente diferente, bom, ainda ia ser o mesmo Mail Jeevas de sempre – acordando tarde no final de semana, jogando vídeo games até seus olhos secarem e fumando seus preciosos cigarros – mas uma coisa era certa em sua rotina, agradeceria todos os dias por ter encontrado Mello e acima de tudo, nunca mais deixaria de perceber as belezas que só um ser vivo era capaz. Olhar para o céu todas as manhãs e gostar dele mesmo nublado, sentir o vento bagunçar seus cabelos macios, saltar o mais alto que seu corpo permitia, correr, rir, falar pelos cotovelos; tudo que um dia quase fora tirado de si, ele adoraria para toda a eternidade.
E assim seus dias seriam melhores, e assim ele seria uma pessoa melhor.
– Hey, Mello... _disse entre ofegos depois de cair na armadilha do outro e ser surpreendido com cócegas _obrigado por tudo.
– Para! Está se despedindo por acaso?!
– N-não, mas... mesmo assim obrigado _lhe beijou a testa.
– Obrigado você, eu te amo, Matt.
– Eu te amo, Mello.
FIM
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